A primeira coisa que Eleanor viu ao abrir os olhos foi uma luz incandescente em seu rosto, lhe forçando a fechá-los novamente, e paredes brancas, sem muito brilho. Pensou estar sozinha no quarto (de hospital, ela chegou à conclusão), mas conseguiu ver a imagem da mãe cochilando na poltrona — algo que nunca pensou ver, em toda honestidade. Quando tentou se mexer, o soro incomodou e suspirou, tentando lembrar do que culminou a parar ali e lembrou de sua tontura e calor excessivo antes de um apagão na mente. O resultado de três dias sem comer ou beber água, sobrevivendo de oxigênio e sol, tal qual uma planta fazendo fotossíntese (exceto que as plantas também usam água). Estava desnutrida e carente de vitaminas essenciais para seu bem-estar, e ainda se recusava a comer mais do que o necessário. Sua recusa e mau humor em estar ali se desfizeram assim que viu a imagem de Linda passar pela porta; de repente, todos os problemas sumiram. “Linda!” Exclamou, abrindo os braços para abraçar uma de suas melhores amigas. “Foi só um sustinho, não se preocupe! Você sabe que amo ser o centro das atenções e seu filme está prestes a lançar, então...” Tentou brincar, mas a fraqueza iminente, junto das olheiras, lhe impedia de ser levada a sério. Não queria dizer que queria emagrecer, mesmo que não precisasse, e que não conseguia comer, não sentia fome. A obsessão com estética virou-se contra ela. “Da próxima vez, incorporarei aquele Kanye West. Linda, I’ma let you finish...” Riu fraquinho, cutucando a cintura da Briar.