“Pessoal, obrigada, não sei o que eu faria sem vocês, me sinto tão protegida. Ele realmente não valia a pena.”
Eu estava presa em algo que parecia uma casca. Dura e quebradiça ao mesmo tempo.
Meus movimentos eram regidos. Vigiados. Todos interferiram.
Talvez ela pudesse. Ela estava livre. Ela era assim.
Ela havia quebrado a casca.
Eu não posso quebrar a casca.
Eu não sou assim. É o que eles dizem.
Eu tenho que ficar parada. Tenho que sorrir e acenar.
Eu tenho que ser boa, correta, organizada, paciente, responsável…
Não posso ficar com você. Nunca pude.
Não, não queria. Então, tudo bem.
Se eu for perguntar, eles negarão. Porque é verdade.
Porque ainda me resta um pouco de liberdade.
Ainda sinto o vento em minha cabeça.
Mas “não amiga, respeite sua dignidade” “É sério, não fica com ele” “Ainda bem que você desistiu”.
Porque eu não sou assim. É o que eles dizem.
E suas palavras fortalecem a casca.
Eternizada em meu infinito sorrir e acenar.
É porque você era livre, não tinha amarras, sua casca já tinha até virado pó.
Você não ligava para as palavras dos outros.
Era porque você era diferente de mim.
Foi isso o que eles disseram.
Mas eu não queria você, então tudo bem.