standing next to me: turning the tension round | @camitch
A expressão chocada de Hayford não chegava nem perto de alguns olhares indignados que Mitchell recebia naquele ambiente. Aquele era oficialmente o evento em que Mitch seria a vítima, o alvo, o pato a ser morto por um bando de caçadores sem propósito. Por sorte, ele tinha o apoio de seu pai, que era praticamente a pessoa mais importante ali dentro, além de uma autoconfiança sem igual, então ele pouco se importava. Se dependesse dele, daria um puta amasso em Cameron no meio das mesas, só para causar polêmica, mas o mínimo de etiqueta ainda era necessário em um ambiente tão aristocrático. Mitchell parecia um recém nascido passando de mão em mão nos núcleos de conversa da festa, que eram compostos por um público bastante diverso, apesar de conhecido. Estabeleceu contato com políticos que amava e admirava, com estrelas de cinema, com antigos amigos, com parentes e com pessoas extremamente influentes. Não se sentia daquela maneira desde a última reunião nos Ward, já que a Omega nunca lhe rendia histórias e conversas tão incríveis. Ao conversar com mestres e doutores em política, foi parabenizado pelo novo relacionamento e pela coragem que lhe cabia, o que pintou um sorriso genuíno em seu rosto. Mitchell dera muitas explicações sobre Cameron, já que aproveitaram sua ausência para não poupar perguntas curiosas. Entre elas, uma criança de 6 anos, filho de um casal de assistentes de gabinete de seu pai, lhe perguntou o que aquilo tudo significava. Seus pais, na frente de Mitch, respondeu que era porque eles se amavam, o que poupou o Ward de um discurso delicado e cheio de concessões. Mitchell preocupou-se novamente em olhar em volta para procurar Cameron, mas um rapaz contundente e muito conhecido rapidamente roubou sua atenção toda para ele, então deixou que seu namorado tivesse mais um tempo sozinho fazendo seja lá o que fosse.
Jeremy ainda tinha olhos extremamente curiosos sobre o presidente, o que lhe rendia risadas internas inevitáveis. Estava sozinho próximo ao portal entre a sala de jantar e a de estar, encarando Mitch e com um copo de whisky preso aos lábios. Era extremamente bonito, com a idade próxima a do Omega, assim como o porte físico. Uma conversa entre Jeremy e Mitchell era facilmente confundível com uma introdução a um pornô caro e bem produzido. Sem hesitar, Mitch caminhou até o lado dele, ajeitando o óculos sobre a ponte do seu nariz e recuperando o copo de vinho que Cameron fizera questão de levar consigo para o buraco negro em que havia se metido. O Omega se postou ao lado do outro, mas sem dizer uma palavra sequer. O primeiro a tomar uma atitude fora Jeremy. “Quem diria. Mitchell Ward…”, sua voz soava igualmente surpresa e desapontada, provavelmente por não ter sido ele a ter feito esse lado do presidente aflorar. Mitch soltou uma risada nasalada e curta, como se não estivesse impressionado com a reação alheia. — Considerando que nem eu imaginava que isso fosse possível, quem diria mesmo. — comentou, dando outro gole em seu vinho. Um olhar enigmático se colocou sobre a expressão de Jeremy e sua cabeça pairava sobre assuntos que Mitchell tinha medo de perguntar. O outro garoto hesitou, como se fosse fazer uma pergunta pessoal demais para a ocasião, então logo desistiu e voltou a fechar a boca. Logo em seguida, outra pergunta lhe surgiu: “Isso significa que eu ainda tenho uma chance com Evan?”, perguntou, com um pouco mais de humor em sua voz. Mitchell deixou uma risada divertida e maior escapar por sua boca. — Custa nada tentar, mas vale ressaltar que ele é muito mais bottom, não se deixe enganar pela pose. — o presidente deu de ombros, com a brincadeira em evidência em sua voz. Jeremy ia retrucar, com um sorriso no rosto, quando, de repente, Angie anunciou, com seu sotaque forte, que o jantar seria servido. Assim que Mitch olhou para o lado, sua mão foi tomada por outra bastante gelada e conhecida.
Ao olhar para cima, deu de cara com seu namorado lhe puxando para a mesa que lhes fora designada e, por alguns segundos, torcera para ele não ter ficado com ciúmes de sua conversa com Jeremy. Mitchell, contudo, sabia que aquele não fazia o estilo de Cameron — apenas quando se tratava de Lottie, o que era bastante justificável. Sentou-se ao lado esquerdo dele, com sua visão virada para Lottie, Lody e James. Evan estava ao seu lado, enquanto Bree estava ao lado de Cam. Outros amigos de seus primos também encontravam-se na mesa, mas a interação era quase mínima entre eles. De repente, um cheiro intenso e muito característico de tempero de peru tomou conta da casa inteira, atiçando o estômago vazio de Mitchell a fazer barulhos baixos e indesejados. As entradas foram retiradas da mesa para dar lugar às saladas, que foram rapidamente comidas por uma multidão de convidados famintos. Enquanto educadamente garfava um tomate, a área de seu ouvido esquentou e uma voz se propagou, dizendo palavras muito bem-vindas por Mitchell. Sentiu e encarou a mão em sua perna como uma provocação inicial, já que, fora da CRU, havia regras sobre o limite do contato dos dois namorados em público, o que tornava tudo bem mais excitante de se fazer. Enquanto o prato vazio de salada era retirado da sua frente, Mitch levou os próprios lábios até o pé do ouvido de Cam, ignorando alguns olhares incomodados que passou a receber em frações de segundo — Se você não fosse tão apressado, eu poderia agora estar concentrado na minha comida. — disse, depositando um beijo leve na pele logo abaixo de seu ouvido e levando sua mão também até a perna alheia, mas com um pouco mais de contundência e força do que o gesto do outro. Lottie observou a cena com maldade nos olhos, como sempre fazia. Mitchell não reparou na sua existência até sua voz propagar-se em tom de risada pelas mesas: “Vocês são uns nojentos”. Uma troca de olhares súbita entre ela e Mitch se estabeleceu, seguida de um silêncio geral na mesa. — E você é uma invejosa. — o clima tenso se quebrou com Mitch retrucando com tal frase, que difundiu algumas risadas tímidas e surpresas na mesa. O próprio Omega permitiu-se um pouco do espírito cômico de sua zoação ao receber como resposta um dedo do meio estendido na sua direção, com as unhas perfeitamente feitas e um olhar ironicamente matador.
Sem mais delongas, o prato de carne foi posto na sua frente e com a mesma velocidade que apareceu, desapareceu. Mitch comia com os olhos, com o nariz e com os talheres enquanto deixava a sensação de prazer tomar conta de seu corpo. Não tinha uma comida tão boa na Omega, então sentia, com frequência, saudade dos cozinheiros da sua casa, que nunca erravam a mão. Não falou e não olhou para os lados até seu prato estar limpo, o que não demorou muito para acontecer. De repente, uma ideia lhe ocorreu, uma ideia que lhe fez abrir um sorriso malicioso e cheio de planos. Mitchell levantou-se da mesa de súbito, costurando entre as mesas cheias de convidados até o outro lado, o mais próximo da cozinha. — Pessoal! — ele chamou, atraindo a atenção do cômodo inteiro para si, exatamente como mais gostava. Sua postura confiante e carismática se estabilizou, utilizando-se disso como uma deixa. Olhou para o lado direito e chamou Cory com a mão, para que ela se juntasse a ele. — Tudo que vocês comeram hoje foi escolhido, feito e organizado pela Cory, então quero que vocês a conheçam. — com muita relutância, a coroa baixinha, rechonchuda e sorridente se juntou ao atleta alto, recebendo uma explosão de palmas educadas e reconhecimento profissional. Mitchell se abaixou para falar próximo ao ouvido de Cory — Você não faz ideia de como eu sinto falta da sua comida. — seguido de uma clássica expressão de cachorro abandonado, o que resultou em um beijo estalado dado em sua bochecha diretamente dos lábios da senhora. Após o reconhecimento, Mitchell voltou à mesa com uma expressão tranquila. Um silêncio se implantou ali, que só foi quebrado por uma Melody chocada e indignada: “Seu merdinha”. Mitch respondeu com uma gargalhada extremamente misteriosa, como se realmente tivesse arquitetado um plano secreto. “Por que eu não tive essa ideia?”, James perguntou retoricamente, quase enfiando seu rosto pela mesa. “Porque você é lerdo.”, Lody respondeu de prontidão, ainda balançando a cabeça para o que acabara de ver. Mitch deixou que os dois primos trocassem farpas, resumindo-se a virar para Cameron e lançar uma piscadela. Em segundos, a sobremesa estava no prato à sua frente e Richie na mesa ao lado aprovando a atitude do filho com muito orgulho.
Apenas quando estava sentado na cadeira a qual fora designado, Cameron imaginou que Mitchell tivera que responder sozinho uma série de perguntas curiosas sobre o relacionamento que mantinham. Sentiu-se culpado por um milésimo de segundo, literalmente um milésimo de segundo, pois a comida roubara toda sua atenção. Pediria desculpas de forma (in) descente mais tarde àquela noite, mas no momento sua barriga estava clamando pela comida que seus olhos já começavam a ingerir, seus livros de ciências podiam conter fatos sobre o processo de digestão começar pela boca, porém todos seus anos de estudo eram descartados por aquele olhar faminto. Antes mesmo que começasse a demonstrar qualquer sinal de indelicadeza, ajeitara-se na mesa e começara a servir-se das saladas, após cutucar minimamente a entrada. Poderia parecer educado, mas na verdade queria guardar espaço para o prato principal de qualquer Thanksgiving que dava seu sinal já da cozinha. Era uma de suas partes favoritas, quando raramente comemorava aquela ocasião na casa de terceiros, a comida normalmente não o decepcionava e as companhias - por mais que não fosse tantas quanto naquela noite - também eram agradáveis. O loiro não viu necessidade em corresponder à provocação, abaixou o olhar para a própria perna enquanto abria um sorriso pelo contato quente dos lábios de Mitchel. O prazer do que o aguardava naquele o cômodo no quarto andar começava a competir com o prazer que sentiria ao degustar a comida daquela mansão, tinha absoluta certeza que também não se decepcionaria com nenhum dos dois.
As palavras seguintes de Charlotte fizeram com que Cameron revirasse os olhos e voltasse à atenção para sua salada ainda não terminada, já que, era a melhor opção entre constatar o silêncio das outras mesas ou fuzilar a morena junto à Mitch. A resposta nem o surpreendeu, eram farpas amigáveis trocadas diariamente na CRU, a diferença eram os níveis de provocação, obviamente Cameron não daria um amasso em Mitchell na frente da outra só para ouvir mais asneiras e sorrir tranquilo, aquela não era uma opção boa para o local onde se encontrava. Quando os empregados da casa começaram a tirar os pratos e recoloca-los com a mesma agilidade, Cameron percorreu os olhos pelas mesas, encontrando sua família não muito longe, todos aparentemente quietos, com exceção de sua mãe que parecia falar algo com seu tio. Sua atenção dividida estava atenta a cada tom mais alto que chegava ao seu ouvido, mas depois de alguns minutos naquela quietude, começou uma conversa com Bree que estava sentada ao seu lado com a atitude que uma pessoa com a importância dela exigia. Assim como Evan e Charlotte, Bree também parecia estar bastante tranquila àquele meio, não devia ser qualquer novidade para a garota filha de uns dos atores mais influentes do mundo. Evan nascera em berço de ouro e Charlotte, bom, era Charlotte, sequer precisava ser rica contanto que preservasse o carisma e a falta de vergonha que faria com que todos seus futuros filhos nascessem rodeados de joias e etiquetas. Mesmo antes da universidade, Cameron não pensara que um dia andaria com aquele grupo de pessoas que não fosse pelo lado profissional onde estaria tomando anotações mentais e faria uma social bem elaborada, mas ali estava ele, sentado ao lado do filho de um carão da política com sua própria família há algumas mesas, não poderia estar mais estranho aos seus olhos do passado.
A breve exibição de Mitch trouxera comentários que fizeram Cameron rir e concordar com Lody veemente. – Ele é um merda mesmo. – Sussurrou falsamente enquanto erguia a taça de vinho que tinha em mãos para saldar Cory que tivera tanto trabalho na cozinha, afinal. James parecia indignado com aquela demonstração, mas, no geral, muitos riam e cumprimentavam a senhora que beijava a bochecha de Mitch com o carinho que uma mãe beijava um filho. – Se tentasse chamar menos atenção, nós não precisaríamos demorar tanto aqui. – Comentou em um tom baixo, para que Mitchell pudesse escutar e ninguém mais. Realmente, não precisava de muito mais, a comida já havia sido servida, o vinho subia aos poucos a sua cabeça e tudo se assentava no estômago sem nenhum mal estar que ousasse atrapalhar quaisquer planos que ainda tinha. “Mais baixo, por favor.” Cam ouviu Bree comentando ao seu lado e acabou corando como se tivesse entornado ainda cinco taças como a que estava em sua mão. Não comentou mais nada inapropriado, voltou a comer e lançar comentários aqui e ali sobre o assunto que Lody e James abordavam em uma discussão quando até Evan entrara na conversa e de repente quase toda a mesa interagia com harmonia.
A noite no salão se prolongara por mais horas a fio, porém alguns dos convidados saíam logo depois da comida por que ainda tinham “assuntos de urgência para serem resolvidos”, não eram poucos os que davam aquela desculpa antes de passar pela porta, mas Cameron cumprimentava todos novamente. Desejava-os um bom feriado e oferecia um sorriso solene, mesmo para aquele tal Jeremy que o olhava de cima com um ar que não o agradava muito, como se soubesse de algo que Cameron não sabia, o último tratou de ignorar aquele olhar e apertar sua mão ainda com o rastro de um sorriso nos lábios. – Apareça para o casamento. – Sussurrara com o ar mais inocente que conseguira reunir quando Mitchell sairá de seu lado e ninguém mais poderia ouvi-lo a não ser o outro garoto, Jeremy, que virara as costas para andar até o lado de seu pai. Neste ponto o salão ainda estava repleto de pessoas que andavam, conversavam, bebiam e voltavam a andar. Quando o evento já não estava mais em seu declínio, caminhando para o fim, foi quando Cameron e Mitchell subiram para o quarto e não foram encontrados até a manhã seguinte pelas pessoas que perguntavam vagamente sobre a presença de ambos naquele fim de baile.














