finalmente, depois de praticamente três anos me aventurando na tag de 1x1, tomei vergonha na cara para me organizar e, também, me apresentar!
sou a vick, tenho +21 anos, e estou nessa tag há pelo menos 12 anos, mas sempre joguei rp em grupo e faz pouco mais de três anos que comecei no 1x1. mas confesso que fui meio negligente nesse período e esse ano me organizei para ser diferente! ano novo, novo eu, algo assim! às vezes ainda entro em rps de grupo e, por isso, minha atividade caí por aqui, mas prometo avisar vocês e, quando menos esperar vou surgir com asks, replys e headcanons! ah, eu adoro receber/enviar musings, asks, criar 17393 pastas no pinterest e combinar diversos jogos, além de ficar batendo papo!
estou começando a fazer uma navegação fixa e compatível com dispositivos móveis! então, em primeiro lugar, esta será uma verificação de interesse permanente e uma chamada para plots , se você quiser que eu apareça em sua dm pode deixar um ♥ que eu irei!
៹ links importantes.
diretrizes ( algumas regrinhas para jogarmos de boa )
📝 (to see a journal entry my muse wrote about your muse aka uma carta aberta de ódio) + soren e irenne
A caneta pesava entre os dedos de Irenne como se fosse feita de metal maciço. O quarto estava silencioso demais — um silêncio denso, quebrado apenas pelo tique-taque discreto do relógio e pelo murmúrio distante que ocorria no quarto de algum outro nobre. As câmeras não alcançavam aquele ângulo da escrivaninha; ela havia verificado duas vezes antes de escolher aquele local para escrever. Ainda assim, escrevia com a postura impecável de quem sabia que, mesmo sozinha, nunca estava inteiramente fora de cena. A primeira palavra demorou a nascer. Pai. A tinta escorreu limpa pelo papel, elegante, obediente. Como ela sempre fora. Mas à medida que as frases se acumulavam, algo dentro dela se desenrolava como um ressentimento cuidadosamente dobrado por anos, finalmente sendo aberto. Não havia lágrimas em seus olhos, e suas palavras antes polidas, foram se tornando mais agressivas. Ódio, descobriu, podia ser expresso com uma gramática perfeita.
Pai. Mãe.
Escrevo esta carta com plena consciência de que ela jamais será enviada. Talvez por isso eu possa, pela primeira vez, permitir-me uma honestidade que em voz alta me seria impossível. Sei o que esperam de mim. Sei o que sempre esperaram: obediência, compostura e sacrifício. Fui criada para entender o peso de um sobrenome e nunca me esquivei dele. Cumpri cada dever que me foi imposto sem protestos públicos, sem escândalos, sem envergonhá-los. Mas há limites que não podem ser ultrapassados sem que algo em mim se rompa de maneira irreversível.
O noivado com o príncipe Soren é um desses limites.
Não questiono sua utilidade política. Não sou ingênua a ponto de ignorar o valor estratégico dessa união. Mas peço que, por um instante, considerem o custo humano que exigem de mim. Não se trata de capricho juvenil nem de fantasia romântica. Trata-se de repulsa — profunda e inegociável. Cada conversa com ele é um exercício de contenção. Cada proximidade forçada é um ato de violência que preciso engolir com um sorriso. Não há afinidade, não há respeito mútuo genuíno, e certamente não há a menor possibilidade de afeto. O que me pedem não é casamento; é que eu encene para sempre.
Passei a vida acreditando que o matrimônio, ainda que político, deveria ao menos permitir a convivência pacífica entre duas pessoas. Com Soren, nem isso me parece possível. Sua presença me exaure. Seu modo de falar, de ocupar espaço, de olhar para mim — tudo nele me provoca uma irritação constante que temo um dia não conseguir mais esconder. Tenho receio do que me tornarei se for obrigada a viver ao lado de alguém que desperta em mim apenas aversão. Um casamento assim não produzirá estabilidade. Produzirá ressentimento. E ressentimento, como bem sabem, é terreno fértil para ruínas.
Serei ainda mais clara, porque esta carta existe apenas para conter a verdade que não posso dizer em voz alta: eu o odeio.
Odeio a ideia de pertencer a ele. Odeio o som da respiração dele. Há momentos em que a simples perspectiva de um futuro ao seu lado me sufoca a ponto de eu sentir vontade de fugir sem destino. Escrevo isto sem metáforas: às vezes sinto vontade de matá-lo. Não porque seja dramática ou impulsiva, mas porque a simples existência desse vínculo imposto me sufoca a ponto de despertar em mim pensamentos que eu mal reconheço como meus. E se sou capaz de sentir algo assim agora, antes mesmo de qualquer promessa selada, temo o que restará de mim depois de anos presa a esse homem. Não sobrará a filha obediente que criaram.
Continuarei sendo a filha que esperam que eu seja. Cumprirei meu papel em público, sorrirei quando necessário e sustentarei o nome que carrego com a dignidade que me ensinaram. Mas precisava registrar, nem que fosse apenas para mim mesma, que dentro dessa obediência existe uma recusa absoluta. Se um dia me virem distante, fria ou irreconhecível, saibam que terá sido o preço dessa escolha. Se me obrigarem a casar com ele, não estarão me entregando a um marido — estarão me enterrando viva.
Com todo o respeito que lhes devo —
Irenne
Escreveu que odiava Soren. Odiava-o com uma clareza que a assustava até a si mesma. Escreveu que a simples presença dele a irritava, que o som da respiração dele perto demais fazia sua pele se arrepiar com um impulso primitivo de violência. Que havia dias em que fantasiava empurrá-lo de um penhasco só para não ter de suportar a ideia de compartilhar um futuro ao lado dele. Que preferia mil vezes a solidão a acordar uma única manhã como esposa daquele homem. A ponta da caneta pressionou o papel com força excessiva na última frase, quase rasgando a folha: Se me obrigarem a casar com ele, não estarão me entregando a um marido — estarão me enterrando viva. O coração batia alto demais no peito, mas o rosto dela permanecia frio, concentrado. Era a confissão mais cruel que já permitira existir fora de si.
Quando terminou, o quarto parecia menor, como se as palavras tivessem consumido oxigênio. Irenne leu a carta uma única vez, e a violência contida ali fez seu estômago revirar — não de arrependimento, mas de reconhecimento. Aquilo era ela, despida de diplomacia. E justamente por isso jamais poderia ver a luz do dia. Dobrou o papel com cuidado, alinhando as bordas como quem tenta domesticar algo. Por um segundo, pensou em destruí-lo. Seria o mais prudente. Mas havia algo de necessário em saber que aquela versão dela existia em algum lugar físico, palpável. Abriu a gaveta inferior da escrivaninha e guardou a carta entre um livro e um lenço dobrado. O som seco da madeira se fechando foi definitivo. Irenne apoiou as mãos sobre a mesa e respirou fundo, vestindo novamente a máscara que o mundo reconhecia. Quando se levantou, o rosto era sereno, intocável.
And then, before she even had a second to breathe, his lips were on hers, exquisitely gentle and achingly tender. With deliberate slowness, he brushed his lips back and forth across hers, the bare hint of friction sending shivers and tingles spiraling through her body. He touched her lips and she felt it in her toes. It was a singularly odd - and singularly wonderful - sensation.