Melhor fanfic
aaa valeuzinho s2
No title available
KIROKAZE
Alisa U Zemlji Chuda

#extradirty

shark vs the universe

PR's Tumblrdome

❣ Chile in a Photography ❣
tumblr dot com
Sade Olutola

blake kathryn

No title available

@theartofmadeline

if i look back, i am lost
🪼
macklin celebrini has autism
Peter Solarz
we're not kids anymore.
No title available
$LAYYYTER
Xuebing Du
seen from Malaysia

seen from Singapore
seen from Italy
seen from United States
seen from Brazil

seen from Brazil
seen from Brazil
seen from United States
seen from United States
seen from United States

seen from United States
seen from United States
seen from United States

seen from Singapore

seen from Mexico

seen from United States
seen from United States

seen from United Kingdom

seen from United States

seen from Chile
@cnsp-blog1
Melhor fanfic
aaa valeuzinho s2
(Não) confie no Jackson
1 de maio de 2016
Me ferrei bonito!
08:11
Eu achei que o pior já tinha passado quando me assumi para os meus pais, mas eu estava completamente enganado. Isso porque:
1. Eu nem acordei espiritualmente ainda e o dia já tá uma merda.
2. A escola toda já tá sabendo de mim e de Hoseok. Como a notícia se espalhou eu não sei, mas sei que a rádio-corredor do inferno funciona muito bem.
3. Vai ter prova de Física sobre resistores, condutores e potenciais elétricos que eu tenho certeza absoluta que não vou precisar quando for vender bala de hortelã no farol.
Assim que entrei na escola todo mundo ficou me encarando como se eu fosse um cubinho de açúcar no formigueiro.
Acho que isso soou meio narcisista.
Mas enfim, dá pra acreditar que até as tias da limpeza e o próprio Charlie já estavam sabendo da novidade? Eu nem sabia que o rabugento do Charlie fazia outra coisa além de levar pobre indefesos para orientação e usar o banheiro dos alunos para fazer o número dois, isso porque se ele usar o banheiro dos funcionários suja pro lado dele, então ele caga no nosso.
E como se já não bastasse, Namjoon veio plantar mais o caos anunciando que a professora avisou no grupo de Física no Whatsapp que a nota da prova é a nota que ela usará pra fechar a média, e bem, ninguém estava sabendo disso porque só pessoas como Namjoon participam do grupo de Física.
Se não me engano o grupo tem 3 membros, contando com Namjoon e a professora.
Nesse momento eu queria que essa fosse a pior parte do meu dia, em menos de 3 horas acordado já dava pra ver que o mundo não tá conspirando a meu favor. Mas é claro que isso não aconteceu, sempre tem alguém pra cutucar a merda pra ela feder mais.
Quando eu falo “alguém” todo mundo já sabe de quem eu tô falando, né?
Se as coisas dessem certo, simplesmente não seria minha vida, e como é minha vida, alguma força que rege as leis do mundo decidiu colocar um imbecil chamado Jackson no meu ciclo de amizades.
E é aí que dia 1 de Maio entra para os dias que Yoongi desejaria nunca ter acontecido.
Se existe alguém que tem ideias piores que a do Namjoon, esse alguém é o Jackson.
Mas bem, para entendermos a razão de eu estar dizendo isso precisamos acelerar o tempo e irmos para o intervalo.
10:30
Durante o intervalo é bem comum ver os alunos da minha turma correndo iguais umas mulas sem rumo e sem lei pelo pátio da escola, porém hoje surpreendentemente está todo mundo com a cara pregada em cadernos e livros tentando aprender algo para a prova de física, e claramente não está funcionando, porque mais difícil que tapear o Namjoon, é conseguir aprender algo durante o intervalo onde é uma barulheira.
Todo mundo das outras turmas que passa perto da gente fica nos encarando curiosos. E quando me vêem com Hoseok, um sentado ao lado do outro, dão um sorrisinho debochado e nem fazem questão de esconder, teve duas garotas que falaram em voz alta e clara “olha ali o casalzinho”.
Taehyung passou perto da gente, mas fingiu que nem viu, só parou para cumprimentar o Seokjin e para fugir disfarçadamente — nem tanto assim — fingiu estar interessado em uma borboleta que passou voando perto dele e foi atrás dela.
Devem estar pensando que nossa turma é daquelas exemplares que os alunos gostam de fazer os deveres e deixar as matérias em dia, pois quem vê a gente assim, nem imagina o desespero que cada um deve estar passando agora.
Hugo está se esforçando tanto pra aprender que daqui a pouco ele está comendo o caderno com os próprios olhos.
Além de mim, que sei que não vai adiantar estudar, Namjoon é o único que não está estudando nada, porque ele já se garante em qualquer matéria de exata.
Hoseok já destacou o livro inteiro com o marca texto, a folha que antes era branca, está toda amarela.
Regina e o Jackson estão totalmente perdidos tentando um ajudar o outro a entender algumas fórmulas.
E Seokjin parece ser o único que está conseguindo estudar numa boa, mas com certeza Namjoon deve ter ajudado ele antes.
— Ah, isso é impossível! — Jackson fecha o caderno com agressividade. — Não tem como entender essas coisas. A gente não pode fazer essa prova hoje.
Todo mundo parece ter usado Jackson como desculpa para dar uma pausa na leitura e agora estão todos prestando atenção nele.
E é aí que o trem sai do trilho.
— Precisamos fazer algo para a professora não passar essa prova hoje — ele continua —, e eu já pensei em algo.
— O quê? — Hugo pergunta completamente interessado.
Até Chris e o Nick que estavam a metros de distância se juntaram a nós.
— Pôr fogo na escola? — Nick sugere.
— Melhor que isso — Jackson fala.
— O que pode ser melhor que colocar fogo na escola? — Nick ficou mais interessado ainda.
— Matar o Hugo e ligar para polícia falando que acabou de acontecer um homicídio? — Seokjin que se pronuncia agora.
Antes que Hugo pense em uma resposta para isso, Jackson pede silencio.
— O plano é duas pessoas desligarem os relógios da escola para simular perda da energia enquanto outras vigiam para ver se a barra está limpa, assim vão ter que liberar a gente.
Quando Jackson fala isso ele parece ser um gênio, mas acreditem, o desfecho dessa história faz tudo parecer estupidez.
— Só tem um problema nisso tudo, imbecil — Hugo fala o que todo mundo já estava pensando. — Os relógios são protegidos com cadeados, não têm como a gente abrir se não tiver a chave.
— Eu posso conseguir as chaves — Namjoon diz. — Esses dias eu tinha perdido a chave da sala do jornal da escola, fui pedir a cópia e me entregaram o chaveiro com todas as chaves, com certeza a dos relógios deve estar lá.
Tudo parece perfeito, né? Um plano bem elaborado, até Namjoon que estudou para a prova estava dentro dessa. Ia dar tudo certo, se eu não tivesse sido enfiado nesse plano.
— Quem que vai lá desligar? — Regina com uma simples pergunta fez todo mundo percebe que o plano era bom, mas era perigoso.
Charles tem a grande mania de ficar rondando a área onde ficam os relógios a cada quinze minutos, parece o pinscher endemoniado da minha vizinha que uma vez enterrou um osso dele no quintal da minha casa e toda hora ia lá ver se o osso não tinha sido roubado.
Aquela área é o território de Charles, é só um aluno muito louco, que não tem medo da morte se arriscaria a matar aula por lá e pior ainda, desligar as chaves dos relógios.
Aos poucos todo mundo na rodinha começa a perceber os sérios riscos de morte que essa missão oferece.
— Vamos fazer no dois ou um — Hoseok propõe. — As duas primeiras pessoas que colocarem números iguais, vão.
Eu sempre fui péssimo nesses jogos, e eu não preciso nem falar que foi eu e o Jackson que perdemos, preciso?
— Eu posso vigiar? — Chris se ofereceu.
— Que tal você e o Nick servirem de distração pro Charles? — Seokjin sugeriu meio malicioso, às vezes ele dá uma de Namjoon e fica meio maquiavélico. — Xinga ele de tudo que vocês tiverem vontade e saem correndo, tenho certeza que ele nunca vai alcançar vocês.
— Mais fácil é jogar água benta e ler a bíblia perto desse cara — Chris falou. — Certeza que ele vai ficar todo piradão.
Enquanto eles discutiam isso eu só conseguia pensar em todas as merdas que poderia dar nessa missão, desde causar algum prejuízo para a escola até meus pais serem processados por eu ter feito isso.
Namjoon resolveu ir pegar as chaves e até que ele voltasse, eu ainda tinha alguns minutos de vida e de decisões.
— Hoseok, você não quer ir no meu lugar, não? — Eu queria que isso tivesse parecido apenas uma mera sugestão, mas meu desespero estava claro.
— Não, muito obrigado, já tenho muitas anotações no meu histórico e corro risco de levar um impeachment e não ser mais presidente da escola — ele deu leve batidinhas no meu ombro. — Você consegue, não precisa ter medo, olha o Jackson, ele está tranquilo.
Eu olhei para o Jackson e bem na hora ele estava engolindo a saliva e deu um sorriso amarelo. Tranquilo...
Então Namjoon voltou com as chaves e entregou pro Jackson.
— Assim que o sino tocar, vocês vão — Namjoon falou e se dirigiu para o Chris e Nick. — Se quiserem distrair o Charles ele está perto do banheiro masculino, fala para ele que vocês perderam um celular e precisam de ajuda para achar.
Eles concordaram e o sinal tocou.
Nessa hora eu deixei tudo nas mãos de Jesus, porque se tivesse nas minhas iam cair de tanto que eu estava sem coragem e tremendo.
10:52
Eu e o Jackson já estamos há dez minutos testando várias chaves nos cadeados e nenhuma parece ser a certa, e ainda tem a possibilidade das chaves deles nem estarem no meio delas.
Tem até algumas gotas de suor escorrendo pela minha testa de tanto nervosismo que estou passando, me sinto como naquelas cenas de filmes que as pessoas têm que cortar os fios de uma dinamite prestes a explodir.
— Juro que vou arrombar esses cadeados! — Jackson está tão nervoso que até para uns segundos para respirar e então ele gira a chave e o cadeado finalmente abre, agora só falta outros quatro cadeados.
Espero que Chris e Nick estejam indo bem nessa, porque se Charles vier para cá agora, é o nosso fim.
Os relógios ficam em um corredor bem nos fundos da escola, um lugar onde nem os fantasmas costumam ir porque dizem que tem uma maldição pior que eles por lá, chamada Loco, as lendas dizem que se trata de uma coisa que sempre que sente cheiro de humano sai para devorar essa pessoa.
Eu não acredito nessas coisas, mas o corredor é tão sombrio que te faz criar uma pequena dúvida.
Tem um bloco com dois cômodos perto, que provavelmente é onde o Charles reabastece as energias dele, e esse bloco parece ter sido construído antes mesmo que a própria escola porque a tinta exterior dele e toda desbotada e uma das janelas tem até um furo.
Enquanto eu olho para o bloco feio e sem vida, Jackson consegue abrir mais um cadeado.
— Jackson, eu vou enfiar um rojão no meio da tua bunda se você não for logo com isso. — Pelo tempo que ele tá demorando já dava para ter maratonado a trilogia de Senhor dos Anéis na versão estendida.
Volto a encarar o bloco e consigo imaginar mais ainda porque os fantasmas e demônios como o Namjoon, por exemplo, devem evitar esse lugar, o bloco é realmente feio, e para evitar concorrência esses tipos de existências preferem manter distância. Porque realmente não dá para o Namjoon assustar ninguém com a cara dele perto desse bloco.
Fico imaginando se tem mais algum motivo que leva os alunos a andarem por aqui além de ser para desligar as chaves de energia ou esconder um corpo. Provavelmente não há nenhum motivo além desses.
— Quando eu abrir o último cadeado, você sai desligando tudo simultaneamente e eu vou ir trancando, ok? — Jackson fala e abre mais um.
Nesse momento eu vejo um vulto surgindo no corredor, meu corpo ficou no chão, mas minha alma foi pra longe, mas era só o Chris com cara de quem tinha corrido uma maratona.
— Vocês não vão acreditar! — Ele fala como se tivesse presenciado a coisa mais louca da vida dele. — O Nick mandou o Charles ir tomar no cu, Charles está correndo atrás dele igual um touro. É bom vocês andarem logo antes que o Nick leve a chifrada fatal.
Jackson parece pegar impulso e começa a testar as chaves com mais agilidade.
Não demora muito para ele conseguir desencadear todos.
Quando eu vou desligar a primeira chave a gente escuta um barulho vindo do bloco.
— É o Loco! — Chris sussurra.
— Para com essas idiotices, Chris, você acredita nessas merdas? — Jackson resmunga.
— Não quero pagar para ver — Chris fala fazendo o sinal da cruz nos ombros.
Jackson arfa incrédulo e olha para mim tentando buscar apoio, mas eu estou tão pálido quanto o Chris porque juro ter visto algo se movendo pela brecha da porta do bloco. Crio coragem para desligar tudo de uma vez e assim faço, tentando sair dali o mais rápido possível. Chris não desgruda os olhos da sala da onde se originou o barulho só que agora ela está totalmente escura.
Aí a gente escuta algo que parece uma espécie de cheirada, como se um bicho estivesse cheirando. Jackson que estava sem medo agora começa até trancar os cadeados na velocidade da luz.
Ai a porta do bloco se abre mais um pouco e algo sai de lá, só dá tempo do Jackson trancar o último cadeado antes que a gente comece a correr igual o Hugo no dia que a Teresa perseguiu ele.
— Ave Maria! — Chris exclama assim que a gente consegue se chegar aos corredores movimentados da escola. — Deus é mais!
— O que diabos era aquilo? — Jackson perguntou.
— O Loco! — Chris responde como se isso fosse o obvio.
— Que porra de Loco, o quê! Não acredito nessas coisas, não — agora ele estava tentando pagar de machão, mas minutos atrás estava correndo igual uma gazela fugindo do leão.
— Você não viu? A porta se abriu! — Chris falou. — Só pode ter sido o Loco.
— Eu vi algo passando por lá — concordei com o Chris.
Tenho certeza que a gente iria continuar essa discussão se os corredores não tivessem ficado movimentados porque os professores liberaram os alunos. Decidimos ir ao encontro dos meninos para pegar nossos materiais e depois procurar os restos de Nick que devem estar espalhados pela escola.
11:20
Demorou para achar o povo porque eles já estavam na parte de fora da escola nos esperando, Nick estava com eles com cara de quem tinha ganhado o dia e naquele momento, tirando a parte do “Loco”, e a fofoca sobre mim e o Hoseok o dia parecia completamente feito.
— Vocês demoraram, hein... — Namjoon comentou.
— Acho que a gente viu o Loco — Chris falou.
Regina revirou os olhos, Hugo e Nick ficaram interessados no que a gente tinha a dizer e Namjoon e Seokjin pareceram indiferentes a isso.
— Como assim? Como ele é? — Hugo perguntou. — Não tem como ser mais assustador que a Regina, tem?
— Não deu para ver, a gente saiu correndo — Chris confessou.
Nessa hora o Seokjin começou a chorar de rir e pela cara do Chris ele não gostou disso, eu e o Jackson ficamos sem entender.
— Sério, gente? — Seokjin não sabia se ria ou relinchava. — O Loco é um cachorro, seus idiotas. É um pinscher.
— Então é a mesma coisa que um capiroto, porque nunca vi raça de cachorro mais invocada que essa — falei, mas por dentro eu estava aliviado de ser só um cachorrinho.
Seokjin voltou a rir, e eu e o Chris já estávamos nos comunicando por telepatia e marcando de atormentar o Seokjin no dia seguinte.
Aí percebi que o Hoseok não estava no meio deles, olhei para todas as direções do estacionamento onde os alunos já estavam esperando os ônibus escolares e não vi sinal dele em nenhuma parte.
— Cadê o Hoseok? — Perguntei temendo a resposta.
— Ah... — Regina não sabia como me falar o que eu já estava suspeitando. — Ele foi conversar com o Taehyung.
— No fim quem levou chifrada foi você, não o Nick — Jackson deu leves tapinhas no meu ombro.
Eu sinceramente não sabia o que pensar disso. Hoseok com certeza não faria isso, mas ele deveria pelo menos me avisar que iria conversar com ele.
Ok, minha cabeça começou a criar mil paranoias e possibilidades e eu estava tentando não demonstrar isso, tentando parecer totalmente indiferente a esse fato porque o grupinho todo estava me olhando esperando que eu fizesse algo. Se o chão onde eu estava fosse de terra, eu já tinha cavado um buraco e enterrado minha cara lá.
Por sorte, Jimin e Jungkook apareceram.
— Nossa, acabou a energia logo quando nosso grupo ia apresentar o trabalho — Jimin comentou contente —, eu nem tinha estudado nada. Deus salvou minha vida.
— De nada — Jackson falou.
Fiquei mais uns 20 minutos na frente da escola, esperando Hoseok dar o ar de sua graça, e finalmente ele apareceu. Os outros já haviam ido embora, como se tivessem alguma coisa pra fazer, mas por algum motivo eu achei que seria bom se eu esperasse Hoseok.
Bom, eu só achei.
Eu tava jogando no celular quando vi silhueta ruborizada dele se aproximando, mas não havia sinais de Taehyung.
Vai ver ele ficou lá dentro procurando a vergonha na cara que ele não tem.
— Que demora, hein? Tava fazendo o que lá dentro, conversando ou construindo a muralha da China? — Falei quando ele chegou mais perto.
— Conversando com Taehyung, e agora eu preciso conversar com você também. — Ele parecia sério, e eu raramente via Hoseok sério. — Como eu disse, eu tava conversando com Taehyung e a gente decidiu voltar.
Nessa hora o mundo parou de girar de tão lento que foi pro meu cérebro digerir a informação. Eu fiquei uns dez segundos sem falar nada, tentando raciocinar e sentindo meu coração acelerar um pouco mais.
— Calma, é brincadeira. — O desgraçado rachou de rir e eu soltei o ar com força, aliviado, porém com raiva.
— Eu vou te dar um murro tão forte, Hoseok. Vai pro inferno! — Eu peguei a mochila do chão e dei as costas, começando a andar pra qualquer direção longe dele.
Se minha vida fosse um desenho animado, com certeza eu estaria vermelho e soltando fumaça de raiva. Hoseok é um idiota e eu vou escrever isso mil vezes nesse diário.
Ele me puxou de lado e me abraçou, enterrando minha cabeça no ombro dele e me deixando sem oxigênio pra respirar.
— Desculpa, Yoongi, foi só brincadeira. Eu não faço mais isso. — Disse ele claramente arrependido.
— Você é um saco. — Eu me afastei bufando, disposto a largar essa idiotice pra lá. — Sobre o que conversaram?
— Sobre nós, eu avisei você na aula esses dias que era melhor eu conversar com ele ao menos. — Ele passou o braço por cima de meus ombros e começamos a andar. — Ele tá bem com isso, eu acho. Nada que uma garrafa de goró não resolva, foi o que ele disse.
Se eu bem conheço Taehyung, daqui uns dias ele já vai estar pegando outros, que nem fez até agora.
Hoseok me deixou em casa e foi pra dele na desculpa esfarrapada de que iria fazer o trabalho de Sociologia, mas eu sabia que ele iria dormir a tarde toda.
Não que eu vá fazer coisa diferente.
18:14
Eu já acordei no desespero.
Minha mãe me acordou dizendo que o Jefferson havia ligado e convocado a gente para uma reunião lá na escola naquela hora. Se o Jefferson ainda tá naquela escola e chamando a gente pra uma reunião lá só pode ter acontecido duas coisas:
1. A energia voltou, e isso quer dizer que eles ligaram os relógios novamente;
2. Ou seja, descobriram a gente.
E é isso mesmo.
Quando entro no corredor onde fica a direção já posso ver Jackson, Namjoon, Chris e Nick sentados do lado de fora da sala com cara de quem acabou de ir a um velório, minha mãe arfa quando vê o Namjoon lá, mas por dentro ela não deve nem estar surpresa. Meu pai por outro lado parece não ta nem ai, tenho certeza que o que eu apronto na escola é praticamente nada comparado ao que ele fazia.
Minha mãe para na frente do Namjoon esperando alguma explicação para entender o que estava acontecendo.
— Os pais podem entrar, o diretor está esperando vocês, depois ele vai conversar com a gente — Namjoon explica.
— Espero que vocês não tenham matado nenhum aluno, não tenho dinheiro para pagar advogado para isso — ela murmurou antes de entrar.
Meu pai só deu uma expressão que parecia dizer “então é isso, lá vamos nós”.
Quando ela fechou a porta Namjoon pareceu ficar mais relaxado. Jackson estava com cara de quem já estava vendo a morte e o corpo dele estirado na frente. Chris estava rezando, não sei o que deu nesse garoto que ultimamente ele tem pedido salvação para qualquer deus que esteja escutando ele. E Nick parece não esta nem ai com isso, na verdade, essa situação parece até divertida pra ele, acho que ele é dessas pessoas que gosta do perigo.
— Ai, eu tô fodido! — Jackson exclama — Meu pai vai parar de me dar mesada.
Namjoon ri.
— Nossa, que drama… — Ele diz. — Os meus vão me esfolar vivo, isso é claro, depois de me torturarem.
— Não sei o que meus pais podem fazer comigo agora — confesso — eu ainda tô cumprindo o último castigo… Eles vão ter que ser muito criativos dessa vez.
Eles acabam rindo.
— Meus pais não estão nem aí se eu aprontei algo — Nick fala. — Eles só ficam com raiva quando eu sou pego fazendo algo errado e chamam eles aqui… Eles sempre falam “da próxima vez faz direito”.
— Por isso que você não ficou com medo de provocar o Charles — Chris conclui.
Não basta o Nick ser porra loca, os pais dele também tão cagando para isso, daqui uns dias o garoto é capaz de pôr fogo na escola mesmo e os pais dele só brigarem com ele por ele ter sido descoberto e deixado provas do crime.
Eu só sei que enquanto eu escuto os garotos conversando e espero meus pais saírem daquela sala eu penso que deveria ter aproveitado a tarde para jogar LoL, quem sabe ter dado mais umas beijos no Hoseok ou lido ao menos mais um volume de One Piece, pois eu realmente não sei o que me aguarda nos próximos minutos.
Talvez a morte.
Os pais começam a sair, os primeiros foram os pais do Jackson, assim que o garoto viu os pais dele ele se levantou na hora, eles nem olharam para o Jackson simplesmente passaram reto de cara fechada, ou seja, o Jackson tá muito fodido.
Os pais do Namjoon saíram depois olharam decepcionados para mim, com raiva para o Namjoon e com desprezo pros outros meninos. Depois saíram dois caras que provavelmente eram os pais do Nick, e sim, no caso dele é literalmente dois pais.
E a mãe do Chris saiu prestes a dar um puxão de orelha nele, só se controlou porque viu os outros pais sendo civilizados e fuzilando os filhos com os olhos.
Meus pais foram os últimos a sair, a minha estava com uma expressão fria e isso só significava uma coisa: eu to muito ferrado.
— Em casa a gente conversa — ela disse baixinho para mim.
Eu entendi como: em casa eu te mato.
Jefferson apareceu na porta e indicou para a gente entrar.
E lá estava eu indo sentar naquele sofá de couro grudento mais uma vez, Jackson se sentou de um lado e o Chris do outro. Namjoon e Nick foram sentar em duas cadeiras enquanto Jefferson se confortou em uma poltrona que ficava de frente para o sofá e às cadeiras, ele tinha uma prancheta e uma caneta na mão dele.
— Então, meninos, a situação de vocês não é nada boa… — ele confessou. — No código da escola, isso que vocês fizeram poderia ser punido até com expulsão.
Jackson está tão desesperado que ele está segurando minha mão e apertando ela com força e nem percebe isso.
— Ai, meu deus do céu! — Chris berra, literalmente berra. — Você vai expulsar a gente! Eu posso fazer oferenda para todos os deuses e entidades, mas, por favor, não me expulsa…
Jefferson levanta a mão indicando para ele ficar quieto e se acalmar.
— Eu disse que vocês poderiam, mas não vão… Agradeçam aos pais de vocês e ao professor Robb que sugeriu algo melhor — ele diz então fica a prancheta na nossa direção e entrega para o Namjoon.
Namjoon pega hesitante e começa a ler o que está escrito no papel.
— Robb sugeriu que para evitar expulsão vocês vão ter que tirar nove em pelo menos cinco matérias e ao assinar no final desse papel vocês vão concordar com isso — Jefferson explica.
Namjoon ri, vitorioso, para ele isso é fácil.
Eu começo a fazer os cálculos e ver as chances que eu tenho de conseguir executar esse acordo e sinceramente, elas não são nada boas, eu já comecei o bimestre com o pé esquerdo porque dormi na maioria das aulas e fiz poucos trabalhos, eu já contava que nesse bimestre eu fosse passar por pouco, agora eu vou ter que virar Einstein.
Namjoon devolve a prancheta para Jefferson que tira a folha que Namjoon assinou e já guarda em uma pasta, aí ele passa a prancheta para Nick que assina e depois faz o mesmo processo com os outros garotos até que chega minha vez.
No papel tem três espaços, um espaço é onde Jefferson vai assinar, outro é onde meus pais assinaram e um é para eu assinar, na parte superior da folha tem um texto falando sobre o ocorrido e sobre o acordo para evitar expulsão.
Como eu não tenho outra alternativa, pego a caneta e assino.
Minha intuição nesse momento diz: Min Yoongi, você está muito ferrado.
(Não) vá um jantar de negócios
1 de maio de 2016
Rir pra não chorar.
12:30
Não sei o que me deixa mais puto: O Hugo tentando tirar foto da minha bunda e reclamando que não achou ela, ou acordar cedo no fim de semana.
Eu estava nervoso, no sentido de ansiedade, porque hoje seria o dia em que eu me assumiria para os meus pais, e é por isso que eu dormi mal a noite passada, e passei uns bons minutos na cama, numa tentativa tosca de voltar a dormir e aproveitar o tempo restante de paz que eu tinha até dar hora do trabalho. Só que eu só fiquei rolando mesmo, de um lado pro outro, até comecei a me comparar com aqueles rolos de alisar massa de pão. São pensamentos de um idiota que acabou de acordar, não enche o saco.
Mas o problema era que não fazia a mínima ideia de como contar para eles, na verdade, eu nem queria me dar ao trabalho de pensar, então eu fiz o que todo ser humano adulto e maduro faz quando não consegue resolver um problema sozinho: chamei o Namjoon.
É, depois de eu ter voltado do trabalho e ter passado a manhã inteira encarando um Hoseok mais assustado que bandido quando vê o carro da polícia, eu decidi chamar o Namjoon, meu detestável melhor amigo e o único capaz de me ajudar nesse momento.
Ele estava online e demorando para me responder, provavelmente estava falando com aquele embuste que chamam de Seokjin. Enquanto ele não me respondia, senti meu estômago roncar, mas eu não ia descer para pegar comida já que havia prometido a mim mesmo que a próxima vez que visse meus pais seria para falar que eu sou gay. Aí eu lembrei que tinha uma batata chips na minha mochila, já que eu comprei uma e tive que guardar quando Seokjin chegou perto, só não sei desde quando ela está lá.
Comi as batatas e cliquei na foto de perfil do Namjoon para me distrair enquanto a sarna ainda não respondia, e surgiu ali uma alavanca para fazer mais uma das minhas listas de comparações entre babacas e objetos. Batata não é bem um objeto, mas eu acho ela do que eu quiser.
Namjoon e a batata
A batata é dura, a cabeça do Namjoon também, talvez até mais.
Tanto Namjoon quanto a batata são feios, mas um dá para comer.
Se bem que ele dá para comer também… Ah, meu Deus, que nojo.
Bom, vamos parar por aqui?
Depois de 20 minutos o idiota me respondeu falando que estava lendo mangá e perguntando o que eu queria. E quando expliquei para ele a situação ainda tive que implorar por mais cinco minutos para ele vir até aqui me dar um apoio moral, de início ele falou “problema seu” e um “não me faz pisar na mesma merda que você”, mas por fim ele concordou.
Marcamos uma e meia da tarde, ele chegou às três.
15:12
Bom, talvez pedir ajuda para uma pedra seja mais útil que pedir ajuda para o Namjoon. Pelo menos com a pedra eu não ia precisar ficar escutando desculpa fajuta.
— Foi mal aí o atraso, estava ajudando meu pai a lavar a moto. — Ele entrou no meu quarto sem bater e eu olhei para ele com a pior cara possível.
— E desde quando teu pai tem moto? — Mentiroso.
— Ah, moto e carro é tudo a mesma coisa. Que diferença faz? — Imbecil
Contei a ele o meu plano de me assumir para os meus pais, já que ele tinha feito isso há pouco tempo. Mas existe uma grande diferença entre os pais de Namjoon e os meus, a começar por eles acharem normal comer abacate com sal quando todo mundo come com açúcar. Deve ser por isso que Namjoon é todo ferrado das ideias, deve ter hipertensão.
Tentamos criar alguns planos e até procuramos na internet como fazer isso, mas nada parecia que ia funcionar. Eu já estava frustrado, principalmente porque Hoseok ficou de contar aos pais também e não deu sinal de vida até agora. O celular dele estava desligado e a gente estava realmente temendo que ele tivesse sido assassinado pelos pais.
— Olha, você sabe como a sua mãe é, se você falar do nada ela vai ter um infarto. — Namjoon ainda estava procurando maneiras de se assumir no Google. — Não fala nada sobre isso quando ela estiver cozinhando ou com uma faca afiada na mão. Nem quando estiver dirigindo ou descendo a escada.
— Não é o fim do mundo também, eles não são tão tradicionais assim, capaz de eu contar e eles falarem que o problema é meu — Eu quase quebrei meu dedo na quinta tentativa de estralar ele.
— Verdade, o problema é seu mesmo, não sei nem porque eu estou aqui.
Para que inimigos né?
Me joguei na cama frustrado e mais preocupado do que nunca com toda essa situação. Primeiro, quem é que tenha sido o babaca que tirou essa foto eu quero que tenha dor de barriga quando estiver em um encontro. Segundo: por que eu inventei de ir naquela festa? E terceiro: quais estão sendo as vantagens de ter ficado popular nessa hora? Isso acabou é se virando contra mim.
— Achei uma boa — Namjoon arrumou a tela do computador e começou a ler — Diz que você tem uma doença terminal muito rara e que vai morrer em menos de 20 dias. Aí quando ela estiver aos prantos você diz que é zoeira e que está saudável, só é gay.
— E se ela não ficar aos prantos? Talvez ela agradeça a Deus que não vai ter mais que lavar minhas camisetas sujas de molho.
— Ah, sei lá. Leva ela no mercado e dá um perdido nela. — Lá vem mais uma das ideias mirabolantes de Kim Namjoon — Aí você vai lá no caixa e pede pra anunciar no microfone “Atenção, Dona Min, o seu filho é gay e encontra-se no setor de frutas. Repito, ele encontra-se no setor de frutas”.
— Namjoon, vai embora.
E ele foi mesmo. É claro, não antes de me mandar ir a merda.
Oh, querido Namjoon, não tinha necessidade, eu já estou me afogando nela.
17:30
Estou no fundo do poço cheio de bosta.
Ainda não consegui falar para meus pais e eles até perceberam que tinha algo de errado comigo, mas ficaram achando que eu tinha tomado o leite vencido que tinha na geladeira que meu pai tinha esquecido de jogar fora. E Hoseok não deu mais sinal de vida desde que eu saí do trabalho.
Para completar isso, eu ainda estou sentado na varanda da frente da minha casa vendo mais uma vez a cena desagradável de um Hugo montado em uma bicicletinha rosa e acenando para mim.
— Você conhece ele? — Minha mãe pergunta, ela tinha que resolver vir para varanda logo agora?
— Não, nunca vi mais doido...
— Bicicleta maneira a dele — ela diz isso enquanto arruma algumas mechas bagunçadas do meu cabelo e me olha profundamente com uma cara tipo “como meu menininho cresceu”.
— É da irmã dele — respondi e ela riu.
— Achei que você não conhecesse ele... — ah, é verdade. Antes mesmo que eu consiga inventar uma desculpa, ela diz para eu avisar caso eu invente de sair e entrou de volta.
É nesse momento que meu dia começa a virar um desastre total. Hoseok está vindo na minha direção com cara de quem acabou de ir no velório de um pobrezinho de um hamster fofinho.
Ele se senta do meu lado e funga.
— E aí, está com essa cara de bunda por que? Já contou para os seus pais? — Por incrível que pareça quem fez essa pergunta foi ele.
— Não, e você?
— Então... — quando ele diz isso já sei que vem tragédia por aí — Eu disse para os meus pais que eu estava namorando uma pessoa e minha mãe falou que hoje vai ter um jantar de negócios lá em casa, e aí me pediu para levar essa pessoa lá.
Como eu disse.
— Legal... — tento não demonstrar interesse para deixar claro que eu estou fora.
— Você vai ter que ir lá, Yoongi — ele diz.
Estou prestes a responder não quando a senhora intrometida, mais conhecida como minha mãezinha, aparece outra vez na varanda.
— Ir aonde? — Ela pergunta, os olhos do Hoseok parecem brilhar.
— Vai ter um jantar lá em casa e meus pais sugeriram que eu chamasse o Yoongi — ele explica vitorioso.
— Então, Yoongi, trate de se comportar, falar obrigado e cumprimentar as pessoas — ela diz.
— Mas eu nem disse... — tento argumentar mais uma vez só que Hoseok me interrompe.
— Passo aqui às sete em ponto para te buscar, esteja arrumado — ele se levanta e se despede da gente sem me dar direito a resposta.
Talvez falar para minha mãe que eu bebi o leite estragado seja uma boa ideia. Quem sabe até beber ele de verdade.
19:07
Eu ainda estou esperando Hoseok vir me buscar e isso é porque ele falou que passava aqui às sete em ponto, talvez na família dele passar as sete em ponto tenha outro significado ainda não conhecido.
Mas já consigo ver uma pessoa vindo da direção onde fica a casa dele e provavelmente essa pessoa se trata do próprio Hoseok, pelo jeito meio idiota e feliz de andar. Juro que uma hora eu vi ele dar um pulinho como se estivesse em um clipe musical ou algum comercial.
Quando ele se aproximou de mim, tentei fazer o máximo de esforço possível para não sorrir, o que foi uma tentativa inútil porque ele já estava rindo antes de mim.
— Vamos? — ele levantou o braço para mim igual aqueles nobres dos séculos passados faziam para levar uma donzela para o meio do salão a fim de dançar com elas.
É claro que eu deixei ele no vácuo e comecei a andar na direção da casa dele.
— Tem muita gente lá? — perguntei.
— O suficiente para fazer minha mãe cair pra trás quando ver que a pessoa que eu estou namorando é um garoto.
— Há chances do seus pais cometerem alguns homicídios quando me virem entrando lá? — era bom eu já estar preparado.
— Sim, e as chances são altas.
Nunca me senti tão amedrontado.
Bom, quando chegamos lá, as coisas não aconteceram como a gente tinha planejado, que era os pais dele sacarem na hora que ele era gay e eu era o namorado dele, na verdade, eles passaram longe de se dar conta disso.
A mãe dele ainda estava no hall de entrada recebendo os últimos convidados quando nós chegamos lá, a ideia era ela perceber de cara que a pessoa que o Hoseok estava namorando era um garoto, mas ela interpretou isso totalmente diferente do que era pra ser.
— Ué, sua namorada não quis vir não? E oi, Yoongi… Como esta seus pais? — ela me cumprimentou com um beijo na bochecha.
— Oi, bem — fui interrompido pelo próprio Hoseok.
— Então mãe, sabe essa pessoa….— E Hoseok foi interrompido por uma senhora gorducha vestida de um jeito bizarro que logo se identificou como tia Rose do Hoseok ao beijar os dois lado do rosto dele e deixar marca de batom.
Hoseok tentou explicar mais uma vez que eu era o namorado dele, mas essa tia dele começou a falar sem parar puxando a mãe dele para o interior da casa, isso deixou a gente responsável por receber os últimos convidados, que assim como Hoseok, também não entendiam o que é sete em ponto.
— O que você acha da gente se assumir bem no meio do jantar? Tipo bater a colher na taça e chamar atenção de todo mundo e falar? — Hoseok deu ideia.
Ia ser legal, mas suicida.
— “Agradeço pela atenção de todos, tenho um comunicado importante para fazer agora, mãe e pai, obrigado por todo amor do mundo, mas o Yoongi não é meu amigo, amigos não se beijam na boca” — eu encenei e ele começou a rir.
Bem nessa hora entrou um senhor de cara amarrada que nos cumprimentou com um boa noite frio, tossiu quando viu que a gente estava rindo e ficou esperando a gente indicar a direção para ele ir.
— Foi bom te ver, Senhor Nicholas — Hoseok diz e a gente começa a rir de novo.
20:12
Demorou quase uma hora para eles se reunirem à mesa do jantar que agora está repleta de comida exalando um cheiro delicioso e tem em torno de umas 20 cadeiras rodeando ela, o que me faz pensar que eu jamais iria querer ter uma mesa tão grande assim para não ter que receber a família toda aos fim de ano para ceia do natal.
Deus me livre ter que receber parente chato.
Já tem algumas pessoas bebericando um pouco de vinho e se servindo de alguns pedaços de queijo, eles parecem bem entretidos com essas conversas sobre ações e bolsa de valores, enquanto eu e o Hoseok, os únicos adolescentes nesse jantar, estamos cortando algumas fatias de queijo em forma de cachorro.
Eu vi o pai de Hoseok duas vezes e o jeito do pai dele só me fez ter mais medo ainda do que pode acontecer quando a gente contar a verdade.
Então, a mãe do Hoseok aparece na sala e pede para que todos fiquem a vontade e se sirvam.
Hoseok começa a pegar algumas coisas para mim e para ele, mas não é como se a gente fosse dar conta de comer isso tudo levando em conta que a gente tá quase tremendo de tanto medo pelo que teremos que fazer mais tarde quando as visitas forem embora, já que Hoseok não conseguia falar a verdade.
Uma parte de mim quer que essa hora não chegue nunca, outra parte quer que o tempo passe logo e tire esse peso das nossas costas, não sei qual das partes está sendo mais forte, só que o meu medo é tão grande que não vou me admirar se eu começar chorar no meio dessa janta.
Vi Hoseok tentando pegar um pouco de vinho para gente, mas o pai dele olhou com cara feia e apontou para o suco, então ele teve que nos servir um suco de laranja que estava aguado e quente.
A comida estava boa pelo menos, mas a gente se encheu rápido por causa do nervosismo então ficamos brincando de bater nossos joelhos e nossas canelas por baixo da mesa, quem risse ou desse algum sorriso primeiro perdia e levava um beliscão na coxa, ganhei quatro vezes e Hoseok só duas.
E foi enquanto a mãe do Hoseok falava sobre como investir franquias de fast food em cidades acadêmicas era uma boa ideia que tudo deu merda de vez.
Aquela tia Rose do Hoseok tinha acabado de levantar com um saleiro e foi até uma garrafa térmica que provavelmente tinha café, pegou uma xícara, deu uma bebericada, e colocou sal, sim, ela colocou sal no café, usou uma colherzinha para mexer e bebeu mais uma vez, até fez um som de “hum que delicia”.
Eu não consegui me segurar, eu comecei a sentir minhas bochechas ficarem quentes, meu corpo se eletrizar, até meus batimentos cardíacos mudarem de frequência, eu estava fazendo um grande esforço para não ter uma crise de riso bem no meio de jantar de negócios dos pais dele.
E para piorar tudo Hoseok me viu naquela situação e achou que estava tendo uma crise alérgica e só quando percebi que estava começando a chamar muita atenção que eu lembrei que tinha um banheiro no corredor que interliga a sala de jantar, a cozinha e a sala.
Não consegui nem pedir licença só comecei a ir para lá, escutei Hoseok pedindo desculpa e falando que eu tinha alergia a pimenta e a mãe dele falando que não tinha pimenta em nenhuma das comidas.
Antes mesmo de alcançar o banheiro eu já estava chorando de rir, e Hoseok quando me viu rindo começou a rir junto comigo sem saber o que estava acontecendo, ele me puxou para dentro do banheiro enquanto eu colocava a mão no meu estômago e tentava parar de rir.
— Por que você está rindo? — ele perguntou com dificuldade e tão vermelho quanto eu.
— A sua tia colocou sal no café — expliquei.
— Ah, eu não acredito que a titia Rose está fazendo isso de novo…
Como assim? Então quer dizer que ela sempre faz isso? Esse pensamento me fez rir mais ainda a ponto de eu quase perder meu equilíbrio tentando me apoiar na quina pia e derrubar alguns produtos que estavam lá em cima, o barulho que fez assustou a gente o que acabou fazendo eu e Hoseok xingar bem alto.
Podia ficar pior?
Claro que sim.
A gente tinha plateia do lado de fora do banheiro.
Eu não sei em que momento as pessoas resolveram sair da sala de jantar e irem lá para o corredor e bem no lugar mais próximo a porta onde claramente dava para escutar essa bagunça que eu e o Hoseok estávamos aprontando, mas o negocio é que lá estavam elas, todas elas, com os olhos grudado na direção da porta.
Eu fiquei sem reação, a mãe do Hoseok ficou paralisada e com a boca semi aberta enquanto a expressão do pai do Hoseok demonstrava dúvida, talvez ele estivesse pensando qual forma ele usaria para acabar com a gente. Com certeza ele deve ter pensado em uma bem dolorosa.
Hoseok fez a única coisa que ele poderia fazer nesse momento.
Ele passou o braço pelo meu ombro e olhou para os convidados.
— Me desculpem pela bagunça, meu namorado acabou prendendo o amiguinho dele no zíper… — ele falou sorrindo, aposto que por dentro ele tava com o cu trancado — agora licença, vamos ir jogar videogame lá em cima.
Ele começou a me arrastar para a escada.
— A comida estava uma delícia — eu não sei da onde eu tirei essa coragem, mas eu tive que falar pelo menos isso.
— Obrigada… — escutei a mãe dele falar com a voz falha.
21:10
Enquanto Hoseok está preso nos pensamentos dele pensando em como vai sair vivo dessa quando todos os convidados forem embora, eu só consigo pensar no porquê da tia dele colocar sal no café. Será que ela tem um paladar diferente dos demais? Ou ela simplesmente não sabe diferenciar sal de açúcar? Só sei que essa é uma história que o Namjoon precisa saber.
— Cara, a tua tia bebe café com sal… — murmurei pensativo.
— Cala boca, Yoongi — Hoseok resmungou — Eu estou mesmo com medo…
Ele estava deitado na cama dele igual eu quando Namjoon foi me visitar hoje mais cedo, e eu agora estou no lugar do Namjoon, sentado na escrivaninha dele, que tem um computador bem mais turbinado com o meu e posso ver vários ícones de jogos que sempre quis jogar, mas não consigo porque meu computador não dá conta.
O quarto dele é bem arrumado, totalmente diferente do meu que é um bagunça e é capaz de você encontrar até um tijolo nele. Hoseok é um completo maníaco por limpeza e ordem, juro para vocês que quando eu estava vendo os mangás dele estavam todos organizados por ordem alfabética, algo que eu invejei muito, porque eu até curto isso de deixar organizado, mas a minha preguiça é mais forte.
Tentei descobrir onde ele escondia o mangas hentais e yaoi dele, porém, se Hoseok tem esses mangas devem estar muito bem escondidos.
Ah, ele também tem um gato chamado Harry, que, segundo ele, é um gato que ele divide com a vizinha dele.
E bem, a temida hora chegou.
A mãe do Hoseok bateu no porta perguntando se podia entrar.
— Você vai me bater? — ele perguntou se enrolando no cobertor dele — Se for então você não pode entrar.
— Hoseok! Eu nunca te bati — ela abriu uma brechinha na porta espiou por alguns segundos até ter confiança de que não era perigoso entrar, atrás dela estava o pai dele.
A mãe dele se sentou na beira da cama dele e o encarou, depois deu um olhar e um sorriso meio reconfortante só que também decepcionado, o pai de Hoseok por outro lado estava tão rígido que poderia ser facilmente confundido com uma estátua.
— Isso que você fez não foi bonito, Hoseok! — a mãe dele falou e a sessão de sermões começou — Eu esperei muito por esse jantar, dei o meu máximo, você deveria ter se comportado e não ter ficado com essas brincadeiras bobas…
— Mãe, você entendeu que eu sou gay? Eu não tava brincando! — eu não conseguia ver a expressão no rosto de Hoseok, mas eu sabia que ele estava chorando.
O pai dele suspirou e acho que esse foi o único barulho que escutamos durante uns bons segundos.
— E ele é o seu namorado de verdade? — ela perguntou juntando as peças.
— É, mãe… Desde ontem eu estou tentando falar isso para vocês antes que aquela maldita foto onde eu e o Yoongi estamos nos beijando chegue até vocês, eu preferi que vocês soubessem por mim isso…
— Eu te falei — o pai do Hoseok pela primeira vez resolveu se pronunciar — eu sempre soube que ele era gay… Bom, ta aí a verdade.
Ele pareceu indiferente a isso, olhou para Hoseok e depois para mim e saiu do quarto. A mãe de Hoseok por outro lado ainda estava em choque, levou alguns minutos para ela conseguir se pronunciar.
— Você não podia ter nos falado isso sem ter feito essa cena toda, não? Ainda estou chateada com isso, acho melhor a gente ter essa conversa amanhã e é bom você ir levar o Yoongi até a casa dele — ela se levantou da cama e por fim nos deixou sozinho — Boa noite, meninos.
Hoseok secou algumas lágrimas dele com a barra da camiseta dele e se desenrolou do cobertor.
— Vamos? — ele se levantou da cama.
— Não precisa me deixar em casa não, eu sei o caminho até lá… — murmurei e isso fez ele rir um pouco.
— Não é por você, é por mim que eu estou indo até lá, preciso andar — ele saiu do quarto.
Durante metade do caminho ele ficou calado, só que eu conseguia sentir que ele estava melhorando e se aliviando disso tudo. Depois da metade do caminho, ele começou a falar como sempre, porém, não quis tocar no assunto ainda e só quando estávamos chegando perto da minha casa que ele revelou que se sentia aliviado, apesar de tudo.
— Boa sorte com seus pais, também — ele falou depois que deixou um beijo na minha bochecha — acho que pior do que foi lá em casa não tem como ser.
— Valeu. Boa noite Hoseok — me despedi.
Me virei para entrar em casa, mas ele se meteu na frente, não me dando nem chance de protestar e me beijando.
E, bem, agora começa as tentativas de Min Yoongi contar para os pais que ele gosta de rapazes.
22:00
Tentativa número oito, começar.
Meu pai estava preparando o jantar e só para aproveitar o clima de jantares fracassados, eu vi nisso uma ótima oportunidade para assumir, acontece que eu não sou o Hoseok e não tenho tanta coragem com ele, então tentei do meu jeito, e não foi lá muito bom.
Ele serviu a mesa e eu ainda não sabia como fazer. Assim que nos reunimos na mesa de jantar para comer o macarrão com salsicha, eu me esforcei ao máximo pra não manchar minha camisa de molho, eu pensei em um jeito muito brilhante.
O problema de tudo é que eles começaram a falar sobre a família do meu pai e sobre o meu primo que tinha engravidado a namorada em dois meses de namoro. Quase que eu usei de pretexto pra dizer que nunca faria uma coisa daquelas até porque sou gay, mas deixei passar e optei por contar como se aquilo fosse uma notícia normal.
Mas no meu cú não passava uma partícula.
O jantar foi rendendo e eles não calavam a boca pra eu poder falar. Eles já estavam terminando de comer e eu continuava nervoso como se tivesse indo tomar vacina. Até que eu tomei coragem e falei tudo de uma vez.
— Nossa, a comida tá ótima. Eu sou gay, pai, passa o sal. — Eu disse tão rápido que acho que nem entenderam.
— Toma. — Ele me entregou o sal e continuou a conversar com a minha mãe. — O que a família vai fazer com eles? Rafael não terminou a faculdade ainda.
Novamente eu me senti um meme, aqueles de pokerface. Eu tinha acabado de me revelar para os meus pais e eles não disseram nada. Comecei a cogitar se eles tivessem realmente escutado.
Decidi que tentaria mais tarde.
23:55
Nona e última tentativa, começar.
Eu tava com os meus pais na sala vendo jornal. Eu nunca fico com eles na sala, até porque eu detesto jornal, mas eu precisava encontrar um jeito de falar para eles, dessa semana não podia passar. Aí eu lembrei da ideia de Namjoon.
— Mãe, você quer ir no mercado amanhã? — o que vale é a tentativa, afinal. Eu poderia falar amanhã e caso ela desmaiasse no corredor do mercado pelo menos ia ter gente pra ajudar.
— Você vai pagar?
— Eu não, tá doida? — ri.
— Mas só tem desgraça nessa TV — Meu pai reclamou. — Esse mundo tá uma desgraça, eu não me surpreendo com mais nada.
Era essa a minha chance.
— Certeza? Eu sou gay.
— Então. — Ele disse com indiferença e minha mãe deu de ombros.
— Como assim? Vocês sabiam? — Perguntei meio desesperado.
— Filho, eu sou sua mãe, eu sei até o que você esconde embaixo do colchão.
Eu já sou um otário, mas me senti ainda mais quando vi que soei de nervosismo atoa. Sorri para eles, mas na verdade queria ir na cozinha e pegar a faca de carne da minha mãe e passar ela na minha garganta. Mas, sério, sabe quando você tá ressecado por uns bons dias e não consegue fazer coco e finalmente consegue? Foi assim que eu me senti.
— Vocês não estão decepcionados ou chateados? — perguntei só para ter certeza, isso era bom demais para ser verdade.
— Se fosse para a gente ficar decepcionado, a gente ia ficar pelo fato de você ser um preguiçoso que não faz nada aqui em casa e não por você ser gay, que é algo que a gente já sabe desde que você tentou beijar o Namjoon na segunda série — meu pai sabia ser esclarecedor, muito esclarecedor — não vendendo droga ou matando alguém já é o suficiente para nós.
Dei alguns minutos pra disfarçar e não parecer que eu só tava na sala com eles por causa disso e subi para o meu quarto depois. Eu sentia como se um peso tivesse saído de mim, parece até que eu emagreci.
— Eu não acredito que ela andou vendo meus mangás. — Corri para perto da cama e tirei meus mangás lemon debaixo do colchão.
Arranjei outro lugar para guardar eles, atrás da porta, dentro da bolsa do meu violão. E sim, eu tenho um violão desde os meus 12 anos e não, eu não sei tocar.
Peguei meu celular e mandei mais uma mensagem para Hoseok contando que tinha dado tudo certo e mandei uma foto do dedo do meio fazendo um gesto obsceno para o Namjoon.
Ok, as coisas tinham dado tudo certo para mim, de alguma forma eu estava aliviado também, mas preocupado com Hoseok, comparado aos meus pais a reação dos pais dele não foram das melhores.
E enquanto eu começava a sentir um pouco de pena e criar empatia pelo Hoseok, me lembrei de uma coisa: amanhã tinha aula.
Todo meu alívio passou em dois segundos, como iria ser entrar na escola depois disso tudo? Claro que as pessoas agora iriam nos olhar de outro jeito e ainda tem o Taehyung que não deve estar nada feliz com isso, aliás, nem eu estaria. Decidi que ia ficar acordado até mais tarde hoje aproveitando meus minutos de paz.
Ou não.
Primeira cena de beijo em CNSP com o Yoongi durante a festa s2
Valeu Dani o/
OLHEM O PAPELZINHO NO ARMARIO AAAAAAA
Creditos a: Nillex_Moore
Winter is coming...Não pera! CNSP is coming
“Vamos dar duro nesse capítulo, vamos nos concentrar e levar a sério para sair um capítulo bom.” 5 minutos depois:
— redbulI (ana)
Se peguem dnv logo
no
yoongi, o hoseok jr é mesmo bonitinho?
Fica no ar rs
Fanart por Shotz
Fanart por Becy