O estômago de Miyoung já se retorcia tamanha a fome, não havia comido nada desde a hora do almoço e o cheiro delicioso de comida que aquele lugar possuía era uma constante provocação. Mas, fez o possível para conseguir focar nas palavras dele e não se distrair pela fome pois não queria que ele achasse que ela estava sendo arrogante ou que não tinha interesse no que ele falava. “O ser humano está fadado ao fracasso, essa é a triste verdade. Poucos são os que conseguem ser bem sucedidos em um mundo que sempre quer te colocar para baixo não é mesmo?” Não sabia o motivo de aquela conversa estar se tornando tão obscura, mas não podia dizer que se incomodava com aquilo pois ao menos fugiam dos assuntos fúteis e isso a agradava. “Oh, entendi. Ficar longe da família é realmente péssimo mas… Sabe, se você quiser eu posso ser sua segunda família enquanto estiver aqui, assim não irá se sentir sozinho.” Sorriu timidamente, esperava não estar sendo inapropriada dizendo aquilo, torcendo para que ele entendesse que não estava tentando forçar alguma coisa entre eles e sim apenas sendo gentil. Para ser sincera estava mentindo sobre a parte de ficar longe da família ser péssimo, ela odiava estar perto dos familiares - exceto sua avó - mas não precisava encher o rapaz com seus problemas familiares justo no primeiro encontro. “Sim! Temos sorte de ter dormitórios tão confortáveis e aconchegantes, ouvi dizer que os das outras universidades não são tão gostosos.”
Era egoísmo da parte de Miyoung querer tanto um namorado mesmo sabendo que seu último relacionamento havia acabado por conta de suas inseguranças ainda não resolvidas com sua família, mas, ainda assim ela queria. Curiosamente seu grande desejo de ter um amor confrontava diretamente com o fato de que ela se auto-sabotava sempre que alguém gostava dela, fazendo de tudo para a pessoa largar de seu pé mesmo quando gostava deles. Mas, poderia omitir esse fato para Dongho pois não queria assustá-lo. “Também fico feliz, talvez se fosse eu procurando um encontro nunca teria chegado em você porque não te conheceria ou teria vergonha.” Confessou. Tapou a boca quando riu do que ele dissera, não duvidaria que as amigas tivessem o encontrado na rua realmente, na verdade ainda sentia no fundo do peito a sensação de que estava apenas sendo zoada por elas e em poucos minutos as garotas apareceriam com um megafone e um bando de confete para nomeá-la ‘trouxa do ano’. “Se você foi encontrado na rua a única coisa que posso pensar é que eu sou sortuda, porque pelo menos elas acharam alguém divertido para me zoar.” Sorriu, envergonhada por confessar indiretamente o quanto estava gostando daquilo tudo. “É, foi uma boa ideia realmente. Talvez reclamar tanto nos ouvidos dela não tenha sido tão ruim. Bem, pelo menos não para mim.” Brincou e cruzou o olhar com o dele, pela primeira vez sem estar envergonhada de fazer isso. “Vamos ver o que eu já sei. Você se chama Dongho, cursa história e cresceu em Daegu. O que mais eu deveria saber sobre você? Deixe-me ver… Pratica algum esporte? Aigoo, essa pergunta foi meio fraca, me perdoe.”
Ficou feliz em perceber que ela não havia ignorado a sua pequena reflexão, isso significava que seus amigos estavam errados, gostava de garotas que conseguissem pensar além do que era esperado, era mais agradável conversar com pessoas assim do que seguir o roteiro pré programado de um encontro comum. “Até mesmo os que são considerados bem sucedidos fracassaram em algo, então, não existe ninguém totalmente bem sucedido. Minha filosofia é: faça o que te faz feliz, assim você está um passo a frente de quem vive apenas por ganância.” Falou sincero o que acreditava, sentia que era fácil conversar com a garota mesmo que apenas tivesse a conhecido há tão pouco tempo. Riu ao perceber que a história da família poderia ser interpretado de maneira diferente por outras pessoas e ao notar o sorriso tímido da garota observou que ela também tinha percebido isso. “Já estamos pensando em formar uma família? Wow, você é rápida.” Brincou ainda rindo, provocar pessoas era algo natural para ele, mas não queria que fosse interpretado erroneamente. “Parece uma oferta boa, espero que ela ainda seja verdade se esse encontro não der certo.” Completou, mas ao seu ver era muito difícil imaginar que aquilo não desse certo, estava indo tudo tão bem que até o deixava assustado um pouco, as coisas costumavam dar errado para Dongho tantas vezes que já até havia desistido de toda essa coisa de encontros e namoros, a última vez que namorou sério foi antes de entrar na faculdade e se as coisas já eram difíceis naquela época, se tornaram piores agora.
“Você teria vergonha de falar comigo? Por quê?” Perguntou intrigado, para ele era tão fácil começar a conversar com estranhos que era difícil imaginar que alguém tivesse problemas em se aproximar dele, tentava o máximo possível acolher as outras pessoas e era por isso que tinha tantos amigos pelo campus. “Parando para pensar eu realmente fui encontrado na rua, mas isso não aconteceu há meia hora atrás.” Recordou em sua mente como havia sido abordado pelo amigo que o fizera ir nesse encontro, ele havia realmente parado na rua e o implorado para que fizesse esse favor, riu com a memória. “Suas amigas provavelmente não concordam com a parte da reclamação, mas acho que elas fizeram um bom trabalho, quer dizer, elas não imploraram para qualquer um te levar para sair.” O garçom havia voltado com seus pratos e, apesar da vontade dele de atacar o seu assim que foi colocado a sua frente, esperou que a garota concluísse seu raciocínio e ele pudesse responder antes de tocar na comida. “Eu sou jogador de beisebol, mas não é isso que é importante, qualquer pessoa poderia saber o que eu jogo, mas nem todos sabem que ele é importante para mim porque eu podia fugir para o campo toda vez que as coisas não estavam indo bem na minha casa.” Ele observou, queria mais uma vez sair das formalidades de ter que falar o que faz ou deixa de fazer como um robô, queria falar das coisas que eram importantes para ele e não para os outros, principalmente se levasse em conta que aquilo era um encontro, como poderia conhecer uma pessoa se ficassem apenas fazendo perguntas esperadas. “O que eu quero dizer é que podemos descobrir coisas supérfluas sobre o outro rapidamente, mas elas não são o que importam no fim, então, por que não me conta algo importante sobre você? Algo que nem todos saibam, não precisa ser tão dramática quanto eu.”