Faca e queijo na mão.
Faca sim, queijo não.
Abri no peito a ferida dela,
sem dor, sem sequela.
Cada ferida, um nome.
Cada cicatriz, uma história.
Abri e deixei jorrar o sangue,
o ódio de cada memória.
O ego ferido agora curado,
E ela me enchia de promessa.
O ego alimentado demandava
a vingança depressa.
Entre juras de mentira devolvi,
brinquei com seu coração.
Como gato e novelo de lã
E o meu? Há! "Sempre foi teu", menti
No velho divã me deitava,
pagando de terapeuta,
bebia cada palavra
que ela me dava.
Coração blindado de vingança,
pra ganhar, adulta,
a briga que não consegui
quando criança.
Mas ela percebeu e sumiu,
correu da loba que viu
antes do bote certeiro.
Que pena, viu…
Ela voltou pra segurança da moça,
longe da armadilha disfarçada.
A vingança sempre foi doce,
mas essa…
essa ficou amarga.
E agora? Quem limpa essa bagunça?










