Push the button and let the whole thing blow | Burke & Chang.
Franziu o cenho com a ideia de fazer um passeio turístico pela casa sem graça dos Chang. Noctus tinha plena certeza de que os móveis e objetos ali não eram tão interessantes quanto aqueles que viviam espalhados por sua casa, cujo você deveria sempre prestar muita atenção para onde se encaminhava ou no que tocava, certo de que poderia acabar morto por lá, seja por estrangulamento ou veneno. Havia crescido em um campo minado, portanto era bem difícil ficar impressionada com as mansões luxuosas das outras famílias bruxas ricas.
O riso de Cho as suas insinuações fizeram-no lançar o seu habitual olhar de desprezo na outra. Ela não o achava interessante o bastante para lhe mostrar o quarto? Ora, se ela ao menos soubesse que, dependendo dos pais deles, aquele maldito quarto teria as portas escancaradas para ele mais cedo ou mais tarde, sem a necessidade do consentimento dela! Tal ideia fez Noctus rir pelo nariz, mas não comentou nada sobre o que sabia que possivelmente iria acontecer. Ah, não, não, ele manteria aquele segredo longe dela, usaria o prazer de saber algo que Cho não sabia enquanto pudesse; Afinal Noctus sempre adorou a sensação de estar um passo a frente dos adversários. “Uma criança?” Deu um sorriso zombeteiro para a menina, ciente de que ela não deveria pesar as palavras antes de dizê-las. “E minimamente interessante, é? Então tenho que te mostrar algo interessante até o final do passeio, está bem. Mas, me diga, o que aquele idiota do Diggory te mostrou? Fez algum truque em cima da vassoura, imagino. O que, claramente, não demonstra muito esforço, mas que deve ter deixado você muito excitada em mostrar o quarto pra ele.” As fofocas em Hogwarts corriam pelos ouvidos dos alunos mais rápido do que um pomo de ouro. Por mais que não desse muita atenção para a maioria das coisas que corriam pelos corredores, Noctus se lembrava vagamente de alguém mencionando que Cedrico e Cho estariam juntos. Ele nunca ligou pra isso, é claro. Porém, agora estava agradecido por ter uma memória tão boa e agraciada dos fatos mais aleatórios possíveis, cujo ele usava com honra para infernizar as vidas alheias. “Quer saber? Não me importo. Cedo ou tarde vou conhecer o seu quarto e talvez você ainda tenha tempo de me apresentar a sua coleção de bonecas de porcelana.” Ergueu as sobrancelhas em desafio, não tendo tempo de dizer muito mais sobre o jeito delicado dela antes de ser puxado pela menina.
Noctus suspeitava que, depois de revirar os olhos com tanta força como fez ao ouvir a palavra “jardim”, talvez sua visão ficasse prejudicada futuramente. De qualquer forma, ele não tinha muitas escolhas a não ser acompanhá-la e torcer para que o passeio chegasse logo ao fim. A mochila pesada sobre os seus ombros estava começando a queimar sua pele mesmo através do casaco, deixando-o ainda mais desconfortável. Noctus tirou a mochila das costas assim que os dois passaram por uma porta e Cho largou sua mão; ficou segurando o acessório pesado com o antebraço edeu uma boa examinada no jardim ao qual eles haviam chegado. O menino estava ciente de que nunca vira tantas flores variadas e coloridas assim antes. Noctus não era um fã de herbologia, então não dava a miníma para aquele lugar. Entretanto, foi difícil não notar a diferença do jardim dos Chang com o de sua própria mãe, que tinha plantas escuras e venenosas ao invés de coloridas e cheias de vida. O aroma ali ao menos era agradável. “ A sua mãe se cansou de cuidar das plantas… Então do que ela cuida agora? Certamente não do seu pai.” Murmurou a última palavra, não querendo entrar em detalhes sobre como a aparência dura do velho Chang dava a entender que não deveria ter recebido muito carinho de sua esposa ultimamente. Noctus então viu como Cho parecia animada por estar no meio daquele mato, sentindo o sol contra a pele e o cheiro de terra fresca e adubada. “Mas, e então, ela decidiu fazer poções estéticas para mulheres ou só comprou um cachorrinho mesmo?”
Aproximou-se da garota por trás, observando a flor que ela arrancara e agora admirava. Noctus não tinha a miníma ideia do nome daquela espécie, mas marcou mentalmente que deveria estudar uma pouco mais a respeito de plantas quando estivesse com vontade de morrer de tédio. “Não me importo com o que eles pensam, me importo com o que eu quero. E não há nada de tão ruim que os velhos possam fazer se ficarem bravos com a gente.” A palavra final de Cho não lhe passou despercebida e por isso ele crispou as sobrancelhas escuras. “Aprendeu como da pior forma?” Questionou com sincero interesse desta vez. Noctus se viu imaginando se o Chang também teria um estilo incomum de aplicar castigo aos filhos, talvez de um modo quase tão ruim quanto o de Caractacus Burke. Então, ele seguiu o olhar de Cho até uma janela nos andares superiores da construção, se questionando se aquele era o quarto da garota ou só uma sala de tortura. Noctus sentiu a raiva no seu peito aumentando, além de uma dor imaginária, provinda de uma de suas piores lembranças, surgindo na ponta do seu dedo médio e subindo pelo braço. Sem perceber acabou soltando a mochila, que por pouco não atingiu o seu pé, mas produziu um barulho enorme de coisas de chocando lá dentro e até um vidro se quebrando. “Pela peruca do Merlin!” Resmungou em uma mistura de nervoso e desespero. Se prostrou de cócoras, flexionando a mão dolorida, e abriu o zíper da mochila para dar uma olhada no estrago.
Cho teve que evitar o instinto de encolher-se ao escutar a palavra idiota antes do nome do Diggory, assim como a vontade de defendê-lo. Não estavam mais juntos, não tinha o porquê de desejar fazer aquilo, mas estava lá mesmo assim. Era uma tola prendendo-se em sentimentos antigos, mesmo tendo motivos razoáveis para terminar seu relacionamento com o garoto. Não sobreviveriam a um relacionamento em que não poderiam estar expressando o que sentiam, os dois sendo vistos como perfeitos por muitos; a verdade é que eram bombas-relógio e, quando explodiam, o outro sabia exatamente o que fazer para acalmá-la. Sabia que muitos viam Cedrico em olhos até bons demais, mas a asiática conhecia os defeitos dele como qualquer outra pessoa. O questionamento de Noctus fez com que pensamentos começassem a vir em sua mente. Nunca tinha parado para pensar o que tinha feito gostar tanto do garoto, não resumindo-se apenas em beleza. Era uma verdade que sempre tivera uma pequena queda pelo garoto, bem imatura, digna de bochechas coradas e escrever as iniciais deles no canto de anotações, mas Cho era a típica adolescente que teve várias e várias pessoas em que teve pequenos crushs.
“Acho bem difícil você conseguir me mostrar algo em tão pouco tempo. Cedrico pode ser bom na vassoura, mas sou melhor ainda.” As palavras foram sinceras, mesmo que pudessem ser vistas como formas de desincentivo. Cho era uma jovem que abria seu coração toda vez que gostava verdadeiramente de alguém a ponto de entregar-se, logo jamais tivera um one night stand. Olhou curiosa para o garoto, perguntando-se o que passava na cabeça dele, parecendo um lugar interessante para se estar. Nunca tinha prestado verdadeira atenção nele, o que poderia ser considerada uma vergonha, mas a verdade é que Cho não tinha muita dedicação em conhecer alunos de outros cursos e casas, graças à sua natureza introvertida. Adorava conversar e conhecer pessoas novas, porém não era o foco da sua vida. Pensou em falar algo sobre a coleção de bonecas porcelanas, retrucando que jamais teve alguma, mas lembrou-se das bonecas macabras que sua mãe costumava guardar em seu quarto quando era mais nova. Não entendia muito bem o que se passava na cabeça da mais velha.
O jardim a inebriava com cheiros distintos, sabendo que poderiam ter várias plantas ilegais ali e jamais saberia; não que as utilizasse, de qualquer forma. Quando estava cansada de permanecer dentro de casa, sentava-se em um dos bancos ali, observando as cores que pareciam formar um quadro perfeito. A piada sobre seu pai (que não tinha muita certeza se havia sido uma piada) fez com que uma risada baixa escapasse dos seus lábios. Obviamente o temperamento amargo e falso tinha sido percebido por Noctus, o que a deixou um pouco mais aliviada. Talvez não fosse tão ruim quanto imaginava. “Acho que ela cuida de si mesma? Ou do acervo particular dela. Sinceramente, não vejo mais tanto minha mãe quanto antes, então não faço ideia o que anda fazendo. Meu pai geralmente monopoliza toda a conversa durante o jantar, que é o único momento do dia que a família fica reunida, mas era de se esperar, considerando o quanto ele gosta de falar dele.” Deu de ombros e soltou uma risada, esperando que aquilo aliviasse o que havia revelado. Tinha parado de se importar com aquilo há muito tempo, então Cho parara de criar tanto caso do fato de não conversar mais com sua mãe. Se a mulher não precisava mais da sua filha, certamente sua filha também não precisava da mãe. Ao lembrar-se da árvore genealógica da família, um sorriso apareceu em seus lábios. “Na verdade, mesmo que minha mãe não tenha focado sua atenção em poções, tenho uma tia renegada que faz poções estéticas e é bem conhecida no mundo bruxo por isso. A família da minha mãe ficou furiosa porque rolaram vários boatos que estava tendo um caso com vários trouxas ao mesmo tempo e que isso até mesmo causou uma briga entre eles quando foi descoberto. Quando saiu nas revistas, fiquei rindo durante dias.” A memória fez com que uma risada verdadeira escapasse dos seus lábios, o que era raro, principalmente considerando o ambiente em que encontravam-se.
Noctus tinha um temperamento bem difícil de Cho, que geralmente pensava extremamente no que queria antes de fazer. Mesmo que muitas vezes agisse mais pela emoção do que pela razão, a segunda tinha muito mais peso em sua vida. Balançou a cabeça, exasperada demais para tentar fazê-lo compreender os vários motivos para não poderem invadir a reunião dos pais. O senhor Chang não era um homem que gostava de ser provocado e não media esforços para deixar suas opiniões bem claras a respeito das regras que impunha; adorava estar no poder e não admitiria que um adolescente qualquer tentasse quebrá-las em sua própria casa. O que Cho poderia fazer era tentar mantê-lo consigo, impedindo que algo grave acontecesse, então deveria mantê-lo entretido pela segurança alheia. “Bem...” Quando ia começar a falar, o estardalhaço atingiu seus ouvidos, fazendo com que piscasse algumas vezes para compreender o que tinha acontecido. Aproximou-se, esperando que pudesse ajudá-lo de alguma forma. No final das contas, talvez fosse um sinal para que não falasse nada sobre o que acontecia na mansão. “Está tudo bem? Você se machucou? Se quiser, posso pedir para alguém fazer um curativo no lugar que se feriu ou podemos chamar o curandeiro da nossa família, que tenho que falar que é muito bom no que faz. Quando eu era mais nova, acabei quebrando dois ossos quando caí da vassoura e ele consertou muito rápido.” Estava tagarelando graças ao nervosismo, sequer percebendo.











