hoje assisti pela milésima vez Comer, Rezar e Amar e escutei algo que fez muito sentido após semanas conturbadas. a Liz disse "o sofrimento é a consequência de que você tentou". decidi escrever esse texto, mais para mim, dizendo que tentei, verdadeiramente, fazer o meu amor dar certo. porque ele era certo. eu amei de forma genuína e pura. entreguei e compartilhei o meu sorriso mais íntimo, assim como meu coração e meu corpo. tentei entrar em cada roupa que o seu mundo me dava. e tinha felicidade ao ver que meus amigos e familiares viam amor. eu estava tão desesperada por esse sentimento que aceitei muito, até o que ele não era. engoli as vezes que voltei para casa chorando me perguntando o que havia de errado em mim. ou quando deixei de ver os meus amigos para ver os seus. também as brigas e as discussões que acabavam pior do que começavam. você disse que eu era complicada demais e não iria para frente.
vi que o amor não é ódio. e por mais que as vezes eu tivesse muita raiva, nunca tinha sentido esse amargor. mesmo quando você descontava em mim sua raiva do mundo e eu tentava entender. o meu amor não era dependência. eu escolhi te amar e depois, não querendo, continuei. após a minha dignidade ser pisada, ainda tenho o meu amor. só não sei se a pessoa que amei existiu.
o meu amor nunca foi egoísta. vi que não tem como desamar. a gente só coloca os sentimentos na caixa da vida, segue e pode encontrar um amor maior no caminho. na ausência, notei que muito do nosso tempo junto foi por medo de ficar pior separado. era como um pacto: a gente podia ser infeliz para sempre, já que os momentos de felicidade eram efêmeros. eu podia me apegar a acontecimentos bons e transformar os fantasmas que encarava no espelho quando você ia embora. durante muitas horas, desejei nunca ter amado ninguém.
outro ensinamento de Liz é que amor não é dor. pode ter sofrimento, mas ele não machuca. o término da gente não era o término de mim. então, lidei da melhor forma que podia. nessas últimas semanas, ver que o amor entregue foi reduzido a nada, doeu. porque a gente dá a melhor parte que há em nós esperando, no mínimo, respeito, mas nem isso se cultivou. eu via em você o que queria loucamente que alguém visse em mim. e sorria com o coração.
o meu amor nunca foi falho. quando percebi que você jogou no lixo o que a nossa história te deu, isso manchou ele. o seu ego fez o meu jardim não ter espaço. e, assim, você destruiu as sementes deixadas quando fui embora. eu não me arrependi um dia por ter escolhido quebrar o laço, mas me arrependo hoje de ter esperado você voltar com o resto de mim que eu sentia falta e que fez coisas lindas. porém, nem isso você viu. só existia raiva na sua fala.
perceber o despejo da minha parte mais bela tem sido árduo. tudo o que você dá, para a pessoa errada, não vale nada. não tem como pedir perdão por ser quem se é. atualmente, você só está consumando o que sempre foi, estando em um lugar onde todos são iguais. essa roupa nunca me coube. assim, saí machucada e arrastada no chão. algo que nunca pensei que iria ocorrer com quem partilhei anos de convivência. mas, andei sozinha e o meu amor foi de mão única. mesmo não sendo egoísta, falho, torto. ele foi o melhor que eu podia entregar. e foi de verdade. isso dói mais que qualquer término.
hoje sei que o amor não é violento. o amor não é egoísta, traiçoeiro ou passageiro. e te escrevo essas palavras pensando ser a última vez.
o seu amor foi errado e somente seu. você é quem é. eu sou quem sou. e a vida se encarregará do resto. de mim, você não tem perdão, mas várias frases engasgadas no pescoço. esse foi o seu fim, escolhido por você. o meu, termina comigo, com o sentimento correto que cultivei e torcendo para não ter medo. porque amor nenhum é medo.