galhos e raízes secas
Como uma árvore, eu olho para as outras, tão verdes e floridas, cheias de frutos e olho para mim cujos galhos já há muito secaram, assim como minhas raízes que tem dificuldade de puxar os nutrientes que preciso para sobreviver. Ainda não sou cinza, e que bom!, porque senão não receberia visitas; mesmo que, no final, todas elas se vão. Ninguém quer fazer morada em uma árvore seca e feia. Então, daqui eu olho, olho pássaros encontrarem seus ninhos que os protegem e as árvores que produzem seus alimentos. Os pássaros acham meus galhos ásperos demais, os ninhos me acham sem vida demais. De mim ja não crescem mais flores ou frutos, nem as benditas folhas ficam por muito tempo; demoram a nascer mas não se demoram a cair. Eu decidi então que seria um galho e arranquei a pequena parte de mim que parecia mais lustrosa, a mais bonita e atraente. E deixei cair no chão. Pássaros me pegaram pelo bico para me fazer de ninho, mas me jogavam fora e os ninhos também me rejeitaram, eu não era o suficiente. Não consigo entender! Eu fui exatamente o que eles esperavam de mim! Por que não ficavam? Ninguém sabia que eu era árvore seca, não, essa era minha parte bonita e agradável! E mesmo assim eu não era suficiente. Eu ajudei pássaros a construírem suas casas em outros ninhos e ajudei ninhos a proteger seus pássaros. Mas, ninguém realmente me percebia ali. No final de tudo, eu ainda sou aquela árvore seca, sem folhas e frutos, sem flores para me embelezar na primavera. Eu sempre dizia "um dia, um dia serei a árvore mais bela e há de alguém me amar, há de eu ser útil", mas, depois de tantas estações, começo a aceitar que serei apenas isso: Uma árvore seca, um galho assistindo ninhos e pássaros sem pertencer a nenhum lugar.














