Sigilo
Não grito e engasgo com o silêncio Não se para enchente com remendo E quanto mais respiro, mais falta ar Peço pra jogar e não aguento o jogo Decoro a forma com o canto do olho Mais sum desconforto pra se acostumar
Deixa aberta a porta e pede sigilo O mundo ao redor do teu umbigo Guarda puma noite de tédio Se não tiver nada pra ver Nenhuma festa, nenhum remedio Se quiser dormir depois que amanhecer
Desprovido de tato pra esses disfarces Sopra ao ouvido delicados impasses O passo trôpego, me falta folego Um olhar torto, socorro Só corro e não te peço nada Além de um copo de água O resto é fachada Dissimulação arte aplicada
Eu lembro que havia um mundo lá fora Eu lembro que eu ria e o riso ecoava Mas isso foi antes e difere do agora Onde me enchem os olhos e me faltam palavras
Toma tenência, menina Tensão, penitência, preguiça infinita Toda tendência fascina E confia "amor não enche barriga" Mas admito, admiro tua liberdade E o desenho inteligente do teu corpo A verdade, eu to calejado dessa cidade Mas a enchente alimenta o fogo, Uma segunda chance e a falta de decoro Teu cheiro, tua lingua no meu rosto Morro todo dia pra me sentir vivo Deixa aberta a porta e pede sigilo











