Bem, disseram-me para sobreviver. Um dia de cada vez. Até o dia que não doesse mais. Segui os conselhos, dia após dia, senti o queimor da ferida se fechando, senti tuas memórias escorrendo entre os meus dedos, senti a dor de seguir em frente, senti a dor de aceitar que não existe "nasceram um pro outro" ou nada do tipo, senti doer cada dor que podia, e doeu, profundamente. E o incrível de tudo isso é que, depois de tantos longos dias, do nada, você percebe que esse alguém e sua bagagem enfiaram-se dentro de qualquer gaveta velha, que você quase não lembra que existe. Mas olha só: não mexe lá! Talvez você não saiba mais lidar com as dores, talvez você lembre mais das flores, talvez você perceba que não vai esquecer nunca. Talvez, tenha um pouco de prazer nessa dor. E vicia, não se deixe levar, essa pontadinha ao se esforçar pra lembrar, pode corroer sua vida. Um conselho? Não mexe lá!












