Albus se sentiu mal pelas palavras de Daisy, que o atacaram tão fortemente. Ele estava se policiando para que não a magoasse, nunca, mas parecia o contrário, parecia que seu esforço para tal tivera sido jogado contra ele mesmo.
Ele não sabia o que responder ao “você não entendeu direito?” ou até mesmo o “você é esperto, Alby”. Albus realmente tinha entendido o que ela havia dito, parcialmente, mas entendeu, só não sabia qual era a melhor resposta a dar. Ele abriu a boca para falar algo mas as palavras não saiam, não conseguiam juntar nem ao menos uma frase completa.
Automaticamente deu um pulo para ajudar a amiga, ele não suportava vê-la naquele estado; agora ele tinha certeza do quão nervosa estava, era perceptível. Nunca tivera imaginado o quão difícil poderia ser para uma garota falar aquilo, e principalmente: tomar a dianteira.
Albus observou-a jogar a maçã e por puro reflexo a pegou e deu uma mordida, queria dizer que estava boa, muito boa, mas não achava que suas estúpidas palavras fossem amenizar o clima, achava que elas iriam piorar a situação do local. Foi então que resolveu quebrar o silêncio, mas não como uma pergunta ou fala idiota, queria parecer sério ao menos uma vez, parecer que se importava realmente — não que não se importava anteriormente.
— Daisy, não faça brincadeiras por favor, apenas me diga se está falando sério. Se eu não pensei besteiras ou que só está brincando. — Ele não sabia se isso era bom ou ruim, não saberia sua próxima atitude diante dela.
A fitou esperançoso, com a maçã com apenas uma mordida pousada na mesa, junto com suas mãos frias e suadas.
Ela não queria magoá-lo, jamais desejou ou sequer pensou nisso. Estava sendo sincera, dizia tudo o que conseguia e lhe vinha em mente.
Notara a tentativa do garoto de falar, e este não obtera sucesso. Mas é claro, ela o pegara de surpresa. Sempre tentou agir sutil e educadamente, sempre evitando que ele percebesse quaisquer tipo de sentimento além da amizade. Não suportava mais, porém. Não suportava esconder aquilo dele, não era justo para ninguém.
O observou aproximar-se rapidamente, para tentar ajudá-la. — Eu tô bem, tô bem. — Esticou a mão para tocar-lhe o braço, no entanto recuou no mesmo instante. Suava um pouco.
Ele pegou a maçã, não que aparentasse estar muito a fim de comer a fruta, e voltou sua atenção novamente para a garota. Foi então que ele fez uma pergunta, e ela respondeu, abaixando a cabeça para evitar seu olhar curioso: — Estou falando sério, Albus. Por que eu mentiria, hein? Posso brincar bastante, no entanto nunca faria uma droga de pegadinha desse tipo. Sou muito bobona, mas também sei falar sério. Basta as pessoas pedirem. Alby… — Hesitou e deixou pra lá.
Franziu o cenho e arfou devido a respiração ainda incontrolada. Sentiu que lágrimas estavam prestes a rolar sobre seu rosto, mas, de repente, levantou a cabeça e encarou o garoto. Olhou bem no fundo de seus olhos e… nada. Seus pensamentos desorganizaram-se dentro de sua mente, ficara hipnotizada diante daquela visão. Um sorriso pequeno surgiu em seus lábios e disse timidamente a coisa mais boba, porém mais sincera, que conseguiu: — Gosto de você mais do que gosto de chocolate.