Estruturado por EXAME e Hiria, empresa especializada no desenvolvimento de educação corporativa, o Fórum EXAME Segurança da Informação foi realizado nesta quarta-feira (22/8), no Centro Brasileiro Britânico – São Paulo. Em um contexto de muitas notícias sobre invasão de sistemas e compartilhamento ilegal de dados pessoais ou empresariais, o evento foi uma oportunidade única para aprofundar o entendimento sobre o assunto, e a partir de todos os níveis de negócios: desde a tecnologia até as pessoas, os processos e a gestão de riscos.
André Lahóz Mendonça de Barros, diretor editorial de EXAME, abriu o evento enfatizando a participação e a importância da marca em acontecimentos e mudanças recorrentes no Brasil e no mundo, como atual transformação digital, que apresenta novos desafios. “Desafios que nós, como sociedade, temos que enfrentar com urgência nas empresas, na vida pessoal e no plano mais amplo: na política”. Após citar que o resultado da eleição presidencial dos Estados Unidos pode ter sido manipulado, questiona: “se eles passaram por isso, será que o Brasil está protegido?”.
Edward Snowden, o ex-oficial de inteligência dos Estados Unidos famoso por denunciar o governo norte-americano em um escândalo de espionagem em 2013, concedeu uma palestra por vídeoconferência ao vivo. Com exclusividade, comentou que a espionagem deixou de ser exclusiva do governo: tornou-se um fator comercial, de forma que corporações captam informações sem o consentimento de clientes e usuários. “Ao desativar a localização para o Google, a plataforma simplesmente para de mostrar a você que está te rastreando”, mas não cumpre isso, pois “seu celular transmite sinais eletrônicos o tempo todo, sinais que indicam onde você está e qual o seu número de telefone”, afirmou Snowden.
O palestrante disse ainda que gestores precisam responder duas questões para evitar que sua companhia funcione como agências de inteligência. Primeiro, “nós apenas coletamos dados necessários?”; e segundo, “nós apenas coletamos dados com que nossos clientes concordam?”. Com essas atitudes, a empresa não corre risco de ser exposta em polêmicas nessa área, afinal, não é possível vazar dados que não foram captados.
Ao ser questionado se acredita que sua vida ainda corre perigo, Snowden respondeu que “não é fácil desafiar os espiões mais poderosos do mundo, pois eles sentem que fazem o que deveriam fazer”. Exilado em Moscou por cinco anos, ele finalizou: “eu estaria seguro se continuasse espiando as pessoas e ganhando muito para isso, é um trabalho fácil. Mas, às vezes, o que é certo vale mais do que o que é seguro”.
Com participação de Marcel Leonardi, diretor de Políticas Públicas do Google no Brasil e professor de direito na Internet na FGV-SP; Renato Opice Blum, advogado especialista em direito digital; e Rodrigo Nasse, da ITU Partners E-commerce Brasil, o debate de “Por onde começar a fazer a gestão de seus dados de negócio e o que você precisa saber sobre o tema de segurança da informação e privacidade na Era Digital” tratou de ameaças e prejuízos a que estamos expostos e os impactos nos negócios, do Marco Legal de Proteção de Dados Pessoais – que entrará oficialmente em vigor em 2020 no Brasil –, Compliance Digital e quais áreas e cargos devem ser envolvidos no tema.
O encerramento do evento teve palestra de Flavia Piovesan, jurista e referência sobre o tema de direitos humanos com destaque para liberdade, ética e segurança. Ela abordou os aspectos humanos dentro da segurança da informação; a ironia de uma segurança que protege e, ao tentar proteger, pode vir a ferir os direitos humanos; e a busca por uma internet livre e segura.













