As apps: um novo conceito de rádio
Amamos a rádio porque reconhecemos a sua riqueza e somos fascinados pelo conteúdo extraordinário que nos é transmitido através da oralidade. Mas este meio, conhecido por nos proporcionar momentos imediatos e irrepetíveis, pode e está a redefinir-se (Cordeiro, 2004).
Deparamo-nos com diversas alterações potenciadas pelo crescimento das tecnologias e consequente facilidade de acesso à Internet, o que resulta num desafio para a rádio que pretende manter e ampliar a relação de proximidade com os seus ouvintes, adaptando-se a um novo contexto de consumo mediático (Paulo, 2013).
Assim, passou a ser possível ouvir rádio, não apenas de forma dita tradicional, mas também a partir de plataformas online que rapidamente se tornaram em aplicações móveis (apps), disponíveis em qualquer smartphone.
Mas de que forma é que as aplicações móveis contribuíram para a alteração do conceito de rádio? Serão os smartphones uma ameaça à rádio dita tradicional?
Vivemos cada vez mais numa sociedade em que o futuro é o presente e o consumidor quer encontrar os conteúdos que mais lhe interessam de uma forma que lhe seja conveniente. Se nos quisermos dirigir a um público digital, é essencial recorrer a uma aplicação móvel para distribuir o nosso conteúdo. No entanto, continua a existir uma elevada audiência que ouve rádio no automóvel e aí precisamos de nos concentrar na distribuição de conteúdos áudio mais tradicionais. Ou seja, se a rádio oferecer conteúdos de interesse para os seus públicos, garante a fidelidade do ouvinte, porque são as personalidades da rádio que fazem dela única, esteja em fm, numa app ou acessível através de redes sociais online (Cordeiro, 2016).
Devido ao número de coisas que conseguimos fazer com um smartphone, é possível que, de certo modo, possa constituir algum constrangimento, e não propriamente uma ameaça. No entanto, a rádio soube bem contornar a situação, tornando-se ela própria quase nativa nas plataformas digitais, integrando-se nesse mesmo contexto.
No texto Keep it simple. Ou como o essencial é importante é referido que, apesar de existir alguma preocupação por parte dos radialistas no que se refere às plataformas digitais, relembram que a rádio é, acima de tudo, bom conteúdo e música que fica no ouvido. “Depois? Depois vem o resto. (…) Acima de tudo não nos podemos esquecer que a rádio tem de ser simples.”
A principal razão que leva as pessoas a utilizarem apps é, precisamente, pela utilidade e por permitir criar a sua identidade digital. Cada vez mais, o consumidor gosta de um serviço personalizado, que puxe pelas emoções e aproxime, criando memórias.
Assim, concluo que rádio não está ameaçada pelas apps nem pelos smartphones, e quem o pode provar é a Mariana*, o Sr. João* e cada um de nós que não deixa de a ouvir. Felizmente, tem conseguido adaptar-se aos tempos, criando novos conteúdos, novas plataformas de distribuição e novas formas de chegar aos ouvintes.
E sejamos sinceros, uma app torna-nos a vida mais simples e permite-nos ouvir a nossa querida rádio “em casa, no carro e em todo o lado.”
Ensaio elaborado no âmbito da cadeira de Rádio e Multimédia, do 3º ano da licenciatura em Ciências da Comunicação, no ISCSP-ULisboa
Referências Bibliográficas:
Cordeiro, P. (2016). Impressão Digital. Lisboa: Chiado Editora
Cordeiro, P. (2004). Rádio e Internet: novas perspetivas para um velho meio. Biblioteca Online de Ciências da Comunicação.
Paulo, N. A. L. (2013). Convergência multimédia e os conteúdos móveis da rádio
Imagem de elaboração própria em canva.com
*referência a dois textos presentes nas páginas 44 a 47, do livro Cordeiro, P. (2016). Impressão Digital. Lisboa: Chiado Editora