I don't wanna talk about it | Damian + Evangeline
Evangeline teve uma noite de merda. Pesadelos por todos os lados, sonhos perturbadores nos quais estava sozinha… Sonhava com uma grande prova importantíssima e que os pais diziam para ela que, se ela fracassasse, eles mudariam de casa e desapareceriam para outro lugar, assim a garota não teria como encontrá-los nunca mais.
Quando acordou no dia seguinte, Eve estava com os pulsos completamente arranhados por marcas de suas próprias unhas; aparentemente ela fez aquilo consigo mesma enquanto dormia e vivia os sonhos perturbadores. Normalmente, Evangeline teria se curado com alguma poção ou feitiço, mas sua mente confusa não se deu conta das feridas ao acordar.
Ela só veio perceber que estava machucada na metade da aula de Astronomia, quando foi manejar o telescópio. Nada legal essa desatenção de Evangeline, porque os pulsos são lugares visíveis e alguém poderia pensar que ela é uma pessoa problemática, o que não é verdade, claro. Evangeline faz aqui consigo mesma porque… Bom, ela não sabe o porquê, mas não é por ser problemática.
Assim que a jovem percebeu os arranhões coagulados no pulso, largou o telescópio, tentando disfarçar para o colega ao lado o motivo de ter feito. Comentou com ele que sentiu uma leve tonteira, por não ter tomado café direito de manhã, e disse que ele poderia cuidar do telescópio enquanto ela só faria anotações em seu caderno.
Depois do garoto concordar, Eve puxou as mangas da blusa para cobrir os arranhões e buscou a figura do professor de Astronomia com os olhos, torcendo para que ele estivesse distraído com outro aluno. Assim que a aula acabasse, ela arrumaria um jeito de se curar rapidamente antes da próxima classe.
"Isso está se tornando frequente demais para o meu gosto." Foi o que pensou com desgosto ao bolar o plano.
Damian tinha alguns objetivos claros em sua mente quando se candidatou ao cargo de professor em Hogwarts; o primeiro, era ser rodeado de tudo aquilo que amava e perder-se entre estrelas e astros sem que alguém o pudesse julgar por isso e o segundo, mais nobre e menos egoísta, era ser mais do que um professor. Nunca gostou de pensar que seria mediano e realmente se incomodava quando percebia não estar perto de ser aquilo que havia prometido a si mesmo ser.
Naquele dia, estava incomodado. Os recentes acontecimentos com Autumn Callagham o haviam feito perceber que seu orgulho – sempre acentuado, aliás, motivo pelo qual havia sido selecionado para a casa de Godric quando fora aluno na mesma escola, havia ultrapassado as barreiras que havia colocado a si mesmo. Os alunos estavam procurando pela constelação Lacerta e ele passava observando as anotações para ver se não estavam fazendo nada de muito errado.
Foi durante esse momento que viu os pulsos de Evangeline Grimes. Apesar das notas fantásticas, a slytherin não costumava se destacar em meio à sala de aula. Ao menos, não na sua aula – o que Damian costumava julgar como comum, visto que ela acontecia no período da noite quando nenhum aluno estava muito interessado em estudar. Os cortes, no entanto, o tiraram um pouco de si e fizeram com que se sentasse à sua mesa, ponderando sobre o que deveria fazer. Nunca fora muito bem recebido pelos moradores das masmorras em seus conselhos e mais um desses que fosse rejeitado, feriria seu orgulho de forma que ele não poderia descrever.
Observou a lista de alunos, passando o olhar pelos nomes, sem conseguir desviar o olhar do nome da srta. Grimes. As notas eram perfeitas, não havia sequer uma falta em todo o ano letivo e isso, de alguma forma, era preocupante. Desviou o olhar para os alunos, checando o relógio antes de anunciar. – Final da aula, pessoal. Não esqueçam de trazer as anotações sobre a Lacerta na próxima aula e, sim, os trabalhos são em dupla. – Logo, uma manada de alunos se dirigiu até a porta, com alguns acenando e sorrindo que eram prontamente correspondidos. Quando viu a slytherin caminhando até a porta, elevou o tom de voz mais uma vez. – Srta. Grimes, poderíamos ter uma conversa? – um sorriso moldou os lábios, o mais aconchegante dos sorrisos.














