Hoje tá frio em São Paulo. No começo era terrível pra mim. Tão diferente do meu agreste matonense. Descobri que pra São Paulo precisamos de tênis confortáveis, meias compridas e blusas térmicas.
Lá atrás aquele frio entrava nos ossos. Aquele Butantã era cruel. Lembro das pessoas zoando o Alfredo e eu.
Conforme o tempo passou, foi Matão que ficou quente demais, seco demais. Sempre minha terra, mas não mais minha. Hoje eu sinto duas casas, ambas com as minhas famílias, uma herdada e uma construída.
Conforme o tempo vai passando a gente entende que não temos que abrir mão de nada. Que está tudo bem fazer escolhas por nós mesmos, tudo bem o caminho ser diferente, o amor não é medido em quilômetros.
Fico feliz de poder tomar meu café quente nesse dia frio em São Paulo. Tenho respeito pela minha trajetória. Tenho orgulho da minha história e muito amor pela minha família, as duas.
Fico feliz por transpor meus desafios. Amadurecer enquanto ser humano. Tentar evoluir mais um pouquinho. Parar pra ouvir meu corpo, minha cabeça e o meu coração. Parar pra me curar e agradecer todas as bençãos que me cercam.
Saber que eu posso voltar, mas que eu sou daqui. Que meu lar são pessoas e não lugares. Que as pontes que o amor constroem são indestrutíveis.










