Chuva ofusca o Brilho da juventude, o tempo Espera por ninguém.
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@cronicasdeumotaku
Chuva ofusca o Brilho da juventude, o tempo Espera por ninguém.
Aviões chovem sob A juventude, decepções Arrependimentos sem volta
Half drunk dogs
Half drunk dogs Chasing every single pretty skirt tail Barking at karaoke Summer full moon Half drunk dogs Love disappointments, love break ups Love make ups
Half drunk dogs.
R$4,05
R$4,05
Por uma passagem de ônibus, são quase vinte reais para ir e voltar da faculdade. Esse mês o dinheiro não caiu To na rua igual a Cássia Eller, só me falta dormir nela igual Tim Maia.
São tardes buscando abrigo do frio na casa de amigos Desculpa, eu to no trabalho Desculpa, eu to no shopping Desculpa eu to em aula São tardes de frio no Rio de Janeiro, falta um mês pra primavera e as chuvas do meu aniversário.
É uma tarde salvadora que me convida pra dentro e oferece café. logo mais tardar as conversas já foram três abraços de despedida, mas agora realmente vou pra casa e minha vó me espera com fotos de quase cem anos de idade de nossa família, toda boba sorridente vendo minha mãe bebê.
As tardes podem ser frias, as madrugadas castigam aqueles que realmente estão na rua, nem deus sabe como sobrevivem
Mas aqui em casa. Mas lá na casa dos pais. Estamos bem Mesmo sem R$4,05 para uma passagem de ônibus e ir vê-los.
A luz turva Reflexo de uma tempestade de outono
Charles Bradley talks Love as Carnival walks by My street.
Saudades de meus Discos do Chico, almoços Esquecidos em casa.
A praia no dia é oferendas de Iemanjá. As mais variadas possíveis. Não somente flores, algo já natural Mas espelhos, Barcos de madeira Bonecas Plástico e línguas negras às margens.
Hot summer day Even I can enjoy A cold water.
Vó, bisa
Começou a chover. Ou talvez já chova há algum tempo, mas não a percebi de tão fraca que está ou estava, pois também pode ter apertado apenas agora, justo no momento em que eu piso para fora do prédio dos meus pais à espera de um carro estranho que venha me buscar de volta para a companhia de minha vó, ela deve estar ansiosa por mim, para saber como foi meu dia e contar como foi o seu, na festa de uma amiga de meio século. Sabemos que não haverá mais tanto tempo assim para se aproveitarem, portanto quase todo dia trocam ligações.
Entretanto, minha vó costuma reclamar alto, xingando os ventos e eu rio no meu quarto. Ela reclama porque esta amiga em específico, e uma outra, tem o péssimo hábito de ligarem sempre durante as únicas duas novelas, de acordo com a própria, embora ela, na realidade, assista a todas, já que esta sempre em frente a televisão, que acompanha, então ela sempre perde boa parte delas e é obrigada a ir dormir tarde, após uma da manhã, porque espera a reprise do capítulo do dia. Isto quando ela mesma não tira um cochilo proibido após o almoço. O médico sempre tem de reforçar a dieta, não deitar num prazo de duas horas após as refeições e, especialmente, não dormir após comer. Minha vó sempre reforça o péssimo hábito de quebrar todas as regras e reclama mais e mais, pede para minha mãe marcar o médico de novo porque nada deu jeito em suas dores, mas não há muito o quê fazer. Como o nosso médico da família disse outro dia:
– A senhora não tem nada, Dona Acilé. Ou melhor, tem uma coisa... Muita idade! – Ela ri, agradece, sorri, torna a reclamar de dores. Realmente, é muita idade envolvida. São 84 (oitenta e quatro) anos de vida, embora poucos comparados à sua mãe, que vivera até os 103 (cento e três) anos, falecida em 2014 (dois mil e quatorze, catorze?). Invejo meu irmão mais velho que pode aproveitar bem minha bisavó. Em sua infância, ela ainda andava bem, podia sair, brincar, passear, contar suas histórias sem muitos lapsos de memórias.
Se bem que a mente de bisa sempre fora afiada, só começou a tropeçar nos pensamentos alguns anos perto da morte, antes disso, suas histórias eram tão precisas quanto saudosas. A tristeza era clara enquanto ela falava para nós de homens, mulheres e pessoas mortas, ela falava, não conversava. Falava das primeiras décadas do século passado, da segunda guerra, e quando as enfermeiras se espantavam com a idade avançada, nascera um ano antes do Titanic afundar, ela resmungava:
– Eu nasci no mesmo século que vocês!
Vermelho, vermelho.
Eu sempre tive o hábito de ir até a varanda e esperar as visitas. Eu me enfiava entre os vasos e com cuidado para não pisar nas plantas de minha vó, me agachava e com a cabeça entre as grades buscava a procurar alguém, ou alguéns. Eu sabia que eles vinham pela direita, era o sentido da rua, ao final dela, logo ali na esquina, dava na praia, onde os carros podem seguir até a Ribeira, ou pegar o retorno e ir até o Cocotá.
Eu sei que eles vêm pela direita, mas é impossível de olhar. Minha visão é limitada por uma árvore, enorme, guardando o portão de entrada da casa vizinha. Já fora bem maior, é verdade, mas quando uma tempestade caiu há uns anos atrás, uma parte da árvore caiu no teto da casa, causando danos e prejuízos aos moradores dali, sem contar a toda a fiação elétrica da rua. Foram dias sem energia, o tempo passava devagar para mim, mas para minha vó, parecia o mesmo. Mesmo que o relógio digital estivesse desligado, e o de ponteiro ficasse apenas na cozinha, nunca errou a hora dos remédios. Deitada em sua cama, lia o jornal ou fazia palavras cruzadas, eventualmente, sentava-se na cama e pedia que lhe trouxesse um copo d’água e o remédio tal. Assim, sem ver hora nem nada.
Por mais que eu goste dessa árvore, eu amo árvores, adoro tocá-las, ver os labirintos de suas raízes quebrando o concreto, suas folhas e suas sombras esburacadas no chão, do outro lado da rua havia uma linda, do mesmo tamanho e que, no outono, cobria o teto daquela casa com folhas vermelhas, vermelhas. Mas a botaram abaixo. Agora eu consigo ver para além daquela esquina e os prédios não são tão bonitos, muito menos as pessoas que ali passam.
Por mais que eu goste dessa árvore, me incomoda o fato de eu só poder ver até ali, mal aparece o portão da casa ao lado, mal vejo as pessoas entrarem, não consigo ver quem são, é morador ou visita? Não são para mim... Eu me esforço. Forço a vista e imito um binóculo com os dedos no meu rosto, tento olhar por entre as folhas, mas são janelas muito pequenas, não consigo ver direito... Eu vejo, mais ou menos, a cabine do segurança na esquina, ele tem um rádio, mas deve estar desligado, não escuto nada. Alguns pedaços de calçada... Eu desisto, é impossível de olhar. Só me resta bem sentar, entre espadas de são jorge e jiboias, há uma roseira em cada canto e as adoro, suas folhas têm uma sensação tão macia. Ali encostada à parede tem uma amoreira que me pertence. Estaria morta se não fosse por minha vó. Hoje, ela dá frutos, uma até caiu outro dia. Ela pegou e guardou, queria saber se posso comê-la. Isso me recorda de um dia em que comi uma das pimentas que cultivava. Seu vermelho era tão bonito, irresistível, dei uma boa mordida e ardeu tudo.
My love is a 4 line HAI KU
To do the same thing expecting new outcomes, it is insanity.
– Se tem algo que você sabe fazer, é abraçar. – com as mãos ao redor do meu pescoço, seus seios se apertam contra meu peito e o cheiro do xampu ainda é o mesmo... Ainda é a mesma garota de anos atrás, crescida e formada, mais madura também, mas ainda é a minha garota. – Sabe, você ainda é a única garota com quem transei.
Ela sorri, mas se afasta. Começa a se vestir e me deixa a sensação de que falei algo de errado. – Você tem de seguir em frente, Lucas. Eu segui.
– Seguiu? É por isso que está aqui?
– Eu não estou aqui para inflar seu ego, não, senhor. Eu gosto de você. É uma boa pessoa e uma boa foda pelos velhos tempos. Mas são velhos tempos, Lucas, você não pode se voltar ao passado toda vez que uma nova garota não dá certo. Eu também não dei certo.
– Mas foi o mais perto que cheguei.
– Chegar perto, não é dar certo. Você tem de seguir, sempre em frente. A que vai dar certo está por vir, no futuro..
Ela me beija. Não um beijo na esta maternal tal qual a preocupação e os conselhos que ela me dá, tampouco um na bochecha ou aquele encontro sutil de lábios que amantes de longo prazo dão antes de se despedir e nunca mais se verem, mas um beijo intenso e erótico, me agarrando a nunca e o pênis, de quem sabe que não pode mais continuar esse sexo casual para o meu bem, porque estou preso numa ampulheta tombada.
Olhos na tela, o Riso não é para mim. Coração carente.
Toda noite é o mesmo Eu bato punheta pensando nela, Tomo uma cerveja com Bukowski ou Kerouac ao som de lo-fi E escrevo poemas trites e ruins antes de dormir.
Stay Woke
Porque a vida nunca pareceu tanto com Os jogos de guerra Quanto agora. Soldados guardam minha esquina Fardados com o dedo no gatilho Prontos para abrir fogo.
Stay Woke Porque não são só ladrões e assassinos Ameaçando nossas vidas. Traficantes em guerras nas favelas E policiais matam a balas perdidas.
Quantas mortes até vidas negras importarem? Quantas mortes até vidas pobres importarem? Stay Woke E não feche os olhos.
Toc toc
A porta ainda demora um minuto para abrir. Provavelmente porque ela me viu pelo olho mágico e teve de pensar se realmente queria se dar todo esse trabalho.
- Hey, baby, como um daqueles cantores ingleses que ela tanto gosta - Eu trouxe cerveja.
- E aparentemente você já bebeu metade delas. Sozinho?
- Não tem nada de errado em alguém beber em sua própria companhia, não é?
- Tem se você não sabe beber. Entra.
O apartamento não está muito arrumado e ela de pijamas. Rosa. Com um macaquinho estampado. Eu quem dei.
- Você pode dormir no sofá, eu já vou deit...
- Mas e a cerveja?!
- Termina sozinho.
- Você quer que eu passe mal?!
- Se vomitar, limpa.
- Você me odeia?
- Infelizmente não.