Faziam alguns dias desde que Rose Riva havia voltado para o seu lugar de origem. Fevereiro era um dos meses mais tempestuosos em Malibu, trazendo além de chuvas baixa de clientes pelas grandes tempestades que tomavam o céu do litoral dos EUA. Rose aproveitava para voltar das suas viagens e reformar o restaurante a fim de deixá-lo ainda melhor para seus visitantes nas próximas altas estações, e era isso o que fazia agora. Tinha dado folga à Gus e insistido que fosse visitar Beverly Hills ou até mesmo Santa Monica, talvez encontrasse algo melhor do que fazer além de mais trabalho.
Rose, no entanto, estava aliviada. Gostava da liberdade de viajar por aí apenas se preocupando em decepar monstros no caminho, mas gostava ainda mais de voltar para casa. Enquanto martelava alguns novos quadrinhos nas madeiras da casa do jardim dos fundos (nova área que tinha aberto para os clientes que gostavam de ar livre), ela lembrava-se de quando ela, sua mãe e Ozark voltavam molhados da praia com pranchas de surf em baixo dos braços e as jogavam exatamente ali, correndo para o chuveiro externo para tirar o sal do mar. Um sorriso singelo adornou seus lábios, era uma boa lembrança afinal, mas uma parte de si, lá no fundo, se sentia nostálgica demais com aquela memória, e como se o céu prevê-se seu coração, as nuvens rapidamente fecharam-se acima de si, os pingos caindo lentamente com uma garoa antes de um trovão ribombar no céu.
“Você deve estar nostálgico ao lembrar deles também, não é seu canalha velho.” Soltou as palavras ácidas com um suspiro, erguendo a mão para se proteger da chuva que começava a engrossar e molhar seus cabelos e rosto. Rose pulou do banquinho que antes estava e começou a recolher os materiais para dentro da caixa de ferramentas, alguns resmungos irritados saindo de seus lábios. O problema não era a chuva, era que… ao perceber que aquela tempestade havia começado do mais completo nada (muito embora fosse a época ali), Rose-Marie sabia que Zeus estava ali a ouvindo ou vendo seus pensamentos, e era aquela forma que ele conseguia se comunicar com ela desde que a mesma o havia deserdado.
Os passos enlameados ao longe forma logo audíveis para Rose, que ergueu a cabeça assim que os captou. Por um momento achou que pudesse ser Augustus mas ele havia saído a muito tempo, e mesmo que fosse ele, ela sabia que ele seria muito mais barulhento que aquilo. Os outros funcionários tinham recebido folga também, estava apenas ela na casa Riva. Pelo visto, agora tinha companhia. E tinha deixado a pistola dentro de casa. Bela mente, pensou. Rose arrancou o martelo de dentro da caixa de ferramentas e virou-se na direção dos passos que agora se tornavam cada vez mais próximos, seu coração batendo cada vez mais forte. Algo dentro de si estava prestes a se preparar para o pior, mas fosse o que fosse, era estranho. A sensação de um dejavu a tomou, como se já tivesse vivido aquele momentos antes, ou fosse apenas o fato de que imagens de acontecimentos se repetiam quase sempre, e aquela era uma delas.
Atravessando o portãozinho branco da cerca do jardim de traz da casa, estava seu irmão. Os mesmos cabelos loiros que ela tinha visto perderem o brilho anos antes, os olhos azuis como os de seu pai, e o sorriso de canto que ela conhecia bem. Rose piscou os cílios para afastar os pingos de água que se acumulavam em seus olhos e ela não sabia dizer se eram pingos de chuva ou lágrimas.
“Zak?” Perguntou com um sussurro, as íris descrentes com a imagem a sua frente. Por um momento, Rose-Marie pensou finalmente ter enlouquecido.
O martelo deslizou de sua mão e caiu no chão de terra molhada. Se fosse um monstro transformando-se em seu irmão para confundir sua mente, certamente ela teria de lutar um pouco mais para alcançar algo para usar como arma.