A luz, tal como o som, é um fenómeno de natureza ondulatória. A luz é uma radiação eletromagnética, que se propaga através de diferentes meios de materiais, como o ar ou a água e também se propaga através do vazio, cujo comprimento de onda se inclui num determinado intervalo dentro do qual o olho humano é a ela sensível. Trata-se, de outro modo, de uma radiação eletromagnética que se situa entre a radiação infravermelha e a radiação ultravioleta. Quanto à sua direção, esta propaga-se segundo uma linha reta e radicalmente em todas as direções sempre que a velocidade de propagação for constante num determinado meio (isotrópico). Em suma e por meio da veracidade é-nos possível afirmar a ideologia de que a luz é o motor da existência de todas as massas, afirmando-se como uma necessidade vital para as mesmas. É graças a esse fenómeno natural que é a luz, que nos é dada a concessão de toda a realidade a que temos convivência, da mundividência. E é neste conceito que surge a filosofia da formação de imagem, como também da reprodução da mesma.
Na Grécia antiga surge os primeiros relatos de formação de imagem através daquilo que denominamos de “câmara escura”. Aristóteles referiu esse mesmo meio como instrumento de observação de eclipses solares. Mas é no século XV que o conceito se solidifica, onde foi, por sua vez, instrumento de estudo por parte dos intelectuais da era correspondente. A servir de exemplo Leonardo da Vinci, o génio que incorporou o humanismo, dedicou-se ao estudo de várias ciências demonstrando que o fenómeno da câmara servia como meio na disciplina da representação das coisas, o desenho, facilitando a reprodução de imagens por esta produzida. O fenómeno da câmara escura dá-se por meio da reflexão da onde, através de um orifício, há a passagem dos raios luminosos e, através do espaço ausente de luz, surge a “impressão” da realidade refletida sobre o plano, invertida, devido à direção dos próprios raios.
É segundo esta ideologia processual e metodológica que surge o termo “pinhole” no século XIX. Seguindo a mesma filosofia da câmara escura, a pinhole apresentava a possibilidade de “imprimir” a realidade refletida num suporte sensibilizado (com sais de prata) com base na projeção de um foco de luz, revelando-se com base em reações químicas.A diferença entre estes dois processos manifesta-se na fisionomia de ambos, enquanto que a câmara escura se resume a um espaço físico, a uma volumetria edificada, a pinhole caracteriza-se pela sua fácil mobilidade, tratando-se de um objeto muito mais reduzido que garante a possibilidade de refletir toda a diversidade de espaços/realidades. Este meio fez furor em finais do século XVIII ao representar-se ao mundo como uma componente de um dos avanços técnicos mais importantes da história da humanidade, o primórdio da fotografia. Esta realidade só foi possível segundo o espírito de génio produtivo incorporado por Niépce. Em 1826 dá-se aquele que é um marco antrópico, Joseph Nicephore Niépce consegue pela primeira vez fixar de forma permanente uma imagem, através de um complexo processo com recurso a uma placa de estanho sensibilizada com sais de prata, ao qual foi coberta com betume branco da Judeia, retirando, após o tempo de longa exposição, as partes não solarizadas com uma solução à base de essências de alfazema. A criação deste método processual convergiu, por sua vez, na concepção da primeira fotografia a nível mundial.
Processo de criação da pinhole caseira:
Nos tempos modernos, as coisas tornam-se cada vez mais fáceis. E no caso daquilo que foi um fenómeno extremamente importante há muitos anos atrás, como foi o surgimento da câmara pinhole, nem mesmo aqui se foge a essa afirmação. Apesar de atualmente ser tratar de algo rápido de executar, é no entanto um processo bastante interessante que deve ser experiênciado, tanto mesmo a construção da caixa/câmara, como o processo de revelação que será realizado a seguir.
Posto isto, realizei a minha caixa com base numa lata de conserva de feijão, onde, depois de limpa, forrei todo o seu interior com cartolina preta, com o objetivo de isolá-la totalmente da luz. Criei uma tampa para poder abrir e fechar a lata, para que o papel fotográfico possa ser colocado no interior facilmente, e assim ser completamente isolada da luz do exterior. No entanto, como tem de haver uma pequena entrada de luz para que se possa formar então uma imagem no papel, fiz uma pequena fuga na lata da largura de um pin, criando um método para que esse furo apenas estivesse exposto no momento de fotografar, através de um pequeno sistema de “tampa”, que cobre esse pequeno furo antes de fotografar e depois completar a fotografia.
- Lata de alumínio (feijão, grão, lentilhas, etc. É irrelevante.)
- Cartolina preta (para furar o interior e criar a tampa)
- Fita-cola isoladora (de preferência preta, eu usei azul)
- Pin (para fazer o furo)
- Pedaço de cartão (para realizar a tampa que sela o furo)