Parece, mas como não faço ideia do que é o que você pode estar falando tudo errado e eu nunca perceberia.
Eu estou falando tudo certinho, pode acreditar. Demorei um tempão mas decorei.

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Parece, mas como não faço ideia do que é o que você pode estar falando tudo errado e eu nunca perceberia.
Eu estou falando tudo certinho, pode acreditar. Demorei um tempão mas decorei.
Considerando que você esta no meu quarto, acho que não memorizou bem.
Espera. Seu quarto?! Mas eu pensei que... Ah, me desculpa. Que droga, quando eu penso que eu já peguei o jeito das coisas, eu venho parar num quarto que nem ao menos é o meu. Deve ter alguma coisa errada comigo.
E ali é o prédio do meu dormitório. Olha, eu diria que eu consegui memorizar bem os lugares por aqui, não acha?
Ah valeu, não é como se eu não pudesse fazer, mas eu tenho alguns já nas minhas costas e esse a menos é de grande ajuda, pode não parecer, mas é.
É, eu entendo você. Eu já estava até desacostumado com essa vida difícil de estudante.
Ah, talvez eu possa fazer, pra quando você precisa?
Sério mesmo? Eu estava só brincando, cara. Relaxa, não vou fazer você fazer um trabalho no meu lugar.
Eu estou passando mal. Me deixa.
Passando mal? De quê?
Eu odeio parecer anormal para os novatos já no primeiro dia, mas essa informação é importante! Alguém saberia me dizer se já saiu a lista dos companheiros de quarto? Porque se a resposta for sim, eu realmente espero que o meu não ligue se por um acaso eu começar a falar dormindo, isso tende a acontece as vezes! E eu não estou afim de acordar, de novo, com a pessoa em cima de mim com um travesseiro! Ela jurou que estava apenas tentando matar um mosquito, mas eu tenho as minhas duvidas!
Já, já saiu. Olha, pelo menos eu não vou ter que me preocupar com isso, já que eu não estou no mesmo quarto que você. Mas olha, você pode tentar começar a dormir usando aquelas máscaras que os médicos usam, vai que dá certo e pelo menos abafa o som da sua voz?
Bem, eu estou te dizendo que é um bom pai e é um ótimo começo não derrubar a pobre criança no chão. — Sorriu e logo amassou sua lata colocando-a no chão — Você é incrível de dizer não ao aborto, você estaria tirando a vida de algo que não tem culpa pelo erro de vocês e eu acredito que ela tenha trazido muita alegria aos dois. — Parou por um segundo e começou a estralar os dedos, era uma mania que nem todos gostavam mas era impossível não fazer quando estava nervosa ou pensativa. — Sinceramente, eu acho que esperava tudo, menos você dizer que era pai. E não demora muito, até lá era já vai ter um vestido exclusivo da Skye, palavra de escoteira.
É, eu sei. Fiquei surpreso comigo mesmo. - brincou, sorrindo de canto, e então bebeu mais um pouco do refrigerante, aproveitando para terminar aquela lata e fazendo a mesma coisa que a garota, dizendo a si mesmo que jogaria tudo no lixo mais tarde. - Sim. Foi uma situação bem complicada, mas eu acho que quando você para pra pensar, é uma coisa incrível, sabe? E talvez era pra acontecer. - deu de ombros por um momento, observando enquanto a menina estalava os dedos, terminando a sua fatia de pizza, e então soltou uma risada abafada, assentindo àquilo. - Acho que você esperaria que eu dissesse até mesmo que trabalho como stripper nas horas vagas, mas não isso. Está tudo bem, eu sei que não se vê isso todo dia. Ah, é sério?! Eu estava brincando quanto a isso, mas se você estiver disposta, eu vou agradecer muito. E eu pago qualquer preço.
a safe place to hide; kade&oliver {flashback}
Talvez estivesse errado, talvez aquilo não fosse ao todo tão ruim, certo? Ele podia fazer aquilo. Podia manter um assunto com um total desconhecido qual tinha acolhido em seu quarto, apenas para ser bom mais um pouquinho. Era como se a sua consciência estivesse falando “você sempre gostou de animais abandonados mesmo” o que não deixava de ser mentira, mas comparar o garoto a sua frente com um animal era a coisa mais hedionda que o moreno poderia fazer em toda a sua vida. Tudo bem que certos filhotes eram fofinhos e bonitinhos e encantavam Oliver desde a primeira vez que tivera posto os olhos dele, tal como Kade, mas… Só com aquele pensamento o menino quis poder tirar o seu cérebro de dentro da cabeça e pisotear o mesmo, porque ele merecia. – Ah, eu acho bacana pessoas que seguem profissões porque era isso o que eram boas na escola. Normalmente é o que mais dá certo, não é? – não, ele não sabia. Afinal, sua matéria preferida na escola não era literatura ou inglês — por mais que gostasse realmente muito de ambas — sua matéria preferida talvez fosse mesmo filosofia por causa do professor, mas não era como se o ensino não o encantasse totalmente também.
Nos próximos minutos não era como se o garoto pudesse mentir que não estava incomodado, principalmente pela pergunta de Kade. Ele sempre ficava daquele jeito quando alguém perguntava seus motivos por gostar tanto de literatura, por ser tão deslumbrado com a matéria que poderia ser considerado uma doença. Porque o real motivo ele nunca iria falar em voz alta. – São livros. – basicamente repetiu a fala do outro garoto, rindo de forma baixa. Não tinha bem o que explicar, no fundo, sentimentos significativos eram sempre os piores a serem demonstrados ou descritos com perfeição, e ele sabia bem daquilo. – Eu tive uma pessoa que me ensinou bastante como eles são importantes, não só para o conhecimento, mas para a formação de cada alma. E eu gosto bastante disso.
Seu real motivo nunca séria explicado. Talvez apenas três pessoas no mundo sabiam como aquilo significava para si realmente, por sentirem a mesma coisa de um jeito diferente, por saberem de toda a história e dos pensamentos do menino. Três pessoas tirando o seu psicólogo. O que não era uma novidade já que em geral Oliver considerava o homem como parte de seu corpo. – Quando eu era pequeno eu gostava de inventar. Passava mais tempo com os meus amigos imaginários do que com os de verdade. Isso me fez o que eu sou, acho. Mas a minha história é muito sem graça. – indicou aquilo com o nariz franzido em uma careta breve, mas logo tinha o usual sorriso de covinhas em seu rosto. – Me fale sobre você, se não for pedir demais. De onde você veio? É inglês, não é?
Se o perguntassem, Kade descreveria Oliver talvez como o completo oposto de como ele imaginara que os veteranos ali seriam. Afinal, mesmo que tivesse provavelmente quase a mesma idade que eles, Kade sabia que sempre, em qualquer instituto que ele começasse a frequentar, haveria aquelas pessoas que pareciam ter ficado presas nos seus quinze anos de idade. Mas Oliver não era assim. Pelo menos ele não havia carregado Kade até o seu quarto só para poder terminar de pintar o seu corpo porque os seus colegas não haviam conseguido acabar o trabalho. Ele aparentemente estava fazendo aquilo por pura vontade e bondade, e Kade apreciava e agradecia isso muito. Deveria tentar comunicar-se mais com ele, não deveria? Então, com esse pensamento, acabou assentindo brevemente quando o escutou, fitando o menino. - Acho que sim. Quer dizer... Você se dá melhor numa profissão que sempre gostou, não é mesmo? É o mesmo princípio. - riu baixo, dando de ombros de maneira vaga.
Kade percebeu a forma com que Oliver havia ficado depois da pergunta que fizera a ele. Sua mente continuava lhe dizendo que não deveria ter falado nada, somente mantido a boca fechada até o outro garoto se cansar e mandar Kade dar o fora dali porque os veteranos no jardim já haviam se distraído. E já ia retirar o que havia dito quando o ouviu, o que o fez voltar a fechar a boca, comprimindo os lábios e assentindo devagar com as palavras do menino. Sentia que alguma coisa estava sendo omitida ali, e é óbvio que Kade entendia isso. Quer dizer, ele não realmente esperava que Oliver contasse todos os mínimos detalhes sobre a sua vida para um completo estranho, esperava?! Mas é claro que não. Era algo totalmente compreensível, e Kade somente lançou um leve sorriso para o outro menino, apreciando a forma com que ele lhe dissera pelo menos aquilo.
Então, quando voltou a escutar o garoto, arqueou as sobrancelhas, rindo baixo com a fala dele e negando com a cabeça brevemente. - Quem nunca teve amigos imaginários, que atire a primeira pedra. - deu de ombros, sorrindo de canto, e logo assentiu ao ouvir a pergunta do menino. - Sim, eu sou de Blackpool. Você também, não é? Quer dizer... É inglês. Não de Blackpool, porque aí eu provavelmente reconheceria você. - franziu um pouco a testa ao perceber o quão confuso aquilo soara, mas acabou rindo abafado, logo mordendo o lábio inferior levemente quando levou ambas as mãos para os próprios joelhos, mantendo-as ali. - Olha... Eu sei que eu provavelmente vou acabar te incomodando estando aqui, se é que eu já não estou, mas se você quiser que eu vá embora a qualquer momento pra... Eu não sei, dormir ou fazer qualquer outra coisa importante, você pode falar, tudo bem? Já sou grande o suficiente para entender quando as pessoas não me querem por perto. - soltou uma risada baixa daquilo, embora estivesse falando sério, permanecendo olhando para ele por mais um segundo antes de desviar o olhar para suas mãos, não muito certo do porquê de ter falado aquilo. Pelo pouco que vira, já conseguira assumir que Oliver provavelmente era gentil o suficiente para nem ao menos conseguir falar que Kade estava o incomodando, mesmo se estivesse. Então, não duvidava nada que estava falando aquilo sem motivo algum.
Tipo o que aconteceu agora?
É. E é agora que a gente se encara sem falar nada por uns dez minutos.
Will we be youtube stars? | {Angel x Kade}
A ideia não fora dela. A ideia fora de Kade. Sair por aí comentando uma coisa inocente, que costumava acontecer com ela quando era ainda adolescente e que para ela era super normal, enquanto que para as outras pessoas… Talvez soasse… Bem estranho. “Meus amigos desenhavam pintos nos gessos que eu usava quando quebrava algum osso. Meu primeiro pinto foi com quinze anos”. Declarar isso ao rapaz tinha o feito dar a ideia de sair dizendo para outras pessoas no meio da rua e registrar as reações.
E era exatamente isso que ambos tinham feito durante toda aquela tarde de clima gostoso naquela praça não muito longe da universidade. Não estava nem quente, nem frio, a temperatura estava perfeita para um passeio e para a missão maluca que os dois estavam tendo. Já tinham gravado com umas sete pessoas. Angelina chamava-as como se fosse perguntar uma informação e simplesmente contava o fato, as reações foram as mais diversas, alguns riam, outros olhavam a garota como se tivessem tentando entender o que ela queria dizer com “meu primeiro pinto foi aos quinze anos”. Enquanto isso, Angelina ficava lá, segurando uma risada e tentando parecer o mais natural possível. Se saíra até que bem, talvez se não desse certo o curso de fotografia, poderia tentar artes cênicas. Ou talvez fazer o outro curso depois que terminasse esse primeiro.
Ao fim da sétima gravação, ela pediu tempo. Fazendo um “T” com as mãos, não aguentou, finalmente descarregando toda a risada que tinha guardado enquanto gravavam. Aquela risada que ela mesma considerava parecer a imitação de um pato. A garota caminhou até um banco e jogou-se deitada nele, não conseguindo parar de rir. — Ah, Kade! Sendo sincera, não achei que a cara daquela gente ia ser tão engraçada! Vem cá, me mostra o último vídeo. Aquela velhinha me olhou como se eu fosse uma prostituta. Achei que ela ia bater com o guarda-chuva em mim. Juro pra você. — declarou, voltando a rir ao lembrar a cara da senhora já de idade. — Acha que a gente tem que gravar com mais uma pessoa? Teve aquela senhora que sei lá por que diabos fugiu antes de eu fazer a pergunta. Tenho cara de ladra, Kade? Seja sincero. — perguntou, sentando-se no banco e dando batidinhas no espaço ao seu lado, esperando que o rapaz sentasse ali.
Kade tinha consciência da quantidade de vezes em que havia dito algo no passado e não realmente falando sério quanto àquilo, mas aparentemente as pessoas para quem ele falava as coisas acreditavam que ele estava falando sério e levavam tudo pessoalmente demais. Talvez aquela fosse uma dessas situações. Quando dissera para Angel que deveriam sair por aí filmando a reação das pessoas quando a menina contava a eles que "seu primeiro pinto" tinha sido aos seus quinze anos, não estava realmente falando sério. Kade realmente não sabia qual era o problema consigo. Já havia ponderado a possibilidade de talvez sempre soar de forma séria, mesmo em seu tom de voz mais brincalhão. Ou talvez ele sempre dizia as coisas sem nem perceber que estava dizendo. Para falar a verdade, ambas as opções eram coisas bem possíveis de se acontecerem.
No entanto, enquanto estivera ali no parque durante aquela tarde, andando atrás de Angel somente com a câmera do próprio celular em mãos, tentando o seu máximo em não soltar uma gargalhada no meio das gravações somente pelas reações das pessoas, ele não se sentia tão arrependido pela menina não ter levado aquilo somente como uma brincadeira. Havia se divertido de verdade, talvez de alguma forma que não havia se divertido em muito tempo, e ele tinha a maior sorte do mundo que seu celular tinha tanto espaço. Afinal, para a quantidade de pessoas que lhe mostravam reações tão engraçadas àquela pequena frase dita pela loira, ele precisaria de bastante espaço para os vários vídeos. Mesmo assim, não reclamou quando a viu fazer um sinal que claramente pedia tempo, somente começando a rir junto à menina enquanto ia atrás dela, observando enquanto ela se deitava no banco.
Aproveitou para passar os olhos pela galeria de seu celular enquanto escutava a menina, ainda rindo baixo das palavras dela enquanto aproximava-se mais do banco. - Eu também achei que ela ia bater em você. Na verdade, em nós dois, porque ela olhou pra mim com uma cara de "você também tá envolvido nisso, seu moleque?!" - tentou imitar a voz da mulher, rindo abafado de como aquilo havia saído, e logo chegou mais perto do banco quando viu o gesto da menina, sentando-se ao lado da garota no mesmo, arqueando as sobrancelhas quando desviou o olhar de seu celular para fitá-la ao seu lado. - Hum... Você quer que eu diga a verdade? - brincou, sorrindo de canto, mas logo tocou no ícone do último vídeo filmado, entregando o celular para a menina, mas ainda deixando o vídeo pausado. - Acho que mais um não vai fazer mal algum. Vê o vídeo aí, eu vou procurar a próxima vítima. - riu baixo, piscando para ela antes de dar o play no vídeo, logo franzindo um pouco a testa enquanto olhava em volta no parque, observando todas as pessoas que passavam por ali.
Eu acho mais fácil eu fazer, sempre tou fazendo alguma merda por ai. Então não brigue comigo que também não brigarei com você.
Também sou horrível começando qualquer assunto, caramba temos muito em comum. Agora uma pergunta, como conseguimos começar esse assunto se nenhum dos dois sabe fazer isso?
Tudo bem. Então... Temos um acordo.
Hum... É, é uma pergunta interessante. Mas um assunto acabou puxando o outro, então não foi tão difícil. O difícil mesmo é quanto o assunto acaba completamente, daí sim fica complicado.
Relaxa, eu sou uma pessoa muito calma, eu só dou bronca na pessoa se ela fez um merda muito grande, o que não seria o caso. Isso mesmo.
Eu sou dessas também, tem horas que se não mandarem eu me calar eu falo até o outro dia sobre o mesmo tópico. Eu acho isso bom sabe? Porque nunca falta assunto.
Certo, então eu vou tomar cuidado pra não fazer nenhuma merda muito grande perto de você, beleza? É, pensando assim, é algo bom. Mas eu sou horrível começando assunto. Tipo, eu não consigo pensar em mais nada, então é melhor ou a pessoa com quem eu esteja conversando ter ideia do que falar ou então vamos ficar só nos encarando com um silêncio desconfortável pairando entre nós.
Então você engravidou a sua melhor amiga lésbica? — Soltou uma risada mas logo tampou a boca com as mãos — Desculpa, eu não deveria estar rindo, mas é meio irônico. — Tirou uma calabresa da pizza e comeu, voltando o olhar para o garoto — Você deve ser um bom pai. Deve ter sido horrível mas o jeito que você falou da sua filha foi bem interessante. Meus pais me abandonaram quando eu nasci e eu fui adotada por um casal de lésbicas. E creio que sua filha será tão amada mesmo com tudo que aconteceu, vocês não a abandonaram e nem a abortaram e isso já faz vocês uns pais incríveis. Espero que eu seja convidada para a festa de três anos e que eu faça o vestido da festa dela, se não, teremos uma briga Kade.
É, engravidei. Pode rir, eu sei que é uma história bem... Incomum, pra dizer o mínimo. - deu de ombros brevemente, ele mesmo deixando escapar uma risada baixa enquanto dava a mordida final em sua fatia de pizza de quatro queijos, não demorando a pegar outra do mesmo sabor, sorrindo pelas palavras seguintes da menina. - Um bom pai? Eu gosto de pensar que sim. Quer dizer... Eu tento ser um. Ninguém me diz se eu estou fazendo um bom trabalho. Pelo menos eu não derrubo a criança no chão. - brincou, sorrindo de canto, e então mordeu o lábio inferior levemente. - Elysa queria abortar. Elysa é a mãe da minha filha e tudo o mais. Mas eu não deixei ela fazer isso. Quer dizer, tá certo que éramos novos demais pra cuidar de um bebê, mas eu não gosto desse assunto de aborto. E pode deixar, você vai ser a convidada de honra. Quanto tempo você demora pra desenhar um vestido? Porque o aniversário dela é em julho.
a safe place to hide; kade&oliver {flashback}
Oliver era horrível em manter assuntos, principalmente se achasse que a outra parte não estava interessada nem um pouco em conversar com ele, ou se quer estar ali. Uma parte de sua cabeça trabalhou com o pensamento de que talvez estivesse forçando o menino ficar ali, o que não era verdade, certo? Quer dizer, ele tinha subido para o quarto de Ollie em pura e espontânea vontade, tudo o que Oliver fez foi ser gentil e ofereceu ajuda porque ele gostava de pensar que era para isso que ainda servia, então não tinha nenhum tipo de razão para o menino estar ali contra sua vontade. Mas por outro lado, Kade podia ter o tipo de instinto que gosta de fazer o que as pessoas querem só para agradar, afinal Oliver já tinha visto esse tipo de personalidade antes e muitas vezes, principalmente dentro dos livros que lia, mas esperava piamente que aquele não fosse o caso e que ele não estava ali só por educação, afinal se sentiria terrivelmente mal depois daquilo.
Quando o outro menino disse que gostava de livros, foi impossível para o moreno não exibir um sorriso orgulhoso, o que era normal. Se Ollie escutasse uma criança de cinco anos falando aquilo iria ter a mesma reação, ou alguém em seus oitenta anos de idade, ele gostava de ouvir aquelas coisas porque livros eram, definitivamente, a sua vida. E era bom saber que as pessoas gostavam de uma coisa qual ele se dedicava tanto. – História? Parece ser interessante. Você sempre quis fazer história? – arqueou um pouco as sobrancelhas, quase bastante curioso com aquele fato, mas não era culpa dele. – É, eu faço literatura. – assentiu, de forma breve, engolindo todas as outras palavras que vieram para a sua boca em seguida. Oliver não era o tipo de pessoa que falava demais, mas ele falava demais quando se sentia nervoso, sem graça ou ameaçado. E talvez estivesse daqueles três jeitos ali. – Mas não é só por isso que eu gosto de livros, sabe? Tem muito mais. – ousou completar, mesmo que agora estivesse tentando medir suas palavras para não acabar contando nenhuma história que o outro garoto provavelmente não estava interessado em conhecer.
Se houvesse uma votação entre todas as pessoas do mundo para ver quem era a pior pessoa para se começar assuntos quando isso era algo extremamente necessário, essa pessoa seria Kade. Provavelmente seria um resultado unânime. Era exatamente como o menino se sentia agora. É claro, talvez Oliver não se importasse realmente dele estar ali e tivesse seus truques na manga para poder manter assunto com Kade, mas ele não sabia. Ele não sabia, e tinha vergonha de perguntar. Afinal, como diabos ele poderia perguntar algo como aquilo?! "Ah, me desculpe, mas você está se sentindo incomodado porque eu estou aqui fugindo dos outros veteranos? Porque, sabe como é, eu não estou sentindo que seria muito normal se você não estivesse"? É claro que ele não poderia perguntar algo como aquilo. Provavelmente Oliver pensaria que ele é a pessoa mais mal agradecida do mundo. Céus, ele não queria isso. Kade estava extremamente agradecido pelo garoto ter feito aquilo, só... Era algo um tanto esquisito em sua cabeça.
Então, assim que ouviu a pergunta dele, teve a impressão de que ele estava querendo puxar uma conversa consigo, o que era até bom, aos olhos de Kade. Se ficaria ali por mais algum tempo, o melhor a se fazer era conversar, certo? E estava feliz pelo outro garoto pelo menos parecer interessado, mesmo que talvez fosse possível que ele não estivesse. Então, assentiu para a sua pergunta, endireitando um pouco a coluna depois. - Hum... Eu acho que sim. Na verdade, há um tempo atrás eu nunca eu nunca tinha parado e pensado comigo mesmo "eu quero cursar História", só... Eu sempre gostei de História, sabe? Na escola mesmo, geralmente eu era o único que conseguia fechar as provas extremamente difíceis do professor malvado. - soltou uma risada baixa àquilo, por um momento nem ao menos se importando de ter deixado aquela informação escapar. Não faria mal algum, certo?
No entanto, sentiu-se um tanto intrigado ao escutar a fala do menino, e por mais que achasse que fosse errado e que não fosse receber nenhum tipo de resposta àquilo pelo fato de Oliver provavelmente pensar que ele era um enxerido, não conseguiu segurar a pergunta que escapou por seus lábios. - Por que mais? Quer dizer... Eu sei que são livros, e é meio óbvio por que alguém gosta de livros, mas... Eu não sei, há tantas possibilidades e... É. - comprimiu um pouco os lábios, desviando o olhar do moreno ao erguer uma de suas mãos para passá-la pela própria nuca por um momento, mas logo voltou o rosto para ele, querendo estar o fitando na hora que ele o mandasse calar a boca ou talvez -- se Kade tivesse a sorte --, quando o escutasse responder a sua pergunta -- cuja resposta estava fazendo Kade ficar estranhamente curioso para saber.
a little bit of time to clear my mind; kade&natalie
Assentiu com a cabeça sem dizer nada. Passou o olhar do garoto até o céu estrelado, encarando-o com uma admiração visível em seus olhos. Dobrou suas pernas em frente ao seu corpo, as abraçando, pensou um pouco na resposta recebida, foi bastante vaga, porém talvez, verdadeira. Não sabia ao certo o que dizer, não sentia saudades de casa, talvez de seus amigos, mas não tanto para lhe deixar desanimada, então não podia dizer que entende o que ele passava, pois ela estava tranquila em ter deixado a cidade na qual morava. "Nós estamos a poucos dias aqui e você já está sentindo falta de casa? Deixou alguém muito especial lá?", perguntou um pouco insegura sabendo que poderia estar forçando muito, não o conhecia direito para querer saber sobre a sua vida pessoal, o que na verdade, também não foi sua intenção. Olhou para ele, lhe lançando um sorriso na tentativa de lhe reconfortar, mesmo sabendo que não seria muito útil.
Suspirou, mudando seu olhar para o céu novamente. "Sem sono… Tem razão, isso nem passou pela minha cabeça. Talvez algum sonambulo me ataque…", riu pensando na possibilidade de acontecer o que havia mencionado, aquela universidade era muito tranquila, principalmente durante a noite e madrugada, aparentemente todos respeitavam as regras e iam dormir cedo. Com esse pensamento, percebeu que se alguém aparecesse ali, o resultado disso não seria muito bom, mas resolveu ignorar esse detalhe, voltando a pensar na conversa que estava tendo. "Sabe, nós podemos não nos conhecer muito bem, mas eu ia seguir o curso de psicologia, sou muito boa nisso, devia confiar." o encarou rindo de si mesma pelo o que havia dito, mas não viu problema algum naquilo, ela não tinha nada para fazer e estava sem sono, enquanto todos estavam dormindo em seus dormitórios, inclusive os adultos responsáveis pelo lugar e o garoto não parecia estar em uma situação muito diferente.
Por mais que toda aquela situação fosse de fato um tanto esquisita, Kade não podia negar que não era bom. Quer dizer, caso a menina não tivesse aparecido, ele teria continuado ali, sozinho, provavelmente seu silêncio interior fazendo o efeito contrário ao que ele queria conseguir obter com aquilo. Mas agora, com ela ali, talvez ele poderia colocar para fora tudo o que estivera guardando para si. Talvez. Ele ainda não sabia se estaria irritando a garota com as suas histórias e seus dilemas, e preferia não arriscar enquanto não recebesse algum tipo de confirmação vindo dela. Então, riu baixo ao escutá-la, assentindo à pergunta que ela fizera. - Sim. Eu só... Não estou acostumado a ficar longe, sabe? É complicado. - deu de ombros brevemente, como se aquilo não importasse, virando o rosto para olhar para a menina e retribuiu o sorriso que ela lhe dera antes de passar a encarar os próprios braços sobre os joelhos.
Escutou atentamente enquanto a garota falava, acabando por soltar uma risada abafada e arquear as sobrancelhas, inclinando a cabeça para trás até a encostar no tronco atrás de seu corpo, assentindo brevemente. - É, você tem que tomar cuidado. Talvez pode ter algum maluco perambulando por aí no meio da noite. - permaneceu com somente uma de suas sobrancelhas erguidas agora, olhando para ela pelo canto do olho com um sorriso de canto estampado em seus lábios, mesmo que não estivesse realmente brincando quanto àquilo. Estava realmente tarde, e não duvidava nada que Natalie sofresse aquele tipo de risco. Se algum doido aparecesse e tentasse alguma coisa com ela, Kade não sabia se seria até possível para ela escapar. Mas tentou tirar esses pensamentos da cabeça, agora novamente virando o rosto na direção da menina para poder fitá-la mais uma vez, um tanto curioso. - E o que você cursa agora? Porque, sabe, eu não vou ficar aqui discutindo os meus problemas e conflitos internos com alguém que cursa, eu não sei... História, como eu. - fez careta, mas sabia que ela saberia que era apenas uma brincadeira quando deixou escapar uma risada baixa, porém divertida, ainda mantendo o tom de voz não muito alto, não querendo perturbar o silêncio que a noite os oferecia.