Meus Discos Favoritos de 2014
20 - Creepoid - Creepoid Banda de rock alternativo da Filadélfia que lançou este disco ainda no início do ano, trazendo uma forte influência de música dos anos 90, passeia do grunge ao shoegaze sem desapontar fãs novos e antigos.
picks: Old Tree, Nadua
19 - Swans - To Be Kind
Mantendo semelhanças com seu antecessor (The Seer, 2012), mas sem o mesmo frescor, o Swans mostra que, apesar da idade, ainda tem energia pra fazer músicas que deixam bandas mais jovens comendo poeira, ainda mais quando se consideram as performances ao vivo.
picks: A Little God In My Hands, Bring The Sun / Toussaint L’Ouverture
18 - Cadu Tenório & Márcio Bulk - Banquete
Cadu Tenório é uma máquina de fazer música. Exibindo uma quantidade salutar de lançamentos por ano, este, que é um dos nomes mais interessantes da nova (nem tão nova assim) cena experimental carioca, se uniu a um time de nomes tão interessantes quanto, para lançar estas quatro faixas. As músicas foram gravadas de maneira tradicional e posteriormente entregues a Cadu, que teve liberdade total de manipulá-las e criar esta viagem musical, utilizando técnicas do chamado Electroacoustic. Aproveite e veja também o recém-lançado clipe de Em Transe, que é provavelmente uma das melhores músicas do ano. Como quase tudo que Cadu faz, Banquete não é um disco fácil de se ouvir, mas que compensa todo o esforço no final.
picks: Em Transe
17 - Flying Lotus - You’re Dead!
Nesse novo disco FlyLo recorre a uma grande quantidade de faixas de curta duração, com influência maior de jazz e grandes participações como Kendrick Lamar, Herbie Hancock e Thundercat. A ideia de pequenas “músicas conceito” lembra bastante os já clássicos Madvillainy e Donuts.
picks: Never Catch Me, Moment of Hesitation, Descent Into Madness
16 - Have A Nice Life - The Unnatural World
É uma missão dificílima lançar um novo disco após o Deathconsciousness, já considerado um clássico underground. Apesar disso, 6 anos depois, o HANL volta com um álbum honesto, que apesar de não ter o mesmo impacto de seu antecessor, se mantém firme na proposta da banda.
picks: Defenestration Song, Dan and Tim, Reunited By Fate
15 - Jakob - Sines
Jakob é uma banda de post rock da Nova Zelândia, que lançou este grande registro no decorrer do ano. Não vou mentir, Sines provavelmente não é o disco de post rock que irá converter novos ouvintes para o gênero, mas para os já admiradores deve funcionar muito bem, como funcionou para mim.
picks: Blind Them With Science, Magna Carta
14 - Ben Frost - A U R O R A
Mesmo não sendo grande fã de Industrial, reconheço sua grande importância para a música contemporânea. E este álbum do Ben Frost, que apesar de australiano é radicado na Islândia, conseguiu me intrigar, mostrando ainda mais que o pequeno país gelado é um dos grandes expoentes da música fora do eixo EUA-Reino Unido.
picks: Secant, Venter
13 - Lantlôs - Melting Sun
Ano passado vimos o filme de um álbum de blackgaze que causou enorme pôlemica, muito devido à sua capa rosa. Este ano o Lantôs também deixa sua marca. Melting Sun é um disco extemamente atmosférico, que mesmo contendo os vocais agressivos caraterísticos do Sludge Metal, consegue se manter sublime, trazendo paisagens oníricas e efêmeras. Um ótimo álbum para se ouvir ao ler Sandman.
picks: Melting Sun I: Azure Chimes, Melting Sun IV: Jade Fields
12 - Ought - More Than Any Other Day
A Constellation não brinca em serviço. Independente do gênero, as bandas que tem o selo da gravadora dificilmente depecionam. More Than Any Other Day trás o Art Punk em grande forma, lembrando grandes momentos (que não foram poucos) de bandas como Wire e Talking Heads. Enérgico e jovial, o debut do Ought mostra que a banda tem potencial de sobra para lançar outros grandes discos ainda.
picks: Pleasant Heart, The Weather Song
11 - Pallbearer - Foundations of Burden
Dois anos após lançar um dos grandes discos de metal de 2012, o Pallbearer retorna com seu novo registro. Carregado do doom metal “de raiz” que foi apresentado em seu debut, o segundo disco segue como uma progressão natural, mas sem perder o peso e a qualidade.
picks: Worlds Apart, The Ghost I Used To Be
10 - Freddie Gibbs & Madlib - Piñata
Madlib é sem dúvidas o Midas do hip hop atual. Se tem a mão dele pode acreditar que é ouro. Nesta nova colaboração ele se une a Freddie Gibbs, MC que com sua atitude gangsta coloca voz sobre as grandes batidas produzidas por Otis. Além da dupla de peso que dá nome ao disco, conta ainda com grandes contribuições como Danny Brown, Raekown e Earl Sweatshirt.
picks: Thuggin’, High, Deeper
9 - Earth - Primitive and Deadly
Monstros do Drone, o Earth lançou seu novo disco bem diferente da sonoridade que os consagrou, apesar de ainda manter um pé lá. O mais recente álbum se diferencia principalmente pela quantidade de vocais usados. Vocais estes emprestados por colaboradores de peso como Mark Lanegan e Rabia Shaheen Qazi. Mesmo fora de sua zona de conforto, se é que se pode chamar assim o que a banda fez em seus registros anteriores, o grupo mostra competência e confiança, além de exibir uma das mais belas capas do ano.
picks: From The Zodiacal Light, There Is a Serpent Coming, Even Hell Has Its Heroes
8 - Isaiah Rashad - Cilvia Demo
Nem só de East e West Coast vive o hip hop norte americano. Mais uma prova disso é Isaiah Rashad, jovem rapper do Tennessee. Cilvia Demo exibe influências de jazz rap que remetem a Outkast e A Tribe Called Quest, mas soa fresco e original.
picks: Shot You Down, Heavenly Father, Webbie Flow (U Like)
7 - Juçara Marçal - Encarnado
Juçara é um dos nomes mais importantes não só da chamada Vanguarda Paulista, mas da música brasileira atual. Seja com o Metá Metá, seja com seu disco solo, as influências africanas, de samba e jazz se unem de maneira magistral nesse álbum. Kiko Dinucci, outro nome talentosíssimo da cena, companheiro de banda da artista, comanda as guitarras tocando torto, em muitos momentos remetendo ao math rock. Encarnado não é apenas um dos melhores álbuns do país, seu lugar deveria ser figurando nas listas de melhores do mundo.
picks: Ciranda do Aborto, Velho Amarelo, Pena Mais Que Perfeita
6 - La Dispute - Rooms of The House
O Emo e o Post-Hardcore são muitas vezes lembrados por letras adolescentes e despretensiosas. Não é esse o caso no novo disco do La Dispute. Rooms of The House é um disco conceitual que trata de dramas de um casal, dramas muitas vezes já experimentos pelas maioria das pessoas, talvez por isso seja tão fácil se identificar com o álbum. Com sonoridade tradicionalmente jovem e temas “adultos”, o La Dispute exibe maturidade e faz um dos grandes discos do ano. Prova dessa maturidade é que parte dos lucros da venda do disco foram revertidas para projetos que estimulam envolvimento dos jovens com a arte.
picks: Woman (in mirror), Woman (reading), Objects in Space
5 - Run The Jewels - Run The Jewels 2
A dupla mais querida do hip-hop ataca novamente. Pouco após o lançamento de seu debut, El-P e Killer Mike já retornam com mais uma pedrada. No novo disco o duo abandona um pouco o jeitão mais comédia que havia em seu primeiro álbum, mas continua firme na sonoridade do hardcore hip hop. Apresentando colaborações com Travis Barker do Blink 182, Diane Coffee do Foxygen, Zack de la Rocha do falecido Rage Against The Machine, entre outros, o RTJ se consolida como um dos projetos mais prolíficos do rap.
picks: Close Your Eyes (And Count to Fuck), Crown
4 - ruído/mm - Rasura
A banda curitibana chega ao ápice de sua discografia com Rasura, possuindo o post rock como base, mas não se limitando somente a ele, o ruído/mm consegue fazer músicas universais de um gênero tradicionalmente de nicho. Maior surpresa da música nacional no ano, é definitivamente um dos discos que mais escutei desde seu lançamento, e valeu cada segundo.
picks: Requiem for a western manga (西部マンガ), Penhascos, desfiladeiros e outros sonhos de fuga, Inconstantina
3 - Kairon; IRSE! - Ujubasajuba
Da primeira vez que vi essa capa confesso que fiquei com o pé atrás, mas depois de ouvir o disco eu nem sentia mais meus pés. A influência de My Bloody Valentine é óbvia, como denuncia o início da primeira faixa, que lembra muito a introdução de Only Shallow. No entanto Ujubasajuba não é mais um dos tantos discos que tentam reproduzir Loveless. Adicionando post rock à mistura, a banda finlandesa consegue fazer um registro altamente original que merece figurar nos panteão dos grandes discos do shoegaze.
picks: Valorians, Amsterdam, Rulons
2 - BADBADNOTGOOD - III
Se em seus discos anteriores o BBNG mostrava várias versões de músicas de outros artistas, indo de James Blake a Kanye West, My Bloody Valentine a trilhas de video game, em III, sua mais nova investida, o trio canadense aposta em composições próprias. O jazz fusion se mistura ao hip hop em 9 faixas, ora enérgicas, ora suaves que funcionam muito bem em conjunto, mostrando que a banda tem enorme potencial não só para covers.
picks: Confessions, Differently, Still, Since You Asked Kindly
1 - Ratking - So It Goes
Surpreendente, moderno, fresco. Esses são alguns dos inúmeros adjetivos que eu poderia utilizar para descrever o debut do Ratking, trio de hip hop oriundo de Nova Iorque, como se nota pela capa do álbum.
Mesmo sendo um grupo de hip hop, o Ratking não compartilha muitas semelhanças com a maioria dos artistas do gênero, tendo mais em comum com a cultura punk, como diz a própria banda. Wiki, o MC que não tem quase metade dos dentes queria fazer rap, para isso fez seu melhor amigo, Hak, um cara que não dava a mínima pra música, começar a cantar. Junto disso vem Sporting Life, o produtor das batidas, batidas estas que estão alinhadas com a nossa famigerada Era da Informação. As músicas são assim, a quantidade de informação despejada simultaneamente nos ouvintes é enorme, batidas misturadas com samples, com outro sample de voz se repetindo e a dupla de MCs cantando seus versos, tudo ao mesmo tempo. Barulhento e dinâmico. Apesar de undergound o Ratking não tem problemas em se misturar com outras cenas, como mostra a participação do King Krule em uma das faixas. Condensando o caos da cidade grande, e expondo temas atuais, como é o caso da violência policial, que atingiu seu auge nos protestos de Ferguson, mas já era mostrado pelo grupo na faixa Remove Ya alguns meses antes. Seu maior êxito talvez seja esse, fazer o que é um dos mais nobres objetivos de um álbum, que é condensar um momento histórico, criar de fato um registro de um local no espaço-tempo para ser lembrado.
É um disco feito nos dias de hoje e para os dias hoje.
picks: *, So Sick Stories, So It Goes, Bug Fights, Cocoa ‘88
Menções Honrosas:
Discos que não entraram nesse top 20 mas merecem ser lembrados.
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