You know I love the thrill of the rush @Greenford
A menina se pôs à sua frente, o segurando no lugar. Gostaria de ter a coragem de desprender sua mão da da garota, mas sentia que seria muita covardia com ela. Ela não merecia isso, e não merecia ele, e talvez o moreno só estivesse a fazendo um favor. Ou talvez ele estivesse destruindo a sua única chance de felicidade.
A olhou nos olhos, as piscinas cristalinas o encarando preocupadas, como se pudessem atravessar sua alma e ver muito mais do que o próprio conseguia enxergar. Firmou mais o punho da mão que estava livre, repetindo em sua cabeça. É melhor para ela.
Era uma bagunça de emoções, ok? Não sabia se tinha raiva dela, se tinha raiva de si, se tinha raiva do menino, se tinha raiva de Deus e do Diabo. Só sabia que tinha; raiva. Ira pura, que borbulhava sob sua pele mesmo quando esse estava sorrindo, esperando a menor das faíscas para explodir. O sinal que mais mostrava o quanto o moreno havia mudado, era o fato dele não mais culpar apenas os outros por seus erros. O fato de sentir raiva de si mesmo era algo novo, e nem um pouco bem vindo.
Mexeu a cabeça devagar, ouvindo o estalo do próprio pescoço ecoar pela cozinha de azulejos limpos. O que aquele menino ainda estava fazendo ali, com sue cabelo escuro emo e sua postura de viadinho? Ele era perfeitamente capaz de zunir com o moleque, esmagar seu crânio com um simplez passo em cima da sua cara - e ainda sair impune. Porém, ela sofreria as consequências. Ele não mais conseguia pensar apenas nos efeitos que suas ações teriam sobre ele, mas agora também pensava nos outros. Na família do menino; na família de Katherina; em seus irmãos; na menininha Marcella. Se pudesse, teria u filho. Um filho seu, com a humana ao seu lado. Sabia poder ser perfeitamente possível, mesmo que arriscado, porém queria. Queria ser frouxo o bastante para fingir viver como humano, pelo menos durante essa vida, a vida do corpo de James e de Kath. Seu corpo envelheceria como qualquer um, então não seria difícil. E, mesmo “morto”, ainda poderia tomar conta de seus filhos, seus netos, e todas as suas gerações para toda a eternidade, fazendo questão que esses fossem felizes como ele nunca fora.
Não podia simplesmente sair, e sabia disso. Se simplesmente fosse embora, nunca teria nada disso. Não a teria, não teria descendentes, não teria nada; qualquer rastro de seu sangue sumira conforme as grandes pragas de Deus, e ele não mais tinha qualquer legado que não fosse a própria alma. Ele não queria apenas um futuro: ele queria uma família para chamar de sua.
- Você não fez nada - a voz era funda e curta, os olhos ainda escondidos nas sombras de seu próprio rosto - Você nunca faz nada - soltou o ar que não sabia segurar, desviando seu olhar para o menino atrás dos ombros da morena.
- Sai daqui, moleque - disse, quase podendo sentir o veneno escorrer por sua boca. Fazia algum tempo que não usava aquele tom, e tinha a certeza que esse assustava a menina. Não queria a amedrontar, só queria o metidinho fora daquele lugar. Precisava falar com ela, direito; sobre tudo. Ou quase tudo.
Ele não respondeu por um tempo, muito ocupado sendo atormentado pelos próprios pensamentos para a responder. Não se afastou. Não soltou sua mão. Buscando por alguma forma de consolá-lo, mesmo que não pudesse. Às vezes, sentia como se não fosse o suficiente. Porque ele era demasiado complicado, com tantos segredos que ela não conseguia descobrir, que embora na hora ela entendesse, a mantinha acordada durante a noite. Sentia como se não pudesse ajuda-lo, por mais que tentasse. Mas não queria desistir. Ele era a melhor coisa de sua vida – e muito provavelmente a pior – e não podia simplesmente abrir mão dele, como um brinquedo quebrado. Porque o amava. A palavra parecia forte demais para tão pouco tempo, mas sentia a verdade no fundo de sua alma. Com problemas ou sem problemas, ela o amava. Era um fato, e ela sempre gostara de fatos.
Finalmente, ele falou. Acenou com a cabeça, embora tivesse a impressão que ele não estava, realmente, a vendo. Sua mão apertou a dele com mais força, não chegando nem perto da força usual que ele usava. Ainda assim, era o máximo que conseguia. Sabia que Patrick ainda estava atrás dela. Era típico dele. Estava prestes a puxar James para o quarto novamente, para conversar propriamente com ele, sem os olhos curiosos das crianças – ou da criança. Mas ele fora mais rápido. O ódio e desprezo em sua voz era tão claro que, por um instante, ela se preocupou que o mais velho bateria no garoto. Ouviu os passos apressados e não precisou olhar para trás para saber que estavam sozinhos. Suspirou, soltando da mão dele. “Não ligo que seja grosso comigo.” Disse, se afastando para fechar a porta, girando a chave. Era óbvio que se importava, mas sabia lidar com isso. “Mas dá pra se controlar com as crianças? Elas não tem culpa.” A voz foi diminuindo conforme falava. Voltou para perto dele, sentando-se mais uma vez, o cansaço abatendo-se sobre ela.









