ojovivo
Sade Olutola

blake kathryn
Stranger Things
d e v o n
occasionally subtle
we're not kids anymore.
Three Goblin Art
Acquired Stardust
Cosmic Funnies

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❣ Chile in a Photography ❣

izzy's playlists!

No title available
he wasn't even looking at me and he found me

No title available
Alisa U Zemlji Chuda
Claire Keane
I'd rather be in outer space 🛸
Lint Roller? I Barely Know Her
seen from United States

seen from Italy
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seen from Singapore
seen from United Kingdom

seen from Malaysia

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seen from United States
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seen from United States
seen from Russia
seen from United States
@criticacinema
a princípio não se sente, depois escurece / são as feridas interiores / as pessoas mal postas nos lugares / os lugares mais rasos e sem expansão / estes são os dias da sombra / que obrigam a entrar no escuro devagar / já nem vejo deus nem mulher à janela a quem perguntar / como sarar os olhos e encontrar neste mundo anoitecido / um novo modo simples de olhar (André Tomé)
“... Há um momento sem explicação / em que a porta de casa nos resiste / os aspectos habituais debatem-se / em inquietante estranheza / e quando atravessamos o corredor na penumbra / os espelhos não nos reconhecem.” “O Corredor na Penumbra” - José Tolentino Mendonça (O Viajante sem Sono, ed. Assírio & Alvim)
I can’t put love off for another century I can’t although the cry is strangled in my throat although hatred bursts, crackles, burns beneath grizzled mountains and grizzled mountains ...
(”I can’t keep putting off my heart”, © 1960, António Ramos Rosa | Translation: Alexis Levitin)
I know of kisses more nocturnal than earth / Animals submerged among violent trees / rise shaking and oily to the tops of mouths / I know of the waving and electric flashing splendor / of ravenous mouths and blood risen from the depths / like a fire that flowers on foamy lips / I know of a strange softness and of a pensive ardor / that modulates the kiss in a lingering rapture / Who could express the fluid and fiery glory / of these liquid muscles emptying into estuaries of foam? / I know of kisses like bees of sun and like an agony / of a long glory I know the salty and bittersweet / substances clay sap wine / and the sandstone of armpits the black moon of the pubis / I know the thick and ardent flavor of unbroken being / that suddenly surrenders in the silent violence António Ramos Rosa (Translation: Richard Zenith)
I was almost an angel / and wrote rigorous / reports / about silence / In those days / it was still possible / to find God / in the wastes / That was before / I learned algebra
José Tolentino Mendonça | Translation: Richard Zenith
Aqui o tempo é longo. Isolados em uma estranha terra. Uma flecha canta – uma flecha é esta música triste que incandesce o sangue, uma flecha atravessa simplesmente o espaço.
(Manuel de Castro)
Todos os meus amigos são rosas brancas / todo o meu amor é ave lenta
(Manuel de Castro)
o tempo é um torso que ondula um animal marinho palpitante o solo donde a vida se projecta ao estilo meu arcobotante-música
eu sou o animal que perfura a terra até ao seu centro de gravidade o animal resistente por excelência o meu sangue saturnal devora, queima e envenena a própria origem
(”Scorpius” - Manuel de Castro)
I’d like a grammatical error to rewrite the poem of the world on the side of daylight while God hides the error of the error on the dark side – high-voltage gold, breath in the face.
(Herberto Helder | Translated by Richard Zenith)
Por fim tocamos só areia e lavas numa cratera onde água e erva faltam e um forno de cal figura a vida
(Gastão Cruz)
The summer that I was ten Can it be there was only one summer that I was ten?
It must have been a long one then
(The Centaur By May Swenson)
Se uma vida dormisses em minha espuma, que frescura indecisa ficaria no meu sorriso?
Herberto Helder in O Amor em Visita
Um prego na gengiva, bem fundo, até onde seria de crer que só chegasse a alma, assim as árvores nos crescem por dentro da memória, onde as raízes a fazem rebentar, assim as folhas que nos servem por momentos de pele se nos agitam no espírito, onde a pele se afunda como num écran, a pele, um jeito de árvore que tivesse um espelho entre as raízes, a pele que nos vendou, que nos serviu de venda e de memória, brancura que o lençol disputa às trevas, irmã dessa raiz agarrada ao écran, dessa gengiva esquecida de já ter estado na boca e agora apenas presa à alma, sobre a qual parece debruçada. (“Bem fundo” - Luís Miguel Nava)
Nadam dois indivíduos no mesmo nadador, explicou um célebre cientista numa conferência. Esta é a razão para o atleta aquático avançar na diagonal e não na horizontal, tal como poderia aparentar. Concentremo-nos nos membros superiores, nos cotovelos, nas palmas das mãos, até percebermos estes dois movimentos: braçada dentro de água, empurrando o corpo para a frente. Braçada fora de água, empurrando (embora com maior subtileza) o corpo do nadador para trás. Um grupo de biomecânicos, desafiados por este cientista, tem estudado exaustivamente o nadador na piscina, tentando espalmar a sua linha diagonal, aproximando-a da horizontalidade absoluta. Um dos biomecânicos promissores, jovem, levantou uma hipotética solução: se o nadador executar todos os movimentos completamente submerso, ocultando os seus gestos aéreos em qualquer das quatro técnicas (crawl, costas, bruços, mariposa), é fácil de prever que a linha horizontal surgirá intuitivamente, independentemente de todas as restantes geometrias, governando-se por leis ou estatutos próprios. Todos os restantes biomecânicos, velhos, à volta do nadador, musculação, mediam um por um os ossos com uma mesma fita métrica. Comprimento total do endosqueleto? oito metros, respondeu um dos cientistas, o ideal para a flutuabilidade. Perfeito. Após as explicações técnicas, o nadador sobe para o bloco de partida e salta. Vai fazer cinquenta metros mariposa. A desilusão foi imediata: em vez de seguir em frente numa velocidade insuperável e retilínea, o nadador seguiu para trás numa velocidade insuperável e retilínea. Alguém, visivelmente a troçar da experiência, salpica entre gargalhadas: “oito metros ridículos mexeram-se dentro de um belo nadador.” …
“Quem viaja encontra os segredos antigos mas perde os sapatos novos” - Rui de Almeida Paiva
Cae Cae eternamente Cae al fondo del infinito Cae al fondo del tiempo Cae al fondo de ti mismo Cae lo más bajo que se pueda caer VICENTE HUIDOBRO ALTAZOR, CANTO I (Fragmentos)
Na última vez que fui com ela à praia, Sílvia vestiu-se detrás dos zimbreiros e vi-a, curvada, muito vermelha e morena, o fato de banho a escorregar-lhe pelas pernas. O cabelo envolvia-lhe o rosto. Chamei por ela, mas em voz tão baixa que, por causa do cabelo, não me ouviu. Foi a última vez, e naquele dia nem lhe toquei. Depois fomo-nos embora e, no dia seguinte, disse-me não querer saber mais de mim. Fiquei sozinho e, durante muito tempo, apenas me alimentava de fruta e restos de comida. Só me apetecia sair e caminhar. “Fogo grande” - Cesare Pavese