Dois anos desde o fim e um ano inteiro sem uma palavra, sem um “como você está”, sem qualquer vestígio nosso atravessando o tempo, e ainda assim isso tudo só deve ser mais uma segunda-feira comum pra você, dessas que passam sem deixar rastro, enquanto pra mim a data pesa de um jeito silencioso, não como dor aberta, mas como algo que fica ali, ocupando espaço. Não é que eu precise de você, não é carência nem falta no sentido óbvio, eu sigo vivendo, respirando, existindo sem a sua presença, mas ainda lembro, ainda sinto alguma coisa que não sei nomear direito, não é amor como antes, não é saudade constante, talvez seja só a memória do que fomos ou de quem eu fui ao seu lado. É estranho como certas pessoas viram hábito interno, mesmo quando já não fazem mais parte da rotina, e às vezes esse sentimento aparece sem avisar, discreto, quase educado, só pra me lembrar que nem tudo some por completo. Pra você, o dia segue normal, os compromissos, a vida andando, e eu não te culpo por isso, mas aqui dentro ainda existe esse resíduo emocional que não dói o suficiente pra sangrar, nem some o bastante pra ser esquecido, apenas fica, quieto, como uma pergunta que não exige resposta, mas insiste em existir.
- Nexa














