⠀ㅤׄ𓄹⠀𓈒⠀ㅤׄfeaturing ❟ @zehrah na skin de leyla⠀ㅤׄ𓄼
⠀ㅤׄ𓄹⠀𓈒⠀ㅤׄscenary ❟ théâtre des ombres⠀ㅤׄ𓄼
existem coisas que parecem inescapáveis. independente de vontade, independente tentativa. quase como o peso sobre os ombros de édipo que carregava não o mundo, mas uma sentença. um destino que o fez abandonar tudo que conhecia, tomar cada caminho que pôde para evitá-lo, sem sabe que, na realidade, caminhava diretamente em suas teias. quando pondera sobre, amara não pode deixar de questionar. sua situação não é tão trágica assim, não se permite se ver desse jeito, contudo, há semelhanças. ela também havia abandonado o que tinha em busca de uma chance de poder ser livre. e embora que tenha conquistado poder e voz ━━━ coisas que nunca teve como willa ━━━, mas dificilmente sobra espaço para liberdade quando precisa colocar o bem de sua nova família acima de suas vontades e a lealdade a circe sobre as amizades que criou em everafter. incapaz de ser apenas ela. talvez liberdade seja apenas uma ilusão.
do alto de sua loge, a loira observa a peça da noite. orbes castanhas se fixam no palco sem realmente enxergá-lo. conhece as falas de cor, cada ato, cada gancho. de certa forma, não é como se fosse muito diferente dos atores ali. amara também está sempre encenando. a filha perfeita, a herdeira digna, a imagem privilegiada e a insurgente oculta. só existe uma pessoa que conhece além dessas identidades. ❛ então você ainda está viva. ❜ o tom é casual, uma provocação soprado ao que nota a chegada repentina em seu espaço. esta, no entanto, não a incomoda. pelo contrário. um sorriso velado se insinua pelos lábios conforme a feiticeira se volta por completo para leyla. ❛ eu estava imaginando quando que iria aparecer novamente. mas admito que aqui não era bem uma das opções. ❜
zehra conhecia bem aquelas caminhadas da vergonha. era irmã de zayhan, por favor. durante o tempo em que vivera hospedada em seu navio, perdera a conta de quantas figuras atravessavam aqueles corredores tentando parecer compostas depois de uma noite mal escondida. os cabelos desalinhados, as roupas ainda guardando vincos recentes, o andar nervoso. seus próprios olhos, que até então sustentavam o rubi, escorreram lentamente para o citrino conhecido, um reflexo involuntário de quando alguma coisa lhe despertava interesse. inspirou o ar entre os lábios entreabertos, e um sorriso discreto insinuou-se. normalmente, aquela visão bastava para provocar uma indisposição. não porque se importasse com romances alheios, mas porque havia sensação profundamente irritante em imaginar qualquer desconhecida saindo da cabine de seu irmão como se fosse alguém importante! naquele instante, porém, não havia hostilidade alguma voltada para amara. o que a desagradava era uma constatação muito mais simples; zayhan sucedera primeiro em uma ideia que lhe parecia excelente. oh. que desaforo. ele não era um homem feio, longe disso, mas, com todo respeito ao irmão, ela continuava convencida de que era uma companhia muito mais interessante, e bela! olhos iridescentes, cabelos negros volumosos e uma centelha constante de imprudência acesa nas íris. pfft. devia ser mesmo algum ingrediente secreto do sangue dos hook. fosse o que fosse, aquilo não diminuía em nada seu interesse. seu irmão a perdoaria, afinal, era apenas prudente dividir tudo com sua irmã mais nova. e uma batalha podia perfeitamente terminar antes mesmo de começar; guerras raramente eram decididas tão cedo. “sou eu. a outra hook, pelo visto. se um já é o suficiente, parece que perdi minha oportunidade.” ela recolheu lento a mão, dissimulando lamentar uma derrota que jamais cogitara levar a sério. se aquilo não pretendia soar como elogio a zayhan, ela escolheu interpretar (fingidamente) exatamente dessa maneira. o canto de sua boca permaneceu erguido por um instante antes que voltasse a falar. “não me parece muito imaginária. teve até vencedor!” na última frase, aproximou a mão dos próprios lábios, formando uma concha como se fosse compartilhar informação sigilosa. piscou logo depois, sustentando o olhar para perceber o rubor discreto que começava a subir pelas bochechas de amara, enquanto os olhos castanhos pareciam endurecer por um breve segundo. sem qualquer pressa, seus dedos encontraram os fios escuros espalhados sobre os próprios ombros e começaram a reuni-los para trás. afastando mecha por mecha até improvisar um coque, revelando a curva do pescoço antes escondida pelos cabelos. inspirou, alongou a cervical e suspirou, como se estivesse absurdamente cansada. “não sei, não é exatamente problema meu. ou quem sabe eu tenha uma noção. é difícil dizer. consegue imaginar algo que ajudaria a refrescar minha memória?”
a feiticeira observa o instante em que o azul se espalha pelas íris. ali, tão perto, sob a luz pálida do corredor, a tonalidade parece ainda mais perigosa que o carmim. mais afiada. o olhar de hook trava nela com o tipo de atenção que faria alguém mais fraco recuar. amara, no entanto, sustenta o peso daquela imensidão oceânica como se não fosse nada. ❛ honestamente, você faz isso soar tão dramático. ❜ ela responde sem pressa, revirando os olhos numa lentidão calculada, quase teatral, antes de focá-los novamente na morena. ❛ não há vencedor nenhum, zehra. se eu durmo com seu irmão é porque eu quero, não porque ele me ganhou. ❜ embora não seja tão liberal quanto eles, amara sabe como as coisas são e, principalmente, como não são; o tipo de relação que mantém com zayhan funciona porque é prática e benéfica para ambas as partes ━━━ e no dia que deixar de ser qualquer uma dessas coisas, ela colocará um fim. exatamente como ele também o faria. ❛ eu não sou um prêmio para vocês disputarem porque não têm nada melhor para fazer. ❜ um toque de desdém escorre sutil na serenidade de seu tom. talvez com grande beleza realmente venham grandes responsabilidades, contudo, se recusa a se enxergar como um mero acessório loiro bonito a ser conquistado em jogos idiotas. ela, afinal, é a sucessora de circe von nebelkranz, muito obrigada! involuntariamente, a atenção da feiticeira acompanha o movimento das mãos de zehra, deslizando pela pele recém exposta, onde demora um momento a mais conforme pesa suas palavras dela e suas opções. ❛ você realmente espera algum tipo de suborno por isso? ❜ ela sopra o ar numa lufada breve e silenciosa, nem um pouco impressionada ━━━ é o que ganha lidando com uma pirata. não que possa julgar, até porque, se os papéis fossem inversos, teria feito a mesma coisa. ❛ se theon está mesmo aqui, não creio que será difícil encontrá-lo. ele não faz o tipo discreto. ❜ não importa o quanto a amara desejasse que sim.
⠀ㅤׄ𓄹⠀𓈒⠀ㅤׄfeaturing ❟ @poiscnapple⠀ㅤׄ𓄼
⠀ㅤׄ𓄹⠀𓈒⠀ㅤׄscenary ❟ quarto da amara e da yildiz⠀ㅤׄ𓄼
é a terceira vez em que amara corre para a frente do espelho naquela hora. não que seja realmente necessário conferir sua situação quando tudo ao redor ainda parece maior do que deveria, mas é um impulso ao qual não consegue impedir. chame de desespero, frustração ━━━ ou quem sabe, a ínfima esperança de que tudo se ajeite sozinho, como num passe de mágica. só que a imagem continua a mesma: membros pequenos, praticamente engolidos em sua camiseta favorita, e olhos grandes demais para o rosto minúsculo, fitando-a através do reflexo. um fantasma do passado, um erro do presente. a loira já tinha lidado com diferentes tipos de rebotes de sua magia, alguns com efeitos diretos em sua saúde… e ainda assim, ser forçada num corpo infantil talvez seja o pior até então.
o barulho da porta sendo aberta corta seus pensamentos, reclamando sua atenção para a mulher que entra. ❛ finalmente! já começava a me perguntar se você sequer conhece o significado de urgência. ❜ a reclamação vem pareada com um suspiro conforme mini amara caminha na direção de yildiz. toda a seriedade em sua pose quase perde o efeito diante o cheiro delicioso que começa a tomar conta do quarto. céus, ela não se lembra de sentir tanta fome assim em seu corpo normal. ❛ você trouxe tudo? ❜ pergunta à colega de quarto, fazendo referência não só a comida que pediu para buscar, como também os ingredientes mágicos para tentar reverter aquilo. uma vez que não pode sair por aí nesse estado, resta ter que depender de yildiz. ❛ não comentou com ninguém sobre isso, certo? ❜
⠀ㅤׄ𓄹⠀𓈒⠀ㅤׄfeaturing ❟ @semrhysadinha⠀ㅤׄ𓄼
⠀ㅤׄ𓄹⠀𓈒⠀ㅤׄscenary ❟ sala de aula, horas após o horário de aulas⠀ㅤׄ𓄼
o primeiro sinal é sempre frio. um frio intenso e implacável, que por vezes remete ao vazio sombrio do espaço. que lhe morde as pontas dos dedos e devora corpo acima, ameaçando arrastá-la na escuridão que contorna sua visão. um arfar arromba caminho por entre os lábios de nebelkranz, pesado e desesperado, e explode contra o calor do ambiente numa névoa esbranquiçada ao que ela se contorce para frente e apoia as mãos trêmulas sobre a madeira maciça. ah, o arrependimento talvez a mate antes que os efeitos de sua magia. não por não ter parado quando deveria, pois a ideia lhe soara como uma afronta ━━━ mesmo agora, neste estado lastimável, ainda soa. a única coisa ao qual se arrepende é ter feito aquilo numa das salas de aula de everafter, deixando-se exposta de tal maneira. estava tão perto de completar esse feitiço. ❛ to━ ❜ o nome de tocka se perde numa tosse seca que lhe arranha a garganta. a loura tateia cegamente pela mesa, a procura de sua bolsa, se atrás de seus amuletos ou do celular para contatar a colega, ainda não tem certeza. o movimento faz com que frascos de ingredientes caiam pela superfície, e ela tem a ligeira impressão de escutar vidro se partindo, mas o som chega distante. e antes que encontre o que procura, acaba encontrando algo pior ━━━ na realidade, é encontrada por um par de mãos quentes que surgem de repente. ❛ não! ❜ amara consegue exclamar com dificuldade, virando o rosto quase como se tentando esconder-se. não se presta a dizer que está tudo bem, já que claramente não está. ❛ me deixe. e━eu preciso de um mo.. um momento… ❜
onde: bordel do zayhan (que eu esqueci o nome). para: @camarasecretah.
zehra acabara de riscar mais um compromisso da lista mental que carregava desde o início da noite. a conversa, encerrada poucos minutos antes numa das salas privadas de zayhan, resultara exatamente no que esperava: mais uma parceria firmada para manter o escoamento das mercadorias produzidas por tocka enquanto ela própria não podia assumir as viagens. foi justamente ao deixar o pequeno escritório que a surpresa surgiu. amara. por um instante, limitou-se a observá-la de longe, tentando encaixar aquela imagem em alguma lógica. pelo pouco que a loira lhe permitira conhecer, aquele não parecia exatamente o tipo de lugar onde esperaria encontrá-la. menos ainda saindo da sala de seu irmão. um sorriso lento começou a desenhar seus lábios antes mesmo que tivesse decidido o que faria. ah, aquilo era maldade. brincar com o coração de dois hook ao mesmo tempo? definitivamente não passaria despercebido. e, acima de tudo, zehra não permitiria que zayhan saísse ganhando. aproximou-se sem anunciar a própria presença, enquanto seus olhos assumiam lentamente aquele vermelho característico. parou logo atrás de amara, inclinando-se o bastante para que a voz chegasse primeiro que qualquer outro gesto. “o que houve, um hook não é suficiente em sua vida? tenho que saber com quantos dos meus irmãos estarei competindo.” o suspiro escapou quase junto das palavras. a ponta do indicador encontrou o ombro descoberto da loira e deslizou vagarosamente pela pele, acompanhando a curva delicada até alcançar o outro lado, afastando alguns fios dourados que haviam ficado presos pelo caminho. “o que está fazendo em um bordel, amy? não imaginava ser seu estilo... ou veio buscar o theon?”
dizer que aquele lugar não é seu estilo é belo eufemismo ━━━ e uma alternativa certamente mais educada do que os termos que cruzam a mente de amara. a opulência do saints of sins se assemelha facilmente a qualquer outro estabelecimento de elite que está acostumada a frequentar, contudo, as sedas nobres e o preço das bebidas não são suficiente para mascarar o tipo de negócio que atraí sua clientela. é óbvio que não fora a devassidão que a trouxe ali em primeiro lugar, só que ter que cruzar o salão vindo de um de seus quartos, com as bochechas ainda coradas e os cabelos levemente desalinhados não a faz se sentir melhor do que qualquer puta em pior estado dali. maldito seja zayhan por isso. na próxima vez, o deixará para resolver seus problemas sozinho. na próxima, quem sabe. seus planos de vingança não chegam muito longe antes de se dissiparem na voz melodiosa que a sobressalta de repente, perto demais para seu próprio bem. a loira se vira instintivamente na direção de sua origem, o movimento sem pressa, esculpido por sua graça inerente, até seus olhos encontrarem o par vermelho. ❛ ah. é você. ❜ ela abafa a surpresa num tom frio de desinteresse, seus olhos escuros avaliando a morena de cima a baixo com o mesmo entusiasmo. ❛ não sei de onde tirou isso, um de vocês é certamente mais do que o suficiente. ❜ um meio sorriso contorna o canto de sua boca, todavia, não há nada em sua pose que confunda as palavras com um elogio a zayhan ou qualquer outro de seus irmãos. não. amara não precisa ser uma feiticeira do caos para reconhecer que a família inteira parece desabrochar nele ━━━ zehra mais do que qualquer um. exatamente por isso prefere manter sua distância. ❛ depende. quantos de vocês costumam se entreter com competições imaginárias? ❜ a luz trêmula do corredor reluz em seus olhos castanhos quando nebelkranz inclina o rosto para o lado. seu sorriso ganha um ar felino ao sentir o toque intruso em sua pele. a loira não parte o contato, visual ou físico, quase como se incentivasse a pirata a ir mais longe. mas a realidade logo se impõe em um reflexo arroxeado sob o dedo feminino, modulando a textura macia de sua pele para a picada de um espinho imaginário. ❛ e não é. ❜ rebate rápido, já sentindo o sangue ameaçar tocar suas bochechas. ❛ vim apenas tratar de assuntos particulares com seu irmão e━ ❜ a menção do seu próprio, no entanto, faz a fala morrer em sua boca. a frieza que toma conta do olhar não nega a vontade súbita de afundar o rosto em suas mãos. ❛ não me diga que ele está mesmo aqui. ❜
Havia entrado no armário na forma de pixie, estava tentando ouvir conversas que achou que poderiam ser relevantes, porém, se viu tendo que tomar a forma humana quando a figura da loira surgiu e quase atrapalhou a conversa que corria no fim do corredor que ele ouvia tão atentamente. Revirou os olhos com a reação da feiticeira, ainda que as mãos tenham sido afastadas dos lábios dela, uma das mãos ainda permanece rente a cintura dela a mantendo presa contra ele. ❝Precisaria de muito mais do que imagina pra me matar, Amara.❞ Garantiu em um tom baixo, afinal, ele ainda era parte fae ao fim do dia e não apenas um leão/humano qualquer. Havia certa arrogância em sua voz, uma que era inevitável devido sua criação. ❝Agora, eu apreciaria se pudesse se calar pelos próximos dois minutos.❞ E após dizer isso, levou uma das mãos até a boca dela, a cobrindo outra vez, apenas como segurança de que ficaria calada. Ainda que tivesse outras ideias do que fazer caso ela seguisse tentando tagarelar, apenas estava sendo mais... Gentil.
a resposta de aslan não a surpreende, não de verdade. mais do que a arrogância dele, em singular, amara é familiarizada com a de homens e nobres, e sua capacidade de atirar santos aos mares sem qualquer proteção. ou, neste caso, fazê-los rir na cara do caos. ❛ que imensa sorte a sua. ❜ ela responde, incapaz de conter a nota irônica que corre entre suas palavras e revela a vontade igualmente imensa de revirar os olhos ━━━ uma que nebelkranz apenas não cede por ser uma dama. ❛ eu sei que foi criado entre animais, mas poderia se esforçar um pouco mais, não concorda? ❜ a provocação vem acompanhada de um ligeiro erguer das sobrancelhas, o meio sorriso enfim alcançando seus olhos amendoados. é em prol dessa leveza que amara evita estudar o ambiente para o qual foi arrastada. afinal, jamais se permitiria se relaxar contra a parede e os dedos de aslan se tivesse a confirmação visual de ter uma vassoura ao seu lado. as mãos dela repousam no peito masculino quase no mesmo instante em que a dele retorna à sua boca. desta vez, contudo, amara não se contém ━━━ ora, aslan disse que aguenta, não? então, sustentando seu olhar através da penumbra, ela deixa a magia deslizar, livre e invisível, pela pele de seu rosto, tensionando a estática ali até condensá-la numa minúscula e insolente carga elétrica que estala contra a palma masculina. ❛ e por que deveria? ❜ há uma certa diversão que escapa entre a calma de sua voz. ainda sem desviar os olhos, ela inclina o rosto para frente. ❛ o que há de tão interessante para escutar, afinal? ❜
⠀ㅤׄ𓄹⠀𓈒⠀ㅤׄfeaturing ❟ @foracabecvda⠀ㅤׄ𓄼
⠀ㅤׄ𓄹⠀𓈒⠀ㅤׄscenary ❟ flashback, cela do pirata⠀ㅤׄ𓄼
a porta da cela se mantém aberta, mas não tão livre quanto parece. quando amara coloca a mão sobre o espaço vazio entre a cela, o ar a encontra com uma fagulha alaranjada, forçando-a para trás com um choque. este não é forte; não maior do que um formigamento incomodo, contudo, isso tampouco torna a situação melhor. ❛ eu não acredito que deixaram um feitiço desses largado assim, como armadilhas. ❜ as palavras escapam em voz alta, sem um destinatário específico, somente irritação. o fato de alguém ter encantado o local ━━━ decerto para tornar os jogo mais interessante ━━━ não a incomoda tanto quanto ela própria não ter reparado antes de entrar ali. maldito rum. maldita curiosidade. maldita noite dos perdidos. maldito royce por ter acabado preso ali também. e amara poderia continuar a noite toda xingando a tudo e a todos, só que o que isso resolveria? nada. então engole o suspiro e se afasta da porta, forçando a coluna ereta enquanto busca descanso na estrutura de madeira oposta a do principe de copas, tão distante dele quanto é possivel naquela minuscula cela. ❛ só nos resta esperar, pelo jeito. a magia não parece forte o bastante para durar uma noite inteira. ❜ uma outra opção seria jogar, é claro. mas entrar em jogos com alguém que deveria ter permanecido em sua outra vida lhe soa como uma ideia ainda pior.
⠀ㅤׄ𓄹⠀𓈒⠀ㅤׄfeaturing ❟ @aslcndaurbana⠀ㅤׄ𓄼
⠀ㅤׄ𓄹⠀𓈒⠀ㅤׄscenary ❟ guarda roupa? armario da escola? você decide⠀ㅤׄ𓄼
⠀ㅤׄ𓄹⠀𓈒⠀ㅤׄprompt ❟ o leão, a feiticeira e o guarda roupa⠀ㅤׄ𓄼
não houve tempo para notar o que aconteceu, menos ainda para reagir. tudo o que amara conseguiu perceber foi um aperto forte em seu braço, e então há apenas escuridão a sua volta, uma parede sólida às suas costas e uma mão sobre sua boca, sufocando qualquer som seu. a adrenalina é o bastante para fazer a energia mágica zumbir em seus ouvidos. mas antes que possa pensar em um feitiço para atirar no maldito, a visão da loira se acostuma ao escuro o suficiente para reconhecê-lo. ❛ qual é o seu problema? ❜ nebelkranz questiona quando afasta as patas de aslan de seus lábios, seu tom ainda ofegante pela surpresa. leva alguns segundos a mais para as íris perderem o brilho púrpura e retornarem ao castanho habitual. seguro. ❛ eu poderia ter te matado! ❜
⠀ㅤׄ𓄹⠀𓈒⠀ㅤׄfeaturing ❟ @nebelkranz⠀ㅤׄ𓄼
⠀ㅤׄ𓄹⠀𓈒⠀ㅤׄscenary ❟ perto do beer pong... ?⠀ㅤׄ𓄼
o nome nebelkranz, para amara, não é um mero status de poder ━━━ é algo que vai ainda mais fundo. ela não tinha nada quando se tornou aprendiz de lady circe, apenas uma reputação arruinada e um poder instável demais para controlar. tudo o que conquistou desde então, ainda que seja por seu próprio mérito, é também porquê a feiticeira lhe deu a oportunidade. a confiança. e isso é algo que ela faz questão de retribuir com dignidade e respeito. se ao menos todos pensassem assim…
é claro que estamos falamos de theon ━━━ quem mais poderia ser? os dois não possuem um relacionamento bom, tampouco fácil. é melhor do que o que tinha com seus irmãos biológicos, é verdade, só que isso não significa nada quando, para os von stark, relacionamentos (mesmo os consanguíneos) não são nada senão uma ferramenta de poder ou uma ameaça que deve ser vigiada. o loiro, por sua vez, se consagra como uma terceira opção ainda mais incomoda: uma responsabilidade. como sucessora de circe, amara tomara para si o trabalho de manter seu rebento rebelde fora de confusão. o problema é que sobreviver no vácuo parece menos impossível que isso.
ela consegue escutar os gritos e risadas ecoarem pelo corredor amadeirado antes de alcançar o salão, quase abafados pelas diferentes músicas que competem em cada ambiente do navio. com o caos que costuma reinar durante a noite dos perdidos, isto sequer pareceu importante demais para notar. na certa, é só mais um idiota fazendo o que não deve. numa falta de perspectiva incomum ━━━ talvez, uma esperança vã ━━━, apenas cogita que poderia ser o seu idiota quando encontra uma cabeleira loira sobre uma das mesas. ❛ o que você está fazendo?! ❜ a voz se mantém baixa, friamente controlada, tão logo que alcança a zona de caos. a última coisa que precisa é que os dois protagonizem uma cena ali. ainda assim, o contrair em seu maxilar revela o esforço que é necessário para se manter daquele jeito. ❛ desça daí imediatamente! ❜
amara não faz o tipo que deixa um assunto importante para depois, não entenda-a mal. dentre eles, estar noiva, de novo, ocupa as primeiras linhas da lista. o problema é que tinha retornado a everafter há poucas horas, justamente por estar resolvendo esses detalhes com lady circe e seu pequeno conselho, e discutir quais tipos de canapé deveriam servir aos convidados em meio às mesas de aposta parece um pequeno inferno que ela prefere evitar. sendo assim, opta por deixar o homem livre pela noite e aproveitar a sua própria. parece uma pequena cortesia a ser feita. só que ele, pelo visto, não pensa da mesma forma.
ao delongar da noite, feiticeira pode notá-lo ao fundo dos cenários, seja enquanto conversa com seraphina entre o convés principal, ou tenta sua sorte em algumas partidas de beer pong. pode sentir o peso de sua atenção sobre si, quase como se fosse alguma magia que ele tenta desvendar ━━━ ou talvez esteja só se perguntando como foi acabar ali, algo que amara certamente já fizera um par de vezes após a proposta deixar sua mesa. independente do motivo, há somente tanto que consegue aguentar dessa situação. quando se afasta de seu grupo, ela não perde seu tempo com exercícios de respiração ou um último gole da bebida ardente. não há porque vacilar agora, quando a decisão já havia sido tomada.
íris castanhas deslizam sem pressa até encontrarem o par igualmente escuro. amara corta pelo convés e o mar caótico do festejo que toma conta dele, sem desviá-las, cada passo refletindo a graça ancestral que a antiga família sempre se orgulhou. ❛ bora yazar hunter. ❜ a loura usa o nome dele como cumprimento assim que está perto o suficiente para a música e as vozes ao redor não afogarem a sua própria. ❛ você está me encarando há um tempo fascinantemente longo. ❜ não é uma pergunta, mas seu tom também não é acusação, pelo contrário. a leveza que enquadra o canto de seus lábios soa como um convite. ❛ achou o que procura? ❜
(grace van patten) Há algo profundamente perigoso em certas histórias… especialmente naquelas protagonizadas por WILHELMINA VON STARK NEBELKRANZ. Aos 27 anos, ela carrega o legado de CIRCE (A BELA E A FERA) em cada aspecto de sua narrativa. Ligada a Casa CICUTA, tornou-se conhecida entre outros alunos por sua reputação de FRIA e CALCULISTA — qualidades extremamente valorizadas em Mythborne — ainda que existam rumores persistentes sobre uma natureza ERUDITA e RESILIENTE escondida sob toda essa deturpada perfeição.
RESUMO:
tba
HABILIDADE MÁGICA:
manipulação do caos, isto é a capacidade de sintonizar, extrair e moldar a energia primordial, instável e selvagem que existe nas frestas da realidade. como aprendiz de circe, wilhelmina não utiliza a magia de forma acadêmica ou através de encantamentos delicados; ela atua como um canal vivo para uma força elemental bruta, subjugando-a através de uma força de vontade implacável e rigoroso controle mental. essa energia mística se manifesta visualmente em tons de roxo profundo e verde esmeralda, frequentemente acompanhada pelo aroma de ozônio ou fumaça doce de alquimia. com este poder, ela ganha a habilidade de alterar as propriedades físicas da matéria, permitindo a criação de portais de fumaça para teletransporte (em tese, esse ainda não foi alcançado), a potencialização de poções complexas e a metamorfose de objetos ou seres vivos (induzindo transformações animais temporárias, uma assinatura dos ensinamentos de sua mentora).
Fraquezas e Limitações
exigência de foco absoluto: a magia do caos não possui salvaguardas. se a concentração de willa for quebrada no meio de uma conjuração — seja por dor física, distração ou oscilação emocional (como medo ou hesitação) —, o feitiço colapsa violentamente contra ela ou atinge alvos imprevistos ao redor.
necessidade de canalização e componentes: por ser uma aprendiz, a loira ainda depende de catalisadores para moldar o caos sem se destruir. feitiços complexos exigem o uso de componentes alquímicos específicos de sua mentora ue ela carrega numa pequena bolsa de pano consigo. se for desarmada ou perder o foco, ela perde o acesso a essas habilidades.
ritualística obrigatória: quanto mais complexo e forte seu feitiço, mais preparação ele precisa, seja ela por escrito, em forma de runas, ou de ingredientes alquímicos; sem eles, as consequências são imprevisíveis. por conta disso, em combate, a bruxa acaba ficando vulnerável.
lei da troca mística: a transmutação de matéria e a abertura de portais exigem um tributo imediato do ambiente. para criar um portal ou alterar a forma de um alvo, willa precisa exaurir uma fonte de energia local (murchar a flora ao redor, apagar fontes de luz ou calor, até mesmo sugar sua própria energia vital), tornando suas ações místicas altamente destrutivas e impossíveis de passarem despercebidas.
efeito colateral de transmutação: sempre que willa tenta transmutar algo complexo ou falha em um feitiço, as características animais que ela tenta impor aos outros se manifestam nela mesma de forma incontrolável. ela pode acabar com garras, olhos de felino, penas ou escamas por algumas horas ou dias.
o preço físico: o corpo humano não foi feito para abrigar ou canalizar o caos, uma força inerentemente destrutiva que destrói o tecido orgânico e corrói o próprio hospedeiro. para erguer defesas, transmutar objetos ou conjurar feitiços de alta magnitude, além da preparação, willa precisa sacrificar seu sangue ou a própria vitalidade. esse custo limita drasticamente suas ações por combate, gerando um desgaste progressivo que se manifesta em exaustão severa, tonturas, sangramentos nasais e sequelas visíveis (como as pontas dos dedos temporariamente enegrecidas como cinzas e olhos com um brilho vítreo sobrenatural). insistir em usar a magia além do seu limite estrito resulta em um colapso mágico violento: o feitiço falha destrutivamente contra ela mesma, deixando-a instantaneamente inconsciente ou causando sequelas severas, como a perda temporária dos sentidos (cegueira ou surdez mística). atualmente, ela pode fazer 1 feitiço maior por jogo.
OCUPAÇÃO:
herdeira.
DESCENDÊNCIA: (retirado da ficha linda da hells)
não era uma surpresa que circe não estivesse participando ativamente de seitas secretas ou organizações malignas com os outros vilões. até porque, se pensássemos à fundo, era mesmo uma vilã? o grande pecado de circe, na verdade, sempre foi seu grande ego. colossal, e extremamente proporcional aos seus poderes. era a mais poderosa dentre suas irmãs, lucinda, ruby e martha. e que desperdício, pois poder e ego, quando reunidos em tamanha abundância, costumam produzir grandes conquistadores, profetas, tiranos ou mártires… ou, no caso de circe, apenas uma mulher incapaz de se interessar por qualquer coisa que não a si própria. em constância, faltava-lhe inclinação para sequer abusar dos poderes que corriam em suas veias. suas decisões raramente obedeciam a algum princípio coerente. eram ditadas por humores passageiros, curiosidades momentâneas, irritações que para qualquer outra pessoa desapareceriam após algumas horas e que nela, por razões difíceis de explicar, adquiriam peso imensurável. vendettas infundadas, morais de história punitivas, julgamentos atropelados. circe sempre acreditou possuir uma compreensão excepcional da natureza das pessoas, quando na verdade, passara boa parte da vida confundindo percepção com presunção. observava um gesto, uma resposta atravessada, uma demonstração de egoísmo, e imediatamente julgava conhecer o restante. havia algo de profundamente aristocrático nisso, embora não tivesse relação alguma com títulos ou linhagens. a aristocracia da convicção. a certeza absoluta de que seu julgamento dispensava confirmação. para ela, era um ser mítico, etéreo, uma deusa capaz de tomar todas as decisões e decidir todos os destinos.
foi exatamente isso que aconteceu com adam. tentativa de aprendizado ou crueldade? circe não odiava adam. dificilmente pensou nele o bastante para odiá-lo. tampouco sentiu prazer particular em vê-lo sofrer. ela não era esse tipo de pessoa. havia sido a questão em toda sua vida, não? era muito diferente das irmãs. mas veja, adam não tinha feito nada de absurdo. uma conclusão precipitada. ainda assim, a decisão foi tomada por alguém acostumada a nunca ser contrariada. porta no rosto, e o destino estava selado. naquela noite, circe não pretendia matá-lo. não pretendia sequer condená-lo para sempre. a maldição nunca fora concebida como uma execução; era, ao menos em sua mente, uma correção. uma punição temporária, embora o conceito de temporário se tornasse perigosamente elástico quando aplicado à bruxa centenária. adam deveria sofrer, talvez refletir e compreender. e, tradicionalmente, viria o restante. belle. redenção. encerramento. ela lavaria suas mãos e sentiria que o trabalho ali estava completo. como ela era absurdamente ética e moral, não? poderia se banhar em sua própria perfeição.
bem, as histórias funcionavam daquela maneira. ou sempre haviam funcionado. aí que entrava o ponto. o incômodo constante daquela reescritura. nada de afeto por adam ou por belle. também não era arrependimento, pois exigiria um grau de responsabilidade emocional que nunca reivindicou para si. mas porque, de certa forma, parecia que a moral daquela história não havia sido aplicada perfeitamente como queria. adam morreu antes que chegasse ao fim que lhe pertencia, e o êxtase de sentir-se etérea e acima de todos não foi alcançado. circe, que passara a vida inteira estudando feitiços e maldições, passara a ter a sensação desagradável de um encantamento interrompido. algo nela passava a operar de forma imperfeita.
independente do andar da carruagem, as von nebelkranz, representadas pela sua mãe e irmãs, continuaram exatamente onde sempre estiveram. havia famílias que construíam sua relevância através de guerras, alianças ou fortunas; enquanto von nebelkranz pareciam simplesmente existir. todas suas irmãs pertenciam perfeitamente àquela aristocracia que sobrevivera à reescritura sem sequer precisar se adaptar muito. parecia que tudo aquilo, que costumava ser tão comum, começara a borbulhar no sangue de circe. afinal, viremont estava apodrecendo. ainda que os bailes continuassem lotados, os jardins permanecessem aparados e os vestidos tornassem-se mais caros a cada temporada, tudo estava sendo mantido por hábito. circe observou aquilo durante algum tempo, até perder o interesse. e quando circe perdia o interesse, costumava desaparecer.
e iniciavam-se assim anos atravessando mythborne. suficientes para que rumores substituíssem fatos, conforme visitava reinos distantes, bibliotecas privadas escondidas sob mosteiros, arquivos lacrados por famílias, restos de livros de feitiçaria. tornou-se conhecida em determinados círculos não por seu sobrenome famoso, mas pela coleção crescente de grimórios que passava a reunir. textos originais, versões proibidas, cópias incompletas. tratados parcialmente queimados, trechos codificados. havia feiticeiros que dedicavam a vida inteira à criação de novos conhecimentos. circe preferia os antigos, e desconfiava profundamente da obsessão contemporânea por inovação. mas então, tão abruptamente quanto partira, retornou. com… uma criança consigo.
a corte especulou durante meses. talvez anos. ninguém sabe direito, porque não são todos que ousam fazer perguntas diretas. bastava um olhar de circe para encerrar qualquer investigação antes que ela começasse a parecer produtiva. o menino simplesmente passou a existir. e, eventualmente, como acontece com quase tudo em círculos aristocráticos, o escândalo perdeu espaço para o próximo escândalo.
dessa vez, contudo, circe não retornou para as propriedades tradicionais dos von nebelkranz. estabeleceu-se num antigo castelo afastado da vida cortesã de viremont, um lugar adequado. silencioso o suficiente para seus visitantes. aos poucos, carruagens começaram a chegar transportando caixas. e mais caixas. eram coleções inteiras: livros, manuscritos, códices, grimórios, registros alquímicos, compilações de feitiços, tratados narrativos. e, sem que houvesse anúncio formal ou fundação oficial, algo começou a se formar ao redor daquela biblioteca crescente. não ordem, ou coven, pois circe sempre fora inclinada para organizações mais entrópicas. ainda assim, feiticeiros começaram a aparecer. alguns vinham para consultar um volume específico, ou apenas para trocar conhecimento. poucos saíam decepcionados. com o passar dos anos, o castelo tornou-se uma espécie de ponto de convergência informal para uma parcela muito particular da comunidade arcana de mythborne. enquanto conselhos discutiam política, e vilões discutiam poder, circe permanecia ocupada com aquilo que sempre lhe parecera mais interessante.
SOBRE:
willa não descende de nenhum personagem conhecido das histórias. os von stark eram uma família típica da nobreza; ambiciosos, mas convenientes. do tipo não tinham escrúpulos em adaptar sua visão ou mudar sua lealdade só para que se alinhassem a quem pudesse oferecer mais vantagens. já eram assim mesmo antes da reescritura, e talvez seja isso que permitiu que mantivessem seu prestígio quando a rainha má assumiu o controle de rosengard.
numa sociedade em que se valorizava a perfeição estética, ela era a menina que desaparecia entre as frechas. dos 5 irmãos da família, ela era a mais negligenciada, aquela cuja única coisa que a “destacava” era o quão mais frágil ela era. desde pequena, seu corpo era tomado por tonturas e febres, algo que nenhum dos médicos do reino soube explicar. não só isso, era também terrivelmente desajeitada, metida em acidentes que nem ela própria conseguia entender. num episódio, um copo desapareceu de suas mãos num instante, como se nunca tivesse existido, fazendo com que todo o líquido presente neles caísse todo em sua mãe; e outros cenários parecidos se repetiam, espaçados e imprevisíveis, e ninguém acreditava em willa quando ela tentava dizer o que tinha acontecido. assim, ela era tachada também como alguém problemática, em busca de atenção. e enquanto seus irmãos recebiam todas as oportunidades que desejavam, willa tinha apenas os livros da enorme biblioteca de sua mansão. estes não eram apenas sua companhia, mas a forma que ela tinha para conhecer o mundo, de buscar o que havia de errado com ela.
a magia não era um poder comum aos von starks; a grande maioria, senão todos conhecidos, eram pessoas comuns, sem qualquer tipo de poder, mas wilhelmina ainda assim procurou aprender sobre, afinal, era a única coisa que poderia fazer sentido, mesmo que trouxesse consigo mais perguntas. seus estudos levaram mais de meia décadas para que finalmente entendesse que tinha sim poder mágico — um tão latente e sem controle que atacava a sua própria saúde. e uma vez descoberto, sua vida se transformou. de um erro negligenciado, ela se transformou em um dos maiores investimentos da própria família, algo que poderia ser usado para destacá-los ainda mais. era como se o patinho feio finalmente tivesse a chance de se transformar num belo cisne.
foi num baile de rosengard, dedicado a visita da nobreza de outro reino, que willa atraiu a atenção do principe estrangeiro. um noivado foi rapidamente arranjado entre os dois jovens, e a loira sabia que a única opção que existia era fazer esse casamento dar certo. estava dedicada a isso. no entanto, algo inesperado aconteceu. havia um rapaz no reino de seu prometido, alguém gentil que lhe oferecia atenção genuína, não por quem ela era, ou o que ela poderia oferecer. e para alguém que nunca se sentiu realmente vista, foi quase impossível não se apaixonar perdidamente, mesmo sabendo que era algo impossível. quando seu romance foi descoberto, ela não perdeu apenas o noivado, como a própria família. para eles, willa havia manchado o nome dos von stark, se tornado a família uma grande vergonha em seus ciclos. e com isso, ela foi exilada, perdendo tudo o que conhecia, mas não foi seu fim, como acreditou.
foi nesse momento de desespero, que ela recorreu a única coisa que ainda tinha: seu poder. mesmo sem qualquer recurso, ela partiu numa viagem até viremont, atrás da feiticeira circe, para que pudesse se transformar em sua aprendiz. seu objetivo era que tendo mais poder, ela poderia deixar de ser a filha, a noiva — uma boneca que servia de propósito somente nas mãos de outra pessoa — e assim poder conquistar controle da própria vida. com essa determinação em mente, wilhemina não se importava o quão difíceis fossem os treinamentos, ou o que a feiticeira cobrava. circe, em contrapartida, se admirava com sua postura e seriedade, com o jeito com o qual a garota desabrochava em uma feiticeira excepcional. enxergava nela tudo aquilo o que seu filho não era, tudo o que sua sucessora deveria ser. e após considerar, acabou adotando wilhelmina como sua filha. o resultado disso vai além de uma simples troca de nome ou a reconquista de sua reputação; willa encontrou na feiticeira a figura materna que nunca teve antes. é extremamente leal à ela.