St. Johns Point, Co Down - Northern Ireland (via Roy Greer1)

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St. Johns Point, Co Down - Northern Ireland (via Roy Greer1)
I Wanna Rock&Roll All Night... And Party Everyday! | @Elektra, @Nate & @Dan
Ai, por que Amelie e Eileen tinham que ser tão… Garotas? Mil anos para se arrumar. Ela levara menos de uma hora, e isso porque tivera que dar um jeito de encaixar o presente de Nate por baixo da roupa. Enfim a loira se frustrou e voltou para a cozinha. Estava mais ágil do que antes. O efeito do álcool começava a passar.
"O que as duas senhoras estão resmungando?" Brincou, ao se aproximar. Mais uma vez foi para a geladeira para outro copo de água. Assim que terminou de beber, acendeu um sem filtro cigarro perto da janela. O tabaco logo queimou seus pulmões. Ainda bem que tinha comprado os maços no dia anterior; Aquele poderia muito bem acabar antes da noite começar.
Um plim-plim do seu celular a fez tirar o aparelho do bolso. A mensagem era de Stevens. Geralmente ela ignorava todos os sms que ele lhe mandava, por sua unitilidade, mas aquele era diferente. "Tem certeza que não quer fazer patrulha hoje? Ouvi dizer que vai haver uma grande festa com chances de pegarmos alguns traficantes." Elektra mordeu o lábio e olhou para o celular… Depois para Nate, e enfim para as próprias mãos. "Não irei hoje, sinto muito." E guardou-o frustrada. Stevens não iria a lugar nenhum sem ela. Perderiam a chance naquela noite.
Mas era por uma boa causa. "Então, vamos começar essa festa ou o quê?" Disse, ao mesmo tempo que a campainha soou.
Assentiu, não poderiam levar o plano tão além do planejado, nada poderia dar errado naquela noite. “Okay, but…” se interrompeu assim que ela chegou à sua vista mais uma vez. Escondeu a pequena pílula entre os dedos, observou-a com cuidado. Virou-se para Daniel “Como terceira opção, tenho o suficiente aqui.” Mostrou o saquinho contendo os cristais, o melhor produtor da região lhe vendera, não tinha como falhar. “Eu já volto.”
“Vamos dançar!” Puxou Elektra pela mão evitando quaisquer protestos. Deixou nas mãos de Daniel os convidados à porta. Naquele momento tinha coisas mais importantes para fazer. Olhou para os lados, buscando Ammy – ou Eileen- com o olhar. A primeira que encontrasse seria a responsável por cuidar de Elektra durante a hora seguinte. Chegou ao centro da sala já preparado para que as pessoas pudessem dançar.
Levou o ecstasy distraidamente à boca, tomando extremo cuidado para que não engolisse a saliva. Já utilizara a droga algumas vezes para saber seus efeitos e não os queria, não naquele momento. Juntou seus lábios aos dela, transferindo a pílula e torcendo para que ela não percebesse. O que menos precisava era que ela expelisse a droga. Continuou dançando no mesmo ritmo, as pessoas começavam a se acumular ao seu redor. Algumas dançando e outras conversando. “Ahn, eu já volto, okay? Preciso ajudar o Dan.” E achar as outras garotas, acrescentou mentalmente.
Elektra podia ser bastante inconveniente quando bêbada. Tinha pedido para que ela ficasse parada onde estava, mas mesmo assim a garota resolvera interrompê-los. Sorriu para Nate e assentiu, mostrando o seu apoio para que ele seguisse com o plano. De algum modo, ele sentia que tudo daria certo para aquela noite.
Quando a campainha soou, deixou o casal para trás com um aceno de cabeça e dirigiu-se à porta. Provavelmente, os primeiros convidados tinham chegado. Ao lado da entrada, tinha organizado uma mesinha pequena com algumas garrafas de pinga colorida que ele mesmo tinha preparado e a seringa que usaria para servir aqueles que vinham entrando.
– Welcome drink! – Gritou no segundo em que abriu a porta pesada de madeira, um sorriso receptivo nos lábios. Lembrava-se remotamente daquelas pessoas, e servia-as uma por uma conforme iam se aproximando. De fato, não se importava nem um pouco para quem elas eram.
Para a sua enorme surpresa, na quinta ou sexta pessoa, a garota que Daniel avistou não era nada desconhecida. Pelo contrário, ele conhecia aqueles traços tão bem que por um segundo o seu coração parou.
– Nicole? – Seu sorriso instantaneamente sumiu, e o choque o atingiu. Naquele momento, ele não conseguia disfarçar minimamente a sua surpresa. Nicole era a última pessoa que o rapaz esperava ver por ali. – Bem-vinda. – Murmurou, então virou-se para o lado oposto, tentando se recuperar do susto e buscar apoio em qualquer figura conhecida.
Finalizado: Not nice to see you... Again | @Danektra
"Sei como é. Meu pai me ensinou tudo que sei." Disse ela, lembrando-se das lições de luta que demoraram para entrar na sua cabecinha de doze anos. Perguntar “Por que” não era permitido naquela época. "Bom, quase tudo." Riu mais uma vez. Depois dos dezesseis anos ela tentara se jogar no mundo e os resultados foram aparecendo. Considerava-se uma garota das ruas a partir desse ponto.
"Então está marcado. Devo me cadastrar depois nessa academia, afinal, o show deve continuar." Seria até bom por causa do treino árduo que faria quando entrasse na seleção da delegacia. Precisava estar em forma para tudo aquilo.
"Hm… Ok. Pode ir na frente, tenho que me arrumar. Te vejo lá em vinte minutos." Elektra disse, reparando que a única coisa que usava era o suéter de Nate, ainda. Com sua moto, chegaria até antes que isso se corresse.
Agora sim poderia ir ver Dan realmente em ação e ter uma preview do que a esperava no dia que treinariam. Pelo menos assim teria o elemento surpresa sobre seu estilo de luta. Krav Magá e Boxing combinados eram um mix perigoso e esperava que o moreno não a subestimasse quanto à aquilo.
Vinte minutos depois, como prometera, estava assistindo-o jogar beiseball.
Agradeceu com um sorriso e saiu às pressas, com medo que acabasse chegando atrasado. Seu treinador era extremamente rigoroso, principalmente com ele, que era novo na equipe. Ignorou as placas de velocidade no caminho e, em menos de dez minutos, já estava no campo, vestido e com um bastão em mãos. Para a sua sorte, Ballymena era uma cidade bem pequena. Também tinha mandado uma mensagem de texto com o endereço do local para Elektra.
Depois do aquecimento, foram separados em duplas para treinar arremesso. Daniel era, desde que se conhecia por gente, um pitcher, mesma posição assumida por seu pai. Postou-se no centro do diamante, a mão direita coberta pela luva e preparou-se para atirar. Respirou fundo. À sua frente, o defensor e o batedor, ambos encarando-o com um olhar sério. Virou ligeiramente o corpo, erguendo a bola na altura do rosto e, com toda a força que possuía dentro de si, lançou-a no ar. Strike. Uma, duas, três. Home plate.
Daniel sorriu orgulhoso, ouvindo o apito do treinador, que indicava fim da sessão. Teria um intervalo de cinco minutos para respirar, depois teria que trocar de posição. E, então, para encerrar, provavelmente uma partida, onde voltaria a assumir o posto de pitcher. Enquanto despia a luva, passou os olhos pelas arquibancadas e as áreas laterais, tentando achar Elektra. Logo avistou-a perto de uma das grades que separava o público do campo, correndo para encontrá-la.
– Você veio mesmo – sorriu. – Nate continua dormindo como uma princesa? – Acenou levemente para que ela contornasse o corredor e viesse até o banco, onde ficava a equipe reserva, para que ele pudesse tomar alguns gole de água.
E, então, o resto do dia passou muito mais tranquilo do que o irlandês esperava. Era ótimo ter Elektra de volta.
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Elektra bebeu o copo todo de água em um gole só e balançou a cabeça com veemência. "E perder sua festa? Negativo. Eu ficarei por aqui até vocês enjoarem de mim." Disse, e desceu da bancada. "Estou perfeitamente bem." Quando desceu, teve que se apoiar em Nate para não cair, mas fora isso estava bem. Melhor do que muitas noites em que ficara mais ébria ainda.
"Como eu disse para Dan aqui, não estou indo para lugar algum." Acrescentou. Ao passar pelo amigo, beliscou sua bochecha. Em seguida parou em frente à um espelho, ajeitando-se com rapidez. Pelo menos seus reflexos continuavam bons. "Ah, não se preocupem comigo. Daqui a meia hora já vou estar normal de novo."
E era verdade. Seu organismo era muito forte para ceder assim. Com algumas idas ao banheiro e mais alguns copos de água, estaria tão bem quanto antes. A música alta já começava a ditar seu ritmo. Logo, logo, pessoas desconhecidas chegariam, e ela teria que lidar com todos eles. Afinal, onde estavam Amelie e Eileen? Elektra começou a subir a escada. "Ammy, é pra ainda hoje, ok? Desça logo."
Esperava que em qualquer momento o álcool ganhasse aquela batalha e ela perdesse a consciência do que estava fazendo. Soltasse as risadas aleatórias comuns a bêbados, depois disso não seria difícil convencê-la de qualquer coisa. A deixaria por algumas horas no quarto, somente a acordando depois que terminasse de vender sua parte, então poderia ficar de olho impedindo que algo terrível acontecesse. “Você tem certeza? Eu não me importaria, de verdade, se preferisse descansar.” As palavras soaram mais calmas o possível. Horas de sua tarde focada em um só objetivo que fracassara. Já devia saber que não seria tão simples, para quem tivera uma vida como a dela, devia estar acostumada a altas doses de álcool. Talvez devessem ter encomendado Everclear para aquela situação em especial, nem mesmo ela seria capaz de aguentar tantas doses da bebida forte.
Tudo havia sido planejado aos detalhes, embebedar Elektra, vender e aproveitar o resto da noite. E o primeiro era o detalhe mais importante de noite e infelizmente não fora o suficiente para prosseguir. O passo seguinte não poderia ser feito.
Aproveitou o momento para dar um olhar preocupado para Daniel “Deveríamos tentar o plano B.” Embora não achasse apropriado, não podia arriscar manter uma policial lúcida na festa, ao menos não naquela. Tirou do bolso um pequeno frasco contendo sonífero - que tivera que roubar dos químicos do hospital -, não era um dos mais fortes, mas o suficiente para deixar a pessoa desacordada por algumas horas. A grande quantidade de metanfetamina precisava ser vendida, já que comprara mais do que o necessário visando os lucros que teriam naquela noite. “É a nossa única chance.” Poderiam misturar algumas gotas ao copo de água e ela nem mesmo notaria. Ou pelo menos esperava que não.
"Daqui a meia hora já vou estar normal de novo." Aquelas palavras atingiram Daniel como um soco. Se Elektra realmente tivesse um metabolismo tão rápido assim, tudo o que tinham planejado iria por água abaixo. A intenção de deixá-la bêbada era de que ela praticamente nem se lembrasse da noite que estaria por vir, de modo que não pudesse tomar alguma medida drástica contra eles. Respirou fundo.
– Um minuto – exclamou para a jovem, acenando para que ela ficasse parada exatamente no degrau em que estava. Tinha até mesmo um pouco de medo que Elektra escorregasse ou acabasse se matando sem querer, mas não podia arriscar que ela ouvisse o que estava prestes a dizer. Então puxou Nate para o lado de dentro da cozinha, balançando a cabeça em negação. – Não podemos simplesmente eliminá-la da festa. É sacanagem demais. – No seu ponto de vista, não se importava em ir a uma balada qualquer e festejar sem a companhia da mulher, mas aquela noite era diferente. Era aniversário de Nathaniel e eles eram, bem... namorados. – Eu tive uma ideia melhor. Segure isto – disse enquanto puxava um saco meio amassado do bolso. Era Twister Azul, uma das coisas que mais amava naquela vida. – Metade deve ser o bastante. Dê um jeito de colocar na sua língua, e passe pra boca dela o mais rápido possível. Ela vai ficar muito eufórica para se preocupar com qualquer outra coisa que não seja dançar. – "E fazer sexo", acrescentou mentalmente.
Dan sabia que o que faziam era imensamente errado, mas a sua excitação era tanta que ele não chegava a se importar.
Not nice to see you... Again | @Danektra
Ela encarou-o em silêncio. Dan entendia a dor de perder um pai. Tudo que aquilo envolvia. Talvez para ela tenha até sido um pouco pior. Ele conhecera os pais antes de tudo acontecer. Elektra só se lembrava em flashes vagos de sua mãe, e de fotografias que guardava com todo o coração. Ele sentia falta dos pais, mas chegara a conviver com eles. Ela não sentia falta da mãe porque nunca a teve, mas por isso não chegara a conviver com ela. Os dois tinham baixos e altos naquele sentido.
Porém, Dan não poderia entender a raiva que Elektra sentia. Sua mãe fora assassinada. Dos cinco aos vinte e um anos ela era um poço de ódio e fúria, e rebeldia e frustração. Era feroz, era como um animal selvagem. Agora estava um pouco melhor, claro, mas se pudesse escolher, injetaria ela mesma a dose mortal que os membros da máfia enfrentariam naquele ano. Seu pai ao menos deixara ela assistir de camarote.
"Isso é verdade. Tenho mil histórias pra contar." Brincou, e então riu mais uma vez com as palavras de Dan. "Você parece uma criança falando isso. Ser que nem eu… Pode ser difícil, às vezes. Nem eu me aguento." Sorriu. "Não sei como Nate consegue me…" Deteu-se ali, porém. Não conseguia dizer “amar”. Era sempre difícil para ela falar aquelas palavras.
"Claro que já perdi. No início, eu perdia sempre. Eu enfrentava gente mais velha do que eu e perdia sempre." Disse com descaso. Era verdade. "Isso continuou por um ano. Depois, não mais." Acrescentou. Elektra depois foi até Dan e sorriu solidariamente. "Não precisa se envergonhar, Dan. Eu precisei aprender a lutar para sobreviver. No meu caso, era questão de vida e morte mesmo. Mas isso me deu uma ideia…" Com o semblante pensativo, a loira o analisou com um sorriso presunçoso. Não acreditava que Dan se tinha em tão baixa estima."Devíamos treinar algum dia."
O rapaz teve que desviar o olhar quando o nome de Nate foi citado. Ficou agradecido por Elektra não continuar a falar sobre aquilo. Então, escolheu um outro vídeo e deu play mais uma vez. Naquele, ela parecia um pouco mais confortável. Será que teria se acostumado a falar sobre o assunto? Deu de ombros.
– Ah, não estou envergonhado. – Sorriu, ainda sem olhar para ela. – Eu também perdia sempre, quando era menor. Meu pai me levava para treinar com ele. Ficava muito irritado quando só podia assistir. – Lembrava-se muito bem de quando era pequeno e fazia absolutamente tudo com Mikael. Não conseguia desgrudar um segundo sequer de seu progenitor, e, graças a ele, aprendera coisas que provavelmente não se daria ao trabalho de correr atrás atualmente. Se era um verdadeiro atleta, devia tudo aquilo unicamente ao seu pai. – Seria ótimo. Podemos ir numa academia aqui perto, que eu frequento desde que sou criança.
Acabou de assistir mais um vídeo e vislumbrou o relógio. Já estava atrasado. A temporada antes do natal estava mais perto do que nunca, e Dan sentia uma pontada de medo: não podia cometer nenhum erro. Seu treinador lhe avisara que as chances de algum olheiro aparecer por lá eram muito grandes.
– Escute, eu tenho treino de beisebol agora. Vou ficar por lá umas duas ou três horas, mas volto antes do almoço. Prometi que ia cozinhar, certo? – Levantou-se da cadeira e fechou levemente o laptop, sem se dar ao trabalho de encerrar as tarefas da máquina. Mais tarde, gostaria de poder continuar assistindo os vídeos das entrevistas. – Você quer me acompanhar? Acho que Nate não vai acordar tão cedo, e não vou te deixar aqui sozinha. – Pediu, puxando a sua mochila e agarrando as chaves do carro ao lado da porta da cozinha.
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A inglesa esperou pacientemente até Dan voltar. Não tinha vergonha das entrevistas que dera, nem da atenção que estava recebendo. Gostava de poder contar sobre sua experiência, para que o público soubesse exatamente o estilo perigoso de vida que estava levando. Queria mostrar como o programa de proteção às vítimas não era lá infalível e como teve que avançar em certas artes para ficar viva.
O assunto dos traficantes ficava bem em pauta também. Como eram cruéis, de matarem sua mãe e a jogarem no jardim de casa. Claro que este detalhe não vazara, mas o de que mataram sua mãe sim. Elektra tentou evitar toda e qualquer pergunta sobre o assunto pra não se perder na narrativa, mas às vezes era difícil se distanciar.
"Algum dia você será, creio eu." Disse em resposta para Dan. "Vai ser um tipo de fama melhor do que a minha, também." Acrescentou e bebeu do café, pensativa. "O povo me conhece como a garota que sofreu de tudo e viveu pra contar a história. Eles sentem pena. Salvo alguns que me idolatram, o público não exatamente me considera um exemplo a ser seguido." Observou o próprio rosto na tela do computador. "Os psiquiatras do mundo todo analisam cada pedaço de mim que podem encontrar, e mandam cartas. Os fanáticos mandam mais, e poucos mandam palavras que valem a pena ler."
Colocou a xícara na pia e se encostou na balcada. "Sem contar que na Inglaterra eu não podia dar um passo sem me seguirem. Para alguém que passou a vida se escondendo, é uma grande mudança." Elektra se lembrou então que Dan não conhecia toda sua história toda. Como conseguira esquecer de um pedaço tão importante? "Ah, me desculpe. Você não conhece meu passado, eu esqueci. Bom, não há muito. Eu me escondia porque a gangue mais poderosa da Inglaterra resolveu perseguir minha família depois que meu pai prendeu seu chefão. Começaram pela minha mãe. Eu tinha cinco anos quando ela foi assassinada. Depois disso entramos no programa de proteção às vítimas e rodávamos pelo país." Falou tudo muito rápido e se surpreendeu pelo fato de que não doía mais contar tudo aquilo. Talvez fosse porque estava tudo acabado agora. "Tive que aprender a me defender. Sei Krav Magá e Boxing, sei todos os métodos se você quiser desaparecer dos registros, tenho porte de armas e várias cicatrizes de todas as vezes que enfrentei criminosos."
Tomou uma pausa ali. Era muito para Dan absorver. "Pra falar a verdade, a única parte emocionante da minha vida foram os campeonatos de Boxing Feminino e os de Boxing de Bêbado pelos bares da Inglaterra." Disse, rindo. Pelo menos disso ele poderia entender mais do que uma vida de fugitiva.
Daniel teve que pausar o vídeo que assistia sobre a Elektra recatada do computador para poder se centrar na Elektra descontraída ao seu lado. Apesar de já saber boa parte do que a mulher contava, fingiu que era a primeira vez que ouvia aquilo tudo. E, sinceramente, era como se realmente lhe contasse uma história nova. Era diferente escutar as palavras vindas diretamente da pessoa que as vivenciara, principalmente porque podia sentir a emoção naquilo que ela dizia. O rapaz tinha certa dificuldade em decifrar a loira (desconfiava que ela fosse boa até demais em ocultar os seus sentimentos), mas ele podia perceber que aquela fase toda fora de uma importância inigualável na vida de Elektra. Infelizmente, não de um modo muito positivo.
– Eu sinto muito... Sobre a sua mãe. Eu convivi dezoito anos com a minha, mas, sinceramente, parece que não foi o suficiente. Nem imagino o que você deve ter passado. – Não sabia se a jovem queria ou sequer precisava do seu apoio e seus pêsames, mas ele não se importava. Queria, de um modo ou de outro, mostrar que estava ali por ela. – Deve ter sido difícil. Pelo menos sua vida não foi tediosa. – Seu tom saíra muito mais num tom de dúvida do que de afirmação. Não tinha certeza se trocaria sua vida de adolescente comum e bagunceiro por algo como o que Elektra vivera. Era realmente muito... complicado.
Voltou a fitar a tela do laptop, dando play novamente no vídeo. Assistiu-o por mais alguns minutos em silêncio, observando com cuidado a maneira como a garota se movimentava e falava. Ele não sentia pena dela. Era muito trágico ter perdido a mãe tão cedo e Daniel poderia apostar que Elektra tivera que passar por outras situações no mínimo caóticas, mas nem por isso ele conseguia ter dó. Não achava que ela merecesse aquilo. Pelo contrário, o que o irlandês sentia naquele momento era admiração e orgulho. Estava satisfeito por saber que, mesmo depois de tantas experiências tão aterrorizantes e desafiadoras, a mulher continuava ali, firme e mais forte do que nunca. Agora, ele sabia que ela seria feliz.
– Sabe, eu quero ser como você quando eu crescer. – Brincou, virando-se para sorrir para a loira. – Sua coragem é realmente assustadora. Não sei se eu teria coragem de te enfrentar numa luta um dia. – Dan naturalmente não acreditava nas próprias palavras. Ele era seguro demais para pensar que pudesse perder para alguém claramente mais fraco. Ele tinha técnica, garra, experiência... Talvez não fosse invencível, mas seria capaz de se manter de pé tempo suficiente. – Você já perdeu alguma vez?
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Elektra encolheu os ombros. Imaginava que Dan dissesse algo do tipo, e até que Nate gostaria de algo do tipo. Eram homens, certo? Rapazes viris com os hormônios ainda à flor da pele. Apenas seria natural que ficassem felizes com um presente daqueles. Ela também não reclamaria se Nate resolvesse fazer o mesmo por ela dali a dois meses.
"Está bem, se diz. É um presente muito mais fácil do que eu imaginava." Riu. Se não fosse fazer aquilo, provavelmente passaria horas e horas tentando achar alguma coisa que fosse significativa e especial ao mesmo tempo. "E não vai me custar muito… Acho que só terei que comprar a lingerie." Disse, então, pensando na proposta do moreno. Sexo, cerveja, dança. Dois dos três estavam cobertos. Só teria que arranjar a bebida depois, mas isso não seria muito difícil.
"Vá lá, sei que está curioso. Só digite meu nome e alguns vídeos deverão aparecer." Falou pra ele. Argh, tinham sido a parte mais odiosa para ela, as entrevistas. O realmente falar do negócio. O fato era que ela já não era de falar muito, e quando falava, metade das suas frases eram palavrões. Tivera que se controlar muito para não falar muitos deles, apenas alguns. Isso em um canal mais honorável e de horário nobre. Em outros menores e cujos shows passavam tarde da noite, Elektra se sentiu mais à vontade para usar seu dialeto pessoal. Fora nessas que ela realmente se soltara. Chegara até a mostrar algumas cicatrizes ao vivo.
Mas até que em todas havia sido bem carismática. Não achava que fosse, porém acabara sendo. O jeito direto, o sarcasmo, as piadas, tudo aquilo era tomado como piada para o público. Era sorte deles que ainda não haviam visto-a furiosa. Talvez não gostariam muito dela assim se vissem esse seu lado.
Por um segundo, Daniel pensou em se oferecer para acompanhá-la na compra da lingerie. Arrependeu-se no instante seguinte. Se fosse qualquer outra garota no mundo (com exceção, talvez, de Nicole), o rapaz realmente não se importaria em ajudá-la, mas, na situação em que se encontrava, provavelmente teria um surto no meio da loja. Resolveu, então, simplesmente ignorar o comentário.
Sem enrolar muito, subiu as escadas pulando alguns degraus. Vestiu uma roupa mais confortável, enfiando o uniforme do time na sua bolsa e agarrando o laptop em cima da cama. Menos de quinze minutos depois, já estava de volta à mesa ao lado de Elektra, digitando o nome da mulher no YouTube.
– Não achei que um dia fosse ser amigo de alguém famoso – sorriu. – Aliás, achei que o famoso fosse ser eu. Sabe, um jogador super conhecido por aí. – Contou, enquanto dava play em um dos vídeos mais visualizados da lista. Era engraçado e ao mesmo tempo estranho ver alguém que conhecia tão bem num daqueles programas renomados de entrevista. Elektra estava claramente desconfortável. – Deve ser legal ser conhecida assim... – Ainda que para ela parecesse claramente o oposto, Daniel viajava na ideia de um dia poder ter fama, dinheiro, carros, mulheres... Era fútil, ele sabia, mas ainda assim o moreno desejava imensamente tudo aquilo: ser reconhecido verdadeiramente pelo que sabia fazer de melhor.
I Wanna Rock&Roll All Night... And Party Everyday! | @Elektra, @Nate & @Dan
Elektra cambaleou um pouco, a cabeça girando. Há quanto tempo estavam jogando aquele jogo, ela e Nate? Desde depois do almoço, se lembrou com algum esforço. A cabeça estava leve demais. Mal conseguia sentir o resto do corpo também, quanto mais enxergar o copo que tinha que acertar para fazer Nate beber da Tequila José Cuervo que abriram.
A inglesa começara bem. Mesmo ambos acertando nos copos, ela se manteve sóbria por muitas rodadas, graças ao ótimo costume que tinha de beber pelo menos um copo toda noite. Eram quatro horas da tarde a esse ponto. Às seis já estava errando os copos. Às oito já não conseguia enxergar os buracos. E finalmente, às dez, estava em completo torpor. A garrafa esvaziara por completo.
"Acho melhor pararmos. Eu já nem consigo ficar em pé." Riu sozinha da própria desgraça. Tudo bem que era aniversário de Nate, mas não tinha planejado ficar tão bêbada. E pior, ninguém sabia como ela ficava naqueles momentos, nem mesmo ela. Quando acordava no dia seguinte, lembrava-se de pensamentos soltos e flashes confusos, mas nada por inteiro que indicasse seu temperamento enquanto embriagada.
Bom, como ninguém havia morrido naquelas noites, Elektra supôs que ficava bem. Ou tão bem quanto alguém que tinha virado uma garrafa inteira poderia ficar. A loira prosseguiu para a cozinha e se sentou no balcão, meio tonta e cambaleando. Precisava beber água.
"Nate, pode me pegar um copo d’água, por favor?" Disse, então, a voz um tom mais alta e bem firme. Pelo menos isso conseguia manter.
Estava completamente sóbrio. Cada coisa estava em seu devido lugar, os pensamentos claros. O plano fora exatamente como o planejado: a primeira rodada de copos fora preenchida com a bebida e a cada copo vazio, chá tomava seu lugar. Não fora difícil manter uma garrafa escondida, principalmente tendo Daniel para ajudar a distraí-la quando a troca era feita. O pouco álcool circulando seu corpo não era nem mesmo o suficiente para deixar suas bochechas rosadas. Acostumado às bebidas fortes já era mais um ponto ao seu favor.
Não se culpou pela atitude tomada, os negócios estavam em um patamar importante naquela noite. Já haviam planejado aquilo há algum tempo, estavam em divida com os “comerciantes” e teriam de pagar e aquele era o único modo de conseguirem.
A música alta já agitava a casa, anunciando o começo da noite, os convidados chegariam logo. Tinha pouco mais de uma hora para que a ajeitasse, a primeira parte da missão já fora cumprida. Andou próximo a ela, certificando-se que não tombaria. “Está tudo bem?” Entregou o copo a ela. Os sinais de embriagues eram claros, embora ainda não suficientes para que a deixassem completamente mal. “Você quer se deitar?” Tentou não transmitir um olhar esperançoso, mas confiava que estaria mais segura em seu quarto. Principalmente com a chance da maior parte das pessoas que viriam ficarem alucinadas.
Finalmente, era noite. A manhã e boa parte da tarde tinham se arrastado com grande dificuldade, como se insistissem na ideia de que Daniel deveria sofrer nas mãos de sua própria ansiedade. Depois de ter sido praticamente chutado para fora do quarto de Nate horas antes, encontrara o amigo na garagem e tinham tramado um plano que o moreno achava no mínimo engraçado. Rira por muitos minutos ao saber que Elektra se tornara uma policial, com distintivo e tudo, recordando-se do quanto costumava odiar tudo o que envolvia a polícia local. Era irônico. Então, Nate sugerira um jogo qualquer para embriagá-la e tirá-la fora de sintonia, de modo que ela não pudesse atrapalhar os planos para mais tarde. Sergia trágico se Elektra quisesse bancar a heroína e, pior do que isso, levá-los em cana.
Passou a tarde correndo atrás dos últimos preparativos, voltando ao supermercado uma última vez naquele dia para comprar mais algumas garrafas de vodka e tequila. Além disso, arranjara uma pinga barata e alguns corantes, para que pudessem preparar o welcome drink. Era um ritual que eles mesmos tinham inventado, onde, para cruzar a porta, os convidados precisavam receber uma quantidade do líquido, servido numa seringa diretamente para a boca. Era simples, barato e divertido. Pequenos detalhes faziam toda a diferença.
Quando o seu relógio apontava quarenta minutos para o início da festa, resolveu tomar mais um banho e vestiu a melhor roupa que possuía em seu armário. Seria seu primeiro reencontro com as meninas de Ballymena e região (com um pouco de sorte, as de Belfast também viriam) e ele precisava estar o mais apresentável possível. Estava afastado daquele meio há quase três anos. Apalpou o seu bolso para certificar-se de que seu Twister Azul estava ali; não tinha comprado drogas em grande quantidade porque sabia que o melhor a se fazer seria primeiro sentir a vibe daqueles que participariam da comemoração. Caso tudo ficasse careta demais, seria impossível conseguir vender a mercadoria. Mais tarde, quando as coisas esquentassem, poderia sair com Nate e resolver o problema, mas, por enquanto, tinha consigo apenas o suficiente para si mesmo.
– Galera, vocês estão prontos? – Gritou para que todos pudessem ouvir, em cada um dos cômodos em que estavam. Eileen e Amelie ainda não tinham saído de seus quartos, então resolvera procurar Nate e Elektra. Quando entrou na cozinha, não conseguiu conter uma risadinha. – Elektra. Você parece... mal. – Voltou-se para fitar Nathaniel, com um olhar de aprovação. Ele realmente tinha feito se esforçado em derrubá-la praticamente por completo. – Só espero não ter que ficar cuidando de ninguém. – Declarou em ironia, sentando-se na banqueta em frente ao casal.
Toxic | Nate, Elektra & Dan
Um banho rápido foi o suficiente para relaxar mais uma vez. O vapor quente se misturava ao ar frio que adentrava pela porta ainda aberta do banheiro. Se bem conhecia o amigo, não desistiria tão fácil do que estava querendo. E pareceu acertar mais uma vez; mesmo com o barulho do chuveiro foi capaz de ouvir as reclamações de Daniel, não pode deixar de concordar que treze horas passavam rapidamente. Coisas faltantes a se comprar, objetos valiosos a se guardar, além das ideias absurdas para se planejar. Planos e mais planos, alguns imprevistos e toda a rotina antes de uma grande noite. E precisava considerar que devia ao menos passar na casa dos pais para não despertar nenhuma suspeita. Não queria que aparecessem ali no meio da tarde.
“Hey, eu posso te ouvir daqui, sabia?” Gritou mais uma vez logo após desligar o chuveiro. O mesmo Daniel de sempre. Uma vez cafajeste, sempre cafajeste. Saiu com uma toalha enrolada na cintura e apontou para a porta do quarto “Eu vou chutar esse seu traseiro até você sair.” Forçou-se a manter o olhar sério, mesmo que concordasse sobre o tempo, sabia que tinham alguns minutos de bônus para que Dan não tivesse que ficar parado ali. Parou em frente ao guarda roupa, pegando as primeiras roupas que encontrou. Sentou-se ao lado de Daniel com um olhar maníaco. “E eu falo sério.”
Elektra pousou o charuto em um cinzeiro com um sorriso. Às vezes se esquecia que Dan também utilizava o corpo em sua profissão. De fato, ela via que futuramente Nate teria grandes problemas com as síndromes que surgiriam no corpo de ambos.
“A massagem eu passo. Mas talvez eu possa consertar esse ombro.” Disse, pegando o charuto de volta e o prendendo na boca. Tinha aprendido a descolar e recolocar o ombro no lugar quando tinha dezesseis anos, e com aquilo também aprendera a lidar com certos nós e viradas bruscas. Elektra foi até a cama, ficando de joelhos, Dan à sua frente, e colocou ambas mãos nos ombros dele até sentir o foco mais tenso. Começou então a sua “massagem”, e enfim ouvir um leve “crack”. "Aí. Está melhor?" Disse, sem certeza. O efeito era diferente em cada pessoa.
"Nate, calma. Deixe seu melhor amigo te parabenizar pelo aniversário. Podemos continuar isto aqui depois do meu banho…" Falou, então, quando passou pelo rapaz até o banheiro. "…Ou durante ele." Acrescentou assim que entrou no boxe. Já tinha largado o roupão no meio do caminho.
Calou-se e deixou de respirar por uns segundos quando sentiu a mulher posicionando-se às suas costas e tocando levemente os seus ombros. Podia sentir uma energia estranha emanando da palma dela, atravessando sua pele diretamente para as suas veias e acelerando seu coração. Ela estava próxima demais.
– Obrigado. De qualquer jeito, acho que vou ter que marcar um check up dia desses. É a segunda vez nesse mês que ele trava. – Explicou, massageando levemente o seu ombro direito, um pouco dolorido pela força que Elektra fizera. Tinha sido escalado como arremessador, e as dores estavam cada vez mais constantes. – Pelo jeito não sou o único precisando de uma massagem por aqui... – Comentou em um tom de voz um pouco mais alto, para que Nate ouvisse. Então virou-se para Elektra, apontando para o banheiro e fazendo uma conchinha com a mão em volta da boca, como se contasse um segredo. – Ele parece bem estressado, não?
Esperou Nate sentar ao seu lado da cama para fazer exatamente o que Elektra sugerira: quando o amigo veio ameaçá-lo, passou um dos braços em volta do pescoço do rapaz, puxando-o para perto, quase como se tentasse asfixiá-lo. Então esfregou uma das mãos em punho no topo da cabeça do outro.
– Feliz aniversário, dude. Estou torcendo para que a sua festa seja a melhor da década, seria uma honra poder falar que ajudei a organizá-la. – Sorriu, e decidiu deixar os amigos um pouco a sós. Levantou-se da cama e dirigiu-se até a porta. – Vou procurar mais alguma coisa para comer, preciso manter esse corpo maravilhoso. – Piscou para Nate e tomou o caminho da cozinha.
Toxic | Nate, Elektra & Dan
Sensações ótimas percorriam seu corpo antes da voz do amigo chegar aos seus ouvidos. Uma série de palavrões escapou de sua boca, mais uma vez sendo interrompidos em meio de algo. Aquela seria a quinta vez, talvez? Já deviam ter se acostumado com isso, mas ao menos daquela vez não poderia entrar de supetão no quarto como acontecera em Gael. Devia conversar com o amigo mais tarde, pensando em algum meio para que aquilo não se repetisse. “I’ll kill you, Daniel.” gritou alto o suficiente para que ele ouvisse. Segurou-se para não pegar o taco ao lado da cama para que a ameaça soasse mais verdadeira.
Desculpou-se com Elektra com o olhar antes de levantar-se. Chutou todas as roupas que estavam em seu caminho, alguns suspiros de raiva lhe escapando a cada passo. Abriu uma pequena fresta da porta, permitindo que apenas seu rosto aparecesse. “What?” O rosto se contorceu em uma face incrédula, a agitação do amigo já lhe dizia o que estava fazendo ali. “Faltam treze horas.” Pronunciou as palavras devagar, tinham mais do que tempo suficiente para que organizassem tudo. E nem mesmo seus pais haviam ligado ainda.
Bateu a porta de leve, torcendo para que a barulheira não acordasse Eileen, detestaria vê-la de mau humor. Voltou-se para Elektra mais uma vez. “I’ll take a shower.”
Elektra saiu do quadril do moreno assim que ouviu a voz de Dan atrás da porta. Fora justamente ele que sugerira o que ela estava pra fazer, o que era irônico. Ela então riu por um instante pela irritação de Nate e deu de ombros. Teriam ainda treze horas para se entreter. Em seguida, a mulher foi até a bolsa que havia trazido consigo na noite anterior e puxou o rádio da polícia discretamente depois que Nate fora para o banheiro.
Verdade seja dita, ela acompanhava a frequência todo santo dia, mesmo nos fins de semana. Não era incomum dela sair no meio da noite, depois que todos tinham adormecido, colocando a roupa de policial no meio do caminho e se preparando para fazer prisões quando todos estavam de folga. Poderia voltar cansada, mas aquilo era a única coisa além de Nate que realmente fazia seu sangue ferver.
Porém, não naquele dia. Elektra desligou o rádio com hesitação, indo pegar um roupão logo depois. Colocou-o apressadamente e foi até Dan, na porta. "Dan… Faltam treze horas ainda." A loira pinçou um charuto dos que estavam em cima da mesa e começou a prepará-lo. Em menos de um minuto já estava com ele entre os lábios. "Por que não vai… Correr ou algo do tipo? Ainda falta muito." Completou, entre baforadas de fumaça.
O desânimo de Elektra e, principalmente, Nate chegava a ofender Daniel. O rapaz esperara meses para poder dividir aquele momento com o seu melhor amigo, e agora estava sendo praticamente chutado porta afora. Mal teve tempo de poder gritar "feliz aniversário" e invadir o quarto, Nate já tinha batido a porta na sua cara e voltado para o seu ninho de amor. Dan cruzou os braços, encostando-se na parede e respirando fundo. Estava mesmo sendo trocado por uma mulher.
– Treze horas passam muito mais rápido do que vocês poderiam imaginar. – Gritou para que pudessem ouvi-lo. – Ainda há muito a se fazer, e não tenho pretensão alguma de me encarregar de tudo. – Seu tom de voz era áspero, como se esperasse que Nate pudesse perceber que Daniel xingava-o por pensamentos. – Além disso, vocês tiveram a noite inteira para fazer o que quer que eu esteja interrompendo.
Quando sugerira a Elektra que oferecesse uma das únicas - senão a única - coisas úteis que possuía em seu corpo para o amigo, esperava que ela tivesse o bom senso de fazer isso à meia-noite. Não podia acreditar que eles tivessem de fato dormido, justamente na madrugada de aniversário de Nathaniel. Respirou fundo mais uma vez, permitindo-se sorrir não muito alegremente quando ouviu a porta se abrindo ao seu lado.
– Agradeço a sugestão, mas resolvi tirar o dia de folga hoje. Treinei a semana inteira, literalmente, e estou com o ombro doendo. – Esclareceu, passando por Elektra para se sentar na cama do casal. Teriam que tirá-lo dali a força; ele estava no seu pleno direito de melhor amigo. – Não quer me fazer uma massagem? – Sorriu ligeiramente para a mulher com ar de provocação, enquanto assistia ela tragar um charuto.
Toxic | Nate, Elektra & Dan
O relógio marcava 09:17 AM, 15 de dezembro. Piscou algumas vezes para que seus olhos se adaptassem à luz da manhã. Vinte e um anos, a partir daquele momento já se tornara maior de idade em todos os países que conseguia se lembrar. Esperava que a qualquer instante o celular começasse a tocar e a voz dos pais surgisse lhe desejando parabéns. Se já não estivessem planejando a festa da noite durante há alguns dias, era provável que tivesse se esquecido do próprio aniversário. E não seria nem a primeira nem a última vez que aquilo acontecia.
Muitos litros de álcool, muita música, alguns convidados a mais e mais o adicional compraria quando a noite tomasse conta do céu. A típica festa irlandesa com a qual ele, Daniel e Eileen já estavam acostumados. Esperava somente que dessa vez a festa não fosse interrompida por algum policial reclamando do barulho alto da música. O que o fez lembrar-se que Elektra agora era um deles. Adicionou aos planos uma maneira de distraí-la quando chegasse a hora para que não notasse a venda de drogas por ali. Um pouco de ácido adicionado à sua bebida? Descartou a possibilidade por achar muito óbvio. Era melhor deixar que Daniel pensasse em algo.
A loira ainda dormia ao seu lado, rompeu com os centímetros que os separavam puxando-a para perto de si. Os lábios do moreno tocaram seu ombro e percorreram o caminho até chegar à base da orelha. “Morning”
A loira ainda ficou naquela posição por alguns minutos até sentir a boca de Nate perto de seu rosto. Era seu aniversário, mas de alguma forma ela que ganhava um presente. Pretendia mudar isso, assim que fosse possível. E isto começava já.
"Morning, birthday boy." Murmurou, se virando. A mão foi até o rosto dele e os dedos brincaram com as pequenas pintas e os fios de cabelo. Começou a descê-la, então, e Elektra enfim deu início à primeira parte de seu presente de aniversário com um beijo molhado e longo. Enquanto o fazia, passou a perna por cima da dele, aproximando-os mais.
Teria que fingir alguma emoção quando a festa começasse. Não era lá fã de barulhos e pessoas desconhecidas mas.. O que poderia fazer? Era aniversário de Nate. Aliás… "Quantos anos está fazendo, afinal?" Perguntou, sem se conter. A boca de Elektra foi descendo, dos lábios dele até a linha da mandíbula, o pescoço, as clavículas, o peitoral, o abdômen, o umbigo…
Era, finalmente, 15 de dezembro. Naquele ano em especial, Daniel sentia-se muito agitado para que a data chegasse logo, já que fora obrigado a passar o aniversário de vinte anos de Nate longe dele, por causa da queda do amigo em Gael. Planejara pequenas surpresas durante a festa que fariam na sua casa naquela noite, de modo que tudo pudesse estar perfeito para a melhor celebração da vida de seu companheiro. Por conta de sua empolgação, mal conseguira dormir durante a noite e, quando o relógio apontara oito horas da manhã, o irlandês já tinha tomado banho, vestido uma roupa decente e tomado o café da manhã.
Visto que o tempo praticamente se arrastava, decidiu pegar o carro e guiar até o supermercado, em busca de algumas garrafas de cervejas e uns salgadinhos baratos. Em dias como aquele, estava mais do que permitido sair fora de sua dieta, ainda que, internamente, aquilo o incomodasse; deveria estar o mais preparado possível para os jogos que se aproximavam. A semana antes do feriado estava lotada.
Quando o moreno sentiu vontade de limpar e ajeitar a cozinha, ele teve certeza de que já não aguentava mais esperar. Mirou o seu relógio de pulso. 9:30. No seu ponto de vista, Nate e Elektra tinham dormido mais do que o suficiente, não lhe custaria nada acordá-los. Além disso, teriam que preparar mais alguns vários detalhes antes da chegada dos convidados, dali apenas treze horas.
Subiu as escadas de dois em dois degraus, praticamente jogando-se contra a porta do quarto de Nate.
– Bom dia! Hora de acordar – berrou, esmurrando a madeira para ter certeza de que tinham escutado seu chamado.
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"Você deveria ir à Londres. À minha Londres, pelo menos." Ela falou, depois de pensar por um momento sobre Ballymena e as cidades que estivera. "Eu não passava um dia sem arranjar confusão." Confessou. Estivera em Londres durante seus dezesseis anos, a idade que mais enlouquecera seu pai, como gostava de contar. Nem ela mesma poderia aguentar a Elektra de dezesseis anos. Com as próximas palavras do moreno, a inglesa quase engasgou com o café. "Fuck, ele faz aniversário agora? Eu nem sabia." Falou sem medo. Que ela e Nate não se conheciam bem era bem sabido por todos. Elektra planejava mudar isso logo, mas… "Tenho que comprar algo pra ele." Decidiu-se. Nunca fora muito de dar presentes, e os que dera eram coisas úteis, como cartuchos de bala, miras ou tripés, todos para seu pai.
"…Uau. Uma comemoração… Pode contar comigo." Falou sem muita certeza. A verdade era que nunca fora uma garota que gostava de festas. Sempre estivera ocupada demais para elas, e quando começou a sair, ía para bares, especialmente para aqueles que sabia que teriam problemas. Sua idéia de uma noitada era ir para bares, conhecer desconhecidos e talvez ganhar uma luta de boxing de bêbado.
"A verdade? Para meu pai? Eu nem estaria aqui se contasse. Provavelmente estaria em algum manicômio como esquizofrênica." Elektra falou, rindo, e se sentou na cadeira na frente de Dan. "Não, eu inventei alguma coisa. Com a vida que eu tive, não foi muito difícil. Era de se esperar que eu sumisse completamente, e foi nisso que meu pai acreditou. Que eu simplesmente aprendi com ele e me mantive fora do radar." Ela olhou para ele e riu. "Você devia ver uma de minhas entrevistas. Acho que iria rir bastante."
"Eu pensei em me unir ao exército por um tempo, sabia?" Acrescentou. "Mas era muito longe de vocês. E parabéns pelo emprego. Poucos tem a sorte de seguirem seus sonhos." Como eu estou tentando agora, pensou consigo. "Ah, eu sei de Amelie. Mandei um e-mail para ela alguns meses atrás. Algum dia a gente poderia se encontrar aqui. Seria ótimo ver todos os sobreviventes de Gael reunidos."
Elektra não tinha cara de quem frequentava muitas festas. De fato, Daniel acreditava que ela não tivesse muitos amigos e nem sequer fizesse questão de tê-los, visto que ela mudara muito desde pequena. Era desconfortável saber de detalhes extremamente íntimos da vida da jovem e não poder comentar nada. Suspirou, decidido a deixar o pensamento para lá; caso insistisse no assunto, provavelmente acabaria falando mais do que deveria.
– Sabe o que Nate adoraria? – Começou, mirando Elektra com uma feição séria e penetrando-a com os olhos. – Você numa lingerie sensual, fazendo uma dança erótica para ele, muita cerveja e, obviamente, sexo. O melhor presente que alguém poderia receber. – Deu de ombros displicentemente, levantando-se da mesa para buscar mais um copo de leite na geladeira. A reação da inglesa era uma incógnita: ou Daniel levaria um chute no meio das pernas, ou ela receberia a sugestão como algo positivo.
No caminho de volta a mesa, o rapaz sentiu-se ligeiramente traído. Amelie já tinha conversado com Elektra, então, e não tinha comentado nada com ele. Isso seria algo que ele não se esqueceria de esclarecer com a ruiva depois. Daniel não escondia absolutamente nada dela.
– Vou buscar o computador. Quero olhar uma daquelas suas entrevistas. – Declarou, esperando a resposta da jovem para que pudesse efetivamente dirigir-se ao andar de cima em busca de seu laptop. Aproveitaria para vestir uma roupa decente enquanto estivesse no seu quarto, já que precisaria partir cedo para o campo para treinar. Teria que, inclusive, achar uma maneira de convencer Elektra a acompanhá-lo.
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Assim que Dan fez o elogio, Elektra descruzou os braços e socou-o de leve no ombro. Esse sim era o Dan que ela conhecia. Irreverente, inconveniente, sem papas na língua. O sorriso do rapaz era convidativo, mas teriam tempo para demonstrações de afeto depois. Agora tinham cacos de vidro no chão e tanto ela quanto ele estavam descalços.
"Loucas a ponto de você sair atirando facas? Wow, Ballymena é mais movimentada do que pensei, bem do jeito que eu gosto." Brincou, e então se abaixou para limpar a bagunça com ele. O suéter de Nate que estava usando era bem grande, por isso ela podia ficar de joelhos no chão sem se preocupar com alguma parte do seu corpo aparecendo. Daquele jeito, só parte dos braços e das pernas apareciam, e um pouco das costas recém-tatuadas de Elektra. Os dois se levantaram.
"Bom… Eu precisava de tempo com meu pai, sabe. E não acho que simplesmente poderia aparecer aqui." Explicou. "Ah, então se viu alguém parecida comigo na cidade, era eu." A loira pegou o maço de cigarros que tinha colocado no balcão quando descera para a cozinha e acendeu um. "E depois… Ainda haviam… Coisas que eu tinha que fazer." Falou, pensando na papelada que organizara logo antes de se inscrever na delegacia de polícia. Havia muita documentação falsa, e ela teve que preencher múltiplos formulários no processo.
"Eu posso ver com meu pai se ele me libera. Sabe como é, a filha desaparece por alguns meses e os pais enlouquecem, principalmente o meu, que achava que eu estava morta e que iria encontrar meu corpo em algum lugar inusitado, como o Big Ben ou algo do tipo." Elektra procurou o telefone e mandou um rápido sms. A resposta veio dois minutos depois. "Curso de culinária?" Ergeu as sobrancelhas, surpresa, mas debochada. "Você deve estar com muito tempo livre, haha." Guardou o celular. "Tudo certo. Existe lugares especiais em Ballymena? Aqui é tão tremendamente… Monótono." Brincou, soprando a fumaça para fora da janela.
– Acho que você está subestimando a nossa cidade, Elektra. – Sorriu em resposta, mas sentia-se verdadeiramente ofendido. Ballymena era um dos lugares que mais amava em toda a Terra, afinal, ali conhecera boa parte das pessoas mais importantes que já haviam passado em sua vida. Crescera na cidadezinha, aprendera literalmente tudo o que sabia e guardava memórias tão cruciais para o seu ser que não seria capaz de trocá-las por nada. Não se via em outro lugar senão ali. – Além disso, você ainda não participou de uma das festas de Nathaniel Jones e Daniel Hournish. – Exclamou com orgulho. Aquela sim seria uma experiência que Elektra jamais esqueceria, fosse pela surpresa desagradável que enfrentaria ou por uma das melhores festas que já participara. – A sua sorte é que o aniversário de Nate está chegando, e estamos organizando a melhor comemoração de todos os tempos.
Pegou outra xícara no armário e serviu-se com um pouco de leite, virando o líquido de uma só vez. Não conseguia imaginar Elektra tendo um relacionamento de todo amigável com o seu pai. Não fazia ideia de como a mulher se portava ao lado de seu progenitor, mas, em sua imaginação, eram como gato e rato. Pensar na hipótese de ela ser tratada como uma filhinha de papai era realmente surpreendente para o irlandês.
– Você contou a verdade para o seu pai? Sobre Gael? – Questionou, sentando-se na mesa e indicando a cadeira à sua frente para a jovem. Estava curioso para que ela lhe contasse tudo o que andara fazendo, a vida de Elektra parecia ser mais interessante do que a sua própria. – E, a propósito, tenho estado mais ocupado do que você pode imaginar. Decidi não voltar para a faculdade nem para o exército, mas consegui um emprego num time de beisebol local. Estou realizando meu sonho. – Uma pontada de orgulho emergiu da voz do moreno. – É bom estar em casa, e é bom ter pessoas que me reconfortam por perto. – Ergueu os olhos para fitá-la com um sorriso discreto. – Amelie também está aqui. Acho que, finalmente, todos estamos.
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Ainda com a faca na mão, Elektra encarou o moreno a sua frente. Era tudo muito estranho. A reação dele, a expressão em seu rosto… Quase como se tivesse medo dela. Decidiu não perguntar, afinal, Dan era como uma ostra. Se ela tentasse revelá-lo a força, só fecharia ainda mais.
"Calm down." Começou, então e colocou a faca no balcão. Em seguida, pegou a xícara de café de volta e levou-a aos lábios."Eu me mudei pra Ballymena a três meses atrás, mas só fui falar com Nate ontem à noite." Explicou. Elektra achou melhor não falar que estivera vigiando-os durante esses meses. E se ele tivesse outro ataque como o de antes? Ela não poderia se segurar. "Desculpa se te assustei. Ele ainda está dormindo e eu na verdade tenho que ir pra casa antes do almoço."
Em seguida, a loira cruzou os braços com a última pergunta.
"O que eu estou fazendo aqui? Estou construindo uma vida, agora que posso." Seu tom era irritado, mas a culpa fora de Dan. Quem mandara sair tacando facas nela daquele jeito? "Agora que meu pai prendeu todas as gangues da Inglaterra, posso finalmente viver em paz, sem ter que me esconder." Ela suspirou. "Eu vim para cá porque… Porque todos me conhecem na Inglaterra agora. Estou em todos os jornais, e entrevistas e eu odeio tudo isso." Elektra virou de costas para Dan, ainda com os braços cruzados no peito. "E depois, eu prometi à Nate que voltaria, e voltei. Também não pretendo ir embora pra nenhum lugar, então é melhor que se acostume com minha presença aqui, Daniel." Ele a atacara e agora ela também estava na defensiva. Ação e reação.
Aquele sim era exatamente o reencontro que Daniel havia imaginado. Nada de confissões no primeiro momento, conselhos, ele mesmo falando sobre a morte de seus pais ou Elektra fugindo de Nate. Ainda que, muito internamente e quase que de modo imperceptível, a declaração o magoasse, o rapaz estava satisfeito em ver que a inglesa regressara para, finalmente, poder construir uma vida ao lado de seu melhor amigo. E dele também. Dan simplesmente soube que aquela realmente era Elektra na sua frente e acreditava que tivesse sido muito burro por tê-la confundido com uma estupidez qualquer de seu subconsciente. Elektra era única.
– Você fica bem bonita bravinha, sabia? – Sorriu. Pensou em abraçá-la, mas agora era ela quem estava na defensiva e seria melhor não arriscar. A garota ainda tinha a faca em mãos. – Me desculpe pela minha reação... Eu estou feliz em vê-la, acredite. É que as coisas têm estado loucas ultimamente. – Suspirou, abaixando-se para recolher do chão os cacos de vidro que tinham se espalhado. Damn it, era sua xícara favorita. – Por que você demorou tanto para vir nos encontrar? Quero dizer, três meses em Ballymena... Isso é bastante.
Tinha muito a perguntar a ela, mas sabia que, uma hora ou outra, teriam todo o tempo do mundo para conversar. Seria bom que ela primeiro pudesse se acertar com Nate, aproveitar que tinham se reencontrado e, então, sobrariam alguns minutos para Daniel.
– Não pode mesmo almoçar com a gente? Eu entrei num desses cursos de culinária. – Explicou com um sorriso, encostando-se na pia para fitá-la. Sua aparência era definitivamente muito melhor do que da última vez que tinham se visto. – Depois vou convencer Nate a te levar num lugar especial. – Sugeriu, com um tom de súplica na voz. Finalmente sentia-se confortável, quase como se não tivessem passado mais de oito meses afastados.
Not nice to see you... Again | @Danektra
Elektra acordara cedo. Mesmo sem a rotina diária de antes, seu corpo não entendia que três horas de sono não eram boas para mantê-la acordada pelo resto do dia. E nem podia culpar a hiperatividade de novo; Estava tomando os remédios rigorosamente para que a condição não a deixasse louca. Teria que começar a tomar remédios para dormir se aquilo persistisse.
Em compensação, a noite em si tinha sido ótima. Tinha reencontrado Nate e tudo que isto implicava ainda fazia sua cabeça rodar um pouco. Como poderia dormir se só o que queria fazer era olhar Nate ao seu lado, escutar sua respiração, e não perder um minuto sequer sem ele? A mulher colocou o café na xícara com um sorriso no rosto.
E em seguida olhou para o relógio. Teria que voltar pra casa em pouco tempo. Seu pai, agora que podia usar e abusar dos celulares, lhe mandava mensagens de meia em meia hora. E Elektra respondia alegremente. Sentia-se mais segura assim, sabendo que ele também estava bem.
"Bom dia." Respondeu para Dan automaticamente, para depois seu cérebro sonolento percebesse o que acontecia. Elektra se virou, sorrindo de felicidade por reencontrar o amigo. "Dan…" Murmurou. E então veio as palavras de resposta dele, e ela se perdeu no meio do caminho. Quer dizer, esperava surpresa, mas não… Repulsa, ou medo. "Dan?" Repetiu, olhando-o. "DAN!" Gritou, assim que viu a faca na mão dele. A lâmina passaria exatamente entre seus olhos se ela não tivesse desviado para a esquerda.
"Fuck, Dan, qual é o seu problema?" Elektra exclamou, tirando a faca do armário atrás de si. Pousou a xícara no balcão para ficar mais livre. "Estamos nos cumprimentando com facadas agora? Jeez, eu fico fora por oito meses e é assim que você me recebe?" Nate foi muito mais hospitaleiro, pensou consigo, rindo internamente.
O rapaz podia perceber claramente que se tratava de mais um blefe. A história era a mesma: primeiro, sua cabeça faria com que acreditasse que Elektra finalmente viera encontrá-los e, então, quando tivesse de uma vez por todas completamente desprotegido, algo que ele não gostaria de ouvir seria dito. A única coisa que lhe incomodava era o fato de que a imagem que viera visitá-lo dias antes não possuía reflexos tão rápidos, e não estava tão bem tratada. Agora, Elektra usava roupas limpas e os cabelos estavam bem penteados, como se ela tivesse tido de fato algum tempo para se arrumar. Ergueu uma das sobrancelhas, desconfiado.
– Elektra? – Aproximou-se cautelosamente da mulher à sua frente, com uma expressão de dúvida ainda em seu semblante. Ergueu o indicador direito e tocou-a levemente no ombro, como se quisesse verificar que ela era mesmo feita de carne e osso. – Quando você voltou? – Questionou friamente. Não podia ter certeza que a loira era realmente a sua amiga, aquela que conhecera em Gael e jamais seria capaz de feri-lo com palavras tão amargas quanto as de sua alucinação. – O que você está fazendo aqui?
Esperava que a resposta para alguma de suas perguntas fosse o suficiente para convencê-lo de que estava diante da verdadeira Elektra, mas, desta vez, estava decidido a não se abrir simplesmente. Talvez devesse esperar Nate ou Eileen, para que eles certificassem-no de que não se tratava de mais um sonho imbecil fruto de sua imaginação perturbada.
A new day has begun | @Nate x @Dan
Não se preocupou mais em relação à faculdade. Já fizera sua escolha e não havia outros motivos para continuar com o pensamento. Preferia continuar pensando sobre a festa de aniversário. Passaria o dia com os pais e Daniel, é claro, enquanto a noite seria repleta de surpresas. Era quase como se estivesse novamente aos seus dezoito anos, sem nenhuma preocupação a não ser se divertir muito e beber o máximo que o próprio corpo fosse capaz de aguentar.
“Vamos fazer Ballymena tremer. Não vai ser difícil trazer pessoas para cá.” Poderiam organizar algo e chamar o maior número de pessoas que conseguissem. Não seria a primeira vez que organizavam algo de última hora, mas que nem por isso fora um fracasso. Saindo do bar poderiam comprar o que precisassem, algumas cervejas não iriam atrapalhar “E sobre comprar drogas, estava falando sério. Fugir da polícia é emocionante.” A sorte que sempre tiveram ajudava em apoiar essa ideia. Já até sabia onde poderiam encontrar alguns contatos que aceitavam um bom negocio. Principalmente se ainda se recordassem das festas que eles já haviam feito. Mais um toque especial que somente eles eram capazes e tudo estaria pronto para que se divertissem noites a fio.
Sentira tanta falta daquele clima que estava até animado demais. Nem parecia que tanto tempo havia se passado desde a última vez que fizeram algo como aquilo. Sentar um pub qualquer; apreciar uma típica bebida irlandesa – mesmo que ainda fosse de manhã e o movimento fosse pouco. Tinham a melhor cerveja do mundo a sua disposição, os melhores lugares a se frequentar e o dia todo para isso. Até mesmo poderiam ficar bêbados e ninguém dali iria se importar.
Há quanto não ia há boates de striper? Dois anos? Ainda que lhe trouxesse boas lembranças e já tivesse apreciado muito, caso convidado seria obrigado a recusar. A pergunta seguinte o pegou de surpresa, foi preciso alguns segundos antes de responder. “Ahn, não tenho certeza.” Pensou sobre aqueles meses em que estivera afastado de Elektra, mas prometera esperar por ela. Ainda estavam juntos? Quase oito meses já haviam se passado e ainda não a encontrara. Mas as notícias que vira na internet mostravam que ela estivera ocupada. Em seguida EIleen lhe veio a mente, assim como o acontecimento. “Mas se estiver perguntando por aquele dia com a Eileen, por favor, esqueça aquilo.” Franziu o cenho, esperava que o amigo já houvesse esquecido sobre o pequeno incidente do qual Nate já se arrependera. “Sério, foi bobagem aquilo.” Tomou com rapidez o resto do conteúdo do copo. Mesmo que apreciasse o gosto da cerveja, queria e precisava se qualquer bebida que fosse mais forte que aquela.
Outra Guinness. Daniel já havia perdido a conta de quantos copos tomara em menos de meia hora que tinham adentrado o bar e, sinceramente, não se importava. Era bom poder voltar às origens, ainda que desconfiasse que já passara da idade de beber como se o mundo ao seu redor simplesmente não existisse. Em sua própria defesa, alegou a si mesmo que arranjara um trabalho e agora tinha capacidade de pagar as próprias contas, o que lhe tornava, de um modo ou de outro, um jovem extremamente responsável. Soltou uma risada rouca ao ouvir o comentário do amigo. Realmente, de todas às vezes que tinham comprado drogas e até mesmo atravessado a cidade em porte delas, nunca tinham sido pegos. Lembrava-se de duas ou três vezes que tinham fugido da polícia, e a sensação da adrenalina pulsando em suas veias era reconfortante. Não teria como negar.
– Você é quem manda. – Adiantou o copo para encostá-lo no do amigo, improvisando um brinde desajeitado. – Que venham as drogas, então, e a melhor festa do ano. – Tomou um gole demorado da sua cerveja, sentindo o líquido extremamente gelado acariciar a sua garganta.
O seu pensamento estava um pouco mais lento. Não sentia-se embriagado ainda, mas estava alto. Era o suficiente para que abandonasse o seu pudor e fosse em frente com as suas perguntas, ainda que, no fundo, estivesse plenamente ciente de que aquele não era o momento certo nem a maneira certa de abordar a situação. Fitou Nate por uns segundos, tentando decifrar a expressão do amigo. Não tinha conversado sobre o beijo que o amigo dera em Eileen e, sinceramente, Daniel pouco se importava com aquilo. Queria saber simplesmente de Elektra, e Nathaniel não lhe dera uma resposta minimamente satisfatória. Não havia outra saída senão... insistir.
– Eu já esqueci, dude. Aqui entre nós, você não é o único nesse bar que já beijou a Eileen, não é? – Deu de ombros com um sorriso nos lábios, lembrando-se das duas vezes em que ficara com a jovem. Nunca dava muito certo. – O que eu quero dizer é: você ainda fala com Elektra? Você obviamente vai contar a ela o que aconteceu. Certo? – Questionou, virando o restante do conteúdo no seu copo de uma só vez, preocupado em ocupar a sua boca e parar de falar. Assim que Nate respondesse exatamente o que ele queria ouvir, prometera a si mesmo que não voltaria a lembrar de Elektra naquele dia.