World of Tomorrow (2015) dir. Don Hertzfeldt
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World of Tomorrow (2015) dir. Don Hertzfeldt
Janela
Fico aqui te olhando pela janela Você costumava subir segurando a minha mão Eu pensei que, talvez, já estivéssemos no mesmo degrau Mas Você ficou para trás
Fico aqui te olhando pela janela E mesmo subindo em passos lentos, pedindo calma, eu gostaria de ser acompanhada Eu pensei que a porta não estaria tão longe Mas Estava
Fico aqui te olhando pela janela E me pergunto o que te fez parar Isso não me entristece É que eu pensei que mesmo longe, a droga da porta estaria aberta Mas, por algum motivo, talvez Pra você ela deveria estar escancarada Assim passaríamos em par De uma só vez Ela estava Só Entreaberta
Eu vi o copo meio cheio Talvez você viu o copo meio vazio
Fico aqui te olhando pela janela Pensando no dia em que soltou a minha mão Desceu degrau por degrau E agora me olha do outro lado da rua Eu aceno todos os dias Você me cumprimenta com o olhar Mas da minha boca não sai mais nada
E fiquei ali te olhando Pela janela
guess who's back with a heart bronken again
I’m running with the wolves tonight
Especial de aniversário 2020
Por Vinícius André
- Olha... - começou o Doutor. Mas logo foi interrompido por Lary. - Você não tinha o direito! - disse Lary com os olhos cheios de lágrima - você só tinha uma coisa pra fazer, uma única, e você falhou... - Lary virou seu rosto e começou a andar na direção oposta. O Doutor olhou para Lary, caminhando já distante. Pensou em dizer alguma coisa, mas sabia que não tinha esse direito. Ele a magoara.
Cinco dias antes.
- Porque é que a gente tem sempre que se meter em lugares nos quais temos que correr o tempo todo? - perguntou Lary ofegante, respirando o quanto podia e quando corria ao lado do Doutor. - Será que em todo esse universo - ela continuou - você não pode nos levar para uma local de paz, tranquilidade e no qual VOCÊ NÃO ARRUME UM PROBLEMA PRA RESOLVER? Lary continuou correndo e desviando de tiros de lasers que vinham em suas direções. - Eu já te disse que eu não tenho culpa! - explicou o Doutor também ofegante com a corrida. - Tá, tudo bem - pensou um pouco melhor - talvez eu tenha um pouco sim. Mas você sabe que é a TARDIS que sempre nos coloca onde precisamos estar. Falando nela.. - o Doutor desviou de um laser por pouco. - Eu tenho que começar a estacionar ela mais perto! - e continuou a correr. Lary e o Doutor haviam chego em um planeta no quarto sistema de Ômega, o qual o Doutor precisava buscar uma certa encomenda. Porém, não queria deixar de convidar Lary para o acompanhar. Lary aceitou pois queria relaxar um pouco a cabeça. Enquanto corriam e tentavam se manter vivos, iam discutindo sobre o passeio. - Talvez... - disse Lary com uma certa firmeza na voz - Talvez essa seja a última vez que eu aceito "passear" com você. O Doutor ficou um pouco ofendido com esse comentário. Mas esse sentimento passou no momento seguinte. Felizmente avistaram a TARDIS. - Corre pra TARDIS! Depois discutimos sobre isso. - disse o Doutor. - Ainda bem que você falou, senão eu ficaria aqui parada esperando morrer. - disse Lary em tom de sarcasmo. Os dois correram em direção a grande caixa azul. O Doutor estalou os dedos e as portas da TARDIS se abriram. Os dois atravessaram o portal, e por pouco não foram acertados por um laser. A porta se fechou. O Doutor caminhou ofegante até o console, e puxou a costumeira alavanca que fazia a TARDIS decolar. A nave decolou. - Essa foi quase - disse o Doutor sorrindo para Lary. - Mais um pouquinho e ZAP! Era uma vez nós dois. - É, pois é - disse Lary se recuperando da corrida. - Da próxima vez que formos buscar uma certa "encomenda", me avisa antes que os habitantes do planeta não gostam de amarelo! - Um mero detalhe que pode ser esquecido por qualquer um - satirizou o Doutor. - É que amarelo fica tão bem em você. - O Doutor deu uma piscadela para Lary . - Eu acho que poderia começar a usar amarelo mais vezes também. - Lary deu um sorriso alegre. - Vai, me diz, o que tem dentro dessa caixa? - perguntou Lary curiosa. A caixa lembrava uma espécie de cubo exagonal, colorido e iluminado. - Te redondo em um minuto. - continuou o Doutor enquanto fazia inúmeros movimentos com a mão nas superfícies do cubo. Lary observava atenta as mãos do Doutor trabalhando numa velocidade indescritível. Então, o cubo fez um estalo, e começou a brilhar mais intensamente. De dentro, algo que lembrava uma bola de gude reluzente saiu. O Doutor encarou a bolinha por alguns segundos, cheirou e então pôs em sua boca, e mastigou. Lary olhou incrédula. - Mas o que... - Lary iniciou, mas não conseguiu concluir dada sua incredulidade. - Hmmmm - gemeu o Doutor. - Esse sabor é fantástico! Valeu muito a pena! - continuou o Doutor em tom de êxtase. - Sinto muito Lary não poder dividir. Seu corpo humano poderia não aguentar e explodir em radiação. Os humanos são bem... Sensíveis, não são? - A gente quase morreu - começou Lary - por conta de um - ela deu uma pausa. - DOCE?! - disse em voz alta e descontrolada. - Não apenas um doce. Não, não. - disse o Doutor. - "O" doce! - explicou. Lary sentiu-se incomodada com a situação. Porém, lembrou-se que algo especial aconteceria em poucos dias, então deixou todo seu sentimento negativo de lado. - Ei, Doutor - começou Lary enquanto observava ele mexendo no console da TARDIS, calculando coordenadas para a próxima parada - daqui a alguns dias é meu aniversário, e eu estou pensando em fazer algo - continuo, excitada. - e você poderia aparecer, não é? Meus amigos iriam adorar te conhecer. A feição do Doutor mudou drasticamente. - Eu não sei... Não gosto muito de suas comemorações. São sempre muito cheias de músicas altas, bolos e balões - o doutor franziu o cenho - eu detesto balões. Sempre muito coloridos e inflados. - Deixa disso! - disse Lary com firmeza - Quase morremos agora pouco por causa desse seu doce! Você me deve. O Doutor encarou Lary por alguns segundos, levantou o dedo. No segundo seguinte a TARDIS pousou. - Sem balões?! - perguntou o Doutor. Lary revirou os olhos, mas com um sorriso aconchegante. - Sem balões - respondeu. - Tudo bem. Eu venho! - disse o Doutor. Em seguida a porta se abriu. - Chegamos. Você precisa descansar, então. Eu estarei aqui. Qual será o dia mesmo? - Dia 18. - disse Lary muito animada. - Vai ser bem legal, eu prometo! - começou a caminhar para fora da TARDIS. Ela olhou pra trás uma última vez, e viu que o Doutor estava olhando para ela com um dedo levantado. Ela sorriu e confirmou com a cabeça. O Doutor sorriu de volta. - Até logo então. - disse o Doutor. Lary seguiu em direção sua casa. A porta da TARDIS fechou, e ela decolou levando o Doutor para os confins do universo.
Cinco dias depois.
A TARDIS pousou no jardim da casa de Lary na cidade de Stopingo. O Doutor saiu da TARDIS, e caminhou até a porta da casa de Lary. Bateu na porta. Esperou um pouco e ninguém o atendeu. Bateu uma vez, e uma Lary muito deprimida o atendeu. - O que você está fazendo aqui? - perguntou Lary com uma voz baixa. - Vim para sua festa de aniversário, a qual você me convidou. - e foi entrando. - Cadê todo mundo? - perguntou confuso. - Será que cheguei muito cedo? Ele virou para Lary, que olhava pra ele com uma feição muito triste. - O que foi, Lary? - perguntou o Doctor. Lary engoliu em seco. Demorou um pouco pra responder. - Você sabe que dia é hoje? - perguntou contendo um choro. - Sei. - respondeu o Doutor. - Dia 21. O dia do seu aniversário! - e caminhou para ela para abraça-la. Lary desviou. - Meu aniversário foi há três dias atrás! TRÊS! - Lary começou de uma forma muito irritada. - e agora você aparece aqui, todo felizinho, achando que está tudo certo? O Doutor olhava perplexo pra ela. Não estava entendendo. - Sinto muito, Lary. - iniciou o Doutor - Você sabe como o tempo pode ser complicado as vezes. 18, 17, 22, 16, 21... As vezes podem ser o mesmo dia para mim... - o Doutor parou quando notou a feição de Lary mudando para pior. - Mas pra mim não são! - disse Lary muito alto dessa vez. - Olha... - começou o Doutor. Mas logo foi interrompido por Lary. - Você não tinha o direito! - disse Lary com os olhos cheios de lágrima - você só tinha uma coisa pra fazer, uma única, e você falhou... - Lary virou seu rosto e começou a andar na direção oposta. O Doutor olhou para Lary, caminhando já distante. Pensou em dizer alguma coisa, mas sabia que não tinha esse direito. Ele a magoara. O Doutor então resolveu deixá-la sozinha. Saiu da casa, fechou a porta e caminhou em direção a TARDIS. Abriu a porta e entrou. Ficou sentado lá dentro, esperando o tempo passar, sem sequer focar no console. Estava pensando e aguardando sozinho. De repente, voltou a si mesmo ouvindo o barulho de alguém batendo na porta da TARDIS. Caminhou até a porta. Quando abriu, viu que era Lary que estava ali. - Olá, posso ajudá-la? - disse o Doutor em tom cômico. - Achei que tivesse ido embora. - Talvez eu tenha ido, talvez não tenha. Eu não sei bem te dizer. - respondeu o Doutor. Olhando para Lary, via que ela estava melhor, com uma feição melhor. - Eu tenho uma coisa pra você. Mas preciso que entre aqui - sugeriu o Doutor. Lary olhou para ele de uma forma receosa, mas entrou. - Vou pedir para fechar os olhos e se segurar. - disse o Doutor enquanto mexia no console da TARDIS. Lary, um pouco receosa por conta da última viagem que havia feito, perguntou: - Não temos mais nenhuma encomenda para buscar, não é? O Doutor não disse nada. O único som que se ouvia agora, era o som da alavanca sendo puxada e da TARDIS decolando. Segundos depois, a TARDIS pousara. O Doutor caminhou até Lary, segurou a mão dela. - Vem comigo. Os dois caminharam para fora da TARDIS. Ao saírem, sentiram uma sensação de frio, pois onde estavam o vento era muito gélido. Caminhavam mais um pouco, Lary ainda de olhos fechados, por um terreno meio arenoso, mas que trazia a sensação de leveza. Caminharam por mais alguma segundos. O vento que entrava pelos narizes de ambos, trazia uma sensação de limpeza. Eles pararam. O Doutor pediu para que Lary abrisse os olhos. Ao olhar ao seu redor, Lary viu que se encontrava numa espécie de deserto, mas que havia vegetação: uma vegetação nunca vista por ela, mas de uma beleza estonteante. Árvores que brilhavam nas pontas pontas de suas folhas; flores que flutuavam e tinham cores fortes e brilhosas. Mas o que mais impressionava, era a visão do céu: uma cascata de estrelas, que brilhavam como se fosse a única coisa que deviam fazer. E enquanto caiam, iam se juntando de uma forma estranha no céu. Era como se estivessem formando palavras. E realmente estavam. No céu, era possível ler uma frase agora. Lary leu as palavras escritas no céu em sua mente, ao mesmo tempo que ouvia a voz baixa e acalentadora do Doutor dizendo "FELIZ ANIVERSÁRIO LARY".
“Chorando, eu refaço as nascentes que você secou.”
— Maria Bethânia
Cosmic Hair
“We grow. It hurts at first.”
— Sylvia Plath, from The Collected Poems; “Witch Burning,” c. October 1961
Vincent Van Gogh - The Drinkers, 1890
“The saddest thing that can happen to a person is to find out their memories are lies.”
— Juan Gabriel Vásquez (via goodreadss)