˗ˏˋ CALIPÁTIRA ࿐ྂ Callie Wood
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@calipatirax
˗ˏˋ CALIPÁTIRA ࿐ྂ Callie Wood
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h-geralt:
Em resposta a Callie revirou os olhos por mais tempo do que seria considerado costumeiro, almejando obter mais algum riso da mulher apenas para distrai-la minimamente do caos que os envolviam, era sua maneira de demonstrar afeição. Geralt franziu os lábios rapidamente, não sabia como poderia ajudar alguém, mas jamais diria não a mais velha. Com a menção da Amelia o loiro se viu aproximando um pouquinho mais de Callie para lhe sussurrar: — Podemos trocar de lugar, hum? Estou tendo alguns conflitos com a Mel, embora não saiba exatamente o motivo, além disso, acredito que o Nik ficaria bem melhor na sua companhia. Por favor? —Pediu, tomando a liberdade de pousar um beijo rápido em sua bochecha enquanto rezava para que isso a deixasse flexível. Geralt coçou a nuca e desviou o olhar por um segundo. —Não, mas você sabe que luto muito bem. E não precisa se preocupar comigo. — Garantiu com firmeza, embora não se tratasse de toda a verdade.
Observou Geralt se aproximar e isso a fez arquear as sobrancelhas. Quando o sussurro veio, ela franziu o nariz, não muito contente com a situação. Mas era hora de ser racional e profissional. Todos sabiam que ela não era uma amadora emotiva. “Yeah, sure” disse baixo, sem demonstrar nenhuma insegurança, apesar de não gostar muito da ideia. Ela mesma tivera atritos com Nikandros naquela mesma noite, mas sabia que ele não estaria bem. O rapaz tinha razão, ele ficaria melhor em sua companhia. Respirou fundo com o beijo no rosto e colocou o cabelo curto atrás da orelha. Não era hora de demonstrar abalo emocional - principalmente por ter todos reunidos ali. “Não temos tempo a perder, precisamos ir.” murmurou, tocando seu ombro com cuidado. “Eu me preocupo, sim. Mas vai dar tudo certo, eu tenho certeza disso”
khaliha:
A vontade que tinha era de chorar. Khali sentia aquele aperto familiar na garganta quando começava a prender o choro mas a emoção lutava para lhe tomar. Sentia-se tão cansada… mas só de olhar para Callie, suas energias renovavam. Podia respirar novamente, perdia o peso nos ombros, a dor no coração. Seu desejo era dar os passos rápidos e abraçá-la, implorar pelo perdão e prometer que não iria embora novamente. Não iria mais fugir. Estava muito cansado. Seus olhos marejaram e o egípcio soltou um leve riso ainda mais sem graça com a menção das fechaduras… isso queria dizer que tinha atingido o limite e estava oficialmente expulso da equipe? Da família? Apenas a possibilidade disso lhe enjoava, sentia o coração começar a bater apressado demais no peito para ser normal; subiu a destra para o peito e soltou um pequeno suspiro. ’ —— Estou cansado.’ proferiu as palavras que com certeza deveria ter dito séculos atrás. Inferno! Um milênio antes. ’ —— Não… não aguento mais isso.’ resmungou no seu dialeto antigo, pesado, mas que a outra entenderia tão bem. Uma lágrima escapou antes que Khali cedesse a tentação e apenas se aproximasse mais ainda de Callie, quebrando aquela distância para abraçá-la. Se a mais velha não aceitasse ou lhe empurrasse, teria todo o direito; ela poderia até mesmo lhe matar, não faria diferença para si. Mas no momento não precisava de banho — mesmo que o cabelo que agora estava mais longo e diferente do corte curto que mantinha antes de sair estivesse pesado pela falta de lavagem — ou chá. Precisava era do conforto que o abraço de Callie Sempre lhe trazia. O cheiro conhecido de finalmente estar em casa, aquele perfume característico que lhe acalmava há mais de um milênio. Era disso que precisava. E caramba, só servia para ter mais certeza: chega de fugir.
Callie observou com atenção a movimentação do corpo alheio, analisando a linguagem corporal. Sempre agia com cautela quando Khali voltava. Era difícil para mulher lidar com os abandonos e retornos, ela mantinha-se forte e intacta, mas por dentro quebrava pouco a pouco. Observou a lágrima escorrer no rosto egípcio, e comprimiu os lábios, ao ter o corpo abraçado. Demorou alguns segundos para reagir, mas, quando finalmente o fez, se deixou abraça-la de volta. Apertou os braços ao redor de Khali, acariciando suas costas como se tentasse passar conforto. Era o que Calipátira sempre fazia: tentar confortar de alguma forma, transmitir força, calma. Se afastou um pouco apenas para observar o rosto alheio, e usar o polegar para limpar a gota que escorrera de seu olho. “Você fez muita falta. Como sempre” murmurou, sentindo o coração apertar. Eram poucos os momentos de fragilidade dela, mas quando aconteciam ficavam estampados em seu rosto facilmente. Realmente queria dizer aquilo. Sentia falta dele e até mesmo dos abraços. Mas ter Khali ali relembrava o passado, de quando todos estavam juntos. Ela respirou fundo e se afastou, depois de algum tempo abraçando-a. “Está com fome? Onde esteve? Você acabou de chegar na cidade ou...?” já viu Nikandros? Era o que queria perguntar, mas não o faria. Apertava-lhe o peito pensar no outro imortal.
Pouco havia sobrado após a explosão. Roupas, mobília e objetos de decoração, todos dizimados pela bomba. Um final que deveria ser compartilhado por seus corpos, não fosse a inexplicável habilidade regenerativa que o grupo possuía. Se tratava-se de uma bênção ou maldição, por vezes Amelia tinha dificuldade de determinar. Ao assegurar-se de que todos estavam bem, a brasileira esgueirou-se a procura de toalhas de mesa ou cortinas que pudessem servir para cobrir seus corpos, tendo a sorte de encontrar a sala de jantar privativa ao lado também vazia. Quem quer que tivesse tramado aquilo, certamente preocupara-se de não atrair atenção em demasia, afastando os clientes. De posse de alguns tecidos, Mel regressou ao lado da família para distribuir aquilo que tinha, finalizando com @calipatirax. “— Aposto que consigo transformar isso em um vestido digno da São Paulo Fashion Week.” — Gracejou em uma tentativa de atenuar o clima.
O tom de Amelia a fez dar uma risada breve, sem muito humor. Achava interessante quando acabava cedendo aos impulsos e se deixava rir - nervosa - entre situações de tensão. Mel costumava fazer um bom trabalho quando dizia respeito a isso. Comprimiu o lábio inferior “Acha que vou ficar bonita nisso? Quero desfilar.” perguntou com um sorriso de canto. Calipátira não dava a mínima para roupas, tanto que sempre pegavam em seu pé por ter apenas roupas pretas e idênticas. Mas acabou se deixando entrar na fala, soltando o ar e pegando um pedaço da cortina, amarrando sobre os seios parciamente expostos. “Não tem ninguém pra lá mesmo, né?” confirmou com a outra imortal, os olhos desconfiados passando de ponta a ponta na sala, intrigada sobre como tudo aquilo havia acontecido.
khaliha:
flashback, 2010.
O caminho para casa foi longo. Estava no Brasil, tinha passado os cinco primeiros anos escondido no local antes de mudar para a Dinamarca e então retornar para a terra de Mel. Gostava do ambiente, era magnífico, grande e tão diversificado. Quando piscou, ja havia se passado vinte anos que estava longe de casa. A insônia se tornou insuportável, chegou ao ponto de sucumbir, morrer de exaustão. Nunca ficava morta por muito tempo, em menos de um minuto estava tossindo e voltando a encher os pulmões com oxigênio. Mas ao abrir os olhos e ver-se sozinha, Khali sempre sentia aquele desespero familiar lhe tomar. Foi ali, deitada no chão contemplando o vazio da pequena casa em terras nordestinas, que fez sua decisão: precisava de sua família, de seu lar. Há séculos que isso deixou de significar um lugar e passou a ser as pessoas que amava. Era atrás deles que precisava ir. Para sua surpresa, os rastreou com facilidade e… estavam em locais opostos mas no mesmo país.
Seu impulso seria procurar Giuseppe, mas depois do incidente de retornar de um de seus desaparecimentos e encontrá-lo com outra pessoa, não fazia mais isso. A escolha mais segura era Nik ou Callie. Partiu para Callie, iria obter respostas mais claras sobre a missão que fez sua família se separar. Pois a única coisa que vinha em sua mente para justificar estarem tão distantes, era uma missão. A tremenda ansiedade lhe deixava com agonia. Fazia apenas alguns meses que estava testando coisas novas para si também; roupas, costumes, passava a aprender mais sobre si e tinha um pouco de receio de como a família iria receber as novas informações. Muita coisa mudou em vinte anos, já não era a mesma pessoa de quando saiu do aconchego do lar. Mas céus, sentia-se exausta. De correr, de fugir, de se esconder; e mais, acima de tudo, de se punir. Encarou a porta por mais alguns instantes, agora que estava ali na mansão, já não sabia como teria coragem de encarar as feições desapontadas consigo por ter sumido de novo. Respirando fundo, testou a chave que possuía; para seu alívio, ainda servia. O sorriso sem graça apareceu logo em seus lábios ao notar Callie na sala, depois de vinte anos, era como respirar com mais leveza novamente. ’ —— Isso é o que deveriam chamar mesmo de caminhada da vergonha.’ para si, já que estava sendo pega no flagra quando tinha esperanças de encontrar o local vazio.
Os olhos de Callie automaticamente foram para a porta quando ouviu o barulho. Comprimiu os lábios, imaginava que pudesse ser Edmund ou Delph, mas se surpreendeu quando Khali passou pela porta. A mulher era péssima lidando com despedidas, mas era muito pior lidando com reencontros. Prendeu a respiração, não sabia bem o que devia dizer, estava antônita. Piscou algumas vezes e até cogitou a possibilidade de ser alguém disfarçado, mas então ouviu sua voz. A fala que se seguiu deixou claro: Khali estava ali de volta, de verdade. Como podia expressar o que sentia? Como podia dizer o quanto se preocupava com ele e como era agoniante não ter notícias? Como explicar que toda vez que ele sumia, tirava um pedaço de si consigo? Os ombros tensionaram. Ela engoliu em seco. “Khali...” murmurou apreensiva. Tanta coisa havia acontecido desde a última vez que haviam se visto. Tanto. Não sabia nem como proceder, a barreira ainda estava de pé. O orgulho se tornava ainda maior cada vez que ele ia embora. Odiava a sensação do abandono, mesmo que parcialmente. Ela se levantou do sofá da sala, largou o livro que lia sobre o almofadado. “Você tá aqui mesmo, isso não é um..” sonho. Não completou. Vivia sonhando com ex faraó, mas aquilo era completamente diferente. Até porque era de fato real. “Eu realmente preciso trocar as fechaduras” ela murmurou, com uma nova risada fraca, tentando amenizar a tensão. Khali estava ali. E, de certa forma, aquilo trazia uma paz interna enorme. Ainda mais quando muitos dos outros haviam a deixado. “E você precisa de um chá e um banho. Agora.” falou se aproximando do corpo alheio, cautelosa, os olhos presos nos castanhos, com certo afeto sendo transmitido apenas pelo olhar.
mseojun:
Ele sabia que a raiva alheia era entendível mas não, não sabia que ficaria com medo só de encarar os olhos flamejantes. Callie era como uma espécie de figura protetora, alguém que o acalmava na hora de dormir e seus sonhos eram sempre bons. Por isso, vê-la naquele estado foi aterrorizante e ao mesmo tempo esclarecedor. Callie não sentia o que Seojun sentia, pelo menos não ainda. “N-Não… Eu não fiz nada disso!” Acabou por gaguejar e quando sua camisa foi puxada, os lábios começaram a tremer. Sim, claro que tinha medo de uma imortal milenar, até porque tinha certeza que a mulher sabia uns mil jeitos diferentes de matar alguém e continuar matando porque Seojun não iria morrer fácil. “Eu juro! Minha intenção era só reunir todo mundo… Eu também to sendo procurado mas é no meu país, ninguém poderia sair de lá pra me procurar ou me seguir!”
Reconhecia ele de seus sonhos. Mas isso não tornava nada mais fácil.
Quando o vira entrando na sala, soube que ele era imortal, ou não aparecia em visões turvas durante a noite. Mas ele nunca aparecera perfeitamente. Nunca chegou a desenha-lo bem, pois era sempre incerto. Os olhos claros observavam os alheios com muita atenção e viu o medo dele, o tremor e a forma que ele falava. Ou era um ator muito bom, ou estava dizendo a verdade. Arqueou as sobrancelhas e assentiu, o largando em seguida. “Você vai com Khali e Gio. E eu juro, por tudo, que se você estiver envolvido nessa armadilha, eu vou acabar com você. E não pense que vai ser apenas te matando” ela murmurou com dureza, apenas para um susto extra. Ela sabia que, ao chegarem em casa e se vissem seguros - talvez? - o tratamento para com ele seria diferente. Ela não era cruel, apenas desconfiada demais. Fria demais. “Sem gracinhas. And I really mean it”
h-geralt:
Uma risada sem qualquer sinal de humor lhe escapuliu enquanto seus lábios franziram-se no que parecia um sorriso ao escutar a típica resposta de Callie. — Falar isso não ajuda a me preocupar menos. — Respondeu firmemente mesmo que seu tom não denunciasse alguma seriedade. Seus olhos quase que involuntariamente sondou o corpo alheio, verificando pela vigésima vez se não havia algum ferimento não notado anteriormente. — Sim, estão todos bem, fisicamente ao menos. — Completou numa voz pesarosa não se atrevendo a olhar ao redor, afinal, somente o grupo havia sobrevivido e não era preciso mencionar isso. — Estou bem, obrigado. — Murmurou, assentindo a medida que a morena se pronunciava, em seguida se levantou com a ajuda da própria. — Inclusive o novato? — Se viu indagando quase que automaticamente.
“Então você vai ter que se contentar com isso” deu uma risada fraca. Sabia que a preocupação era válida, até porque, ela mesma estava muito preocupada com o resto. Calipátira as vezes se considerava quase uma mãe ali, pois precisava que todos estivessem bem. Não saberia lidar com aquilo de outra forma. Comprimiu os lábios e assentiu “Menos mal. Com os traumas podemos lidar depois. Você vai ter que me ajudar” ela murmurou assentindo pra ele “Inclusive o novato. Ele vai com Giuseppe e Khali. Você pode ir com Nikandros e Mel, sim? Eu vou com Neelam, Daphne e Edmund.” falou bolando o plano rapidamente na mente, depois da conversa com Khali. Respirou fundo. “Todo mundo na mansão, eu não quero ninguém faltando. E pelos deuses, tome cuidado. Não sejam seguidos. Tem armas com vocês? Eu tenho no meu carro” murmurou com os olhos presos nos dele
’ —— Não… eu acordei rápido até.’ não iria admitir que acordou primeiro do que os mais jovens, foi angustiante isso; mas o pior foi perceber antes que Callie demorou mais. ’ —— Vou… vou ficar bem.’ cedeu apenas isso, era o máximo que conseguia sem disparar uma mentira ou cuspir algo que pudesse preocupar a mulher. Ninguém ali estava bem, mas eles ficariam quando saíssem. A menção da mansão foi o suficiente para Khali suspirar, o lugar era, assim como a cobertura de Nic, seu local de segurança, depois daquela noite seria bom ter um gostinho disso. ’ —— Sim, chefe. Todos nós devemos ir pra lá, até o garoto.’ sabia o quão angustiante era não ter ninguém para lhe fazer companhia em momentos assim difíceis, às vezes por escolha própria, mas antes de ter a família, foram três séculos árduos. As roupas estragadas não faziam muito para esconder a liga com a adaga mas Khali agradecia por ter ao menos ficado preso ali na coxa, pegou arma ao ouvir o conselho alheio e assentiu. ’ —— Eu vou com Peppe, vamos pegar o garoto. Vim de carro também, então vamos ver como está a situação no estacionamento.’ concordou. Parte de si estava com receio daquele encontro forçado na mansão, mas a outra parte — e bem maior — sentia um alívio tremendo. Sua família unida, mesmo que em tais circunstâncias, era o que desejava. Se inclinou para beijar a bochecha da mulher, não hesitando em abraçá-la. Callie poderia não ser uma das mais adeptas aos abraços em momentos assim, mas Khali era. E nunca resistia. ’ —— Sim, de todos nós. Todos juntos.’
“Sei que é difícil, Khali, mas você tem que ser forte” murmurou. Sabia como aquilo tudo a afetava, assim como afetava Nikandros e os outros. Nem todos tinham a dureza que ela tinha para lidar com as coisas e fora aprendendo isso ao longo dos anos. Comprimiu os lábios, mais uma vez. “Claro que você vai. Eu vou garantir isso, se precisa. Ok?” murmurou com um sorriso fraco, tentando passar algum tipo de conforto. Prendeu a respiração quando o ouviu falar até o garoto. Angustiante, sim. Era estranho levar um estranho para casa. O local que tinha tanta segurança e tanta sensação de lar. Era um dos únicos lugares onde Callie conseguia relaxar, mesmo que minimamente. Mas era o certo, ela sabia que sim. Assentiu, sem dizer muito mais. A mais velha tinha plena consciência que deixar o garoto para trás não era uma opção. O que não significava que tornava as coisas mais aceitáveis. Sentiu o beijo em seu rosto e, em seguida, os braços alheios a envolvendo. Nunca sabia como lidar com demonstrações de afeto, ainda mais em público. Mas dessa vez hesitou pouco antes de abraçar Khali “Por favor, tomem cuidado. Quebrei meu celular, mas Neelam vai comigo. Qualquer coisa ligue para ela, ok? Por favor, não façam nada estúpido e fiquem de olho no garoto” ela murmurou contra a pele de Khali, com cautela e carinho. “Te vejo em casa” Há quanto tempo não se referia a mansão como casa deles. De todos eles.
khaliha:
Não havia como mentir para Callie, em sua face estava exposto o dano que a explosão causou. Fisicamente já tinha se recuperado, mas psicologicamente? Khali ainda teria algumas péssimas semanas para enfrentar até que estivesse realmente bem. Suas mãos trêmulas foram escondidas, cruzando os braços contra o peito onde o vestido estava em fiapos. ’ —— Completamente curado.’ porque era essa a resposta mais simples, melhor do que uma mentira. A menção dos clientes mortos fez com que engolisse em seco. O que mais odiava na vida que levavam era quando inocentes se feriam, quando inocentes morriam. ’ —— Merda, não podemos ficar aqui. Todos… vamos para a mansão, não é?’ a indagou. No meio da confusão, se eles não estavam seguros, melhor que não se separassem. Seu olhar desviou então para o jovem imortal que também tinha sido atingindo e voltou realmente à vida. Pelo menos sabiam que nisso o garoto não mentiu. ’ —— Eu não acho que ele esteja envolvido… intencionalmente. Mas ele pode ter deixado rastros enquanto nos procurava.’ pelo menos era no que queria acreditar. ’ —— Temos que levá-lo. Se ele não foi o culpado, também não está seguro. Se for uma armadilha… bem, não podem nos matar então vamos lidar com isso.’
"Você demorou muito tempo? Está bem?” perguntou com cautela, observando o corpo alheio com cuidado, preocupada. Sempre acabava se preocupando demais com o resto dos imortais, ela queria poder proteger todos eles, odiava quando os machucavam. Comprimiu os lábios, revemente. Ela assentiu. “Quero ir para mansão... Quero todos nós lá. Juntos” faziam anos e anos que não tinham todos juntos lá e aquilo estremecia a garota, era verdade. Respirou fundo. “Ok, você está certo. Não deve ter sido ele. Talvez. Vamos ver” ela murmurou, sentindo os ombros pesarem. Tirou os fios de cabelo que estavam grudados na testa por conta do sangue seco. “Onde está sua adaga? Coloca ela em mãos. Se meu carro tiver ai ainda, pegamos as armas e dirigimos por uns trinta quilômetros. Depois pulamos e vamos andando, para despistar. Ok?” foi falando o plano que tinha em mente “Talvez a gente deva se separar, o grupo é grande, vai chamar atenção. Mas eu quero todos indo para a mansão. Todos” os olhos estavam presos no rosto de Khali, atenta. “Chega de orgulho” ela murmurou, falando sobre si, também.
h-geralt:
O alívio que o tomara não poderia ser descrito, Geralt suspirou pesadamente, sentindo parte de sua corpulência vacilar quando todos os imortais estavam devidamente recuperados. Precisamos sair daqui. Se viu pensando e não demorou para que Callie se pronunciasse, seu aspecto o deixou ligeiramente preocupado, ela fora a última a se regenerar-se e isso o deixava temeroso mesmo não sabendo justificar a razão. — Sim. — Concordou, limpando a garganta que ainda queimava na tentativa de lhe trazer algum alívio, mas fora em vão. — Callie, c-como você está? E não banque a durona, você foi a última a se regenerar.
A respiração dela ainda estava pesada, o peito subia e descia, meio ofegante. Mas ouvir Geralt responder a trouxe para a realidade, de certa forma. Ela levou os dedos ao braço dele, tendo certeza que era ali e não nenhuma ilusão. Precisava ser muito cautelosa. Ela assentiu “Estou bem, não precisa se preocupar comigo” ela disse, deixando claro que existiam outras pessoas com quem deveriam se preocupar. “Todo mundo já acordou?” ela sussurrou perto dele, comprimindo os lábios de leve. “Eu tô bem, eu juro. Você tá? Preciso de ajuda, vamos ter que levar todo mundo embora. Eu quero todos na mansão” disse baixinho, novamente, tomando impulso pra se levantar e estender a mão para ele.
“Be gentle with me.”
❝ — Não.”
Ela respondeu e lançou outra faca na direção dele, dessa vez em seu braço. Essa cortou não só a manga de sua camisa, mas também a pele. Ela podia ver o sangue escorrendo, mas aquilo logo fecharia.
Callie havia passado quase quatro anos fora. A ansiedade em ver o homem que amava era enorme. Tudo que tinha de recordação era o anel que carregava no dedo médio e não tirava, em momento algum. O objeto lhe trouxera de volta a realidade em diversos momentos de dor, de medo e até de tortura, pelas quais passara. Havia sido prisioneira de guerra por algumas semanas, afinal. Mas lá estava ela, de volta a casa, pronta para vê-lo. E ele simplesmente não usava o acessário. Se haviam feito aquilo para se manterem conectados mesmo em momentos de distância. Por quê? Por que ele tirara? Havia cansado de esperar? O que eram quatro anos comparado com a eternidade, afinal? Os olhos dela estavam irritados, odiava se sentir recusada, a sensação era até de traição - mesmo que não fizesse sentido. Em sua mente, não precisava de explicação, nem mesmo questionara ele sobre o anel. Apenas decidira, por si só, que ele não merecia nenhuma conversa. Só dor. Por isso, havia sido ríspida com ele desde que notara a ausência. E mesmo com o pedido de gentileza, ela apenas se irritava mais. Franziu o cenho e, dessa vez, acertou a faca na barriga dele, dando as costas para que ele morresse.
Talvez pudessem conversar depois.
Os olhos pousaram sobre @mseojun e, de certa forma, a raiva lhe tomou.
Não sabia se, de fato, ele tinha algo a ver com aquilo. Mas ele havia os rastreados, havia os juntado em um mesmo ambiente e, logo depois, o local explodira. Os olhos da mais velha eram fumegantes. Talvez além de raiva dele tinha raiva de si mesma, por não ter sido tão cautelosa, por não ter, nem mesmo, checado todo o local. Por Deus, ela devia ter olhado as mesas! Como fora pueril, como agira como amadora. E provavelmente acabaria descontando nele. Callie se aproximou dele e o puxou pela gola da blusa cheia de furos e ainda meio queimada. “Você fez isso? Você tem alguma coisa a ver com isso? Porque eu juro que se você tiver...” não completou a ameaça, não precisava. Os olhos praticamente pegavam fogo.
Callie parou de sentir dor - ou seja - estava com o corpo reconstruído.
Ela sorriu por fim, fraco, mais para si mesma do que para qualquer outra coisa. Não era tão ruim. A dor, definitivamente, não era tão ruim quanto a desconfiança e o medo de não entender o que estava acontecendo. O psicológico estava muito mais afetado. E se o seu estava assim, Callie nem imaginava como @niikcndros poderia estar. Seu orgulho não importava mais, nem briga alguma, nem incerteza, nem nada. Tudo que queria era vê-lo bem. A mulher se levantou e olhou ao redor. Se certificou de que toda a família estava bem, desviou o olhar de Seojun, estava nervosa com a situação dele e não sabia direito se confiava nele ou não. Suspirou de leve ao ver Nik, mais afastado. Ele não parecia tão ruim. ‘Você foi a última a levantar, Calipátira, alguém o ajudou’ A consciência pesou. Ela respirou fundo e foi até ele. Tocou seu rosto, usava o anel que ele lhe dera há tantos anos atrás. Nunca o tirava do dedo do média. Nunca. “Você está bem” não perguntou, apenas afirmou, querendo assegurar aquilo pra ele e para si mesma. “Nós todos estamos bem, ok?” disse baixinho, em um carinho suave no rosto. “Precisamos ir embora, Nik, agora. Não podemos esperar e ver o que vai acontecer e-” ela travou por um segundo. Sabia bem o que diria, tinha certeza daquilo. “Precisamos estar juntos. Quero que venha para a mansão, sí? Só por hoje, amica mea” as palavras em latim carregavam carinho e suavidade - coisa que há muito ela não demonstrava. “Por favor” murmurou com os olhos brilhando preocupados, observando cada reação dos músculos do rosto alheio
Manteve os olhos fechados por mais alguns segundos. A cabeça rodava, a mente tentava processar tudo que havia acontecido e agora o coração voltava a acelerar. Queria proteger a todos, não acreditava que estava naquela situação, que havia sido tão idiota. E se ainda estivessem em uma armadilha? O que deviam fazer? Para onde devia ir. Levou os dedos até as têmporas, sentindo toda a cabeça completamente cicatrizada. Não era a primeira vez que havia sentido o calor de uma bomba. Não era agradável, obviamente, mas conseguia superar. Ou achava que podia. Claro que os pesadelos eram enormes, mas ela gostava de se manter focada. Respirou fundo. Abriu os olhos e se sentou novamente, dando de cara com alguém. E antes que a pessoa pudesse dizer qualquer coisa, os olhos azuis - agora avermelhados - encararam a pessoa com receio. “Precisamos ir embora. Agora”
— após a explosão!!
O vestido vermelho agora além de rasgado se encontrava pegajoso com o sangue e os resquícios pequeninos de suas entranhas que ficaram expostas com a morte. Seu rosto estava manchado com as lágrimas que derramou quando voltou a vida e encontrou sua família morta. Khali às vezes não entendia como podia ser um dos mais velhos e ainda retornar mais rápido que os mais novos da equipe. Foi um desespero não ver todos daquela forma, seu coração ainda batia acelerado demais no peito, as mãos tremiam, não queria ter um ataque de pânico ali enquanto todos se recuperavam, mas parecia inevitável. A destra descansou na parede para que pudesse tentar respirar fundo e se acalmar. A presença de muse aparecendo ao seu lado lhe assustou e Khali suspirou, os olhos úmidos voltados para figura alheia. ’ —— E aí, tudo bem?’
Assim que o susto inicial passou, Callie logo tentou analisar a situação com calma. Seojun havia os achado. Estavam em uma emboscada. Havia um garçom - seria ele humano? Todos estavam mortos. Ela respirou fundo, tentando fundamentar algo que não levaria a nada, não naquele momento. Foi rapidamente na direção de Khali e tocou seu ombro com cuidado, anunciando a sua chegada. Comprimiu os lábios. “Estou bem. E você?” perguntou bem baixo, os olhos na direção dela. “Todos mortos, no restaurante inteiro. Tem algo errado demais, fora o óbvio. Não estamos seguros.” disse baixo, soltando seu ombro, evitando o contato físico naquele momento. Ainda estava tensa e, naquele momento, mais fria e calculista do que nunca. “Acha que tem a ver com ele? Não sei o que fazer. E se levarmos ele e for uma nova armadilha?”
❝ ― clarity; pov: the explosion▿
tw: gore, morte, menção sutil à ataque de ansiedade