Dionysus Callaghan | Former Ravenclaw | Muggleborn
“But the raven, sitting lonely on the placid bust, spoke only that one word, as if his soul in that one word he did outpour. Nothing further then he uttered, not a feather then he fluttered.”
Varinha: Álamo, pena de hipogrifo, vinte e cinco centímetros, flexível.
Para aqueles que acreditam em destino, os irmãos Callaghan estavam sagrados a futuros singulares. Ambos trilhariam caminhos diferentes, seguindo percursos opostos, mas não era como se isso representasse algum problema. Ao mais velho o cargo de homem mais poderoso da Inglaterra, ao mais novo a adrenalina de desfazer maldições. Enquanto um representava a figura de Primeiro Ministro da nação inglesa, o outro era a prova viva de que existiam pessoas com um parafuso a menos para se aventurar em profissão tão arriscada. Em outras palavras, seus rumos eram tão semelhantes quanto o sol é igual à lua. Impossível não ser assim, porque o mundo que era de um não era o mesmo do outro. O primogênito, imerso na sociedade trouxa, e Dionysus, absorto pela comunidade mágica.
Que o menino detinha habilidades especiais era uma surpresa para todos. Batizado com o nome da deidade grega do vinho e da insânia, tinha de ser tão louco quanto o referido, brincou o irmão mais velho. Entretanto, não era mentira sua quando havia confidenciado ao maior que conseguira levitar o cachorro. Não, não era, e a família teria a oportunidade de averiguar isso. Em um jantar importante, quando Sir Callaghan fazia um brinde, o pequeno fez pairar uma colher de prata acima da mesa à vista de muitos. Por sorte, tão embriagados, todos preferiram acreditar que era o efeito do álcool e não um fenômeno de verdade. Bom para eles, mas não para Dionysus, que ficou sob a redoma superprotetora dos pais até um certo dia. Até uma coruja trazer-lhe uma carta, um convite, e o rapazinho ingressar pela primeira vez na Plataforma 9 3/4.
A princípio, não sabia o que esperar. Era tudo tão novo, tudo tão mágico. Ele simplesmente não cansava de admirar os quadros vivos e as escadarias, além de travar uma conversa que poderia se estender por horas a fio com a Dama Cinzenta. Bem que gostaria de ter um fantasma em casa, Dio disse uma vez. Mas como não era possível e sua mãe não aceitaria a ideia muito bem, teria de se contentar com a assombração na Ravenclaw. Não fora à toa selecionado para a Torre do quinto andar, visto que suas notas só podiam caracterizá-lo como protegido de Rowena. A despeito de já ter uma tendência aos estudos, tudo era tão fascinante que o garoto não conseguia deixar de se empenhar. Assim alcançou uma ótima qualificação nos N.O.M’s e N.I.E.M.’s, ainda que tivesse iniciado um projeto recente de perder seu foco de atenção com um certo gryffindor.
Mas um dia as fantasias e despreocupações da juventude acabaram. Ele teve de escolher entre seguir o resto de sua vida em meio aos seus ou quem sabe acompanhar os passos do irmão na política ordinária. Dio gostava do exemplo do mais velho, com uma carreira firme e uma linda menininha para ser sua sobrinha mimada, além de outros três. Porém, não era aquele o modelo que representava suas aspirações. Tinha potencial para edificar suas próprias conquistas à maneira que lhe conviesse, então, decidiu arriscar - no sentido literal da palavra. Tornou-se um curse breaker, para provar a si mesmo que era capaz e à qualquer um que duvidasse. Tornou-se um curse breaker, porque gostava do risco. E talvez o primogênito estivesse certo, ele era louco.
Se não fosse assim, possivelmente não teria suportado tão bem o que estava por vir. Apesar de toda sua experiência recém adquirida no campo das maldições, ele se equivocou. Cometeu um erro e agora paga por isso com a própria pele. Falhou ao acreditar que apenas uma única maldição protegia a Pena de Morrígan, que se tornou seu objeto de sentença, escondida nas profundidades de uma gruta na Ilha Esmeralda. Dionysus a tirou de solo sacro, sem imaginar o preço que isso lhe custaria. Mas na mesma noite, descobriu. Quando a constelação Corvus brilhou sob a luz da lua crescente, seu corpo abandonou o feitio humano para se transformar em um pássaro, negro e sombrio, considerado um mau agouro. A punição imposta por seguidores da deusa celta, Dio se transformou em um corvo. Um corvo cujo décimo grasnado marcaria o cessar de seus batimentos.
Basta agora descobrir como quebrar a maldição. Embora tivesse dado bastante de seu tempo à pesquisas e mais pesquisas, ele nada encontrou de útil. As mesmas runas, inscritas no baú que protegia o artefato, não diziam nada além do que aconteceria com o décimo pio do corvo. Estes sons que, aliás, são esporádicos, não têm um prazo certo para acontecer. Toda essa incerteza só dificulta sua situação, porquanto sente seu tempo acabar sem poder fazer muita coisa. Sua última opção - última mesmo - é recorrer a quem entende o suficiente de estrelas para talvez entender o significado de Corvus. Não seria fácil, Damian nunca era, mas precisa tentar. Tentar esquecer os conflitos de sua relação com o gryffindor para salvar seu próprio pescoço.
Único. Assim ele é, único. Não há muito o que dizer que não seja facilmente percebido em uma primeira impressão e que não o tipifique como um espírito singular. Como o deus de seu nome, o rapaz é inclinado a contestar o conceito de normalidade ditado pelos demais, sempre com a irreverência a guiá-lo à ideias próprias livres de influência. Também é amante de um bom vinho e não costuma resistir ao líquido rubro, embora não tenha muitas restrições às bebidas de mesmo teor. Dionysus é acima de tudo autêntico, não se afeta com qualquer opinião que seja e não se adapta às vontades de ninguém. Não é à toa que escolheu a carreira que tem, sem considerar as palavras de quem tentou dissuadí-lo. Nesse ponto, o ex Ravenclaw consegue ser tão obstinado quanto teimoso, e com o sorriso mais carismático, ele vai rejeitar e ignorar o que não lhe for interessante. Apesar disso, não tem o hábito de ser muito paciente, e mesmo seu alto astral espontâneo, não o impede de deixar os outros falando sozinhos se porventura se cansar de certos diálogos.