Às vezes as palavras resurgem, com um ímpeto desejo de recuperarem seu lugar, que lhe era por direito. Tudo começou semana passada, quando eu pedi um homem em casamento – não com estas palavras, claro. Tudo que saiu da minha boca em um suspiro desesperado, para que enfim eu pudesse respirar, foi: “Você acha que é fácil para mim vir aqui, renegar todas as minhas convicções e dizer para largar tudo e ficar comigo?”.
A tomada de decisão veio depois de semanas que se seguiram após nosso término. Como a boa estrategista que eu sou, eu simplesmente quis estar com ele – mas sabia que eu precisava ser mais. Não sei se é coisa de mulher isso, de toda mulher, entende? Mas eu quis ser a única em sua vida. O centro de seu universo, acima de Deus ou o Diabo.
Lewis diz que é o único lugar onde podemos estar a salvo do Amor. Mas eu não quero estar a salvo do Amor. Apenas me pergunto se eu ainda sou capaz de sentir algo como isso e também me pergunto se alguém é capaz de me amar pelo que eu sou. Eu poderia deixar que a insegurança que ele me deu me consumir, como antes eu deixei. Outros me levaram a crer que eu não valia a pena. Minha beleza não era o suficiente para gerar amor e essa fragilidade que me atinge é difícil de administrar, de tempos em tempos.
Muitas vezes podemos discutir como a mulher se torna um objeto sexual para a sociedade – mas e quando ela mesma se transforma nisso? O que é pior? Ou melhor, o que é é isso? Méritos talvez não caibam mais nestes julgamentos. A beleza que nós visamos hoje parece nos atacar onde ninguém mais vê, mas não é por isso que ele não me quer. É algo a mais, está no campo imaginário em que há muito eu não adentro.
Eu parei de escrever por me sentir exposta e por ataques de uma certa louca. Mas também porque eu precisava me curar. Curar do quê? Coisas frágeis, como esse título mesmo aponta.
Quando você toma gosto pela escrita, acaba se desenvolvendo certa articulação que pode ser aflorada de várias maneiras. Depende da sua sensibilidade. A minha foi em observar e entender o comportamento, para transpô-lo em minhas personagens. Com o tempo, foi apenas isso. Jogos e mais jogos, onde personagens eram dilacerados por amores e sentimentos que eles não compreendiam e não tinham a capacidade de.
Um período violento se instalou em minha cabeça, tentando de todas as maneiras decifrar o estupro de meus neurônios.
Naturalmente, durante esses anos eu tenho mais vivido do que colocado em palavras minhas aventuras. Talvez esteja na hora de retomar o rastro de quem eu era.