Nome: Alek Simmons
Idade: 24
Ocupação: Saqueador
FC: Casey Cott
❝ Blood is the most beautiful red ink i’ve ever put my eyes above. ❞
Privilégios existem, não há como negar. Dinheiro, status e influência interdependem da mesma maneira que atuam unidas, livrando ou destruindo a cara daqueles que os possuem ao bel prazer de seus anseios. Fitzgerald Simmons não estava excluso; tampouco Alek, seu filho único – cuja relação com os três itens acima fora tornando-se cada vez mais íntima desde que entrara no ensino médio.
Há um ditado que explicita o potencial destrutivo das amizades, muito embora os mais jovens tenham a péssima tendência de convenientemente ignorá-lo. Alek não saberia dizer ao certo quando ganhara intimidade com o grupo, mas mal dera por si e já estava sendo convidado para saídas na calada da noite na companhia dos quatro outros rapazes. Seria injusto dizer, contudo, que o desejo latente de transgressão já não corria nas veias de Alek antes de juntar-se aos adolescentes. Era mais do que claro que os pais, naquela pacata cidade onde o capitalismo reinava soberano e parecia ditar cada interação social, haviam esquecido de ensiná-lo dois valores importantíssimos: responsabilidade e humildade. Mas havia um agravante no comportamento do Simmons, algo que o deixava frustrado o suficiente para descontar nos bens materiais (de terceiros): a repressão de sua sexualidade.
West Allis era conhecidíssima pela velocidade com a qual rumores passavam de boca em boca, fossem positivos ou negativos. Destruir a propriedade alheia era aceitável, facilmente consertável com a ajuda da gorda conta bancária atrelada a seu sobrenome; mas admitir que também sentia atração por garotos? Um ultraje para a moral e os bons costumes. Isso deixava Alek assustado, confuso. Irritado. Nunca fora do tipo agressivo, entretanto – preferia defender-se através de palavras ácidas e desenhos irônicos (estes particularmente encorajados pelos novos amigos). Era ele o responsável pelas pichações nos muros alvos dos vizinhos, geralmente carregadas de palavrões e símbolos obscenos. Na presença de Dave, Jamie, Ned e Martin, Alek se sentia verdadeiramente à vontade para ser autêntico; em especial junto ao último, tanto que passou a por ele nutrir sentimentos.
Nunca os revelou, porém. Temia destruir o que tinham, limitando-se a olhares longos quando ninguém prestava atenção. Depois de Martin, Ned era seu melhor amigo; e aqui não havia segundas intenções, mas um verdadeiro instinto de conexão e camaradagem. Talvez por isso tenha sido tão difícil dar adeus quando rumara, anos depois, para morar no campus da faculdade de artes plásticas. Lá, fizera questão de não perder contato. Criou um grupo no whatsapp – que mudava de título a cada fato marcante ou estupidez viral de internet – e assim marcaram de se encontrarem todas as férias na odiosa cidade natal, onde lembrariam dos velhos tempos de rebeldia. Os semestres que passou na faculdade trataram de dar-lhe mais confiança, e quando retornou a West Allis já não se importava tanto com a opinião dos amigos de seus pais sobre sua sexualidade. Em fato, estava reunindo coragem para finalmente insinuar-se para Martin quando saíram à noite durante o recesso de 2020, latas de spray nas mãos enquanto outros levavam tacos de basebol.
Foi aí que as coisas ficaram bizarras. Quando cruzaram a esquina, um bêbado apareceu repentinamente e avançou sobre Martin, que caiu no chão. Dave e Ned correram para socorre-lo, mas o homem só soltou o rapaz depois de um chute na cabeça desferido pelo primeiro. Tombou então para o lado, desacordado, a boca manchada pelo rubro do sangue de Martin – que agora cobria o ombro em agonia. Todos estavam incrédulos, mas não deram a devida importância ao fato. Como poderiam? À época, surtos como aquele não haviam tomado a proporção que lhes estava destinada. Quando Martin se transformou, Ned cravou no meio de sua testa uma flecha. Alek não estava lá para presenciar a cena, mas isso não fez seu coração doer menos. Aquela foi a primeira vez que experimentou o sentimento de perda, incessante e voraz demais para suportar; e infelizmente não a última.
Depois que descobriram o que acontecia com o mundo, a sucessão de eventos foi rápida. Seus pais e os de Ned eram parceiros de negócios e amigos relativamente próximos, então foi natural que partissem juntos para Adelaide. Dave também foi junto, mas estava sozinho. Lá, estabeleceram-se em um acampamento improvisado e assumiram postos de saqueadores. Alek, pela experiência com artes plasticas, descobriu-se muito bom em camuflagem, fosse através de pintura corporal ou o arranjo de folhas e galhos para esconder objetos. Também era muito ágil graças ao porte esguio e mãos treinadas em pinceladas delicadas; além, é claro, dos anos de invasão e destruição de propriedade junto ao amigos de infância.
Este último hábito, por sinal, não parecia ter se esvaído por completo. Na verdade, encontrava-se ainda mais frustrado perante a nova realidade, perdido de certa forma. Não havia mais futuro, mais arte. Toda a carga emocional negativa que julgava ter superado quando deixara West Allis retornara ainda mais forte, e agradecia aos deuses ou fosse lá quem comandasse os céus por ainda ter ao menos dois de seus melhores amigos ao seu lado naquele inferno. Juntos, esperava que pudessem sobreviver; quiçá se divertir. Quebravam coisas de maneira irresponsável dentro de uma loja de departamento, num momento de pura euforia, quando acabaram chamando a atenção de zumbis. De muitos zumbis. Dave e Ned começaram a discutir durante a fuga, Alek fora encurralado e precisou fugir por um caminho diferente.
Não conseguiu mais encontrar os amigos e, temendo pelo pior, tentou voltar ao acampamento sozinho. No meio do caminho e munido apenas de sua besta – a qual Ned o ensinara a atirar –, poucas flechas e uma sacola plástica com alguns suprimentos, acabou perdendo-se, e caminhou por mais alguns dias até encontrar um grupo de sobreviventes. Era uma família: pais e duas filhas meninas. Recearam acolher o Simmons de início, mas logo viram que não representava ameaça: estava faminto e tinha olheiras fundas pela privação de sono; logo largou a arma no chão e ergueu as mãos sobre a cabeça em rendição e súplica. Ficou com a família e sobreviveu junto a eles durante quase dois anos, criando laços com cada membro. Nunca havia gostado muito de crianças, mas Juniper irônicamente tornou-se a sua preferida: tinha onze anos e um senso de curiosidade aguçado, mas também era extremamente doce. Fora a primeira que verdadeiramente confiou em si, ensinando-o mais sobre respeito e humildade do que qualquer pessoa de seu passado. E Alek não se recusava a responder todas as suas perguntas; a princípio meio ranzinza, mas ao longo do tempo gentil e pacientemente. A ensinou a se pintar com lama, a se esconder para sobreviver – e orgulhosamente a viu por tudo em prática quando um grupo de saqueadores os pegou desprevenidos.
Começaram a roubar os suprimentos da família, o que deixou o pai desesperado. Em um ato impensado, ofereceu resistência, sacando a arma que guardava no coldre e atirando em falso num dos homens; que não hesitou em revidar. Ao ouvir os tiros, Alek – que estava a uma boa distância, próximo à porta dos fundos do casebre – puxou Juniper pelo braço e se escondeu atrás de uma árvore. Mandou que se camuflasse e ambos esperaram, ocultados pelas sobras, até que mais tiros dessem fim aos outros membros e que o movimento cessasse de vez – saindo de lá apenas no raiar do dia.
Sentia-se um pai solteiro. Ou imaginava que pais solteiros viessem a se sentir assim eventualmente. Juniper perguntava constantemente sobre os genitores e Alek inventava uma desculpa diferente a cada dia, incapaz de contá-la a verdade. Não sabia como sobreviveriam; fora difícil se virar sozinho, quem diria com uma garotinha em seu encalço. Entretanto, os pais da menina tinham um pequeno rádio amador e era comum que ouvissem transmissões sobre um acampamento 13 – teoricamente seguro, mas arriscado demais se levassem em conta que não tinham veículos de locomoção e estavam se virando bem no casebre –, agora a única perspectiva de sobrevivência dos andarilhos. E foi exatamente para onde foram.
Habilidades: Furtividade e perícia com camuflagem.
Armas: Besta, canivete e pistola.
Status: indisponível (played by Dily)