Como costumava ser, a fúria de Eleanor estava contida naquela tarde. Detestava perder e ceder, ainda que, naquele caso, não era uma perda completa — mas ceder um papel importante para sua maior rival dentro e fora das telas, isso, sim, era pior que perder qualquer premiação. Quando assinou os papéis de contrato para outro filme, lhe foi informado que ela seria a responsável para dar a notícia para Maviella, para que pudessem se dar bem. E, apenas por querer parecer profissional, aceitou aquela tortura psicológica. “Vamos ser rápidas, porque esse seu camarim tem um cheirinho de perfume barato.” Anunciou, ao encostar a lombar na porta atrás de si, com uma careta de nojo. “Você conseguiu o papel de Maria, parabéns!” Fingiu ânimo, batendo palminhas, antes de revirar os olhos e estragar sua atuação forçada. “Fui enviada para lhe dar essa ótima notícia. Seja bem-vinda à família Briar, sweetie. Se quer uma analogia boa, serei o Caim e você, Abel.”