Claude Monet (1905, 1904, 1906)
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Claude Monet (1905, 1904, 1906)
Trazia gravado - entre as córneas e as pálpebras - o apelo silencioso mudo, precioso do teu nome mais antigo. Aquele concebido na primeira das eras sobrevividas por teu peito. Sibilava e entoava, através dos murmúrios, arranhões, madeira raspada por unhas - cravava as unhas, rangia, suplicava, olhos fechados apertados fatais - ante a dor e o chão. Não dizias. Coisa alguma, não dizias. Mas respiravas, forte e bruto, como se o segredo do chamado fosse somente sentir: saudade.
Claudia (via anjoinverso)
“Te quero como aquelas que desenham na pele com a ponta da faca sentadas nos bancos do antigo mercado e bebem e trepam atrás do balcão e tremem e têm convulsões e não sentem nada enquanto olham por cima dos seus ombros. Te quero com a língua afiada dessas que nasceram no outro século e se despiram e ofereceram seus peitos vazios de leite, enterraram fetos em terrenos baldios, castraram filhos e não tiveram vergonha de se matar. Te quero colado à minha coxa como estão as duas que atearam fogo ao antigo sobrado e arrancaram os dormentes da estrada de ferro e se beijaram deitadas nos trilhos e queimaram cartas e saias e eliminaram para sempre todas as possibilidades. Amigo me afogue, me salve, cubra meu corpo com as pedras do fundo até que eu não respire, até que eu não pronuncie palavra, até que meus olhos não vejam, até que eu não te queira mais.”
Adriana Versiani, “Amigo” (trecho)
Oculta consciência de não ser, Ou de ser num estar que me transcende, Numa rede de presenças E ausências, Numa fuga para o ponto de partida: Um perto que é tão longe, Um longe aqui. Uma ânsia de estar e de temer A semente que de ser se surpreende, As pedras que repetem as cadências Da onda sempre nova e repetida Que neste espaço curvo vem de ti.
José Saramago, Espaço curto e finito (via anjoinverso)
Yolanda Dorda
O homem só pode ser si mesmo por completo enquanto estiver sozinho; por conseguinte, quem não ama a solidão, não ama a liberdade; pois o homem só é livre quando está sozinho. Cada qual evitará, suportará ou amará a solidão na proporção exata do valor de seu próprio ser. Porque na solidão o mesquinho sente toda a sua mesquinhez, o espírito elevado toda a magnitude de sua grandeza; em suma, cada qual sente aquilo que é. O que faz os homens sociáveis é sua incapacidade de suportar a solidão e, nela, a si mesmos.
Arthur Schopenhauer (via proezas)