Ter 21 anos em uma época como essa, é praticamente um desaforo.
Eu me enxergo assim, como um desaforo.
Meus hormônios estão à milhão, minhas vontades e minhas insatisfações só crescem. O pouco pra mim é muito, e o muito pra mim não serve.
Todos os dias antes de dormir minhas ideias se juntam, e começam à me pentelhar, durante toda a noite. Me fazendo querer correr pra rua, anseando minha vontade de ficar nua. Por fora eu sou silêncio, mas por dentro o barulho choca, aterroriza. Qualquer forma de expressão é bem vinda, escrever por exemplo, já era minha sina.
Eu sinto a necessidade de me sentir à todo momento, guardo em mim tanto amor, eu sinto que não consigo ser o que exatamente eu me atento. Queria ser livre, pelo menos por um momento.
Sinto uma energia fortificada vindo de todos os cantos, eu já não podia mais ser de alguém. A ideia de que meu corpo, minhas vontades, teriam que ser barradas por outro ser humano, errante e também ignorante, assim como eu, me assustava. Eu já não queria mais viver aquela prisão, horário, rotina, salário, comida, dormir, escovar os dentes.
Eu queria mais. Desde criança eu sonhava em conhecer várias crenças diferentes, tenho uma curiosidade gigantesca pela fé das pessoas. Já vi muita gente sendo salva pela própria fé, e elas nem fazem ideia disso. Eu não acredito na figura de deus como a bíblia ou a igreja impõe, se eu sou assim, é porque eu tinha que ser assim. Não há mal no meu querer.
Carrego em mim a necessidade de ouvir, aconselhar, ajudar o próximo. Não sou fã do silêncio quando me vejo acompanhada, gosto de dedicar cada segundo ao meu acompanhante. A vida é uma viagem muito curta pra dar valor em outra coisa, quando se está com alguém que se gosta. Sinto saudade, raiva, ciúme, sinto vontade. Queria me livrar dessa corrente que me aprisiona, e não me faz liberta. Será que eu estaria pronta para voar nesse mundo sem alguém ao meu lado?
Deixei a casa dos meus pais muito cedo, tenho contato o suficiente com a minha família e parentes para saber que não preciso de mais do que isso, por perto. Pode me julgar egoísta, eles pensam da mesma forma.
Saudade já me matou várias vezes, eu me sufoquei por diversas vezes e me afundei. Eu mesma sai desse buraco que cavei, não sinto vergonha em admitir, que hoje, sempre, fui eu mesma por mim.
Eu nunca fui ingrata, pelo contrário. Acredito que a gratidão seja o mínimo que um ser pode ter por quem já lhe estendeu a mão, lhe deu carinho, atenção. Não posso deixar que um sentimento tamanho desse, me roube a concentração.
Na maioria do tempo estou analisando as pessoas. Eu presto atenção em cada movimento, palavra, gesto. Tem gente que eu desisto no começo, alguns, até insisto. Os que realmente persisto, faço deles um laço, não nó. Pode ser ilusão minha, mas acho que assim tudo caminha melhor.
Eu não tenho nenhuma ganância aparente, não quero ter mais que o necessário, e também não desejo muita coisa de diferente do que vivo hoje. Preciso largar mão dos meus hábitos, eles são meus maiores defeitos.
Eu amo acordar cedo, sentir o cheiro que a manhã traz. É algo misturado com renovação de vida, tem gosto de beijo, é tão sagaz.
Não pretendo morrer de amor, e nem amar pra vida inteira. Desejo atingir meu objetivo interno, que não é um segredo pra ninguém. Pouca gente me conhece tão bem...
Sou à favor da verdade para quem está disposto à encara-la, uso a mentira para quem não está pronto para a libertação. A verdade é o caminho, mas muito insistem em fantasiar. Não sou uma flor cheia de espinhos, não vou deixá-los machucar.
Eu falo muito do que é realmente amar, mesmo que convivo com dúvidas, já que por um instante tudo mudou, e hoje eu nem consigo explicar. Amar é só ter olhos pro outro, ou aprender a respeitar seu espaço e seu lugar?
Não quero me privar de fazer o que quero, o que gosto, o que preciso. Chega uma hora que o corpo cansa, e deixa de aguentar. Tenho na cabeça e nas mãos mais de mil escolhas, qual caminho devo traçar? Se houver algo de errado, deixe comigo. Eu sei bem como consertar.
Não é a primeira vez que erro o destino, pois foi errando que aprendi à caminhar.