Another casualty of war .:. Malfoy x Dolohov
abraxxxas :
Por mais orgulhoso que fosse, Abraxas não conseguiu conter um sorriso contrariado diante das verdades despejadas pelo mais novo. Normalmente reviraria os olhos ou torceria o nariz para o sarcasmo do russo, até responderia no mesmo tom, mas estava contente demais para pensar em qualquer tipo de retaliação. Antonin tinha toda razão, no fim das contas: era sua culpa que estivessem há tanto tempo sem trocar uma só palavra. Em defesa de Malfoy, porém, era difícil ser racional tratando-se de Dolohov.
Quando o sextanista aninhou-se em seu pescoço, o mais velho ignorou a fraqueza que ainda o acometia para envolver Antonin com um dos braços, enquanto a mão livre ocupou-se com suaves carícias nos cabelos escuros e macios.
— Como eu? — O sorriso ameno de Abraxas transformou-se numa risada que teria soado alta se não fosse por sua saúde comprometida. — Digamos que eu apenas seja especialista em extrair o melhor das circunstâncias, sabe como é… Corre no meu sangue. Talvez aquele chapéu estúpido tenha te colocado no lugar certo. — Concluiu a brincadeira com um beijo rápido na testa de Antonin e o apertou contra si, como se já não estivessem suficientemente próximos um do outro.
Em seguida, o bom humor de Malfoy esmaeceu. Mesmo que tudo parecesse estar finalmente bem entre os dois garotos, o monitor-chefe tinha plena consciência de que as brincadeiras não resolveriam de fato a situação. Nada o desagradava mais do que a necessidade de uma conversa franca, mas sentia que estava em débito com Dolohov.
— Então… — Começou ele, tentando, sem sucesso, esconder o desconforto. — Sei que fui um pouco idiota. Bastante, na verdade. Eu deveria ter compreendido. — Admitir as próprias falhas soava melhor do que um simples pedido de desculpas na opinião de Abraxas. — Fiquei com raiva porque a impressão que tive foi a de que você não confia em mim, já que… Bom, você é a pessoa em que eu mais confio. — A voz do loiro era tão serena quanto os dedos que ainda percorriam os fios de Antonin. — E senti medo, claro. Medo de você ainda ter sentimentos por outro. Isso me destruiria.
Chegava a ser cômico. Abraxas Malfoy, o rapaz cuja autoconfiança beirava a prepotência, inseguro feito uma criança quando o assunto era seu tórrido relacionamento com Antonin Dolohov.
— Por Merlin, devo estar soando tão patético quanto uma garotinha apaixonada. — Que ambos se gostavam não era novidade, mas nunca haviam chegado a falar abertamente sobre questões sentimentais. Era uma sensação no mínimo estranha, mas Malfoy limitou-se a rir. — Não posso evitar.
Quando Antonin traduzia seus sentimentos em palavras, fazia isso nas cartas. Era mais simples, menos constrangedor. Os pensamentos acalorados passavam pelo filtro da claridade quando pensadas e repensadas antes de serem escritas e assinadas. Dolohov, por mais impulsivo e estourado que fosse, não gostava de espalhar-se demais nesse assunto. Quando tinha a chance de estar com Abraxas, intimamente juntos, falar era complicado. Não havia o tempo necessário para organizar os pensamentos antes de acabar parecendo justamente...
— Uma garotinha apaixonada. — A concordância veio em forma de riso. Sem sarcasmo dessa vez. Antonin ria encantado. Ria como se dissesse “eu amo quando você fica assim”. Ria de alívio, de felicidade, de tudo de bom que evaporou assim que lembrou-se de Andrei. Estava devendo uma resposta ao rapaz desde a semana passada, incapaz de abrir um pergaminho para destilar o afeto falso que lhe garantiria resultados a longo prazo. Longo demais. Era um plano arriscado sustentar a falsa amizade com seu inimigo, ainda mais tratando-se de Antonin que pouco jeito levava para as sutilezas. Mas estava tentando. Estava conseguindo. Bem, precisava conseguir.
— Meu único sentimento por Luzhkov é ódio. — Ele acabou deslizando até acabar com a cabeça sobre o peito de Abraxas. Estava completamente torto dividindo espaço no pequeno leito mas o desconforto não o fez desistir de buscar no colo do mais velho a segurança que andava lhe faltando. — Mas ele ainda tem o que eu preciso.
Esse assunto o derrotava. Antonin, cansado, suspirou e sentou-se no pouco espaço que tinha. Com o queixo sobre a mão e o olhar sobre Abraxas, ele parecia refletir. Quando ele fez uma careta desgostosa e tocou o próprio nariz, resmungou.
— Meu nariz está doendo. Não podemos ir embora daqui? Você não consegue levantar? — Ali estava a impaciência que no fim sempre aparecia. — Eu posso te carregar, eu não me importo.
Antonin olhou para os lados e a enfermaria continuava tão silenciosa e vazia quanto antes. Poderiam fugir com facilidade mas um flagra no meio do caminho não era impossível. Não quando Abraxas estava tão debilitado e ele ainda branco como cera de vela, fraco pela perda de sangue. Ainda assim Antonin parecia mais disposto a acabar em detenção por sequestrar um enfermo do leito a falar abertamente sobre seus sentimentos.


















