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A gargalhada que ecoou na sala de aula era estranha para todos que estavam no ambiente, menos um. A verdade é que Gomez gostava de perdas e fracassos e, mais uma vez, havia perdido um caso no júri simulado da sua aula de direito civil. Com isso, era claro que recebia vários olhares curiosos e até mesmo um pouco assustados de seus colegas, afinal, quem ficaria feliz em perder? Bom, de certo que esse alguém era Gomez Addams.
Por conta da atividade, saiu mais cedo de sua aula, ao que poderia aproveitar o dia nublado enquanto esperava por sua amada. Estava um dia cinzento, o que indicava que choveria e, quem sabe, eles poderiam aproveitar os trovões enquanto curtiam o momento juntos. Sentia-se extasiado por ter conhecido tão preciosa criatura e, ainda, ter conseguido a oportunidade de corteja-la. Retirou um charuto do bolso da calça social, escorando-se perto da saída do prédio de química e fumando sem muitas cerimónias. Era sexta, então não teria muitas responsabilidades - não que ele se importasse muito com tais formalidades.
O toque sutil em seu ombro e a voz aveludada da amada lhe fez sair de seu transe, observando pelo relógio que já havia se passado meia hora desde o momento em que chegou ali. “Cara mia.” Fechou os olhos ao sentir o toque das unhas em seu pescoço, soltando um sorriso em seus lábios. “O tempo passa tão devagar quando estou longe de você e tão rápido quando estamos perto.” Era estranho como que, com ela, ele se sentia a vontade em ser mais ele. “Será se teremos trovões ainda hoje?” Perguntou, pegando a mão que o tocava e beijando-a, e em seguida a aproximando de seu rosto, em um gesto de sentir o toque na sua face.
Só conseguia pensar no quão sortuda era por ter o rapaz, ele era o único que a compreendia e nem era novidade, porque não era de ligar para os comentários alheios, só que tinha ciência que eles existiam. Sabia do que todos falavam a respeito deles, do quão estranhos eram e isso parecia perfeito, sempre agradecia quando dirigiam aquela palavra a si, tinha orgulho em ser estranha, porque era autêntica, diferente das colegas que pareciam todas iguais com a diferença de nomes e cores de cabelo.
— Devo concordar, querido. O tempo parece acelerar quando estamos juntos, é tão ruim. — A voz era amena, o olhar perdido para o céu nublado que tanto lhe chamava a atenção, era seu tipo de paisagem favorita em todo mundo e nem podia negar. Chuvas fortes e trovões sendo a mais bela pintura diante de seus olhos. — Com toda a certeza, o tempo está propenso para eles. — Observou, as orbes escuras brilhando com a possibilidade de um surgir naquele instante, ia ser o momento perfeito.
Os dedos movimentavam contra a pele alheia, uma carícia rotineira, pois tinha acostumado com aquela ação vinda do rapaz, o toque da mão alheia contra a própria antes de tocar a bochecha; tinha memorizado tudo aquilo e com uma felicidade tamanha. Saber que Gomez gostava de si, independente do que fosse, era como uma grande sorte ou azar, como fosse melhor classificar. — Como foi a aula? Lembro que você tinha uma audiência hoje... Como foi?









