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Xuebing Du
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@ecosdoinfinito
Repeat <3
I tried to be better, I tried But I feel too young to hold on And I'm much too old to break free and run
lonely is the muse
Quanto mais chove dentro de mim, mais chego à conclusão de que, aos poucos, as coisas vão fazendo sentido e tomando seu próprio rumo. Não importa o quanto você tente ou queira que algumas coisas sejam diferentes; elas serão como o vento, seguirão seu curso. E, se você segue só, confusa, até melancólica, leva mais tempo para, de forma dura, quase azeda, aceitar — ou, ao menos, aprender a lidar e seguir em frente. Porque permanecer no mesmo lugar, na mesma estação, é solitário. Principalmente para a musa. Aos poucos, você continua florescendo, apesar das raízes partidas. Mesmo com os pés no chão, todas as noites as nuvens voltam. Você já não pensa tanto quanto pensava, mas ainda não consegue apagar completamente. Existir é pagar o preço. Amar é o que resta.
— K.
A primeira coisa que eu te perguntei depois de dias foi se você estava bem, e você respondeu apenas com um "sim". Ao mesmo tempo, você nunca devolveu a pergunta, como se não se importasse o suficiente com a resposta para sequer cogitar perguntar como eu estava. A verdade é que eu parei de tentar ressuscitar algo que, aparentemente, já estava morto. Ainda assim, existia uma fagulha de esperança em mim, que por um tempo lutou contra uma corrente forte e um mar tempestuoso. Esperança essa que, como uma vela, foi atingida pelas gotas de chuva numa tarde nebulosa. Você me condenou por ter pulado do barco, quando, na primeira inundação, tive que remar sozinha. Como se eu fosse um bobo da corte, tendo que distrair o seu rei, oferecendo doses e doses de euforia momentânea enquanto, aos poucos, ele ia ficando cada vez mais entediado, até se livrar covardemente das minhas piadas e cenas teatrais, sem nunca realmente encerrar o espetáculo. Você me odiou por não ficar? Eu odeio ter me dedicado tanto a uma relação, a ponto de aceitar restos e achar que eram um banquete. Odeio o fato de ter parecido fácil para você ir e voltar quando quisesse. Odeio ter vivenciado um blackout, permanecendo na mesma posição por horas, dias e semanas, sem saber para onde eu deveria ir, enquanto me perguntava onde você estava. Odeio ser mantida como um trunfo, e não escolhida como alguém para dividir a vida inteira. Odeio me sentir solitária onde eu deveria me sentir parte. Odeio tentar imaginar o futuro com alguém de quem nem sei se estará presente. Odeio parecer a pessoa mais especial do mundo em um dia e, no outro, o seu maior pesadelo. Odeio ser empática o tempo todo e tentar te entender, enquanto você não pensava duas vezes antes de dizer que eu era vazia e difícil de lidar. Odeio sentir que, comparada aos fantasmas do passado, eu nunca pareci tão absurdamente relevante quanto eles. Odeio nunca ter sabido, de verdade, em qual quadrado eu podia pisar. Você me odiou por partir? Eu te julguei por nem tentar.
Também não se deve esquecer que, embora seja fácil distinguir entre o que é dito em tom de brincadeira e o que é dito em tom de seriedade, quando se trata de pessoas que significam tanto para nós que nossas vidas dependem delas, isso deixa de ser tão fácil assim, afinal, o risco é tão grande que transforma nossos olhos em microscópios, e uma vez equipados com eles, é impossível distinguir qualquer coisa.
— Franz Kafka, Cartas a Milena
Parece tão difícil explicar para algumas pessoas ao redor coisas que, para elas, talvez pareçam pequenas, mas que, para mim, são essenciais como ser humano. Como eu expresso o quanto isso é indescritivelmente incrível para mim, em uma linguagem que você não apenas entenda, mas também sinta? Ou que, pelo menos, te faça tentar sentir e mergulhar nesse mundo desconhecido? Um mundo que me faz sentir alucinada sem precisar de absolutamente mais nada. É assim que a música se manifesta em mim. Eu adoro essa sensação de estar completamente imersa em um mundo que é só meu. Um lugar onde apenas eu consigo compreender perfeitamente cada pequeno quadrado da minha mente. E, ainda assim, por mais prazeroso que seja compartilhar essa experiência com alguém, nunca será o suficiente. Mas de um jeito bom. Porque é ali que eu e a minha versão mais interior nos encontramos da forma mais vulnerável possível. Independentemente das memórias, das lembranças ou de qualquer outra coisa que atravesse minha mente naquele instante, é mais do que um sentimento. É uma elevação emocional. Um tipo de cura, mesmo que dure apenas alguns minutos, horas ou dias, enquanto aquelas músicas permanecem ecoando na minha cabeça. O único lado ruim é não poder ouvir para sempre. Mas, enquanto eu estiver por aqui, vou continuar mergulhando nesse mundinho particular. Às vezes reconfortante. Às vezes completamente triste, melancólico, feliz ou eufórico. Um lugar onde todas essas emoções coexistem e onde a música me permite senti-las com uma intensidade que poucas coisas conseguem provocar. Já faz um tempo que não escrevo — ou, pelo menos, não tanto quanto antes. Acho que sei o motivo. Mas senti que esse assunto era importante demais para deixar passar.
Me deixe sentir algo, qualquer coisa. Porque quando tento pensar em outra coisa, não consigo pensar em nada. Quando vejo casais felizes, só de me imaginar em outros braços faz meu estômago embrulhar. Então me deixe sentir algo. Eu nem consigo respirar. Arranque esse sentimento de mim. Já é doloroso o suficiente me culpar.
Difícil admitir pra si mesmo que às vezes não era amor… só duas pessoas quebradas se reconhecendo na mesma dor.
Quem vai costurar minhas feridas? Tudo que eu quis dizer não teve um fim ou despedida. Quem vai me dizer o que é certo? Enquanto eu pacientemente esperava e você me deixava à margem, mas ainda perto. Quando enfim tudo irá passar? Flashes de um filme de terror: “Você é difícil de amar.” Quando vai parar de fingir? As palavras giravam em círculos, e você tentando entender por que parti.
Olhando para o céu Sinto meu coração murchar. Lágrimas são as pétalas, de uma outrora bela e radiante flor. Doce e vibrante, nós costumávamos regá-la todos os dias, até que não mais. O aroma se dissipou, só os espinhos restaram. E com eles nos espetamos. Usamos os cordões, nos colocamos em um sono profundo. Eu lamento mais por aquela flor do que por qualquer coisa no mundo.
Le Fabuleux Destin d'Amélie Poulain 2001 | Jean-Pierre Jeunet
BEFORE SUNRISE (1995) dir. Richard Linklater
16 de junho ♡
eu não sei se ainda tenho mais no que acreditar eu sinto estar só assistindo a vida passar