O café esfriou sobre a mesa, as palavras já se perderam no silêncio de nossas vozes, os olhares não se cruzam não se comunicam. Parecemos dois estranhos, sentados na mesma mesa do café, apenas. Nos perdemos. Já não tomamos cautela com as palavras que pronunciamos, já nem se quer nos damos conta do tom alto e assustador de nossas vozes. O orgulho nos destruiu. Não aceitamos perder e nem se quer perdoamos mais as falhas do outro. Já não nos pertencemos mais. Somos amigos, meros conhecidos, estranhos. Já nem se quer sabemos como ficar em um mesmo lugar, sem discutir, sem soltar palavras dessas que machucam tanto. Talvez, tenhamos nos perdido na correria do dia a dia, nas confusões diárias, no orgulho e na falta do perdão. Talvez, tenhamos nos perdido também na falta de comunicação. Quando a troca de olhares deixou de ser um convite e passou a ser um incômodo. Quando algo normal passou a ser estranho. E de repente, nossos abraços ficaram frouxos, os olhares perderam o brilho, os sorrisos deixaram de ser sinceros e os beijos se tornaram aperto de mãos. De quem é a culpa? Quem nos permitiu a que chegássemos a esse ponto? Eu? Você? Não. Fomos nós. Nós permitimos que o orgulho adentrasse em nosso meio. Permitimos que a mentira fizesse parte de nossas verdades, permitimos que o silêncio tomasse conta de nós. Aceitamos as trocas de palavreados indevidos e de críticas como os nossos únicos meios de comunicação. Nós nos perdemos e você sabe, nós sabemos que isso aconteceu faz tempo. Nos afogamos em nossas próprias certezas e decisões. Morremos um dentro do outro e já não nos pertencemos mais.
Desculpa se eu jurei te amar, mas a jura não foi o suficiente para nós dois. Gabriela Brantes, Monossilábicos. (via monossilabicos)