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@continuidadeabsoluta
A vida seria muito mais fácil se viesse com aviso do que é perca de tempo. Seja pessoas, lugares ou mudanças.
Alma de Júpiter.
Valeu se despir de novo pra se sentir amada novamente?
Prosa filosófica
O amor é uma das experiências mais estranhas da condição humana. Passamos a vida inteira tentando defini-lo e, ao mesmo tempo, sabemos que qualquer definição será insuficiente.
Quando somos jovens, acreditamos que amar é desejar. Depois descobrimos que desejar não basta. Mais tarde pensamos que amar é compreender, mas percebemos que a compreensão também possui limites. Então chegamos a uma conclusão desconfortável: o amor não cabe em uma única palavra.
Ele é desejo e cuidado. É sonho e realidade. É presença e ausência.
Talvez por isso datas como o Dia dos Namorados provoquem sentimentos tão diversos. Elas não celebram apenas relacionamentos. Celebram tudo aquilo que perdemos, tudo aquilo que encontramos e tudo aquilo que ainda esperamos encontrar.
O amor não é uma resposta. É uma pergunta que acompanha a humanidade desde o início dos tempos. E cada pessoa responde a essa pergunta vivendo.
-ContinuidadeAbsoluta
Texto reflexivo
Existe uma diferença entre sentir falta de alguém e sentir falta de uma época da própria alma. Muitas vezes acreditamos que estamos com saudade de pessoas, quando na verdade estamos com saudade da maneira como sentíamos o mundo.
O Dia dos Namorados me faz lembrar disso. Não porque eu queira voltar ao passado, mas porque reconheço que fui transformado por ele. O amor de hoje não possui a mesma intensidade impulsiva de antes, mas possui uma serenidade que só o tempo é capaz de ensinar.
Talvez amadurecer seja exatamente isso: trocar algumas ilusões por algumas verdades e descobrir que, apesar da troca, o amor continua valendo a pena.
-ContinuidadeAbsoluta
Nostalgia de Junho
Hoje as ruas vestem corações,
as vitrines prometem eternidades,
e eu caminho entre memórias
que nem sei ao certo se existiram.
Lembro dos amores que tive,
mas não dos dias que celebramos.
Talvez porque o amor verdadeiro
more mais nos intervalos
do que nas datas marcadas.
Já conheci o fogo da paixão,
esse incêndio bonito e perigoso
que transforma promessas em universos
e olhares em constelações.
Hoje não ardo da mesma forma.
Hoje amo como quem acende uma luz
para alguém voltar para casa.
É menos tempestade,
mais abrigo.
Menos vertigem,
mais presença.
E mesmo assim, quando junho chega,
uma saudade sem nome me visita.
Não da pessoa que fui.
Não das pessoas que amei.
Mas daquela inocência antiga
que acreditava que o amor
#amor
era apenas o começo.
Hoje sei!
o amor também é permanência,
também é silêncio,
também é cuidado.
E talvez seja por isso
que continuo acreditando nele.
- Continuidade Absoluta
O Dia dos Namorados sempre me provoca uma reflexão curiosa. Sei que sua origem, da forma como o celebramos hoje, está ligada ao comércio, às campanhas publicitárias e aos costumes culturais que foram sendo construídos ao longo do tempo. Ainda assim, não consigo enxergá-lo apenas como uma data comercial. Vejo nele uma oportunidade coletiva de lembrar que o amor existe, mesmo em suas formas mais contraditórias.
Ao longo da vida, vivi vários relacionamentos. Alguns intensos, outros breves, alguns felizes e outros marcados por dificuldades. Curiosamente, embora eu saiba que já passei diversos Dias dos Namorados acompanhado, não consigo guardar uma lembrança específica dessas datas. Talvez porque, muitas vezes, as circunstâncias fossem mais importantes que a própria comemoração. Trabalho, preocupações financeiras, cansaço e responsabilidades acabavam ocupando o espaço que normalmente é reservado aos gestos românticos.
Durante três anos vivi essa data sozinho. E hoje, mesmo estando em um relacionamento, percebo em mim uma nostalgia difícil de explicar. Não é tristeza. Não é falta de amor. É uma melancolia suave, como quem observa fotografias antigas e percebe que o tempo transformou não apenas os acontecimentos, mas também a forma de sentir.
Hoje compreendo o amor de maneira diferente. Já não o vejo apenas como aquela paixão arrebatadora que consome pensamentos e cria fantasias. Continuo acreditando no amor, talvez mais do que antes, mas acredito nele como algo complexo. O amor pode ser cuidado, parceria, respeito, presença e compromisso. Pode ser imperfeito. Pode conter dúvidas, desencontros e até contradições. Ainda assim, continua sendo amor.
Talvez seja justamente isso que torna essa data tão significativa para mim. Ela me lembra que amar não é apenas viver grandes emoções. Amar também é permanecer. É tentar compreender. É escolher construir algo mesmo quando a intensidade dá lugar à profundidade. E, no fim das contas, talvez a maturidade do amor não seja menos bonita que a paixão. Apenas possui um brilho diferente.
Eu queria dizer, muita, muita coisa. Mas eu não consigo, porque eu sei que simplesmente não vale a pena. Cada um tem sua própria percepção sobre as coisas, e enfim. Quem sou eu, pra dizer algo.
porque amor bonito é amor recíproco, o resto é gritaria desnecessária
Percebo que não estou mais tentando convencer ninguém de nada. Nem de que eu sinto, nem de que me importo, nem de que sou boa. Quem me vê, vê. Quem não vê, nunca viu de verdade.
Escriturias