Título
"[...] (o) motivo cristão pelo qual a mente humana é importante é que o cristianismo é uma religião revelada. Creio que quem melhor expressou esse ponto foi James Or em seu livro “The Cristian View of God and the World” (A Visão Cristã de Deus e do Mundo): Se há uma religião neste mundo que dê relevância ao ensino, sem dúvida tal religião é a de Jesus Cristo. Com frequência já se tem destacado o fato de que a doutrina tem uma mínima importância nas religiões não-cristãs; nelas o destaque está na realização de um ritual. Mas é precisamente nisto que o cristianismo se diferencia das demais religiões: ele tem doutrina. Ele se apresenta aos homens com um ensinamento definido, positivo, declara-se ser a verdade; nele o conhecimento dá suporte à religião..."
“Assim, a fé vem pela pregação e a pregação, pela palavra de Cristo”. [...] Tal pregação evangelística está longe de sua trágica caricatura, tão comum hoje em dia, a saber: um apelo emocional e anti-intelectual por “decisões”, quando os ouvintes têm apenas uma confusa noção sobre o que devam se decidir e por quê. [...] Paulo resumiu o seu próprio ministério evangelístico com as simples palavras “persuadimos aos homens”. Pois bem, a “persuasão” é um exercício intelectual. “Persuadir” é dispor argumentos de forma a prevalecer sobre as pessoas, fazendo-as mudar de ideia com respeito a alguma coisa. E o que Paulo declara fazer é ilustrado por Lucas nas páginas de Atos. Ele nos diz, por exemplo, que por três semanas na sinagoga em Tessalônica Paulo “ dissertou entre eles, acerca das Escrituras, expondo e demonstrando Ter sido necessário que o Cristo padecesse e ressurgisse dentre os mortos” e dizendo “este é o Cristo, Jesus, que eu vos anuncio”. O resultado, Lucas acrescenta, foi que “alguns deles foram persuadidos”. [...] Paulo ensinava um corpo de doutrina e dissertava em direção a uma conclusão. Seu objetivo era convencer para converter. E o fato de que depois de uma campanha, muitas vezes dizemos “graças a Deus alguns se converteram”, é um sinal de que fugimos um pouco do vocabulário neotestamentário. Seria igualmente bíblico, se não mais, dizermos “graças a Deus alguns foram persuadidos”. Pelo menos isso foi o que Lucas disse depois da missão de Paulo em Tessalônica."
"...essa apresentação do evangelho com persuasão intelectual não faz discriminação, impedindo que as pessoas de baixo nível cultural recebam o evangelho? Não, não faz. Ou, pelo menos, não deveria fazer. Assim como Paulo, somos compromissados ou “somos devedores”, tanto a sábios como a ignorantes”. O evangelho é para todos, independentemente do nível de escolaridade. E o tipo de evangelização que defendo, que apresenta Jesus Cristo em sua plenitude, é importante a toda classe de pessoa, sejam crianças ou adultos, cultas ou incultas, indígenas do Amazonas ou intelectuais da universidade. É que a apresentação por esta forma de evangelização não é uma apresentação acadêmica (calcada em termos filosóficos ou num vocabulário complicado), mas sim racional. E as pessoas de baixo nível cultural respondem à razão da mesma forma que as doutas."
John Stott, Crer é também pensar











