A floricultura estava silenciosa, exceto pelo leve farfalhar das folhas e o aroma doce que preenchia o espaço, quase como se cada flor tivesse seu próprio fôlego. Kanao se encontrava atrás do balcão, ajeitando cuidadosamente algumas pétalas que pareciam teimar em não se alinhar perfeitamente. Quando o sino da porta tilintou, indicando a chegada de um cliente, ela ergueu os olhos lentamente, oferecendo um sorriso tímido, quase contido. “Boa tarde,” murmurou, a voz baixa, suave, como se não quisesse perturbar a tranquilidade do lugar. Seus dedos deslizavam entre as flores, parando diante de uma pequena haste com flores de lavanda, de cor delicada e perfume discreto. “Se tivesse que escolher uma flor que combinasse com você… acho que seria a lavanda,” disse, entregando-a com cuidado, quase em um gesto protetor. “É calma… mas forte de um jeito que ninguém percebe de imediato.” Kanao desviou os olhos por um instante, voltando a observar o arranjo que ajustava, como se o silêncio ainda falasse por ela. “Espero que goste,” acrescentou num sussurro, quase como se estivesse pedindo permissão para compartilhar aquela pequena percepção.













