Bate Coração - Denise Weinberg (Greta, 2019)
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@correaquijoaquim
Bate Coração - Denise Weinberg (Greta, 2019)
Teste de Rorschach
#3
tem um peixe na minha janela.
não encontrei nenhum dicionário em casa pra fazer o exercício de tentar inserir uma palavra desconhecida no texto, mas acho que deve funcionar para palavras aleatórias naqueles sites.
sobre o peixe, é um beta. recentemente eu tive vontade de criar peixes, talvez suprir uma necessidade de corrigir os erros dos peixes que tive quando menor, eles sempre pulavam do aquário e molhavam a tevê, era daquelas com aquela parte de trás que tinha os raios catódicos, na minha cabeça tinha, mas não sei se é certeza. a realidade é uma farsa, por isso a beta da janela é uma coisa real para mim. já tenho até ração para peixes guardada.
eu percebi a beta quando estava escrevendo, sim eu estou escrevendo, fazer esse exercício diário tem me dado ideias pra escrever depois de anos, talvez até publique aqui os livros finalizados. eu estava vivendo tranquilo e olhei pela janela por que estava observando meu vizinho com os pés pra cima na varanda (ironicamente estou assim agora mesmo só que no guarda roupas) e foi quando vi o peixe. uma mancha de tinta que salpicou no vidro exatamente no formato de um peixe, as nadadeiras dorsais e tudo. ou eu só estou vendo coisas onde não tem nada, pode ser só uma daquelas manchas de Gestalt.
#2
comi uma fruta estragada e estou escutando músicas românticas, que ponto exato da vida é esse aqui?
a pinha estava bastante arenosa, mais do que considero normal de ser e cheia de pontos pretos e caroços murchos e moles, mas comi exatamente assim e sabia que estava apodrecendo, mas estava boa ainda. não posso ignorar o que escrevi pela manhã, meu olho agora que coça e a pele está estabilizada de hidratante. pele hidratada, bebendo muita água e acho que comecei a engatar de novo na tumultuada aventura de reeducação de hábitos que tenho desenvolvido, alguns que eu nem sabia que poderiam ser hábitos. vi um vídeo no youtube sobre posição da língua, formato do rosto e fazer exercícios pra ficar mais atraente, não consigo colocar a língua toda encostando no céu da boca, e eu pensava que esse era o normal. eu sei que é muito autocentrado pensar isso de que algo que se aplica a mim ser o normal, e o foda é que realmente tem milhares de pessoas que pensam exatamente assim. quis usar a palavra primata, mas achei desrespeitoso com os nossos parentes, e acabei lembrando de uma gorila que falava língua de sinais e sempre se referia à natureza como algo vivo e que nos estava observando. me pego pensando muito nessas coisas de divindades e ainda mais sobre o planeta como um ser único, como se qualquer mínima coisa estivesse completamente interligada com muitas outras (lembra um efeito borboleta). adoro como as coisas na minha vida são meio que repetidas sempre, é comum ver algo e no mesmo dia ou na mesma semana eu me ver numa situação que tenha de usar a informação ou até mesmo explicar aquilo pra alguém. louco demais.
isso tudo por que estava vendo vídeos e um deles falava sobre efeito borboleta e duas histórias que poderiam explicar o porquê do nome borboleta, um livro sobre caçadores de dinossauros e outro aparentemente improvável sobre bater asas de borboleta e causar eventos catastróficos do outro lado do mundo. essa segunda me parece muito mais interessante e extremamente reflexiva, o que causaria eu coçar meu olho? e ter comido a pinha estragada?
sei que estou divagando, sem nexo, quase tentando achar uma epifania tal qual um livro de clarice lispector, mas na realidade só estou sentado no escuro, digitando no celular e escutando uma música triste de um cantor que pouco conheço e pouco gosto também. já quero ir ao banheiro novamente e acho que devo escrever com certo propósito, pensei em sortear uma palavra do dicionário a cada dia e escrever umas dez linhas ou algo assim, não sei mesmo. não sei como não desisti ainda, mas eu quero que esse experimento dê certo, quero observar e induzir coisas.
#1
não chegou a completar nem 24 horas e já pensei em desistir. desistir tem sido recentemente o verbo que mais gosto de usar, melhor ainda, o verbo que mais gosto de praticar, afinal verbo é ação, né? hoje já acordei tarde, não era tarde tarde, mas era mais tarde do que eu esperava acordar. queria muito me regular com o sol e acordar antes das seis, sair pra caminhar, meditar e fazer todas essas coisas que são ditas saudáveis, mas acordei já emburrado, com barulho e calor, pele seca e já irritada. é algo que tenho odiado muito no meu corpo, a pele seca, já cansei de usar hidratante toda vez que tomo banho, dois jatos precisamente, tem dias que são fartos e outros mais ou menos, mas sinto que aperto com a mesma força sempre. todo dia acordo mais desidratado que o dia anterior, e todo dia tomo mais de quatro litros de água sem parar, um mija mija desgraçado da porra, já cansei de ir ao banheiro e sair mais límpido que água, e acho que na verdade eu deveria era agradecer por ter água boa pra beber. não gosto sempre de ficar revisando as coisas e sempre pensando que deveria ser grato por alguma coisa que é básica pra mim, eu sei que pode não ser básica pra alguém, e pensar nisso me deixa pior do que já sou naturalmente, então melhor protelar. não pensar não faz desaparecer, mas também não me bota numa nóia infinita e nem me deixa preso nesse buraco de refletir sobre a vida dos outros. isso tudo cedo sabe? deu nem dez da manhã ainda. e eu já quis me desligar de tudo de novo, comecei uma minissérie, talvez esse seja meu formato preferido de histórias atualmente. penso comparativamente sobre literatura e cinema. curtas metragem são tipo crônicas ou poemas, talvez uma tirinha (mas isso conta como literatura, que vai saber?) e são coisas que gosto de ver depois do almoço, quando estou cagando ou com aquele sono batendo na porta quando vou dormir. longas metragens são como contos, não vejo com frequência, mas tenho aprendido a apreciar cada vez mais, quase que um ritual regrado pra fazer acontecer, é inatural para mim, mas tem muitas coisas não naturais que deveriam ser, é tipo aquele negócio de ser normal, mas não deveria ser e isso dá uma lista gigantesca que só de pensar já me dá uma enxaqueca daquelas que remédio nenhum no mundo faz passar. me perdi já. minisséries são exatamente a perfeição, são como novelas, e eu amo o tempo exato que dura uma novela, não é grande pra cansar, nem pequena pra sobrar espaço, eu consigo pegar e acabar no mesmo dia, às vezes até na mesma hora por que eu tenho um pouco da mania de ler rápido desenfreado, e isso acontece também quando eu tô escrevendo. novelas são, na minha opinião, a melhor forma de contar histórias, mas também não são nada disso. romances aí já são como séries, e eu costumo consumir muito com muita frequência, sempre que dá, me enfiando em várias ao mesmo tempo, em todo espaço livre que acho, muitas vezes até abro espaço onde não deveria. gosto das grandes mais que das pequenas, por que gosto de evolução, e pra mim evolução toma tempo, o ruim é só quando você chega mais da metade e desagrada, perde sentido ou fica num estado de inanição tremendo que não existe pavio no mundo pra fazer se mexer direito. e mesmo assim eu gosto. tive fome já, e essa relação que tenho com comida atualmente já dá pano pra tanta outra coisa, um ensaio sei lá, e eu resumi e exclui muitos outros gêneros, não sei se o que disse faz sentido, e se não fizer também tanto faz, no fundo o tempo perdido de ler isso aqui eu poderia estar passando hidratante na pele, bebendo mais água ou até já tivesse desistido disso tudo e deixado a pele ficar vermelha da inflamação, talvez houvesse remédio nesse mundo que curasse.
atenção
é preciso estar atento e forte, não temos tempo de temer a morte
ATENÇÃO!
Tudo é perigoso, tudo é divino maravilhoso