aviation in the evening, I can feel it coming on| @camitch
Vestindo a cueca no banheiro, Cameron parou por alguns minutos para se olhar no espelho. Tinha que fazer aquilo, tinha que contar naquela noite. Houvera uma reunião mais cedo, uma reunião bastante decisiva que parecera voltar aos anos 70, mas com mais tecnologia. O diretor do NYT escolhera a dedo os jornalistas necessários para aquele trabalho que mais parecia uma missão. Não havia como falar não, apesar do loiro duvidar firmemente que haviam o escolhido por não ter filho ou esposa, apenas um marido, claro, era gay. A questão era que não era ao todo arriscado, Reynolds analisou sob todas as perspectivas e tinha certeza que a humanidade havia evoluído suficiente para que não morressem mais tantas pessoas por trás das câmeras em acidentes. Também teria uma promoção e tanto por aquilo, ganharia o reconhecimento que tanto esperava e, se tudo desse certo, suas fontes acabariam em um livro importante. Tudo indicava à coisas boas, estava feliz por aquilo, mas não sabia se Mitchell enxergaria pela mesma perspectiva. Revirou os olhos com aquilo, desde quando se importava tanto com o que Ward pensava sobre suas decisões? Faria aquilo, já estava decidido no momento em que a proposta lhe foi apresentada.
Abriu a porta que dava para o quarto e caminhou até a cama onde Mitch ainda estava. Por diversão, jogou-se por cima do rapaz com um sorriso no rosto. Levou uma mão aos seus cabelos, recém molhados de suor e mordiscou levemente o lóbulo de sua orelha. “Nós repetimos tudo agora ou você prefere que eu conte a novidade que mereceu esse tipo de comemoração?” Perguntou-lhe em um tom insinuante enquanto caía ao seu lado, com uma perna passando por suas coxas e aliviando o aperto de sua mão. Não sabia se estava fisicamente disposto a mais uma rodada e também, estava ansioso demais para pensar em outra coisa além de contar à Mitchell sobre o acordo que assinara no final da tarde. “Você sabe sobre a reunião que iria acontecer hoje, né. E que eu previa coisas boas…” sorriu mais largamente na direção de Mitch. Logo depois de suas palavras, passou o peso para ambas as pernas, sentando-se sobre o companheiro, mas com o tronco próximo ao alheio, com uma mão apoiada na cama e a outra em seu rosto. Como que querendo decorar seus traços e acariciando sua bochecha. Beijou seus lábios antes de completar a informação “está olhando para o mais novo jornalista de guerra, encarregado no Vietnã por uma equipe de vinte pessoas.” Ir para a guerra não era um problema muito grande para Cam, que sempre ouviu seu avô contar sobre ela com tanta frequência. Não seria um soldado americano, seria um simples jornalista que levaria informação para as pessoas. De fato não arriscava nada, estava mais contente por estar no topo de uma operação, com a possibilidade de comandar uma equipe ainda maior voltando a Nova York dali alguns meses.
Mitchell ainda se recuperava quando Cameron levantara-se para ir ao banheiro. Era impressionante a correlação entre seu desempenho no sexo e o tamanho do seu ego no momento do ato. Nunca era ruim, mas às vezes era excepcionalmente bom, quase como se comemorasse daquela forma tudo que estava acontecendo à sua volta. Esticou-se até o criado mudo para checar as notificações de seu celular, vendo um monte de mensagens sobre seu partido e pessoas desesperadas para falar com ele, mas havia tirado aquele dia de folga e não queria ficar se preocupando com pessoas que não fossem Cameron. Sua solução fora desligar o aparelho, sem hesitar. Recolocou apenas a cueca, já que seu verdadeiro interesse era permanecer deitado ali a noite inteira. Por sorte, Cameron logo saiu do banheiro e se jogou em cima dele, deixando o sorriso em seu rosto ainda maior. – Conta logo esse negócio que eu tô até curioso agora – Mitchell respondeu, acariciando o cabelo curto do marido, franzindo o nariz com as mordiscadas em sua orelha. Continuou a acariciá-lo quando caiu para o lado, com uma mão em seu rosto e outra sobra sua coxa. Tinha um verdadeiro interesse por saber qual era o motivo de tanta felicidade, afina, o que fazia Cameron feliz também era motivo para fazer Mitchell feliz, era assim que funcionava.
Ou pelo menos era, até ele ouvir do que se tratava. Com Cam sentado em seu colo, lhe dizendo aquelas palavras logo após um beijo, Mitchell perdeu completamente o sorriso em seu rosto. Ele não conseguia acreditar no que escutava. Não conseguia acreditar que o nível de egoísmo de Cameron conseguia chegar àquele ponto. Sabia que o marido era egoísta, sabia desde começaram a namorar – talvez até antes, porque fora ele também que causara a primeira grande separação deles. Mitchell não conseguia falar uma palavra, mas também não conseguia fechar a boca. Estava em completo choque, sem saber por onde começava a gritar. Estava começando sua campanha para ser eleito prefeito de Nova York e recebia a notícia de que seu marido iria para o Vietnã cobrir uma guerra. No meio da campanha. O momento mais frágil da vida de Mitchell até aquele momento, e Cameron não estaria lá para ele. Pior: estaria no meio de uma guerra, correndo o risco de morrer. Seu olhar encarava as orbes azuis do outro com a perplexidade que ele merecia, ainda tentando processar aquela informação. – Pera, mas… que?! – ele exclamou, balançando a cabeça e tentando se colocar no lugar – Você ‘tá tirando com a minha cara? – seu tom soava extremamente grosseiro e sua expressão também engrossou, com o cenho franzido e o toque em Cameron sendo cortado por uma esquivada fria.











