Ponderou brevemente sobre o que a mais nova lhe questionou, fato esse que a fez suspirar também por pensar que aquilo era imposto tão assiduamente para as duas quanto qualquer outro tipo de educação. E, bom, para ser sincera, Spring conseguia entender a preocupação do pai com relação àquele assunto. “Eu ‘tô orando pra que não seja isso.” Confessou, a voz já cansada por mentalizar o tópico. “Porque senão vou ter que dizer que tenho um namorado e ele vai querer conhecer, saber quem é, de que família vem... Enfim! Isso é cansativo. E, não, eu não tenho um namorado.” Parecia frustrada ao dizer aquilo, e realmente estava mesmo. Sua ‘função’ era a de encontrar um amor verdadeiro, mas um que fosse rico, é claro, e ali a maioria das opções não eram nem de longe promissoras. Por mais que ela visasse encaminhar certas relações com determinados herdeiros das famílias mais influentes, acabava sentindo um vazio quando na proximidade destes. “Alguns arthurianos são muito fúteis. Alguns.” Pontuou rapidamente ao erguer o dedinho da mão que segurava o braço de outrem. “Não consigo ter conversas promissoras, entende? E, sim, pelo amor de Merlin, que tipo de apelido carinhoso é esse que eles inventam?” Fez uma careta ao arregalar os olhos e entreabrir a boca, surpresa, virando o rosto das lojas para a irmã brevemente. “Acho que no seu caso é porque ele gosta de implicar com você!” Soltou uma risada antes de prosseguir e parar em um local só para inclinar o corpo para frente, visualizar o item, e depois seguir com a caminhada. Estava ali para averiguar as coisas, mas precisava ser barato. Naquele dia em questão não era David quem estava orçando presentes caros, então não podia instigar-se demais. “Mas no meu caso não sinto mais tanta força nessa função que papai impôs, sabe? Eu quero conseguir frutos na minha carreira e isso por si só já vai me fazer ser bem paga, tenho certeza! Principalmente porque não acho que tenha mais alguém pra mim no momento. Mas posso te ajudar com isso!” Pausou momentaneamente a caminhada para se colocar de frente a irmã. “Posso dizer pra ele que ‘tô tomando a frente e aí para de nos importunar, você segue tendo privacidade e paz pra decidir as coisas, e todo mundo fica feliz. Não é melhor? Porque, juro por todos os deuses, se ele começar com aquele monólogo de novo de que o tempo ‘tá acabando, eu vou ser obrigada a recorrer ao meu plano B, que é o de arranjar um namorado falso, que não é a melhor das opções e nem a mais prudente, mas é a que posso tomar pra medidas desesperadas.”