lookthexplosion:
De todas as pessoas do salão a última que Cormac gostaria de cruzar era com Eretria. A amiga de infância tinha se tornado uma presença desconfortável para o mesmo desde que soubera que um noivado entre os dois estava a caminho. Sentia por agir como um belo babaca e afastar-se dela pelo simples fato de não desejar demonstrar sua insatisfação com o trato entre suas famílias, porém, na mente do moreno era a melhor opção considerando a história dos dois. ❛ — Eretria. ❜ Respondeu em tom formal, deixando claro que para ele aquele encontro não era nada além de um encontro qualquer como seria com qualquer outro Prateado. ❛ — Não costumo ficar muito tempo em eventos, achei que soubesse disso. ❜ Sugeriu enquanto seus olhos dirigiam-se para o salão, evitando o contato visual com a prateada. ❛ — Se me der licença. ❜ Pediu enquanto afastava a morena gentilmente de seu caminho e retomava sua caminhada para os dormitórios.
Teria sido uma caminhada rápida e simples, não fosse a porta fechar-se diante de si. Os olhos claros do moreno percorreram o salão antes de ouvir o barulho familiar de uma explosão e em seguida o cheiro costumeiro de pólvora. No primeiro instante Cormac achou que se tratava de um Oblivio exibindo-se para os demais, mas no momento em que as luzes piscaram e apagaram ele soube que não era mais um apenas um memorial. Estavam sob ataque.
O tom de voz usado por Cormac foi quase um tapa em sua cara. Se Eretria conseguia ser divertida e carismática com as outras pessoas, ao lado do prateado tudo parecia sumir, somente a confusão em seus olhos sendo evidente. Contudo, apesar de toda a indiferença, a Calore o entendia. Também foi um choque para si quando seu pai preparou uma reunião entre a família para dizer que Eretria estava de casamento arranjado. Sua primeira intenção foi de reclamar, dizer que naqueles tempos era ridículo, mas ao saber que se tratava do oblívio, as reclamações se suavizaram um pouco. Ainda estava incomodada, mas pelo menos seria alguém que já conhecia e confiava. Isso até vê-lo ignorá-la com seus próprios olhos. Por conhecê-lo por metade de sua vida, sabia que aquele era motivo, o que a deixava ainda mais indignada. “—– Sei muito mais que isso. Sei principalmente que você anda me ignorando por idiotice.” As palavras saíram antes que pudesse evitar mas sabia que ele precisava ouvir, saber que ele podia tentar, mas Eretria não desistiria tão fácil. Deixando que o garoto passasse por si, pensou em algo para dizer antes que ele pudesse sair e assim que se virou e abriu os lábios, ouviu o primeiro estrondo. Só então seus olhos focaram que todas as portas e janelas estavam fechadas por uma cortina de aço mas nem isso conseguiu ver mais pois então todo o salão ficou negro.
Por puro instinto, Eretria esticou a palma da mão e segundos depois chamas saiam de si. Feliz por poder enxergar novamente, percebeu quando seus olhos encontraram os de Cormac e na mesma hora apagou o fogo. Sabia do trauma que o garoto possuía pelas chamas e evitava ao máximo demonstrar seus poderes diante dele, mas ali estava sendo necessário e por isso respirou algumas vezes antes de falar. “—– Eu vou acender algumas tochas na parede. Essa é hora de continuar bancando o machão e por favor, não surte.” Falar para o escuro era uma sensação desconfortável, mas sabia que não estava falando sozinha; podia sentir a presença dele ali. Dando alguns passos para trás, voltou a acender o fogo em suas mãos, focalizando as orbes escuras por alguns segundos antes de correr na direção das paredes, passando uma por uma para deixar o local mais claro. Sabia que teria utilidade alguma vez, eles não deixariam aquilo ali por nada. “—– Cormac! Precisamos ajudar as pessoas. Eu vou continuar acende-.” Sua fala foi cortada quando sentiu um baque em sua cabeça, as pernas ameaçando a ficar fraca. Definitivamente, havia sido atingida por algo. Mas precisamente, por alguém.








