EXPECTATIONS
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@caveirasdeskate
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existe canseira das pessoas? sim, existe.
confesso pra voces que este textinho que escrevo agora me levou um tempo para sair dos meus pensamentos. é. mas antes de começar a escreve-lo (já começando), gostaria de contar uma história pra vocês.
tenho 19 anos e estou no segundo ano da minha faculdade de direito.adorando o curso com todo o amor que alguém pode ter. mas, durante esse tempinho da faculdade, conheci algumas pessoas. pessoas que vou levar pra sempre num espaço reservado ali no coração, mas também conheci outros tipos de pessoas. conheci as festeiras, que só pensam em festas, desde segunda-feira, não se preocupando com o amanhã. só com as festas. mas também conheci o oposto, o outro lado da moeda, aqueles que só estudam e trabalham, e vivem em torno disso. não “aproveitam o caminho”, como deveriam. focam ali, no futuro, sem viver o agora. e conheci pessoas que são variações desses dois tipos de pessoa, umas pouco festeiras, outras mais. umas menos estudiosas, outras mais. mas nunca me encontrei nesses tipos de pessoas.
comecei a analisar as pessoas, e vi umas coisinhas acontecendo. comecei a analisar alguns comportamentos alheios, afinal, não me encontrava em nenhum tipo dos grupos disponíveis e comecei a sentir preguiça. preguiça mesmo, real. de nem querer ouvir.
comecei a ter preguiça que só falavam de festas e bebidas. a vida delas girava em volta daquilo. passar um finalzinho de semana em casa? inadmissível. onde já se viu? jovem que é jovem tem que sair. e detalhe: tem que ser a noite e tem que ter bebida. sair para fazer um piqueniquezinho no parque no final de semana? jamais. dar uma voltinha por aí, de boinha? nunca. sair a noite com a galera e voltar uma da manhã porque estava a little bit tired? só pode estar de brincadeira mesmo. preguiça. comecei a sentir muita preguiça. muita mesmo. resultado: me afastei de tudo e todos. (mas só momentaneamente, calma)
tirei um tempo para mim e ver o que eu buscava. eu amo/adoro sair final de semana com os amigos? mas é claro. quem não gosta? mas também gosto de prestar atenção na aula de boa. posso ser preocupado com o futuro, na minha? posso né. obrigado. posso negar um convite de sair num sábado porque preciso estudar? posso. ou simplesmente por não estar afim de sair mesmo. não sei quem foi que inventou certas regras socias como a do sábado: dia de sair obrigatoriamente. se eu quiser dar uma volta durante o dia e dormir mais cedo eu posso sim, e obrigado. não peguem no meu pé. merci.
glow me☾
Clarice
Joyce era uma criança energética. Onze anos, pele morena e um cabelo cacheado que intrigava a todas as amigas. “Como ela deixa tão fofo?”, elas perguntavam. Vivia de brincar pela vizinhança, fazer amigos e correr pelo parque.
Certa manhã ensolarada, ao chegar lá, encontrou uma menina sentada no balanço. Parecia estar triste, perdida. Joyce achou estranha a presença da menina ali, e foi ver do que se tratava.
- Com licença? – perguntou, ao chegar perto da menina. – O que houve?
Joyce percebeu então que ela estava chorando.
- O que houve? – tentou novamente.
A menina enfim secou as lágrimas e olhou para ela.
- Você está perdida? – Joyce insistiu.
- Acho que sim – ela finalmente respondeu.
- Tudo bem, olha, vou tentar te ajudar. Meu nome é Joyce, e o seu?
- Clarice – respondeu a menina.
Elas começaram a conversar e Joyce descobriu que Clarice não era de lá. Tinha a pele clara, cabelos ruivos presos em duas tranças, e usava um vestido, ao ver de Joyce, estranho.
- Seu vestido é diferente – disse Joyce, em sua honestidade infantil.
- Sim, foi minha avó que costurou – Clarice disse, se animando um pouco.
- Você não sabe como voltar para casa? – perguntou Joyce.
- Não. Mas eles disseram que viriam me buscar.
Joyce, sem entender muito mas percebendo que Clarice não queria tanto conversar sobre o assunto, resolveu distrair a nova amiga, convidando-a para brincar pelo parque.
Passaram horas brincando de pega-pega, esconde-esconde e afins, até que se sentaram debaixo de uma sombra proporcionada por uma macieira para descansar. Nesse momento Clarice estava mais tranquila, ria e comentava sempre as bobagens que a nova amiga sugeria.
Naquele momento, por lá, passava João, o vizinho de Joyce. Tinha lá seus treze anos e sempre passava pelo parque para ir para a casa. A menina o avistou e o chamou.
- João, venha aqui! – exclamou Joyce. – Venha conhecer a Clarice!
João achou estranho, olhou para os dois lados, indeciso, para atravessar a rua, e foi. A menina, animada, o pegou pelo braço e o levou para perto da macieira.
- João, essa é a Clarice! Encontrei ela aqui no balanço ela estava chorando, mas a gente conversou e ficou brincando por horas. Agora ela está mais feliz. Não seja tímido, fale oi pra ela!
O menino olhou para onde Joyce apontava e depois para a amiga.
- Joyce? – perguntou João.
- Sim? – respondeu a menina.
- Não tem ninguém aqui.