You've got no fucking clue what you just got yourself into;
O moreno passou os dedos longos pelo cabelo bagunçado. Ele tinha a lombar apoiada no pequeno muro da faculdade, três meninos ao seu redor reclamando sobre algum professor ou discutindo sobre algum esporte. Não o interessava, de qualquer maneira - infantilidades humanas o deixavam com sono. O sol claro da primavera estava em seu pico, o obrigando a tirar os óculos escuros do topo da cabeça para cobrir seus olhos. Se o planeta estivesse entrando em algum tipo de era do gelo reversa, ele faria questão de passar essa era do mesmo jeito que passara a outra: nos confins do inferno, escutado frank sinatra e louis armstrong e tacando fogo em animais pequenos.
A verdade era, a repetitividade da vida humana estava o cansando. Ir pra faculdade, zoar com calouros e pegar almoço de graça. Sair a noite, encher a cara, transar com a primeira pessoa que ele achasse atraente. Não dormir, nunca - era uma vantagem de não ser humano. Você não precisa dormir, isso não faz nenhuma diferença se não jogar seu tempo fora.
Mas Caim não era um demônio. Quer dizer, ele é, agora, mas não é isso que ele foi criado para ser. Ele era dolorosamente humano, e sentia falta do conforto que dormir trazia. Ele estava cansado de viver, porque nenhum mortal deveria ser submetido a quase 6 mil anos na terra. Ele estava exausto.
E, que melhor jeito de superar a miséria de sua própria alma se não acabando com a vida dos outros?
Caim inspirou, devagar, se obrigando a abrir um sorriso. Puxou os óculos de volta para o topo de sua cabeça, cerrando os olhos para encarar os rostos dos outros veteranos que lhe faziam companhia. Além dessa visão, porem, algo chamou a sua atenção. Atrás da cabeça de um dos meninos, sentada na grama do campus, estava uma das calouras desse ano. Ele conhecia todos, pois fazia questão de participar do trote todos os anos - ter capacidades sobre-humanas trazem algumas vantagens quando se quer foder com a vida dos outros. Ela era bonita, quieta, e não tinha chamado muita atenção para si mesma durante os trotes como a grande maioria tentava - para parecerem "descolados", ou qualquer merda assim. Isso o deixara querendo ouvir sua voz mais.
Isso, e o fato de que parecia que ela poderia estar se fodendo menos para a existência do moreno.
Caim estava acostumado a ter todos puxando seu saco. Porque ele era bonito, era mais velho, era alto e gostoso, comia bem. Misterioso, "bad boy", sem limites. Para os humanos, isso eram traços interessantes - era "descolado" - e isso chegava a o enojar. Como se jogar sua vida no lixo e fingir ser muito acima das regras fosse algo incrível. Como se eles fossem a maior espécie existente no universo, como se soubessem tudo. Ratos desprezíveis. Ele odiava mortais tanto quanto odiava a si mesmo.
Porém, ela não. Ela lhe parecia normal, simples, genuína. Era quase como um vento refrescante no rosto, um banho gelado depois de um dia quente. Se ele não detestasse tanto a Deus, poderia mandar um Aleluia, Senhor agora mesmo.
- A festa de sexta, ainda tem espaço na casa do Will pra mais gente? - perguntou, não se dando ao trabalho de olhar para os meninos e continuando a encarar a caloura. Todos eles calara a boca, o encarando com interesse. Dois murmuraram "acho que sim", um deu de ombros. O moreno assentiu e empurrou um dos garotos pro lado para poder passar.
Andou com as mãos nos bolsos, cruzando do concreto para a grama até alcançar a menina mais nova. Quando encontrou seus olhos, Caim quase engasgou com as próprias palavras.
Quase.
- Bom dia, pequena -















