Não passávamos de dois desconhecidos que compartilhavam idas e vindas de algo que nunca soubemos o que era. Desde o início fomos o próprio caos, uma bagunça daquelas que a gente coloca a mão na testa pra descobrir por onde começar a organizar. Fomos briga, cobrança, imaturidade, birra, fuga, volta, reaproximação, desculpas. Eu me via uma guriazinha completamente apaixonada por alguém que eu não podia ter e eu adorava essa sensação. E eu te via um gurizinho que tinha alguém pra se distrair e que também adorava essa sensação. Por mais superficial que pareça ler isso, assim, é o que fomos. Por bastante tempo. Tu com os teus sentimentos já ocupados e completamente desorganizados e eu querendo ocupar um lugar totalmente cheio. Eu não cabia ali e só deus sabe o quanto ser teimosa me custou. A vida seguiu e nós simplesmente saímos da mesa em algum momento, abandonei meus jogos e tu também. Da última vez que te vi, eu lembro de olhar pro teto enquanto passava os dedos no teu cabelo e me perguntar como alguém que me bagunçava daquela maneira também poderia me trazer tanta paz. De como eu nunca tinha reparado na pintinha que tu tem no nariz ou do quanto a tua risada é gostosa de ouvir. De descobrir como era o teu beijo de verdade, sem álcool, sem a rapidez de quem não pretende entregar nada além da superficialidade que um dia a gente tinha sido. De como a gente é engraçado, do quanto a minha criatividade pra falar merda aumenta e do quanto tu ri até das coisas mais idiotas que eu falo. A gente se conheceu, sem querer, talvez enquanto eu te contava alguma coisa séria e tu começou cantar. E o quanto aquilo foi tão cômico que eu não conseguia nem ficar braba por tu não ter prestado atenção. Era estranho perceber que eu nunca tinha te conhecido de verdade, nem tu a mim. E de como doía lembrar que a gente ainda tinha muito mais, porém, não tinhamos mais tempo pra isso. E quando eu falo em saudade, eu to falando da coleção de conchinhas que tu não conseguiu me mostrar, do próximo vinho, do tempo a mais na cama depois de acordar, no banho que a gente sempre dividiu, das coisas que eu te contei, das que tu não me contou, do cigarro pela metade que eu deixei no banco da rua antes de ir embora. Dos meus dedos passando pelas tuas costas, dos outros beijos, de negar bolar um enquanto eu já to quase terminando e tu ta reclamando em outro cômodo que eu não faço nada por ti. Ficou a saudade de correr e te abraçar durante uma tarde qualquer só pra lembrar o quanto tu é capaz de me fazer bem. De conversar sobre algum assunto sério e te dizer como eu ainda sou completamente apaixonada pela tua voz. De rir contigo até a barriga doer muito, segurar teu rosto depois e te beijar. De te observar fazendo algo completamente normal e como a criatura mais boba do mundo dizer que eu te amo. A vida é boa, mas ela consegue ser completamente incrível quando a gente ta junto. E onde antes eu via uma guriazinha teimosa e um gurizinho com uma pose impecável que só se desgastavam, hoje eu vejo duas pessoas incríveis, uma pra outra. E como tu sempre fala em destino, eu particularmente acho que ele gostou de nós dois. Sabe, em toda bagunça a gente sempre acha algo que vale muito pra nós, eu achei uma das partes mais bonitas de ti e eu prometo arrumar todas as bagunças que vierem. Espero que em todas elas a gente ache um caminho de volta.













