Um dia você volta atrás. Ele te convence. Chora. Te pega de jeito. E você lembra que ninguém beija como ele, ninguém abraça como ele, ninguém olha como ele, ninguém ri como ele, ninguém te enlouquece como ele.
Clarissa Corrêa.

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Um dia você volta atrás. Ele te convence. Chora. Te pega de jeito. E você lembra que ninguém beija como ele, ninguém abraça como ele, ninguém olha como ele, ninguém ri como ele, ninguém te enlouquece como ele.
Clarissa Corrêa.
Eu posso ser muita coisa, mas eu nunca vou ser a pessoa que pisa, que maltrata, que humilha, que faz sofrer. Isso não é vantagem. É doença.
Autor Desconhecido.
Não sei se ainda consigo fingir que isso não está me machucando. Ei, eu não sou tão fabulosa assim. Sofro meio calada no meu canto, não quero incomodar com o barulho do meu discreto soluço. Mas a verdade é que ando me sentindo sem valor. Parece que o mundo inteiro é mais legal, inteligente, sarado e bonito. E eu aqui, decadente, com o esmalte rosa pink descascado, um jazz contemporâneo invadindo a sala, o parmesão mofado na geladeira e um vinho que estava em promoção na taça rachada e suja de batom da Mac paraguaia. Eu e uma solidão assustadora. Eu e pensamentos estranhíssimos. Mas sou estranhíssima, vivo em um mundo estranhíssimo e gente assim tem vida estranhíssima, logo, pensamentos estranhíssimos. Então está tudo bem. Será que está mesmo? Será que estamos bem? Será que sobreviveremos? Será que sobreviverei? Não sei e nunca saberemos. Mas tento viver e renascer todos os dias. Pelo menos tenho consciência que não estou apenas sobrevivendo. O sobreviver aos dias é que deve ser amargo e quase deprimente. Sobreviver dói demais, pois o peso da vida é todo colocado em cima dos ombros. Viver e renascer, essa é a grande mágica, essa é a grande lógica, essa é a grande questão.
Clarissa Corrêa.
Preciso colocar algumas coisas para fora, está acumulado aqui dentro. Preciso esvaziar.
Aléxia Tiffany.
Encontram-se na área de serviço. Cada um com seu pacote de lixo. É a primeira vez que se falam. - Bom dia… - Bom dia. - A senhora é do 610. - E o senhor do 612 - É. - Eu ainda não lhe conhecia pessoalmente… - Pois é… - Desculpe a minha indiscrição, mas tenho visto o seu lixo… - O meu quê? - O seu lixo. - Ah… - Reparei que nunca é muito. Sua família deve ser pequena… - Na verdade sou só eu. - Mmmm. Notei também que o senhor usa muito comida em lata. - É que eu tenho que fazer minha própria comida. E como não sei cozinhar… - Entendo. - A senhora também… - Me chame de você. - Você também perdoe a minha indiscrição, mas tenho visto alguns restos de comida em seu lixo. Champignons, coisas assim… - É que eu gosto muito de cozinhar. Fazer pratos diferentes. Mas, como moro sozinha, às vezes sobra… - A senhora… Você não tem família? - Tenho, mas não aqui. - No Espírito Santo. - Como é que você sabe? - Vejo uns envelopes no seu lixo. Do Espírito Santo. - É. Mamãe escreve todas as semanas. - Ela é professora? - Isso é incrível! Como foi que você adivinhou? - Pela letra no envelope. Achei que era letra de professora. - O senhor não recebe muitas cartas. A julgar pelo seu lixo. - Pois é… - No outro dia tinha um envelope de telegrama amassado. - É. - Más notícias? - Meu pai. Morreu. - Sinto muito. - Ele já estava bem velhinho. Lá no Sul. Há tempos não nos víamos. - Foi por isso que você recomeçou a fumar? - Como é que você sabe? - De um dia para o outro começaram a aparecer carteiras de cigarro amassadas no seu lixo. - É verdade. Mas consegui parar outra vez. - Eu, graças a Deus, nunca fumei. - Eu sei. Mas tenho visto uns vidrinhos de comprimido no seu lixo… - Tranqüilizantes. Foi uma fase. Já passou. - Você brigou com o namorado, certo? - Isso você também descobriu no lixo? - Primeiro o buquê de flores, com o cartãozinho, jogado fora. Depois, muito lenço de papel. - É, chorei bastante, mas já passou. - Mas hoje ainda tem uns lencinhos… - É que eu estou com um pouco de coriza. - Ah. - Vejo muita revista de palavras cruzadas no seu lixo. - É. Sim. Bem. Eu fico muito em casa. Não saio muito. Sabe como é. - Namorada? - Não. - Mas há uns dias tinha uma fotografia de mulher no seu lixo. Até bonitinha. - Eu estava limpando umas gavetas. Coisa antiga. - Você não rasgou a fotografia. Isso significa que, no fundo, você quer que ela volte. - Você já está analisando o meu lixo! - Não posso negar que o seu lixo me interessou. - Engraçado. Quando examinei o seu lixo, decidi que gostaria de conhecê-la. Acho que foi a poesia. - Não! Você viu meus poemas? - Vi e gostei muito. - Mas são muito ruins! - Se você achasse eles ruins mesmo, teria rasgado. Eles só estavam dobrados. - Se eu soubesse que você ia ler… - Só não fiquei com eles porque, afinal, estaria roubando. Se bem que, não sei: o lixo da pessoa ainda é propriedade dela? - Acho que não. Lixo é domínio público. - Você tem razão. Através do lixo, o particular se torna público. O que sobra da nossa vida privada se integra com a sobra dos outros. O lixo é comunitário. É a nossa parte mais social. Será isso? - Bom, aí você já está indo fundo demais no lixo. Acho que… - Ontem, no seu lixo… - O quê? - Me enganei, ou eram cascas de camarão? - Acertou. Comprei uns camarões graúdos e descasquei. - Eu adoro camarão. - Descasquei, mas ainda não comi. Quem sabe a gente pode… - Jantar juntos? - É. - Não quero dar trabalho. - Trabalho nenhum. - Vai sujar a sua cozinha? - Nada. Num instante se limpa tudo e põe os restos fora. - No seu lixo ou no meu?
O Lixo, Luis Fernando Veríssimo.
Fazer amigos não é difícil. Perde-los será.
Nikita.
Faz parte da natureza de um animal ferido atacar até mesmo uma mão amiga.
Amante Renascido.
Sou forte demais para me entregar e fraca demais para suportar alguns fardos sem derramar um punhado de lágrimas.
Clarissa Corrêa.
Eu sou aquela parede que sofreu dilatação. Com o calor do amor, expandi. E depois o que sobrou foi apenas rachaduras.
Aléxia Tiffany.
Desconfie do silêncio. É nele que se esconde os monstros.
A Garota Lennon.
Dentro de mim você só irá encontrar confusão.
Aléxia Tiffany.
Eu tenho que respirar profundamente para me certificar que continuarei vivo. Meu coração bate tão rápido que penso que terei um infarto. E ele dói tanto, que acho que realmente vou morrer de infarto. Busquei fazer algo para esquecer e quem sabe aliviar esta dor. De nada adiantou. Quando mais o tempo passava, mais eu a lembrada. Aonde eu olhava, em qualquer lugar, em qualquer hora. Já que eu ia morrer mesmo de amor, entrei naquele famoso bar. Pedi uma cerveja e comecei a desabafar com garçom. Desabafar é bom, mas não muda a minha situação. Ah, enche de novo o meu copo! Talvez ficando bêbado, eu esqueça durante algum breve momento.
O bar do suicídio - Mesa 9.
Eu só queria uma trepada, uma transa, sexo caramba!! Mas ele veio com um jantar e flores. O filho da mãe ainda era educado! Acredita que abriu a porta do carro? Uma mulher não podia ter uma noite apenas de prazer sem ter o risco de se apaixonar? Ele fez tudo errado! Tudo! Já que estávamos no restaurante, ele podia ser mal-educado, não? Claro que não! Ele foi gentil e atencioso. Garçom, ele fez com que eu me apaixonasse! No fim da noite? A gente transou, mas naquele momento para mim já era “fazer amor”. No dia seguinte, ele caiu fora. Eu nem vi o filho da mãe. Por que ele não falou desde do início que queria uma foda? Que merda! E agora? O que faço com o coração partido? Em vez de ser um lance de uma noite, ele me marcou pra vida inteira. Garçom, desce uma cerveja, estou precisando ficar bêbada.
O bar do suicídio - Mesa 25.
Seus olhos é um mar de caos.
Os olhos contam a verdade, revelam os verdadeiros sentimentos. Os olhos não foram feitos apenas para enxergar, mas também para refletir o que há dentro de você. Sua boca diz “tudo bem”, seus olhos dizem ao contrário.
Eu me enrolei nas palavras. falei sem pensar não falei devagar deixei escapar palavras que nunca deveria ser ditas. Ele foi embora, eu não pude me explicar eu não consegui fazê-lo ficar. A culpa é minha, mas dele também. Eu não queria que ele fosse, eu queria que ele voltasse queria que me procurasse queria que visse que eu errei e que estou arrependida por falar palavras mal ditas. Na verdade, eu não sei o que esperava ou espero dele. Eu só queria que ele não fosse embora. Eu queria me explicar. Mas eu nunca fui boa com as palavras mesmo tendo tantas para poder usar. Agora, eu fico neste bar bebendo, até não conseguir levantar. Preciso de mais uma dose! Se isso vai me ajudar? No mínimo acabará com o meu fígado, e de certo modo me confortará durante alguns breves momentos. O que eu não posso agora é ficar sóbria. Eu não sei o que esperava deste relacionamento, Mas criei planos, construir um futuro. Eu não sabia o que eu esperava… E nesse momento, durante este pensando O meu coração diz: eu só queria que desse certo.
O bar do suicido - Mesa 45.
Sabe o que aconteceu? Eu cansei. Foi isso o que aconteceu… eu apenas cansei.
Laísa Cardoso.
Ô minha filha, as suas dores não são as maiores do mundo e nem vão ser. Sacode a poeira. Toma um banho de rio. Abre essas asas. Grita alto, chora baixo. Pula alto e cai de cara. Desenha toda a beleza do mundo. Compra uma caixa de lápis de cor e sai aí colorindo a vida.
Tati Bernardi.